AREsp 2909294 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque as razões recursais não impugnaram de forma específica e fundamentada os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (incidência do princípio da dialeticidade e das Súmulas 7 e 211/STJ); ademais, estando a Fazenda Nacional a discutir o débito em sua integralidade,...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO IÇÁ; Agravante: OUTRO; Agravado: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Decidido (não Conhecido)
- Outcome
- Agravo não conhecido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, FUNDEF, Expedição De Precatório, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Prequestionamento, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO IÇÁ
Agravante
OUTRO
Agravante
FAZENDA NACIONAL
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Decidido (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de expedição imediata de precatório relativo à parcela incontroversa em ação de complementação do FUNDEF
- 2 Efeito do entendimento firmado no RE 1.205.530 (Tema 28) sobre expedição de precatório para parcela incontroversa
- 3 Efeito da suspensão determinada no STP 823 quanto à expedição de precatório contra a União
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque as razões recursais não impugnaram de forma específica e fundamentada os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (incidência do princípio da dialeticidade e das Súmulas 7 e 211/STJ); ademais, estando a Fazenda Nacional a discutir o débito em sua integralidade, inclusive a existência e exequibilidade do título, é inviável a expedição de precatório referente à suposta parcela incontroversa enquanto não julgada definitivamente a impugnação à execução.
Court Disposition
Agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se e agravo manejado por MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO IÇÁ e OUTRO contra decisão que inadmitiu recurso especial, interposto contra acórdão, assim ementado (fls. 565/566): FINANCEIRO. PROCESSSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL (FUNDEF). COMPLEMENTAÇÃO DE RECURSOS PELA UNIÃO. E X P E D I Ç Ã O D E P R E C A T Ó R I O R E F E R E N T E À P A R C E L A I N C O N T R O V E R S A . IMPOSSIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO À TOTALIDADE DO DÉBITO. 1. A controvérsia discutida neste recurso cinge-se à verificação da possibilidade de ser determinado a imediata expedição de precatório atinente à parcela incontroversa, em ação na qual a União foi condenada a pagar diferenças não repassadas, a título de complementação da transferência dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério - FUNDEF. 2. Sobre a questão em exame, o egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 1.205.530 (Tema 28), por seu Tribunal Pleno, realizado sob a sistemática da repercussão geral, da relatoria do eminente Ministro Marco Aurélio, fixou a seguinte tese: "Surge constitucional expedição de precatório ou requisição de pequeno valor para pagamento da parte incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial transitada em julgado observada a importância total executada para efeitos de dimensionamento como obrigação de pequeno valor.", na forma do precedente jurisprudencial - RE 1205530, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO D Je-165 DIVULG 30-06-2020 PUBLIC 01-07-2020. 3. O então Presidente do Supremo Tribunal Federal, eminente Ministro Luiz Fux na decisão referente ao pedido de suspensão de tutela provisória (STP 823/DF) ajuizado pela União contra decisão proferida por este Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a qual se determinou a expedição de precatório referente à parcela incontroversa relativa ao ressarcimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e da Valorização do Magistério - FUNDEF, sustou os efeitos da decisão, a fim de obstar a expedição do precatório em desfavor da União até o trânsito em julgado da impugnação à execução na origem. Posteriormente, a decisão do eminente Presidente da Suprema Corte foi ratificada pelo egrégio Tribunal, no julgamento do agravo interno (STP 823 Extn-sexta-AgR, Relator(a): LUIZ FUX (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 27/06/2022, PROCESSO ELETRÔNICO D Je-129 DIVULG 30-06-2022 PUBLIC 01-07-2022). 4. No caso dos autos, os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional na impugnação ao cumprimento de sentença discutem o débito em sua integralidade, bem como a própria existência e exequibilidade do título, o que impossibilita a expedição de precatório para pagamento de suposta parte incontroversa da condenação (ID 932157679 - Págs. 1/17 - fls. 256/272 dos autos de origem n. 1023369-88.2021.4.01.3400). 5. Há que se manter, a decisão agravada, quando pende, sobre o débito em sua integralidade, impugnação ao cumprimento de sentença apresentado pela Fazenda Nacional e ainda não definitivamente apreciado pela via ordinária. 6. Agravo interno não provido. É o relatório. Decido. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. A respeito da impugnação à decisão de inadmissibilidade, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que " a decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp n. 701.404/SC, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018), de modo que não se conhece do AREsp na falta de impugnação específica de qualquer fundamento da decisão que inadmite o recurso especial. No caso dos autos, as razões recursais, por genéricas, não impugnam especificamente os seguintes óbices aplicados: (i) Súmula 7/STJ, considerando o fundamento do acórdão de que a impugnação ao cumprimento da sentença discute o débito em sua integralidade, bem como a própria existência e exequibilidade do título, a parte, contrariamente às premissas fixadas, alega a existência de crédito incontroverso devido pela União, a ensejar a expedição de precatório, pretensão essa que demanda o reexame de matéria fático-probatória dos autos; (ii) Súmula 211/STJ: "Sem crédito incontroverso a ensejar expedição de precatório, descabe discutir a ADPF 528 por falta de prequestionamento" (fl. 718). Saliente-se que, para impugnar especificamente a Súmula 7/STJ, a agravante deve demonstrar de que maneira a análise da questão jurídica sobre a qual a decisão aplicou o referido óbice sumular não dependeria do reexame de provas, vedada a modificação das premissas fixadas no acórdão - o que não ocorreu. Por sua vez, quanto à falta de cumprimento do requisito do prequestionamento, para que seja considerado infirmado o referido óbice sumular, é necessário que a parte indique os trechos do julgado recorrido em que o Colegiado de origem decidiu a questão à luz da norma do dispositivo legal indicado, transcrevendo-os, de modo a demonstrar a efetiva ocorrência do prequestionamento expresso ou implícito da matéria - o que não ocorreu. Assinale-se que não supre o princípio da dialeticidade, cumprindo-se com a impugnação específica, requisito legal de admissibilidade do AREsp, nos termos do disposto nos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RI/STJ, a falta de confronto direto e pertinente contra o que pontualmente consta na decisão de inadmissibilidade, para fins de demonstrar o seu desacerto. Assim, ao agravante impõe-se o ônus de observar o contexto em que os fundamentos da decisão da Corte de origem foram lançados e impugná-los, de forma individualizada e específica, demonstrando, de forma clara, objetiva e concreta, o desacerto da decisão agravada - o que não ocorreu no caso dos autos - situação essa que impõe o não conhecimento do recurso. A propósito, na parte que interessa: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO, ANTE A AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INSURGÊNCIA DO DEMANDANTE. 1. Consoante expressa previsão contida nos arts. 932, III, do CPC e 253, I, do RISTJ, e em razão do princípio da dialeticidade, deve o agravante demonstrar, de modo fundamentado, o desacerto da decisão que inadmitiu o apelo extremo, o que não aconteceu na hipótese. Incidência da Súmula 182 do STJ. 2. São insuficientes ao cumprimento do dever de dialeticidade recursal as alegações genéricas de inconformismo, devendo a parte recorrente, de forma clara, objetiva e concreta, demonstrar o desacerto da decisão impugnada. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.199.998/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023) PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO INATACADO. .. .. 5. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que não se conhece de Agravo contra decisão monocrática que não ataca especificamente os fundamentos da decisão recorrida, de forma a demonstrar que o entendimento esposado merece modificação. Assim, não bastam alegações genéricas em sentido contrário às afirmações da decisão agravada. .. (AgInt no AREsp n. 1.715.725/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/2/2021, DJe de 1/3/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO APELO NOBRE PROFERIDA PELA CORTE DE ORIGEM. NÃO CONHECIMENTO DO RECLAMO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do apelo nobre, proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do artigo 932, III, do CPC/2015 (artigo 544, § 4º, I, do CPC/1973). .. (AgInt no AREsp 993.261/MS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/8/2017, DJe 30/8/2017) Ante o exposto, não conheço do agravo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO NÃO CONHECIDO.