AREsp 2429952 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque as questões centrais (afastamento de ofensa à coisa julgada pela inclusão de fatura posterior e impossibilidade de compensação por iliquidez) foram decididas com amparo no suporte fático-probatório dos autos, cuja revisão demandaria reexame de matéria fático-probatória...
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- Parties
- Agravante: COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE; Agravado: Condomínio
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Acórdão
- Outcome
- Agravo interno desprovido; Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Cálculo Da Liquidação, Coisa Julgada, Compensação, Reexame Fático Probatório, Súmula 7/stj
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Parties
COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE
Agravante
Condomínio
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Acórdão
Legal Issues
- 1 Inviabilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 2 Alegação de ofensa à coisa julgada pela inclusão de fatura de setembro/2011 no cálculo
- 3 Possibilidade de compensação do valor apurado com débitos do agravado (ilegitimidade por iliquidez)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque as questões centrais (afastamento de ofensa à coisa julgada pela inclusão de fatura posterior e impossibilidade de compensação por iliquidez) foram decididas com amparo no suporte fático-probatório dos autos, cuja revisão demandaria reexame de matéria fático-probatória vedado em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; ademais, reconheceu-se que a fatura de setembro/2011 foi apurada com hidrômetro defeituoso e que a dívida do agravado é ilíquida, o que impede a compensação.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Não majoração dos honorários advocatícios nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CÁLCULO DA LIQUIDAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA E POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. 1. É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 2. Em impugnação do cumprimento de sentença proferida em ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto, a Corte estadual afastou a alegação de ofensa à coisa julgada e atestou a impossibilidade de compensação do valor apurado com débitos devidos pelo agravado (iliquidez da dívida), à luz do suporte fático-probatório constante nos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso especial, nos termos do mencionado óbice sumular. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE para desafiar decisão proferida às e-STJ fls. 441/447, em que conheci do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento para determinar a incidência dos juros a partir da citação, rejeitando as demais alegações em face da incidência da Súmula 7 do STJ. Sustenta a parte agravante, em suma, que o reconhecimento da preclusão para inclusão de fatura posterior, por ofensa à coisa julgada, bem como a impossibilidade de compensação não demandam análise do suporte fático-probatório constante nos autos, pelo que o referido enunciado não se aplica à espécie. Requer, ao final, a reconsideração da decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma. Impugnação apresentada às e-STJ fls. 497/506, com pedido de majoração da verba honorária (art. 85, §11, do CPC) e imposição da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CÁLCULO DA LIQUIDAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA E POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. 1. É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 2. Em impugnação do cumprimento de sentença proferida em ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto, a Corte estadual afastou a alegação de ofensa à coisa julgada e atestou a impossibilidade de compensação do valor apurado com débitos devidos pelo agravado (iliquidez da dívida), à luz do suporte fático-probatório constante nos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso especial, nos termos do mencionado óbice sumular. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Observa-se que a decisão recorrida não merece reparos. Como ali anotado, os autos tratam de impugnação ao cumprimento de sentença proferida em ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto proposta pelo Condomínio/agravado, em que se discutiu a possiblidade de exclusão de fatura para o cálculo da liquidação, a necessidade de ser observada a compensação dos valores devidos com os débitos em aberto e a aplicação dos juros de mora a partir da citação. Acerca da alegada ofensa à coisa julgada pela inclusão da fatura de setembro/2011 no cálculo exequendo, assim se pronunciou a Corte estadual (e-STJ fl. 203): Sendo assim, afirma ser manifestamente indevida a inclusão de medições posteriores a 11/08/2011 no cálculo da restituição, sob pena de violação da coisa julgada. Não assiste razão à agravante. Resta claro que o objetivo a decisão foi excluir do cálculo as faturas emitidas com base no novo hidrômetro, instalado em 11/08/2011. Dessarte, considerando que a fatura de setembro de 2011 ainda foi emitida com base no hidrômetro defeituoso, cabível a restituição. Nesse sentido, corretamente decidiu o juízo a quo: "A medição do hidrômetro referente a conta com vencimento em SETEMBRO/2011 foi realizada com base no hidrômetro E05C010029, irregular como apontado em perícia, Logo, embora a troca do mesmo tenha se dado em 11/08/2011, o hidrômetro defeituoso foi efetivamente utilizado para apurar a cobrança na fatura de SETEMBRO/2011. Em relação ao período de JANEIRO a JUNHO/ 2013 com razão a CEDAE. A decisão de fls.1012 limitou a execução até a data da troca do hidrômetro, ou seja, 11.08.2011, preclusa". Como se observa, o Tribunal de origem decidiu a questão com base na realidade que se delineou à luz do suporte fático-probatório constante nos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso especial, ante o óbice estampado na Súmula 7 do STJ. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. EXECUÇÃO. REMESSA DOS AUTOS À CONTADORIA PARA SANAR ERRO MATERIAL OBSERVADO NOS CÁLCULOS. MATÉRIA DE NATUREZA FÁTICO-PROBATÓRIA. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "A jurisprudência do STJ se consolidou no sentido de que eventuais erros materiais nos cálculos apresentados para o cumprimento de sentença não estão sujeitos à preclusão, sendo possível ao magistrado, inclusive, encaminhar os autos à contadoria, de ofício, para apurar se os cálculos estão em conformidade com o título em execução. Incidência do enunciado sumular n. 83/STJ" (AgInt no AREsp n. 1.364.410/RS, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe 8/5/2020). Nesse mesmo sentido: REsp n. 1.730.890/CE, relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe 7/12/2018. 2. No caso concreto, tendo a Corte regional firmado a compreensão no sentido de que o envio dos autos à Contadoria, para realização de novos cálculos, visa expurgar erros materiais, rever tal conclusão demandaria o revolvimento de matéria fática, o que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 3. Calha acrescentar que, na forma da jurisprudência deste Superior Tribunal, "a análise dos limites da coisa julgada implica, necessariamente, reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável em sede de recurso especial, sendo o caso de incidência da Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp n. 224.394/SP, relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 19/12/2012). A propósito: AgRg no AREsp n. 658.822/RJ, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 24/3/2015; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.877.865/SC, relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 12/5/2021. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.940.283/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 1/6/2023.) Sobre a possibilidade de compensação do valor apurado na presente ação com débitos devidos pelo ora agravado, a Corte estadual constatou que o pedido não era possível, haja vista a iliquidez da dívida, requisito essencial para respaldar a compensação de valores, em observância aos termos do art. 369 do Código Civil (e-STJ fls. 209/210). Discordar do aresto recorrido para afastar a iliquidez da dívida e admitir a compensação pretendida pela agravante não depende de simples análise do critério de valoração da prova, mas do reexame dos elementos de convicção postos no processo, providência incompatível com a via estreita do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. Acerca da hipótese, cito os julgados a seguir: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO DE DÍVIDAS. ATENDIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83 DO STJ. REEXAME. IMPOSSIBILIADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa ao art. 1.022, II, do CPC quando a corte de origem examina e decide, de modo claro, objetivo e fundamentado, as questões que delimitam a controvérsia, embora sem acolher a tese do insurgente, não ocorrendo nenhum vício que possa nulificar o acórdão recorrido. 2. Admite-se a compensação quando duas pessoas forem, ao mesmo tempo, credora e devedora uma da outra em dívidas líquidas e vencidas, recaindo a referida compensação sobre coisas fungíveis, nos termos do art. 369 do Código Civil. 3. Rever as conclusões do acórdão recorrido a respeito do preenchimento dos requisitos para a compensação de dívidas demanda o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável na via estreita do recurso especial. Incidência da Súmula n. 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.143.880/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.). AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. A reforma do julgado que afasta a possibilidade de compensação por iliquidez do crédito demandaria o reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado na estreita via do recurso especial, a teor da Súmula nº 7/STJ. 2. Para a admissibilidade do recurso especial fundado na alínea "c" do permissivo constitucional, é insuficiente a mera transcrição de ementas, sendo necessários o cotejo analítico e a similitude fática entre os acórdãos confrontados. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag n. 1.319.810/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20/9/2012, DJe de 26/9/2012.). Quanto ao pedido da parte impugnante, registro que a interposição de agravo interno não inaugura instância recursal, razão pela qual se mostra indevida a majoração dos honorários advocatícios prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015. Nesse sentido: AGRAVO INTENRO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ORDINÁRIA DE REVISÃO OU RESOLUÇÃO DE CONTRATO C/C LIBERAÇÃO DE CAUÇÃO E HIPOTECA. MÉTODO DE AMORTIZAÇÃO POR JUROS SIMPLES. AFERIÇÃO DO QUANTUM DEBEATUR. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 110, 354 E 422 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. NÃO VERIFICADO. SUMÚLAS N. 282 E 356 DO STF. LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. NÃO OCORRÊNCIA. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS PELO DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. ART. 85, §11 DO CPC. MESMO GRAU DE JURISIDIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O prequestionamento significa a prévia manifestação pelo Tribunal de origem, com emissão de juízo de valor, acerca da matéria referente ao dispositivo de lei federal apontado como violado. Trata-se de requisito constitucional indispensável para o acesso à instância especial. 2. A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia impede o acesso à instância especial e o conhecimento do recurso especial, nos termos da Súmula n. 282 e 356 do STF. 3. Não se considera preenchido o requisito do prequestionamento (prequestionamento implícito) quando o Tribunal de origem não debate efetivamente acerca da matéria inserta no dispositivo de lei federal, ainda que não mencionados explicitamente o seu número. 4. A litigância de má-fé, passível de ensejar a aplicação da multa e indenização, configura-se quando houver insistência injustificável da parte na utilização e reiteração indevida de recursos manifestamente protelatórios. 5. A interposição de agravo interno não inaugura instância, razão pela qual se mostra indevida a majoração dos honorários advocatícios prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.889.577/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. AUSÊNCIA. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REQUISITOS. 1. Os embargos declaratórios são cabíveis quando houver contradição nas decisões judiciais ou quando for omitido ponto sobre o qual se devia pronunciar o juiz ou tribunal, ou mesmo correção de erro material, na dicção do art. 1.022 do CPC vigente, algo inexistente no caso concreto. 2. O Superior Tribunal de Justiça consagrou o entendimento de que é apenas devida a majoração da verba honorária sucumbencial, na forma do art. 85, § 11, do CPC, quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a) decisão recorrida publicada a partir de 18/3/2016, quando entrou em vigor o novo Código de Processo Civil; b) recurso não conhecido integralmente ou não provido, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente; e c) condenação em honorários advocatícios no feito em que interposto o recurso. 3. No caso dos autos, o recurso especial foi provido. Assim, observa-se que os requisitos supracitados não estão presentes. Dessa forma, são indevidos honorários sucumbenciais recursais. 4. Ademais, "a interposição de agravo interno não inaugura instância, razão pela qual se mostra indevida a majoração dos honorários advocatícios prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015" (AgInt no AREsp n. 1.915.571/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 16/11/2021, DJe de 19/11/2021.). 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.840.377/SP, Relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 15/2/2022, DJe de 25/2/2022). Por último, deixo de aplicar a sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 por não considerar manifestamente inadmissível ou improcedente o presente recurso. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.