AREsp 2503011 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão; a agravante não impugnou ou especificou erro nos cálculos na oportunidade adequada, não demonstrou prejuízo e, portanto, não se justifica retrocesso processual nem decretação de nulidade.
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento/decisão Sobre Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Expedição De Certidão De Crédito, Atualização De Cálculos, Intimação E Preclusão, Nulidade Processual E Demonstração De Prejuízo
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento/decisão Sobre Agravo
Legal Issues
- 1 omissão do acórdão (art. 1.022, II, CPC)
- 2 intimação da atualização de cálculos no cumprimento de sentença (art. 9º, II, Lei 11.101/05)
- 3 preclusão pela não impugnação oportuna dos cálculos
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão; a agravante não impugnou ou especificou erro nos cálculos na oportunidade adequada, não demonstrou prejuízo e, portanto, não se justifica retrocesso processual nem decretação de nulidade.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXPEDIÇÃO DE CERTIDÃO DE CRÉDITO. PLANILHA DE MERA ATUALIZAÇÃO DE CÁLCULOS. EXECUTADO QUE NÃO INDICA QUALQUER FALHA OU INCONSISTÊNCIA. RETROCESSO PROCESSUAL INJUSTIFICÁVEL. DECISÃO MANTIDA. I. O contraditório pode ser diferido na hipótese de cálculos de simples atualização para a expedição de certidão de crédito. II. Não há justificativa para retrocesso processual na hipótese em que a parte não indica qualquer erro, impropriedade ou inconsistência na simples atualização dos cálculos da dívida. III. Agravo de Instrumento conhecido e desprovido. Alegou-se, no especial, violação dos artigo 1.022, II, e 525, § 11, do Código de Processo Civil e 9º, II, da Lei 11.101/05 sob os argumentos de que o acórdão local é omisso e que deveria a parte ser intimada da atualização dos cálculos no cumprimento de sentença. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. O Tribunal de origem, de início, motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em omissão ou negativa de prestação jurisdicional apenas pelo fato de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Sobre o tema, os seguintes precedentes: AgRg no REsp 965.541/RS, Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 17/5/2011, DJe 24/5/2011, e AgRg no Ag 1.160.319/MG, Desembargador Convocado Vasco Della Giustina, Terceira Turma, julgado em 26/4/2011, DJe 6/5/2011. O Tribunal distrital, quanto ao mais, concluiu que: "(..) a Agravante se restringe a afirmar retoricamente que "a conta apresentada pelo Autor é manifestamente equivocada e atribui a ele valor acima do efetivamente devido em razão da coisa julgada", sem especificar minimamente o vício a inconsistência da atualização dos cálculos. Reitere-se que a Agravante não impugnou os cálculos apresentados para os fins do artigo 9º, inciso II, da Lei 11.101/2005, e agora sequer indica o erro ou a desconformidade da planilha de simples atualização. Não é demasiado lembrar que eventual ausência ou nulidade da intimação deve ser arguida pela parte no próprio ato processual que lhe caiba praticar. E no presente recurso a Agravante não identificou nenhuma falha ou inexatidão mera atualização de cálculos preclusos. Acrescente-se que a Agravante tenha oportunidade de expressar o seu inconformismo nos embargos de declaração interpostos, ou seja, antes da interposição do presente recurso, porém não suscitou incorreção alguma nos cálculos" (e-STJ, fl. 107). A parte, do que se verifica do acórdão de origem, não impugnou oportuna e adequadamente os cálculos do credor, não demonstrou a ocorrência de prejuízo e nem alegou eventual nulidade na primeira oportunidade, fundamentos que não foram impugnados, razão pela qual incidem as disposições dos verbetes n. 283 e 284 da Súmula desta Casa. Para exame, leiam-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO E ANUÊNCIA DA PARTE. INOVAÇÃO RECURSAL. OFENSA AO ART. 489 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO E SUSCITAÇÃO TARDIA DE NULIDADE. INVIABILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É vedado à parte inovar em suas razões recursais, em sede de agravo interno, trazendo novas questões não suscitadas oportunamente no recurso especial ou nas contrarrazões ao recurso especial, tendo em vista a configuração da preclusão consumativa. 2. Não há que se falar em ofensa ao art. 489, § 1º, do CPC/2015, uma vez que o acórdão recorrido adotou fundamentação suficiente decidindo integralmente a controvérsia. É indevido conjecturar-se a existência de omissão, obscuridade ou contradição no julgado apenas porque decidido em desconformidade com os interesses da parte. 3. Esta Corte Superior tem entendimento firme de que a decretação de nulidade de atos processuais depende da efetiva demonstração do prejuízo (pas de nullité sans grief), por prevalência do princípio da instrumentalidade das formas, o que não foi demonstrado no caso. 4. A suscitação tardia da nulidade, somente após a ciência do resultado do julgamento desfavorável, configura a chamada nulidade de algibeira, manobra processual que não se coaduna com a boa-fé e que é rechaçada pelo Superior Tribunal de Justiça. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.509.345/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 10/2/2025, DJEN de 21/2/2025.) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DE PROCESSO EXECUTIVO SEM INTIMAÇÃO DO CREDOR HIPOTECÁRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. MARCO INICIAL. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A falta de intimação do credor hipotecário não gera nulidade do ato expropriatório, mas apenas a ineficácia da arrematação em relação ao titular da garantia, nos termos do art. 698 do CPC/1973. 2. A decretação de nulidade depende de demonstração de prejuízo efetivo à parte interessada, conforme o princípio da instrumentalidade das formas (pas de nullité sans grief), não sendo suficiente a mera alegação de ausência de intimação. 3. A prescrição intercorrente será contada a partir do fim do prazo de suspensão ou, quando não fixado, após o decurso de um ano do sobrestamento. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.716.567/SC, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024.) Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Intimem-se. EMENTA