AREsp 2737480 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente qualificou a deliberação como sentença ao julgar improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença, homologar os cálculos e determinar a expedição de precatório/RPV, tornando incabível a via recursal manejada; ademais, para modificar a...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (com Agravo Em Recurso Especial) / Conheço Do Agravo; Não Conheço Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Agravo De Instrumento, Agravo Interno, Recurso Especial, Precatório/requisição De Pequeno Valor, Prequestionamento, Fundamentação Judicial, Súmula 7 (reexame Fático)
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Procedural Posture
Recurso Especial (com Agravo Em Recurso Especial) / Conheço Do Agravo; Não Conheço Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Cabimento de recurso contra decisão que homologa cálculos e determina expedição de precatório/RPV (qualificação da decisão como sentença)
- 2 Incabibilidade de recurso especial que exige reexame factual (Súmula 7 do STJ)
- 3 Ausência de prequestionamento como óbice ao conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente qualificou a deliberação como sentença ao julgar improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença, homologar os cálculos e determinar a expedição de precatório/RPV, tornando incabível a via recursal manejada; ademais, para modificar a decisão seria necessário reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ e havia ausência de prequestionamento de matérias, obstáculo ao conhecimento do recurso nos termos da jurisprudência da Corte.
Court Disposition
Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento em sede de cumprimento de sentença. Na decisão, negou-se provimento à impugnação ao cumprimento de sentença e homologou-se o cálculo realizado. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: CIVIL. PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA PELO RELATOR QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO POR INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PEDIDO DE REFORMA. ALEGAÇÕES DO AGRAVANTE QUE NÃO AUTORIZAM A REVISÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1) A DELIBERAÇÃO JUDICIAL PROFERIDA NA BASE JULGOU IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA, HOMOLOGOU OS CÁLCULOS DA CONTADORIA JUDICIAL E DETERMINOU A EXPEDIÇÃO DE PRECATÓRIO/REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR, NÃO HAVENDO MAIS O QUE SER DECIDIDO QUANTO AO MÉRITO DESSA FASE PROCESSUAL. TRATA-SE INEQUIVOCAMENTE DE SENTENÇA, SENDO INCABÍVEL O RECURSO MANEJADO PELO AGRAVANTE. 2) ALEGAÇÕES DO AGRAVANTE QUE NÃO SE MOSTRAM SUFICIENTES PARA MODIFICAR O POSICIONAMENTO DESTE RELATOR NA DECISÃO AGRAVADA. 3) AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: a deliberação judicial proferida na base julgou improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença, homologou os cálculos da Contadoria Judicial e determinou a expedição de precatório/requisição de pequeno valor, não havendo mais o que ser decidido quanto ao mérito dessa fase processual. Trata-se inequivocamente de sentença, sendo incabível o recurso manejado pelo agravante. Ademais, as alegações da parte agravante neste agravo interno não se mostram suficientes para modificar o posicionamento deste relator na decisão agravada. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 924, III, do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA