REsp 2158987 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem apresentou fundamentação necessária e suficiente, não havendo omissão a justificar embargos de declaração, e porque a pretensão recursal exigiria revolvimento fático-probatório sobre a suspensão/contagem do prazo prescricional — matéria vedada em recurso...
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- Parties
- Agravante: Estado do Paraná; Exequente: APP-Sindicato
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Segunda Turma
- Outcome
- Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, RPV, Prescrição, Embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc/2015), Súmula 7/stj, Modulação De Efeitos (tema 880)
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Parties
Estado do Paraná
Agravante
APP-Sindicato
Exequente
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Segunda Turma
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015 (omissão)
- 2 Suspensão do prazo prescricional e sua incidência no cumprimento individual de sentença coletiva
- 3 Contagem do prazo prescricional em razão da disponibilização de documentos pelo executado
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem apresentou fundamentação necessária e suficiente, não havendo omissão a justificar embargos de declaração, e porque a pretensão recursal exigiria revolvimento fático-probatório sobre a suspensão/contagem do prazo prescricional — matéria vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; além disso, o acórdão registrou que os documentos necessários foram disponibilizados em outubro de 2020, de modo que não ocorreu prescrição da execução ajuizada em janeiro de 2021.
Court Disposition
Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao recurso
- Agravo interno improvido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teodoro Silva Santos. Ausente, ocasionalmente, o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RPV. PRESCRIÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO VERIFICADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de cumprimento individual de sentença coletiva, objetivando a determinação de requisição de pequeno valor. Na sentença a demanda foi julgada extinta, por prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi modificada. II - A análise do acórdão recorrido em conjunto com a sua decisão integrativa revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida, tendo apreciado, de modo coerente e satisfatório, as questões imprescindíveis ao deslinde do feito. Conclui-se, portanto, que o acórdão recorrido não padeceu de nenhuma mácula capaz de ensejar a oposição de embargos de declaração. Sendo assim, a oposição dos embargos declaratórios teve a sua finalidade desvirtuada, porquanto caracterizou, apenas, a irresignação da parte embargante, ora recorrente, em relação à prestação jurisdicional contrária aos seus interesses. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação do art. 1.022 do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de modo embasado pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo decisório exarado não autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento dominante desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: REsp n. 1.833.594/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/12/2019, DJe 12/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.594.694/MS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/6/2020, DJe 12/6/2020. III - A respeito da suspensão do prazo prescricional, o acórdão recorrido se manifestou nas fls. 255-261. Portanto, a pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático-probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. No mesmo sentido as decisões monocráticas proferidas no REsp n. 2.124.842, Ministro Gurgel de Faria, DJe de 14/3/2024; REsp n. 2.120.425, Ministro Afrânio Vilela, DJe de 19/3/2024; REsp n. 2.129.829, Ministra Regina Helena Costa, DJe de 4/4/2024. IV - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, visando reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL- PEDIDO DE CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA - SENTENÇA QUE EXTINÇÃO A DEMANDA EM RAZÃO DA PRESCRIÇÃO - INSURGÊNCIA - (1) - ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO - PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL (ARTIGO 1º DO DECRETO Nº 20.910/32) - EXISTÊNCIA DE PEDIDO, PERANTE O EXECUTADO, DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A ELABORAÇÃO DO CÁLCULO - SITUAÇÃO QUE SE ENQUADRA NOS REQUISITOS ELENCADOS NA MODULAÇÃO DE EFEITOS NO RESP Nº 1.336.026 /PE (TEMA 880 DO STJ) - INÉRCIA NÃO IMPUTÁVEL À PARTE EXEQUENTE - PRETENSÃO NÃO FULMINADA PELA PRESCRIÇÃO, POSTO QUE O PRAZO PRESCRICIONAL PASSOU A CORRER APÓS A DISPONIBILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIO PELA PARTE EXECUTADA - INEXISTÊNCIA DE TRANSCURSO DO PERÍODO DE 05 (CINCO) ANOS ENTRE A DISPONIBILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS E O AJUIZAMENTO DA PRETENSÃO EXECUTIVA - PRECEDENTES DO STJ E DESTA C. 7ª CÂMARA CÍVEL - SENTENÇA CASSADA, DETERMINANDO-SE O REGULAR TRÂMITE PROCESSUAL - RECURSO PROVIDO. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: .. Essas questões apontadas exigiam integração, posto que capazes de alterar o resultado do julgamento. São elas: 1. correção da premissa equivocada de que as suspensões ocorridas nos autos n. 0008041-64.2016.8.16.0004 interferiram no prazo prescricional do cumprimento individual da sentença coletiva, inclusive por se tratar, no caso, de execução individual, promovida por credor que sempre teve amplo acesso à documentação necessária elaboração dos cálculos de liquidação do valor exequendo; 2. ausência de apresentação de causas suspensivas ou interruptivas da prescrição dos artigos 197 a 202 do Código Civil no cumprimento individual da sentença coletiva, tudo à luz dos artigos 283, 489, § 1º, IV a VI, 509, § 2º, 513, § 1º, 524, §§ 3º e 4º, 534, 536, 926, 927, III, e 1.022, I a III, do CPC/2015; 199 e 202 do Código Civil/2002; e 1º e 9º do Decreto 20.910/1932; e dos Temas n.º 877 e 880/STJ, além do R Esp 1.343.445/RS. Todavia, o Acórdão que julgou os aclaratórios entendeu não haver vícios a serem sanados, rejeitando o recurso. Ocorre que as questões suscitadas pelo Estado do Paraná são relevantes ao julgamento do feito, eis que não se vislumbra fundamento legal na Decisão recorrida para afastar a prescrição, na medida em que: (i) o prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva (Tema nº 877, de observância obrigatória, ex vi art. 927, III, do CPC); (ii) os prazos das obrigações de fazer e pagar fluem paralelamente, desde o trânsito em julgado (ER Esp 1.169.126/RS e R Esp 1.340.444/RS); (iii) os credores não comprovaram a existência de causas suspensivas ou interruptivas da prescrição dos artigos 197 a 202 do Código Civil; (iv) os servidores públicos têm amplo e irrestrito acesso aos dados e documentos referentes aos seus vencimentos, sendo perfeitamente possível a elaboração dos cálculos necessários para execução individual com base nesses documentos, que não são de posse exclusiva do ente público; (v) o caso não atrai a aplicação modulada do Tema 880, em razão da data do trânsito em julgado; (vi) não houve instauração de procedimento judicial ou extrajudicial de mediação, nem instalação do procedimento administrativo previsto nos arts. 32, 33 e 34 da Lei nº 13.140/2015. Nessas circunstâncias, em que o pedido de pronunciamento, em sede de embargos de declaração, refere-se a questões relevantes para a solução do processo e o Eg STJ tem entendimento já sedimentado no sentido de ser nula a decisão do Tribunal que recusa a pronunciar-se sobre a matéria. .. Essa é, precisamente, a discussão dos autos: "o ajuizamento da execução coletiva da obrigação de fazer não repercute na fluência do prazo prescricional da execução da obrigação de pagar". Nessa linha, suspensões no cumprimento de obrigações de fazer jamais interferem no cumprimento de obrigações de pagar, em especial quando se trata de cumprimento de sentença individual em face de ação coletiva. Reafirma-se, o prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva (Tema 887). Assim sendo, colhe-se que desajuste da decisão da origem é constatado a partir da simples leitura do acórdão estadual, razão pela qual não se aplica o enunciado de Súmula n.º 07/STJ. Não sem razão, recentemente, este Eg. Tribunal proveu recurso especial interposto pelo Estado do Paraná em situação exatamente como a que ora se analisa: R Esp 2.146.138, Relator Ministro Sérgio Kukina. Assumem relevo as palavras do Em. Ministro Sérgio Kukina para quem, nos termos do quanto decidido no R Esp 2.146.138/PR, "Logo, a contagem do prazo prescricional na presente hipótese concreta não deverá levar em consideração o período de suspensão do anterior cumprimento da obrigação de fazer." É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RPV. PRESCRIÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO VERIFICADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de cumprimento individual de sentença coletiva, objetivando a determinação de requisição de pequeno valor. Na sentença a demanda foi julgada extinta, por prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi modificada. II - A análise do acórdão recorrido em conjunto com a sua decisão integrativa revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida, tendo apreciado, de modo coerente e satisfatório, as questões imprescindíveis ao deslinde do feito. Conclui-se, portanto, que o acórdão recorrido não padeceu de nenhuma mácula capaz de ensejar a oposição de embargos de declaração. Sendo assim, a oposição dos embargos declaratórios teve a sua finalidade desvirtuada, porquanto caracterizou, apenas, a irresignação da parte embargante, ora recorrente, em relação à prestação jurisdicional contrária aos seus interesses. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação do art. 1.022 do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de modo embasado pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo decisório exarado não autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento dominante desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: REsp n. 1.833.594/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/12/2019, DJe 12/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.594.694/MS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/6/2020, DJe 12/6/2020. III - A respeito da suspensão do prazo prescricional, o acórdão recorrido se manifestou nas fls. 255-261. Portanto, a pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático-probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. No mesmo sentido as decisões monocráticas proferidas no REsp n. 2.124.842, Ministro Gurgel de Faria, DJe de 14/3/2024; REsp n. 2.120.425, Ministro Afrânio Vilela, DJe de 19/3/2024; REsp n. 2.129.829, Ministra Regina Helena Costa, DJe de 4/4/2024. IV - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. A análise do acórdão recorrido em conjunto com a sua decisão integrativa revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida, tendo apreciado, de modo coerente e satisfatório, as questões imprescindíveis ao deslinde do feito. Conclui-se, portanto, que o acórdão recorrido não padeceu de nenhuma mácula capaz de ensejar a oposição de embargos de declaração. Sendo assim, a oposição dos embargos declaratórios teve a sua finalidade desvirtuada, porquanto caracterizou, apenas, a irresignação da parte embargante, ora recorrente, em relação à prestação jurisdicional contrária aos seus interesses. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação do art. 1.022 do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de modo embasado pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo decisório exarado não autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento dominante desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 1022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. DEFENSORIA PÚBLICA INTEGRANTE DE ENTE FEDERATIVO DIVERSO. CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.108.013/RJ. CRITÉRIOS LEGAIS DE FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. Constato que não se configurou a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. 2. Na hipótese dos autos, a parte insurgente busca a reforma do aresto impugnado, sob o argumento de que o Tribunal local não se pronunciou sobre o tema ventilado no recurso de Embargos de Declaração. Todavia, constata-se que o acórdão impugnado está bem fundamentado, inexistindo omissão ou contradição. 3. Registre-se, portanto, que da análise dos autos extrai-se ter a Corte de origem examinado e decidido, fundamentadamente, todas as questões postas ao seu crivo, não cabendo falar em negativa de prestação jurisdicional. 4. São devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando a atuação se dá contra ente federativo diverso do qual é parte integrante (REsp 1.108.013/RJ, submetido à sistemática prevista no art. 543-C do CPC/1973). Cabível, portanto, a condenação do Estado de Pernambuco ao pagamento da verba honorária à Defensoria Pública da União. 5. A jurisprudência STJ é no sentido de que, em regra, não é admitida a revisão de honorários advocatícios na via especial ante o óbice contido na Súmula 7/STJ, salvo se o valor fixado for exorbitante ou irrisório, excepcionalidade essa não configurada nos presentes autos. 6. Recurso Especial parcialmente conhecido, apenas no tocante à violação do art. 1022 do CPC e, nessa parte, não provido. (REsp n. 1.833.594/PE, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/12/2019, DJe 12/5/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSO CIVIL. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. REUNIÃO INVIABILIZADA. SÚMULA 235/STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. AÇÃO RESCISÓRIA. ERRO DE FATO. PROVA FALSA. REEXAME DAS PREMISSAS ASSENTADAS PELO ACÓRDÃO ESTADUAL. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A prevenção por conexão tem por finalidade evitar sejam proferidas decisões conflitantes, e, bem por isso, não haverá necessidade de reunião dos processos se um deles já tiver sido julgado Súmula n. 235/STJ. 2. Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tiver encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. 3. Verifica-se que o Tribunal estadual analisou todas as questões relevantes para a solução da lide, de forma fundamentada, não havendo falar em negativa de prestação jurisdicional. 4. Reverter a conclusão do Tribunal local, para acolher a pretensão recursal, demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado ante a natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 5. A incidência da Súmula n. 7/STJ impede o conhecimento do recurso lastreado, também, pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática de cada caso. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.594.694/MS, Relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/6/2020, DJe 12/6/2020.) A respeito da suspensão do prazo prescricional, o acórdão recorrido assim se manifestou (fls. 255-261): Compulsando os autos, verifica-se que o pedido de cumprimento de sentença foi ajuizado em virtude da sentença proferida nos autos principais de nº. .0001339-59.2003.8.16.0004. Quanto à data do trânsito em julgado, da consulta dos autos, vê-se que o início do prazo restou fixado em 17/11/2015, conforme se observa da certidão de publicação do acórdão, disponível nos autos nº. 0001339-59.2003.8.16.0004, Mov. 1.22, p. 145, motivo pelo qual a própria sentença reconheceu que o decurso do prazo recursal se deu em 16/12/2015, com trânsito em julgado em 17/12/2015. Sabe-se que o prazo prescricional para ajuizamento da ação executiva é o mesmo prazo da ação de conhecimento, conforme preceitua a Súmula 150 do Supremo Tribunal Federal 2 , sendo quinquenal, conforme art. 1º do Decreto 20.910/1932, que assim dispõe: (..) A partir desse raciocínio, o entendimento superficial seria de que os cumprimentos individuais de sentenças decorrentes da ajuizados após o prazo de cinco anos contatado de 17/12/2015, estão fulminados pela Ação Coletiva prescrição. Assim, considerando que o presente pedido de cumprimento de sentença foi formulado em 20/01/2021, o prazo prescricional de direito material de 5 (cinco) anos aplicável à Fazenda Pública se verificou. Contudo, o caso exige maior reflexão dada às peculiaridades da casuística. Aplica-se à espécie a Súmula 150 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "pres creve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação". Contudo, necessário aferir se a execução da obrigação de pagar dependia ou não do cumprimento da obrigação de fazer anterior por parte do ente federativo. A sentença entendeu que "tal modulação não se aplica ao presente caso, tendo em vista que a Exequente não demonstrou que estava dependendo do fornecimento pelo Executado de documentos ou fichas financeiras para ingressar com o cumprimento de sentença". De outro lado, a parte recorrente aponta que na petição protocolada em 23/08/2017 (autos da Ação Declaratória nº 0001339- 59.2003.8.16.0004, Mov.1.22, fl.165), a APP-Sindicato solicitou nos autos da Ação Declaratória nº 0001339-59.2003.8.16.0004, que os réus fornecessem os contracheques dos substituídos, no período de dezembro/1998 até março/2003, destacando-se, inclusive, que somente com a apresentação de tais documentos seria possível dar prosseguimento ao presente cumprimento de sentença. Na mesma linha, defende que na petição do Mov. 77.1 dos referidos autos a APP- Sindicato informou que os dados financeiros dos substituídos foram disponibilizados pela PARANÁ PREVIDÊNCIA em 23/10/2020, de forma que não teria ocorrido a prescrição. Em verdade, no Mov. 65.1 dos autos 0001339-59.2003.8.16.0004, em 20/10/2020, o próprio Estado requereu prazo mais dilatado, de 180 dias, para juntar a documentação necessária para subsidiar a execução por quantia cerca, evidenciando que até a presente data não havia realizado a devida obrigação de disponibilizar a documentação necessária para o ajuizamento da demanda executória. Note-se que para aferição do quantum debeatur, necessária prévia comprovação do cumprimento de fazer pelo ora Agravante, a qual restou cumprida após 20/10/2020 e antes de 23/10/2020, ou seja, no mês de outubro de 2020. Verifica-se, assim, que a execução da obrigação de pagar dependia de uma condição suspensiva, qual seja, a entrega dos documentos pelo ESTADO DO PARANÁ. Conforme estabelecido no título judicial exequendo, outrossim, só depois da implantação das horas extras nos contracheques, seria possível apurar o valor das diferenças a serem pagas. Assim, não se cogita de independência dos prazos prescricionais das pretensões executórias da obrigação de fazer e de obrigação de pagar, aplicando-se exceção estabelecida pela Corte Especial do STJ no RESP 1.340.444/RS: (..) Logo, tendo o Estado do Paraná, no Mov. 65.1 dos autos de conhecimento, reconhecido a necessidade de juntada de documentos para apuração do valor devido, evidencia-se que o prazo prescricional somente deve começar a contar da juntada dos respectivos documentos. No caso, como a juntada dos documentos necessário foi realizada em 10/2020, e a demanda executiva foi ajuizada em 20/01/2021, não ocorreu a prescrição. Isto posto, comporta acolhimento o anseio recursal, para cassar a sentença atacada, e determinar o regular trâmite processual. Portanto, a pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático-probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. No mesmo sentido as decisões monocráticas proferidas no REsp n. 2.124.842, Ministro Gurgel de Faria, DJe de 14/3/2024; REsp n. 2.120.425, Ministro Afrânio Vilela, DJe de 19/3/2024; REsp n. 2.129.829, Ministra Regina Helena Costa, DJe de 4/4/2024. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisã o recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.