REsp 2082468 - ACORDAO
Havendo omissão no acórdão quanto à majoração de honorários recursais e presentes os requisitos delineados no art.85, §11, do CPC e na jurisprudência da Corte Especial (EAREsp nº 762.075/MT), o Tribunal deve acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e majorar a verba honorária sucumbencial, observando o...
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- Parties
- Embargante: GIBRON BRASIL IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA.; Embargada: KRONES DO BRASIL LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Recurso Especial / Acórdão (terceira Turma)
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos; omissão sanada e honorários recursais majorados.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios, Excesso De Execução, Taxa Selic, Contrato De Transferência De Crédito Tributário, Súmula 7/stj, Tema 410/stj
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Parties
GIBRON BRASIL IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA.
Embargante
KRONES DO BRASIL LTDA
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Recurso Especial / Acórdão (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 Omissão quanto à majoração de honorários recursais nos termos do art.85, §11, do CPC
- 2 Aplicabilidade dos requisitos do art.85, §11, do CPC e da jurisprudência da Corte Especial (EAREsp nº 762.075/MT)
- 3 Vedação ao reexame de matéria de fato pela Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Havendo omissão no acórdão quanto à majoração de honorários recursais e presentes os requisitos delineados no art.85, §11, do CPC e na jurisprudência da Corte Especial (EAREsp nº 762.075/MT), o Tribunal deve acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e majorar a verba honorária sucumbencial, observando o limite legal previsto nos §§ 2º e 3º do art.85.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos; omissão sanada e honorários recursais majorados.
Orders
- Acolher os embargos de declaração interpostos por GIBRON BRASIL IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA.
- Majorar para 11% o percentual da verba honorária sucumbencial já fixada pelas instâncias de origem em desfavor de KRONES DO BRASIL LTDA, observado o limite de 20% previsto pelo art.85, §§ 2º e 11, do NCPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins (Presidente), Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por GIBRON BRASIL IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA. (GIBRON) contra acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENTRE EMPRESAS. INSURGÊNCIA DOS EXECUTADOS CONTRA LAUDO PERICIAL. ACOLHIMENTO. TÍTULO JUDICIAL DE CARÁTER DÚPLICE. PARTE LÍQUIDA E PARTE QUE DEPENDIA DE EVENTO FUTURO PARA POSSÍVEL ABATIMENTO DA DÍVIDA. DEMORA PROCESSUAL EM RAZÃO DE CRISE NA EXECUÇÃO. (1) EXCESSO EXECUTÓRIO. ACÓRDÃO QUE VISLUMBRA TRABALHO DO VISTOR JUDICIAL EM DESCOMPASSO COM DECISÃO DE ANTERIOR AGRAVO DE INSTRUMENTO E COM A SENTENÇA EXEQUENDA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 502, 507 E 508 DO NCPC. INTERPRETAÇÃO DO TÍTULO DE ACORDO COM OS LIMITES COISA JULGADA. PRECEDENTES. OCORRÊNCIA DO EVENTO FUTURO APTO A GERAR ABATIMENTO DO DÉBITO EXEQUENDO EM MAIOR AMPLITUDE, NA LEITURA DO TRIBUNAL. ACERTAMENTO DA RECORRENTE COM O FISCO. NECESSIDADE DE REEXAMINAR CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO PARA INFIRMAR AS CONCLUSÕES DO ACÓRDÃO. SÚMULA 7/STJ. (2) VIOLAÇÃO DO ART. 525, §§ 4º E 5º, DO NCPC. INDICAÇÃO DE VALOR CERTO A DECOTAR DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA NA PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO. (3) TAXA SELIC. PREVISÃO CONTRATUAL E ENCAMPAÇÃO PELA COISA JULGADA. (4) HONORÁRIOS DE ADVOGADO EM ACOLHIMENTO PARCIAL DE IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TEMA 410/STJ. (5) DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DEFICIÊNCIA NA DEMONSTRAÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. 1. Se o título executivo judicial contempla parte líquida e parte relegada à liquidação futura por artigos para apurar eventuais créditos da executada, vindo a ocorrer primeiro a apuração de tais créditos compensáveis, não há porquê prosseguir a execução pelos valores originários (arts. 368 e 369/CC/2002). 2. A melhor interpretação de um título executivo judicial que varia secundum eventum litis é aquela que, sem ferir a coisa julgada, modula sua atuação no mundo sensível ao tempo-espaço de concretização. 3. Para infirmar o entendimento do Tribunal de que não existe pendência da multa isolada e encargos exigidos pela PGFN após o acerto da recorrente com o Fisco, ou seja, de que houve pagamento integral da dívida fiscal referida nestes autos, seria necessário rever o material de cognição, encontrando óbice da Súmula 7/STJ. 4. Havendo reconhecimento pela própria credora de que na primeira impugnação a executada apontou valor certo para abatimento da dívida original cobrada, por si só, já configura o cumprimento dos §§ 4º e 5º, do art. 525 do NCPC. 5. Traduz comportamento contraditório (venire) alegar que a Taxa Selic não poderia ser ajustada entre particulares, quando o que a sentença exequenda fez foi justamente encampar essa vontade das partes no contrato por elas celebrado. 6. Ainda que no início do cumprimento de sentença a cobrança do total da dívida, no caso específico, pudesse estar escudada no título original, a manutenção intransigente da tese após a ocorrência de fatores de mutação do direito executivo (previstos no mesmo título), o tornou apenas parcialmente exigível, donde a necessidade de se impor honorários de sucumbência pelo proveito econômico obtido na impugnação (Tema 410/STJ). 7. É deficiente a demonstração do dissídio jurisprudencial sem o devido cotejo analítico e indicação precisa dos artigos de lei ditos de interpretação controvertida nos Tribunais. 8. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido (e-STJ, fls. 831/833). Nas razões do recurso integrativo de GIBRON, aponta omissão no julgado quanto a fixação dos honorários recursais, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC (e-STJ, fls. 850/851 e 853/854). Houve apresentação de resposta recursal por KRONES DO BRASIL LTDA (KRONES) (e-STJ, fls. 860/861). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENTRE EMPRESAS. RECURSO DA EXEQUENTE CONHECIDO EM PARTE E NÃO PROVIDO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC CONFIGURADA. HONORÁRIOS RECURSAIS. NECESSIDADE DE MAJORAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. 1. A omissão que enseja o oferecimento de embargos de declaração consiste na falta de manifestação expressa sobre algum ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz ou o tribunal de ofício ou a requerimento da parte. 2. Os embargos merecem acolhimento porque, nos termos do § 11 do art. 85 do Código de Processo Civil de 2015: "O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2º a 6º, sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os respectivos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º para a fase de conhecimento." 3. Segundo orienta a Corte Especial do STJ, além da decisão recorrida publicada a partir de 18/3/2016 (NCPC), são requisitos concomitantes a falta do êxito recursal (não conhecimento/provimento) e a condenação em honorários de advogado desde a origem no feito em que interposto o recurso (EAREsp nº 762.075/MT). 4. Embargos de declaração acolhidos. VOTO A irresignação merece acolhida. Da violação do art. 1.022 do CPC. De acordo com a jurisprudência desta Corte, a contradição ou obscuridade remediáveis por embargos de declaração são aquelas internas ao julgado embargado, devidas à desarmonia entre a fundamentação e as conclusões da própria decisão. Já a omissão que enseja o oferecimento de embargos de declaração consiste na falta de manifestação expressa sobre algum ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz ou o tribunal de ofício ou a requerimento da parte e que, nos termos do CPC, é capaz, por si só, de infirmar a conclusão adotada para o julgamento do recurso (arts. 1.022 e 489, § 1º, do CPC). No caso, GIBRON, aponta ofensa ao art. 1.022, II, do CPC, por omissão do julgado no que tange à necessidade de majoração dos honorários advocatícios sucumbenciais, em razão do não provimento do recurso especial de KRONES, nos termos do art. 85, § 11, do CPC. Com razão. Segundo a orientação da Corte Especial do STJ, firmada no julgamento do AgInt nos EAREsp nº 762.075/MT, relator Ministro FELIX FISCHER, relator p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, julgado aos 19/12/2018, DJe de 7/3/2019, é devida a majoração da verba honorária sucumbencial, na forma do art. 85, § 11, do CPC, quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a) decisão recorrida publicada a partir de 18/3/2016, quando entrou em vigor o novo Código de Processo Civil; b) recurso não conhecido integralmente ou desprovido, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente; e c) condenação em honorários advocatícios desde a origem no feito em que interposto o recurso. Diante disso, é devida a majoração da verba honorária, nos termos do art. 85, § 11, do CPC. Nessas condições, ACOLHO os embargos de declaração para sanar a omissão apontada nos termos da fundamentação supra, majorando para 11% o percentual da verba honorária sucumbencial já fixada pelas instâncias de origem em desfavor de KRONES, observado o limite de 20% previsto pelo art. 85, §§ 2º e 11, do NCPC. É como voto.