AREsp 2649447 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno pois a decisão recorrida está em harmonia com a jurisprudência do STJ que presume impenhoráveis os valores pertencentes ao devedor até o limite de 40 salários-mínimos, ainda que em conta-corrente ou em aplicações financeiras, salvo demonstração de má-fé, abuso de direito ou fraude,...
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- Parties
- Agravante: CAIXA DE PREVIDENCIA DOS FUNCIONARIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Da Terceira Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Impenhorabilidade, Art. 833, X, Do CPC, Penhora Em Conta Corrente, Limite De 40 Salários Mínimos
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Parties
CAIXA DE PREVIDENCIA DOS FUNCIONARIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Da Terceira Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de penhora em conta-corrente de valores inferiores a 40 salários-mínimos
- 2 Alcance do art. 833, X, do CPC a aplicações financeiras e contas-correntes
- 3 Necessidade de comprovação de má-fé, abuso de direito ou fraude para afastar a impenhorabilidade
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno pois a decisão recorrida está em harmonia com a jurisprudência do STJ que presume impenhoráveis os valores pertencentes ao devedor até o limite de 40 salários-mínimos, ainda que em conta-corrente ou em aplicações financeiras, salvo demonstração de má-fé, abuso de direito ou fraude, o que não foi comprovado nos autos; assim, não há omissão ou violação normativa que justifique reforma.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno e manter a decisão agravada.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 15/10/2024 a 21/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ART. 833, X, DO CPC. IMPENHORABILIDADE. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ATÉ O LIMITE DE 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Discute-se nos autos se é possível a penhora em conta-corrente bancária de valores inferiores a 40 (quarenta) salários mínimos. 2. A jurisprudência desta Corte Superior assenta que a impenhorabilidade de que trata o inciso X do art. 833 do CPC abrange não apenas os valores depositados em caderneta de poupança, mas também aqueles mantidos em conta-corrente, aplicações financeiras ou fundos de investimentos, ressalvada a comprovação de má-fé, abuso de direito ou fraude, hipóteses não identificadas no caso concreto. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por CAIXA DE PREVIDENCIA DOS FUNCIONARIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI contra decisão monocrática de minha relatoria que conheceu do agravo e negou provimento ao recurso especial, conforme a seguinte ementa (fl. 230): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. IMPENHORABILIDADE. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ATÉ O LIMITE DE 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. PESSOA JURÍDICA. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA assim ementado (fl. 82): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. MAGISTRADO AQUO QUE REJEITA A IMPUGNAÇÃO À PENHORA, MANTENDO O BLOQUEIO DE VALORES ENCONTRADOS NA CONTA BANCÁRIA DE UMA DAS DEVEDORAS. INSURGÊNCIA DESTA. PRETENDIDO O RECONHECIMENTO DA IMPENHORABILIDADE DO MONTANTE CONSTRITO. ACOLHIMENTO. VERBA INFERIOR A QUARENTA SALÁRIOS MÍNIMOS. APLICAÇÃO DO ART.833, INCISO "X", DO CPC, AO CASO, INDEPENDENTEMENTE DA DENOMINAÇÃO DA CONTABANCÁRIA OU DA ORIGEM DA VERBA. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DE MÁ-FÉ OUFRAUDE. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO REFORMADA. NECESSIDADE DE IMEDIATA DEVOLUÇÃO DOS VALORES À AGRAVANTE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Os embargos de declaração foram acolhidos sem efeitos modificativos (fls. 112-116). Nas razões do agravo interno, a agravante alega que a decisão merece reforma, pois o devedor não comprovou que o bloqueio judicial recaiu sobre verba oriunda de trabalho ou ainda previdenciário, bem como não comprovou que a penhora comprometerá a sua subsistência e de sua família, nos termos do artigo 373 do CPC. Requer, ainda, o afastamento da benesse concedida a recorrida, posto que não trata de pessoa hipossuficiente. Aduz, ainda, que perdura a violação do art. 1.022, II do CPC/2015, c/c art. 489, §1º, inciso IV do CPC/2015, uma vez que deixou a Corte de origem de se manifestar acerca de argumentos essenciais trazidos pela ora agravante e que são capazes de infirmar a equivocada conclusão. Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, submeta-se o presente agravo à apreciação da Turma. A agravada apresentou contrarrazões (fls. 257-264). É, no essencial, o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ART. 833, X, DO CPC. IMPENHORABILIDADE. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ATÉ O LIMITE DE 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Discute-se nos autos se é possível a penhora em conta-corrente bancária de valores inferiores a 40 (quarenta) salários mínimos. 2. A jurisprudência desta Corte Superior assenta que a impenhorabilidade de que trata o inciso X do art. 833 do CPC abrange não apenas os valores depositados em caderneta de poupança, mas também aqueles mantidos em conta-corrente, aplicações financeiras ou fundos de investimentos, ressalvada a comprovação de má-fé, abuso de direito ou fraude, hipóteses não identificadas no caso concreto. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): O recurso não merece prosperar, na medida em que o agravante não trouxe argumentos capazes de infirmar a decisão recorrida. Inicialmente, afasto a apontada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois não se constatam omissão, obscuridade ou contradição nos acórdãos recorridos capazes de torná-los nulos. O Colegiado originário apreciou a demanda de forma clara e precisa, deixando bem delineados os fundamentos dos julgados. É notório nesta Corte Superior que o juiz não fica obrigado a se ater aos argumentos indicados pelas partes nem a responder, uma a uma, a todas as suas alegações quando já encontrou motivo suficiente para embasar a decisão - o que de fato ocorreu. Ao analisar a questão, o Tribunal a quo consignou (fls. 79-80): Para além da discussão relativa à origem salarial dos ativos financeiros bloqueados, vê-se que a penhora discutida neste recurso recaiu sobre o montante de R$ 2.087,40 (evento 822, DOC1 e evento 822, DOC2 - PG), o qual é claramente inferior ao importe de 40 salários mínimos. Essa situação atrai ao caso a aplicação da proteção descrita no inc. X do art. 833 do Código de Processo Civil - que dispõe ser impenhorável "a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos" - sobretudo nos termos da atual interpretação conferida pelo Superior Tribunal de Justiça à aludida norma. De acordo com aquela Corte, a impenhorabilidade acima mencionada não se aplica somente aos ativos financeiros depositados em poupanças, mas também àqueles mantidos em conta-corrente, fundos e contas de investimento ou, ainda, guardados em papel-moeda, especialmente quando constituem a única reserva financeira do devedor e não há indícios de má-fé ou fraude de sua parte. Confira-se: (..) Dessarte, independentemente da comprovação da origem da verba ou, ainda, da espécie de conta bancária em que se encontra depositada, impõe-se declarar a sua impenhorabilidade, à luz do posicionamento supracitado e considerando, ainda, que não há indícios da existência de outras reservas financeiras de titularidade da agravante, nem de fraude ou má-fé. As Turmas de Direito Privado do Superior Tribunal de Justiça pacificaram o entendimento de que os valores pertencentes ao devedor, até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, mantidos em conta-corrente, caderneta de poupança ou fundos de investimentos são impenhoráveis. Efetivamente, conforme a jurisprudência desta Corte, a impenhorabilidade de que trata o inciso X do art. 833 do CPC abrange não apenas os valores depositados em caderneta de poupança, mas também aqueles mantidos em conta-corrente, aplicações financeiras ou fundos de investimentos, ressalvada a comprovação de má-fé, abuso de direito ou fraude, hipóteses não identificadas no caso concreto. Confiram-se precedentes: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. IMPENHORABILIDADE. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ATÉ O LIMITE DE 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Salvo nos casos de fraude ou abuso, a quantia de até 40 (quarenta) salários mínimos é impenhorável, esteja ela depositada em conta corrente, poupança ou outras aplicações financeiras. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos E Dcl no R Esp n. 2.024.866/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 4/9/2023, D Je de 8/9/2023.) GRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPENHORABILIDADE. CONTA BANCÁRIA. VALORES DEPOSITADOS. 40 (QUARENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS. ART. 833, X, DO CPC. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça manifesta-se no sentido de que todos os valores pertencentes ao devedor, até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, mantidos em conta-corrente, caderneta de poupança ou fundos de investimentos são impenhoráveis. 2. Na hipótese, o posicionamento do tribunal de origem divergiu da orientação firmada nesta Corte, motivo pelo qual deve ser mantida a decisão agravada, que deu parcial provimento ao recurso especial para determinar a impenhorabilidade dos valores depositados em aplicações financeiras, até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos. 3. No caso, inviável a análise do alegado abuso ou má-fé do executado, tendo em vista que demandaria o reexame das circunstâncias fáticas dos autos, procedimento vedado pela Súmula nº 7/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AR Esp n. 2.245.929/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, D Je de 24/8/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. PENHORA DE VALORES EM CONTA CORRENTE. LIMITE DE IMPENHORABILIDADE DO VALOR CORRESPONDENTE A 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Malgrado a literalidade da dicção legal do art. 932, V, do NCPC, esta Corte Superior já se manifestou no sentido de que a interpretação sistêmica do Código recomenda uma exegese ampliativa da norma, de modo a autorizar o julgamento monocrático dos recursos com amparo na existência de orientação jurisprudencial dominante. 2. A apreciação do tema pelo órgão colegiado no agravo interno supera eventual nulidade da decisão singular. 3. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido da impenhorabilidade de valor até 40 salários mínimos poupados ou mantidos pelo devedor em conta corrente ou em outras aplicações financeiras, ressalvada a comprovação de má-fé, abuso de direito ou fraude, o que não foi demonstrado nos autos. 4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo interno não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AR Esp n. 1.622.093/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, D Je de 23/8/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO AGRAVANTE. 1. Nos termos da jurisprudência deste Tribunal Superior, a regra geral da impenhorabilidade de salários, vencimentos, proventos etc. (art. 649, IV, do CPC/73; art. 833, IV, do CPC/2015), pode ser excepcionada para pagamento de prestação alimentícia, desde que seja preservado percentual de tais verbas capaz de dar guarida à dignidade do devedor e de sua família. Incidência da Súmula 83/STJ. Precedentes. 1.1. A jurisprudência desta Corte estende a abrangência do art. 649, inciso X, do CPC/73 - correspondente ao art. 833, inciso X, do CPC/2015 -, a todos os numerários poupados pela parte executada, até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, não importando se depositados em poupança, em conta corrente, fundos de investimento ou guardados em papel-moeda. No entanto, autoriza as instâncias ordinárias a identificarem, no caso concreto, eventual abuso do direito, má-fé ou fraude, a afastar a garantia da impenhorabilidade. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AgInt no AR Esp n. 2.127.446/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 17/4/2023, D Je de 20/4/2023.) No mesmo entendimento, confiram-se os seguintes precedentes monocráticos: REsp n. 2.131.103/MG, relator Min. Moura Ribeiro, DJe de 5/4/2024; R Esp n. 2.129.631/PR, relator Min. Marco Aurélio Bellizze, D Je de 2/4/2024; AR Esp n. 2.528.581/DF, relatora Ministra Nancy Andrigui, D Je de 14/3/2024; R Esp n. 2.099.199/MS, relatora Ministra Isabel Gallotti, D Je de 3/2/2023; e AREsp n. 2.471.665, relator Min. Ricardo Villas Boas Cueva, DJe de 28/2/2024. Na hipótese dos autos, a impenhorabilidade prevista no art. 833, X, do CPC/2015 deve ser presumida, cabendo ao credor demonstrar a má-fé, o abuso de direito ou a fraude para que se excepcione a regra e se admita a penhora. Isso se deve ao princípio de que a "boa-fé se presume; a má-fé se prova", conforme estabelecido no Tema Repetitivo n. 243/STJ. Como se pode observar, o entendimento da Corte de origem está em harmonia com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a referida temática, razão pela qual afasta-se a violação do art. 927, §3º, do CPC. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.