AREsp 2910001 - DECISAO
O Agravo foi conhecido e o Recurso Especial não conhecido porque o recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, a violação de dispositivo de lei federal, incidindo por isso a Súmula 284/STF (deficiência de fundamentação); além disso, não havia prequestionamento das questões apontadas...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Incorporação De Índice URV, Reestruturação Remuneratória, Coisa Julgada, Admissibilidade De Recurso Especial, Embargos De Declaração, Fundamentação Judicial E Negativa De Prestação Jurisdicional, Prequestionamento
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Parties
ESTADO DO MARANHÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada negativa de prestação jurisdicional e deficiência de fundamentação (art. 489, §1º, IV, CPC)
- 2 Suposta violação dos arts. 927, 1.022, 1.025 e 1.026, §2º, do CPC
- 3 Prequestionamento e exigência de oposição prévia de embargos de declaração
Ratio Decidendi
O Agravo foi conhecido e o Recurso Especial não conhecido porque o recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, a violação de dispositivo de lei federal, incidindo por isso a Súmula 284/STF (deficiência de fundamentação); além disso, não havia prequestionamento das questões apontadas (incidindo as Súmulas 282 e 356/STF) e não foram observados os requisitos relativos aos embargos declaratórios necessários para provocar manifestação sobre pontos omissos, nos termos da jurisprudência do STJ; com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ, conheceu-se do agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ESTADO DO MARANHÃO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCORPORAÇÃO DO ÍNDICE DE 11,98% REFERENTE À URV. REESTRUTURAÇÃO REMUNERATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE RETROATIVIDADE DA LEI ESTADUAL 10.722/2017. COISA JULGADA. SEGURANÇA JURÍDICA. AGRAVO DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, 927, 1.022, parágrafo único, II, 1.025, e 1.026, § 2º, do CPC, no que concerne ao reconhecimento de nulidade do acórdão recorrido por negativa de prestação jurisdicional, bem como por deficiência de fundamentação, trazendo a seguinte argumentação: Conforme apontado o Relator se recusou a enfrentar os fundamentos apresentados pelo Ente Público no que se refere às questões supracitadas, apresentando uma fundamentação completamente alheia à temática dos autos. Após o provimento do recurso interposto pela parte adversa, o Estado interpôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para suscitar as matérias de ordem pública. Em seu voto, acompanhado pelo Colegiado, o Relator não enfrentou os argumentos levantados pelo Ente Público, se limitando a afirmar que não foram apresentados fundamentos novos, sendo que a decisão recorrida não havia enfrentado qualquer deles. A própria EMENTA do julgado não aponta qualquer dos argumentos de mérito relevantes para solução da controvérsia. O Ente Público interpôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, apontando matérias de ordem pública: reestruturação remuneratória da carreira e causa extintiva superveniente da obrigação de fazer em virtude da Lei de nº 10.722, de 28 de novembro de 2017, que implantou o índice URV no contracheque de todos os servidores da carreira dos agravantes e dispôs sobre a impossibilidade de pagamento dos retroativos, e sobreveio Acórdão que novamente não enfrentou nenhuma das questões apresentadas. Assim, o julgador efetivamente não enfrentou os fundamentos suscitados, bem como não apresentou fundamentação minimamente adequada à sua conclusão adotada. Ressalte-se que os fundamentos devidamente arguidos são capazes de infirmar em tese a conclusão decisória adotada, de modo que, além de falhar com o seu dever de fundamentar as suas decisões (visto que apresentou fundamentação totalmente genérica e que em nada se relaciona com o objeto da demanda), também falhou no seu dever de dialogar com os fundamentos aduzidos e capazes de infirmar em tese a conclusão adotada. Em suma, portanto, o Julgador proferiu decisão com fundamentação completamente dissociada da demanda, das manifestações das partes e da própria conclusão adotada, furtando-se do seu dever de fundamentação e de dialogar com a causa, quedando-se flagrantemente omissa e lacunosa. Ressalta-se que nos embargos o Ente Público apontou que existiam precedentes relevantes e dispositivos legais incidentes ao caso que deveriam ser enfrentados sob pena de violação dos art. 489, §1º, art. 927 e art. 1022, todos do CPC. O alerta foi ignorado, importando em flagrante violação aos seguintes dispositivos normativos: .. - fls. 85-86. É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, em relação aos arts. 1.025 e 1.026, § 2º, do CPC, do CPC, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o(s) dispositivo(s) de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente indica os artigos de lei federal que teriam sido violados, mas não desenvolve argumentação suficiente a fim de demonstrar a inequívoca ofensa aos dispositivos mencionados nas razões do recurso, situação que caracteriza deficiência na argumentação recursal e atrai, por analogia, o óbice da Súmula n. 284 do STF" (AgInt no REsp n. 2.059.001/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 23/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.174.828/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.442.094/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 6/12/2024; AgInt no REsp n. 2.131.333/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgRg nos EDcl no REsp n. 2.136.200/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 25/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.566.408/MT, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 6/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.542.223/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 30/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.411.552/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 3/7/2024; (REsp n. 1.883.187/RJ, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 14/12/2022; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.106.824/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 18/11/2022. Quanto ao art. 927 do CPC, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do Recurso Especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11.3.2020.) De igual sorte: "A ausência de particularização dos incisos do artigo supostamente violado, inviabilizam a compreensão da irresignação recursal, em face da deficiência da fundamentação do apelo raro" (AgRg no AREsp n. 522.621/PR, Rel. ;Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12.12.2014.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4.9.2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º.12.2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º.8.2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18.9.2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5.9.2005; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15.2.2022. No mais, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente aponta a violação do art. 1.022 do CPC/2015 (art. 535 do CPC/1973) sem a anterior e necessária oposição de Embargos Declaração sobre o tema, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou na linha de que "o exame da alegação de violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC) depende da prévia oposição de embargos de declaração para provocar a manifestação sobre o ponto omisso, contraditório ou obscuro, ou ainda sobre erro material. Incidência, por analogia, da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF)" (AgInt no REsp n. 2.099.012/AM, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.527.662/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.527.444/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 7/6/2024; REsp n. 2.098.063/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 13/11/2023; AgInt no REsp n. 2.018.262/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 2/5/2023. Por fim, incidem as Súmulas n. 282/STF e 356/STF, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidi ndo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4.2.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28.4.2011; REsp n. 1.730.826/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12.2.2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15.2.2019; AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23.6.2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA