AREsp 2759994 - DECISAO
O Tribunal entendeu inexistente omissão quanto ao art. 1.022 do CPC/2015, confirmou a necessidade de juntada dos borderôs de desconto e contratos na fase de cumprimento de sentença para apurar detalhadamente as tarifas e o quantum debeatur, reconheceu que a juntada não viola a coisa julgada à luz da jurisprudência...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante (recorrente): ITAÚ UNIBANCO S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Para Impugnar Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Coisa Julgada, Juntada De Documentos, Liquidação De Sentença, Art. 1.022 Cpc/2015, Art. 400 Cpc/2015
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Parties
ITAÚ UNIBANCO S/A
Agravante (recorrente)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Para Impugnar Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do tribunal a quo quanto ao art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Possibilidade de juntada de borderôs de desconto e contratos na fase de cumprimento de sentença
- 3 Alegada violação da coisa julgada pela juntada de documentos
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu inexistente omissão quanto ao art. 1.022 do CPC/2015, confirmou a necessidade de juntada dos borderôs de desconto e contratos na fase de cumprimento de sentença para apurar detalhadamente as tarifas e o quantum debeatur, reconheceu que a juntada não viola a coisa julgada à luz da jurisprudência do STJ e que as medidas coercitivas previstas no art. 400 do CPC/2015 podem ser aplicadas observados prévio juízo de probabilidade e tentativa de exibição; por tais fundamentos, conheceu do agravo e negou provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial
- Negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial desafiando decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto por ITAÚ UNIBANCO S/A com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (e-STJ Fl.50): "AGRAVO DE INSTRUMENTO E AGRAVO INTERNO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE DETERMINOU A JUNTADA DE DOCUMENTOS PELA PARTE EXECUTADA. RECURSOS DO EXECUTADO. JULGAMENTO CONJUNTO. BORDERÔS DE DESCONTO E CONTRATOS DE LIBERAÇÕES DE CRÉDITOS. NECESSÁRIO DETALHAMENTO DE VALORES DESCONTADOS DA CONTA CORRENTE DA PARTE AGRAVADA PARA AVERIGUAÇÃO DA EVOLUÇÃO DA DÍVIDA. JUNTADA DE DOCUMENTOS QUE NÃO VIOLA A COISA JULGADA, VEZ QUE IMPORTANTE PARA DETERMINAR-SE O QUANTUM DEBEATUR ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DO ART. 400 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE. MEDIDAS COERCITIVAS QUE PODEM SER ADOTADAS VISANDO A EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. AGRAVO INTERNO PREJUDICADO." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, sustenta o recorrente, ora agravante, que o Tribunal a quo negou vigência ao art. 1.022 do CPC/2015, pois deixou de se manifestar sobre (i) a impossibilidade de juntada dos borderôs de desconto, uma vez que os Contratos que originariam os referidos borderôs sequer foram objeto de análise e decisões na fase de conhecimento e, em respeito à coisa julgada, deve ser decotada a necessidade de colacionar referidos borderôs, o que deveria ser analisado à luz dos artigos 502 do CPC/2015; (ii) a inaplicabilidade do art. 400 do CPC/2015 em face aos documentos que não são objetos da lide, em respeito à coisa julgada. Requer seja conhecido e provido o presente recurso especial, a fim de reconhecer a violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015, determinando-se a remessa dos autos ao Tribunal a quo para que seja proferido novo acórdão, sobre as matérias trazidas em juízo para apreciação; subsidiariamente, reconhecer a impossibilidade de juntada dos borderôs de desconto nesta fase processual, uma vez que os Contratos que a originaram sequer foram objetos de análise e de decisões na fase de conhecimento, devendo ser decotada da decisão de origem, em respeito à coisa julgada, conforme art. 502 do CPC/2015; subsidiariamente, ainda, reconhecer a inaplicabilidade do ar. 400 do CPC/2015 em face aos documentos que sequer são objetos da lide, em respeito à coisa julgada. As contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas a fls. 96/99. O referido recurso especial não foi admitido por se entender ausente a plausibilidade jurídica do pedido recursal. Daí porque foi interposto o presente recurso. A seguir, vieram os autos conclusos a este Relator. É o relatório. Passo a decidir. O recurso especial tem origem em agravo de instrumento interposto contra decisão proferida em autos de cumprimento de sentença que determinou a juntada de documentos. Quanto à alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, a irresignação não prospera, pois o Tribunal a quo não foi omisso quanto à alegada violação da coisa julgada, tendo esclarecido que a juntada dos borderôs de desconto e dos contratos de liberações de créditos se mostra necessária para o fim de se averiguar detalhadamente das tarifas bancárias descontadas do agravado, bem como para tornar seguro a decisão quanto aos débitos referentes aos serviços contratados e se ocorreram em conformidade com os termos do contrato bancário. Assegurou, ainda, que se a perícia detectar a existência de tarifas bancárias debitadas em proveito do correntista, estas não serão integrantes do quantum debeatur, permanecendo-se as determinações do acórdão trânsito em julgado. Ainda, no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, quanto às alegações de que tal diligência viola a coisa julgada, o Tribunal a quo entendeu que não merece acolhimento, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento que é possível a juntada de prova demonstrativa do quantum em liquidação de sentença. E, acerca do pedido de afastamento da aplicação do art. 400 do CPC/2015, concluiu que as medidas coercitivas podem ser aplicadas mediante prévio juízo de probabilidade e prévia tentativa de busca e apreensão ou outra medida coercitiva. Rejeitada a preliminar de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no tocante à alegada violação da coisa julgada, a Corte local entendeu que a nova verificação contábil era necessária na fase de cumprimento de sentença porque a perícia realizada na fase cognitiva era inconclusiva e, por isso, inservível para fins de liquidação do julgado. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. INEXISTÊNCIA. CONSONÂNCIA DO ACÓDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. DECISÃO RECONSIDERADA. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que, "em matéria de instrução probatória, não há se falar em preclusão pro judicato, uma vez que, como fundamentos principiológicos daquela etapa processual, os princípios da busca da verdade e do livre convencimento motivado afastam o sistema da preclusão dos poderes instrutórios do juiz" (AgInt nos EDcl no AREsp 1.817.742/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe de 18/10/2021). 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte "os cálculos apresentados pelo credor devem guardar estreita sintonia com o s parâmetros estabelecidos na sentença exequenda, de forma que cabe ao juiz rever os valores apresentados pelo exequente para adequá-los ao título executivo, razão pela qual a tese de preclusão não atinge o juiz" (AgInt no AREsp 2.082.313/DF, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 27/3/2023, DJe de 31/3/2023). 3. O entendimento adotado no acórdão recorrido coincide com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 4. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial." (AgInt no AREsp 2.450.351/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 12/03/2024, DJe de 18/03/2024) "RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÕES. AUSÊNCIA. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. SÚMULA 7 DO STJ. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESPONSABILIDADE DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DAS PARCELAS VINCENDAS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 7 DO STJ. REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. IMPOSSIBILIDADE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. AUSÊNCIA. ALIMENTOS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR ATO ILÍCITO. HIPÓTESES AUTORIZADORAS DA REVISÃO. 1- Recurso especial interposto em 19/10/2020 e concluso ao gabinete em 26/2/2021. 2- O propósito recursal consiste em dizer se: a) o acórdão recorrido padece de omissões; b) houve violação à coisa julgada em virtude da alegada alteração na forma de incidência dos juros de mora; c) cabe à instituição financeira arcar com o pagamento dos juros de mora e da correção monetária dos valores depositados em conta judicial; d) deve ser suspenso o pagamento das parcelas vincendas da pensão alimentícia; e) deve ser mantido o benefício da justiça gratuita; e f) é possível a produção de prova pericial no bojo de cumprimento de sentença com o objetivo de apurar a existência de causa superveniente e extintiva da obrigação. 3- Na hipótese em exame é de ser afastada a existência de omissões no acórdão recorrido, à consideração de que a matéria impugnada foi enfrentada de forma objetiva e fundamentada no julgamento do recurso, naquilo que o Tribunal a quo entendeu pertinente à solução da controvérsia. 4- Derruir a conclusão a que chegou o Tribunal estadual, que, a partir do exame dos cálculos apresentados pela contadoria, afastou a existência de violação à coisa julgada, demandaria o revolvimento do arcabouço fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado da Súmula 7 do STJ. 5- No que diz respeito à tese segundo a qual a instituição financeira deveria arcar com o pagamento dos juros de mora e da correção monetária dos valores depositados em conta judicial, tem-se, no ponto, inviável o debate, porquanto não se observa o indispensável prequestionamento. Incidência das Súmulas 282 e 356 do STF. 6- A tese relativa à necessidade de suspensão do pagamento das parcelas vincendas não foi enfrentada pela Corte de origem à luz dos argumentos desenvolvidos pela recorrente nas razões do recurso especial, o que atrai os óbices das Súmulas 282 e 356 do STF. 7- Derruir a conclusão a que chegou a Corte estadual, no sentido de que não estaria comprovado o periculum in mora apto a fundamentar a suspensão da execução, demandaria o revolvimento do arcabouço fático-probatório acostado aos autos, o que é vedado pelo enunciado da Súmula 7 do STJ. 8- O fato de a parte receber ou estar em vias de receber valores decorrentes do próprio processo em que figura como beneficiária da justiça gratuita não constitui fato novo apto a ensejar a revogação do benefício. Precedentes. 9- Na fase de cumprimento de sentença, é plenamente possível a instrução probatória, notadamente quando o executado, na impugnação, invoca causas supervenientes impeditivas, modificativas ou extintivas da obrigação. 10- No que diz respeito à prestação de alimentos decorrente da prática de ato ilícito, não há que se falar, em princípio, em violação à coisa julgada em virtude do requerimento, em impugnação ao cumprimento de sentença, de produção de prova pericial com o objetivo de provar a alteração superveniente da situação fática ou jurídica subjacente à demanda. 11- Não se revela ética e juridicamente admissível premiar o ofensor e punir a vítima, suprimindo-lhe por completo a indenização, na hipótese em que esta logra êxito em reverter a situação desfavorável que lhe foi imposta. Precedente. 12- O fato de a vítima se encontrar capacitada para exercer alguma atividade laboral não lhe retira o direito ao pensionamento, porquanto se reconhece, nessas hipóteses, maior sacrifício para a realização do trabalho. 13- Quando a causa extintiva da obrigação que se pretende provar, em sede de cumprimento de sentença, é o suposto restabelecimento da capacidade laborativa da vítima com o objetivo de eximir-se do pagamento da prestação alimentícia, é de ser indeferida a dilação probatória, porquanto imprestável a alterar a conclusão do órgão julgador. 14- Ainda que seja admissível a dilação probatória na fase de cumprimento de sentença e ainda que isso não represente violação à coisa julgada nas hipóteses em que se pretende a revisão do pensionamento fixado, é totalmente destituída de efeitos práticos, na espécie, a produção da prova pericial pretendida, pois, mesmo que o recorrido se encontre supervenientemente capacitado para exercer alguma atividade laboral, fará jus ao recebimento dos alimentos indenizativos fixados. 15- Recurso especial conhecido em parte e não provido." (REsp 1.923.611/PB, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/05/2021, DJe de 07/05/2021) Relativamente à alegada violação do art. 400 do CPC/2015, cumpre asseverar que a jurisprudência desta Corte é iterativa no sentido de que nas ações de cobrança/execução de contratos de confissão ou renegociação de dívida, o pedido da parte demandada para a exibição de documentos dos contratos absorvidos impõe à instituição credora a juntada destes aos autos, sob pena de incidir a consequência processual do art. 400 do CPC/2015. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIBIÇÃO DOS CONTRATOS ORIGINÁRIOS. DESCUMPRIMENTO. EXECUÇÃO. EXTINÇÃO. INAPLICABILIDADE. CONSEQUÊNCIA DIVERSA. 1. O Tribunal de origem reconheceu que o instrumento de confissão de dívidas apresentado constitui título executivo extrajudicial, sendo que a ausência de apresentação dos contratos anteriores que deram origem à renegociação não retira a executoriedade do instrumento executado. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. A jurisprudência desta Corte é iterativa no sentido de que nas ações de cobrança/execução de contratos de confissão ou renegociação de dívida, o pedido da parte demandada para a exibição de documentos dos contratos absorvidos impõe à instituição credora a juntada destes aos autos, sob pena de incidir a consequência processual do art. 400 do NCPC. 3. "Ainda que exigível a apresentação dos contratos anteriores, mediante provocação dos embargantes devedores, e não sendo estes apresentados pelo exequente, a questão não se resolve na extinção da execução, haja vista que a revisão dos contratos que deram origem ao título executivo não tem o condão de retirar-lhe a liquidez, certeza e exigibilidade, senão de abater da execução os valores resultantes de eventual procedência dos embargos na revisão dos contratos anteriores" (AgRg no Ag 1344798/SC, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe 04/12/2013). 4. Os vícios suscitados pela parte recorrente, na petição dos embargos à execução, e que implicariam a abusividade de encargos contratuais, foram afastados pelo acórdão recorrido, não havendo falar em falta de executoriedade do instrumento executado, devendo ser abatidos da execução os valores resultantes do recálculo da dívida objeto dos contratos anteriores, segundo o entendimento desta Corte Superior. Incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.882.028/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 28/09/2021, DJe de 04/10/2021) Dessa forma, entende-se que o acórdão recorrido deve ser confirmado pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Deixo de majorar a verba honorária advocatícia na forma do art. 85, §11, do CPC/2015, pois o recurso especial tem origem em agravo de instrumento. Publique-se. EMENTA