AREsp 2551197 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o título judicial já havia consignado expressamente índices de correção monetária e de juros de mora (IGP-M e percentuais estipulados), de modo que substituí-los pela taxa SELIC na fase de cumprimento de sentença violaria a coisa julgada; ademais, decisões monocráticas...
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- Parties
- Agravante: MAURÍCIO DAL AGNOL; Agravado: OI S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Cumprimento De Sentença
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Juros De Mora, Correção Monetária, Coisa Julgada, Taxa SELIC, Decisão Monocrática, Preclusão, Súmula 7/stj
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Parties
MAURÍCIO DAL AGNOL
Agravante
OI S/A
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Cumprimento De Sentença
Legal Issues
- 1 Possibilidade de aplicação da taxa SELIC na fase de cumprimento de sentença quando o título judicial fixa índices diversos
- 2 Violação da coisa julgada ao alterar índices de correção ou juros na fase de cumprimento de sentença
- 3 Admissibilidade de decisões monocráticas como paradigma para comprovação de divergência jurisprudencial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o título judicial já havia consignado expressamente índices de correção monetária e de juros de mora (IGP-M e percentuais estipulados), de modo que substituí-los pela taxa SELIC na fase de cumprimento de sentença violaria a coisa julgada; ademais, decisões monocráticas indicadas não são aptas a comprovar divergência jurisprudencial e o reexame de matéria fático-probatória é vedado em recurso especial (Súmula 7).
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Ficam as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. DECISÃO MONOCRÁTICA. IMPRESTABILIDADE À COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Esta Corte Superior entende que proceder à alteração dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial, na fase de cumprimento de sentença, configuraria violação à coisa julgada. 2. Na hipótese, haja vista o título judicial consignar expressamente índices de correção monetária e de juros de mora, a sua substituição pela taxa SELIC - na fase de cumprimento de sentença - viola a coisa julgada. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "interpretando o art. 1.043, incisos I e III, do CPC, firmou a orientação de que decisão monocrática não pode ser adotada como paradigma para fins de comprovação da divergência" (AgInt nos EAREsp 1.185.827/ES, Rel. o Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, julgado em 22/6/2021, DJe 24/6/2021). 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MAURÍCIO DAL AGNOL contra decisão monocrática desta relatoria assim ementada (e-STJ, fl. 958): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO CONFIGURADA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. Em suas razões, o agravante pretende a reforma da decisão agravada. Para tanto, aduz, em síntese, não ser caso de violação da coisa julgada, uma vez que a decisão não fixou percentuais de juros de mora. Dessa maneira, entende ser "impositiva a aplicação da Taxa Selic, como índice uno de juros de mora e correção monetária, nos termos do art. 406 do CC/2002, bem como nos termos da jurisprudência uníssona do Superior Tribunal de Justiça" (e-STJ, fl. 971). Além disso, defende a inaplicabilidade das Súmulas 7, 83 e 508 do STJ. A impugnação não foi apresentada, conforme certidão de fl. 1.053 (e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. DECISÃO MONOCRÁTICA. IMPRESTABILIDADE À COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Esta Corte Superior entende que proceder à alteração dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial, na fase de cumprimento de sentença, configuraria violação à coisa julgada. 2. Na hipótese, haja vista o título judicial consignar expressamente índices de correção monetária e de juros de mora, a sua substituição pela taxa SELIC - na fase de cumprimento de sentença - viola a coisa julgada. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "interpretando o art. 1.043, incisos I e III, do CPC, firmou a orientação de que decisão monocrática não pode ser adotada como paradigma para fins de comprovação da divergência" (AgInt nos EAREsp 1.185.827/ES, Rel. o Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, julgado em 22/6/2021, DJe 24/6/2021). 4. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não comporta provimento. Com efeito, em que pese às alegações deduzidas pelo agravante, conforme asseverado na decisão de fls. 958-964 (e-STJ), as instâncias ordinárias expressamente fixaram consectários legais diversos da Selic, com base na seguinte fundamentação (e-STJ, fl. 292 - sem grifo no original): Alega a parte agravante que há excesso de execução apontando o valor de R$ 29.670,54, sustentando que deve ser aplicada a taxa SELIC para correção do valor da condenação. Dispôs a decisão proferida em sede recursal (recurso de apelação nº 70077368108) nos autos da ação de conhecimento: "Por tais razões, acolho a preliminar de ilegitimidade passiva da ré OI S/A, julgando extinto o feito em relação a ela com base no art. 485, VI, do CPC/1973; rejeito as demais preliminares; e dou provimento ao apelo para condenar o réu Maurício Dal Agnol ao pagamento de R$ 12.551,36 (doze mil, quinhentos e cinquenta e um reais e trinta e seis centavos) a título de danos materiais, corrigidos pelo IGP-M e acrescido de juros de mora a partir da homologação do acordo, e de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título de danos morais, devidamente corrigidos pelo IGP-M a partir da data da publicação deste v. acórdão e acrescidos de juros moratórios a partir da citação. Quanto à sucumbência, cabe seu redimensionamento, devendo o réu Maurício Dal Agnol arcar com o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios dos procuradores do autor, que fixo em 15% (quinze por cento) sobre o valor da condenação, atualizado, e condeno a autora ao pagamento da verba honorária em favor dos procuradores da ré OI S/A, arbitr ados em R$ 1.000,00 (um mil reais), valor que deverá ser atualizado pelo IGPM a partir da data da publicação deste v. acórdão até o pagamento, tendo em vista o trabalho exigido e produzido pelos profissionais, suspensa a exigibilidade quanto à autora em razão da concessão da gratuidade da justiça." O cálculo apresentado pela credora no evento 1 - CALC3 e CALC4 está em conformidade com os parâmetros adotados pela decisão transitada em julgado, não cabendo discussão acerca dos juros aplicados no valor da condenação, sob pena de ofensa à coisa julgada. Nesse sentido: (..) Nesse contexto, verifica-se que, na decisão de cumprimento de sentença, ficou consignado no título judicial, já transitado em julgado, os índices de correção monetária e dos juros de mora, sendo descabida nesse momento processual a discussão sobre a aplicação da taxa SELIC, pois há muito operada a preclusão e a imutabilidade da sentença pela coisa julgada. Dessa maneira, consoante iterativa jurisprudência desta Corte, sujeitam-se à preclusão consumativa as questões decididas no processo, inclusive as de ordem pública, que não tenham sido objeto de impugnação recursal no momento próprio. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA EXPRESSAMENTE DEFINIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INVIABILIDADE. AFRONTA À COISA JULGADA. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não configura ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 o fato de o Tribunal de origem, embora sem examinar individualmente cada um dos argumentos suscitados pelo recorrente, adotar fundamentação contrária à pretensão da parte, suficiente para decidir integralmente a controvérsia. 2. Fica inviabilizado o conhecimento de tema trazido na petição de recurso especial, mas não debatido e decidido no acórdão recorrido, porquanto ausente o indispensável prequestionamento. Aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF. 3. O Tribunal de origem concluiu que não seria possível discutir a aplicação da taxa SELIC ao caso, sob pena de afronta à coisa julgada. 4. Esta Corte Superior entende que proceder à alteração dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial, na fase de cumprimento de sentença, configuraria violação à coisa julgada. Incidência da Súmula 83/STJ. 5. Para verificar locupletamento ilícito da agravada, seria imprescindível o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável em recurso especial, em face do óbice da Súmula 7 do STJ. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.914.152/DF , relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 26/10/2023) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. JUROS DE MORA. SUBMISSÃO À COISA JULGADA. FIXAÇÃO EM PERCENTUAL DIVERSO DA LEGISLAÇÃO GERAL DE REGÊNCIA (ART. 1.076 DO CC/1916 E 406 DO CC/2002). POSSIBILIDADE. LIBERDADE CONTRATUAL. PRECEDENTES. JUROS MORATÓRIOS FIXADOS EM CONTRATO. SÚMULA N. 5/STJ. MATÉRIA DEDUZIDAS OU DEDUTÍVEIS NA FASE DE CONHECIMENTO. INVIABILIDEDE DE SUSCITAR EM LIQUIDAÇÃO OU CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. 1. Sem amparo a alegação de que os juros de mora não se submetem aos efeitos da coisa julgada, pois "Não é possível a modificação, na fase de liquidação ou cumprimento de sentença, dos juros de mora e da correção monetária estabelecidos no título exequendo, sob pena de ofensa à coisa julgada" (AgInt no AREsp n. 2.243.081/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/8/2023). 2. No caso dos autos, o Tribunal de origem expressamente consignou que o título judicial exequendo se formou determinando, em substituição aos encargos legalmente previstos, a incidência dos juros de mora em 1%, a teor de previsão contida contratualmente. 3. Sem reparo o entendimento do Tribunal de origem quanto à inaplicabilidade do Tema n. 176/STJ, porquanto de fácil inferência que o título judicial se formou afastando os juros de mora previstos na legislação de regência (art. 1.062 do CC/1916, posteriormente previsto no art. 406 do CC/2002) porque pactuado percentual moratório diverso no contrato (premissa insindicável a teor do previsto na Súmula n. 5/STJ), o que não representa nenhuma irregularidade, dada a liberdade que citados normativos concedem às partes de convencionar. Precedentes. 4. Irrelevante a alegação do agravante de que não fora observada "a distinção entre os (i) encargos que são aplicados ao débito antes da judicialização (aqueles previstos em contrato) e os (ii) encargos que são aplicados após a judicialização (encargos legais), nos termos das jurisprudências colacionadas", pois, uma vez a questão dos juros de mora estar submetida à imutabilidade da coisa julgada, tais teses somente se fariam pertinentes na fase de conhecimento, não havendo espaço para suscitá-las quando o processo já se encontra em liquidação/cumprimento de sentença. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.075.177/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023) Por fim, em relação as decisões monocráticas indicadas nas razões de agravo interno para o fim de sustentar o pleito do insurgente, cabe destacar que a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que "decisão monocrática não pode ser adotada como paradigma para fins de comprovação da divergência" (AgInt no AREsp n. 2.002.208/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 19/5/2022). Desse modo, tendo em vista que as alegações feitas no agravo interno não são capazes de alterar o convencimento anteriormente manifestado, permanece íntegra a decisão agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.