REsp 2155266 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a tese recursal envolve matéria eminentemente constitucional, relacionada à interpretação e aplicação da Emenda Constitucional n. 113/2021; assim, o conhecimento do recurso especial seria incabível por substituir competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102 CF), motivo pelo...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não provido; mantida decisão de não conhecimento do recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Fazenda Pública, Taxa SELIC, Emenda Constitucional 113/2021, Decreto N. 22.626/33, Prequestionamento, Competência Do STF
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Parties
ESTADO DO TOCANTINS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Aplicação da Taxa SELIC a partir da vigência da Emenda Constitucional n. 113/2021
- 2 Incidência da Taxa SELIC sobre o valor consolidado da dívida
- 3 Alegada ofensa ao artigo 4º do Decreto n. 22.626/33
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a tese recursal envolve matéria eminentemente constitucional, relacionada à interpretação e aplicação da Emenda Constitucional n. 113/2021; assim, o conhecimento do recurso especial seria incabível por substituir competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102 CF), motivo pelo qual se manteve a decisão de não conhecimento e negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno não provido; mantida decisão de não conhecimento do recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão de não conhecimento do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FAZENDA PÚBLICA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO A PARTIR DA VIGÊNCIA DA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 113/2021. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR CONSOLIDADO DA DÍVIDA. ALEGADA OFENSA AO ARTIGO 4º DO DECRETO N. 22.626/33. TESE RECURSAL EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. É incabível o recurso especial quando a tese do recurso é eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF, prevista no artigo 102 da Constituição Federal. 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DO TOCANTINS contra decisão de não conhecimento do recurso especial, assim fundamentada (fls. 154-157): Não se pode conhecer da irresignação quanto ao art. 4º do Decreto 22.626/1933, porque a controvérsia não foi solucionada utilizando o referido dispositivo e, embora tenham sido opostos os Embargos Declaratórios, o órgão julgador não emitiu juízo de valor sobre tal dispositivo legal. Falta, portanto, prequestionamento. Para que se configure tal requisito, não basta que o recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal, é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como que seja exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a alegação recursal a ele vinculada, interpretando-se a sua aplicação ao caso concreto. Ademais, não basta a oposição dos Declaratórios para a configuração do prequestionamento ficto admitido no art. 1.025 do CPC, sendo imprescindível que a parte alegue, nas razões recursais, a violação do art. 1.022 do mesmo diploma legal, para que, assim, o Superior Tribunal de Justiça esteja autorizado a examinar eventual ocorrência de omissão no acórdão recorrido e, caso constate a existência do vício, venha a deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria, conforme facultado pelo legislador. No caso em exame a parte não alegou violação ao art. 1.022 do CPC. A propósito: (..) Na mesma linha: REsp 2.152.288/TO, Ministra Regina Helena Costa, DJe 28.6.2024; REsp 2.153.396/TO, Ministro Gurgel de Faria, DJe 2.7.2024. Ante o exposto, não conheço do Recurso Especial. O agravante sustenta que toda a matéria suscitada pela Fazenda Pública do Estado do Tocantins restou devidamente prequestionada, não sendo necessária a manifestação explícita sobre os dispositivos legais para que a matéria seja prequestionada, mas apenas a discussão sobre a tese jurídica. Requer a reconsideração da decisão monocrática ou a sua reforma para que seja dado provimento ao recurso especial. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 175). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FAZENDA PÚBLICA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO A PARTIR DA VIGÊNCIA DA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 113/2021. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR CONSOLIDADO DA DÍVIDA. ALEGADA OFENSA AO ARTIGO 4º DO DECRETO N. 22.626/33. TESE RECURSAL EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. É incabível o recurso especial quando a tese do recurso é eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF, prevista no artigo 102 da Constituição Federal. 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O agravo interno não merece prosperar, devendo ser mantido o não conhecimento do recurso especial - embora por fundamentos diversos. Nas razões do recurso especial, o ora agravante indicou, além da divergência jurisprudencial, afronta ao artigo 4º do decreto n. 22.626/33, alegando que a utilização da SELIC como índice de atualização monetária a partir de dezembro de 2021 sobre o valor consolidado resultaria necessariamente em anatocismo, ou seja, a incidência de juros sobre juros. Afirmou que "há forma sim de conciliar a aplicação da SELIC com tais permissivos de lei federal, qual seja, fazê-la incidir não sobre o valor consolidado, mas sim apenas aquele corrigido monetariamente, isolando os juros moratórios pregressos acumulados até nov./2021, para, somente após essa operação, somar o resultado dela a tais juros previamente isolados" (fl. 82). Ao analisar a controvérsia, o Tribunal local manifestou-se nos seguintes termos, no que interessa (fls. 56-59): Lado outro, faz-se necessário enfatizar ainda que quanto à atualização dos débitos fazendários pela Taxa SELIC e o acréscimo de juros, é relevante destacar que a Emenda Constitucional nº 113 de 2021 foi promulgada, e seu art. 3º trata especificamente da metodologia a ser aplicada. Confira-se: (..) Somado a isso, insta registrar ainda que o artigo 3º da Emenda Constitucional nº 113, de 2021, não restringe/especifica/direciona a natureza da ação em que será ou na aplicada, ou seja, a Taxa SELIC deve ser aplicada em todas as demandas que envolvam a Fazenda Pública, sejam elas de natureza cível, tributária, previdenciária, e assim por diante. Nesse sentido, segue entendimento jurisprudencial desta Corte de Justiça acerca do tema: (..) Por fim, porém não menos importante, há que se destacar também que foram observados os preceitos legais citados quando da elaboração e atualização do débito pela Contadoria Judicial - COJUN, posto ter observado a incidência da Taxa SELIC a partir de dezembro do ano de 2021 até 14 julho de 2023, em relação ao valor consolidado do débito, principal corrigido somado aos juros (Processo no 00512963420198272729, Evento no 68, PARECER/CALC1). Logo, ao menos nesse momento de análise superficial dos autos, verifico que a decisão agravada não merece reparos, uma vez que foi proferida com total acerto e o cálculo apresentado pela Contadoria Judicial - COJUN mostra-se em consonância com os dispositivos legais que regem a matéria, devendo ser mantido. VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso de Atribuição de Efeito Suspensivo interposto pelo Estado do Tocantins. Pelo excerto do voto transcrito, tem-se que a alegada afronta ao artigo 4º do Decreto n. 22.626/33 passa pela análise da EC n. 113/2021, de modo que é incabível o recurso especial porque a tese recursal é eminentemente constitucional, ainda que se tenha indicado nas razões do recurso violação a dispositivo de lei federal. Nesses termos, esta Corte Superior já estabeleceu que "considerando que a tese recursal diz respeito a matéria analisada na origem à luz de fundamento constitucional, o conhecimento da matéria envolve, obrigatoriamente, o enfrentamento de matéria constitucional, inviável em recurso especial, sob pena de usurpação da competência do STF prevista no art. 102 da CRFB/88" (AgInt no AREsp n. 2.362.588/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024). No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL/RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 e 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. COISA JULGADA. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO EM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (..) III - No presente caso, no que tange aos juros moratórios, o acórdão impugnado possui como fundamento matéria eminentemente constitucional, porquanto o deslinde da controvérsia deu-se à luz dos art. 100 da Constituição da República. O recurso especial possui fundamentação vinculada, destinando-se a garantir a autoridade da lei federal e a sua aplicação uniforme, não constituindo instrumento processual destinado a examinar a questão constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do texto constitucional. (..) VI - Agravo Interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.032.235/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 18/8/2022.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.