AREsp 2141453 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque a parte agravante não trouxe elementos capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada; a jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1.795.982/SP) e a alteração legislativa pela Lei n. 14.905/2024 confirmam a aplicação da SELIC como taxa legal de juros moratórios nos...
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- Parties
- Agravante: ESPÓLIO DE ENOS BEOLCHI; Agravante: ENOS FRANCISCO BEOLCHI; Agravado: BANCO SANTANDER BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Interno (decisão De Mérito)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Taxa SELIC, Juros Moratórios, Impugnação Ao Cumprimento De Sentença, Interpretação Do Art. 406 Do Código Civil
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Parties
ESPÓLIO DE ENOS BEOLCHI
Agravante
ENOS FRANCISCO BEOLCHI
Agravante
BANCO SANTANDER BRASIL S.A.
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Interno (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 Aplicação da taxa SELIC como taxa legal de juros moratórios prevista no art. 406 do Código Civil
- 2 Se a argumentação da parte agravante demonstra inadequação dos fundamentos da decisão agravada
- 3 Efeito da alteração legislativa (Lei n. 14.905/2024) sobre a fixação da taxa legal de juros
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque a parte agravante não trouxe elementos capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada; a jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1.795.982/SP) e a alteração legislativa pela Lei n. 14.905/2024 confirmam a aplicação da SELIC como taxa legal de juros moratórios nos termos do art. 406 do Código Civil.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter o provimento do recurso especial nos termos da decisão agravada
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Impedida a Sra. Ministra Nancy Andrighi. EMENTA CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO REJEITADA. TAXA SELIC. CABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte Especial, no julgamento do REsp 1.795.982/SP, em 21/8/2024, reafirmou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada no sentido de que a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. 2. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por ESPÓLIO DE ENOS BEOLCHI e ENOS FRANCISCO BEOLCHI (ESPÓLIO e outro) contra decisão monocrática de minha relatoria, integrada por embargos de declaração, assim ementada: PROCESSUAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS. TAXA SELIC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (e-STJ, fl. 217) Nas razões do presente inconformismo, ESPÓLIO e outro defenderam que a taxa Selic não proporciona segurança jurídica devido à sua contínua flutuação. Alegaram que, assim como a Taxa Referencial (TR) foi considerada incompatível para cálculo de correção monetária pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a taxa Selic também não é adequada para cálculo de juros moratórios, pois é uma taxa nominal que não reflete a realidade econômica efetiva. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 247-251). É o relatório. EMENTA CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO REJEITADA. TAXA SELIC. CABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte Especial, no julgamento do REsp 1.795.982/SP, em 21/8/2024, reafirmou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada no sentido de que a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. 2. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 3. Agravo interno não provido. VOTO O inconformismo agora manejado não merece provimento, por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões adotadas pela decisão recorrida. Na origem, o BANCO SANTANDER BRASIL S.A. (SANTANDER), em impugnação ao cumprimento de sentença, insurgiu-se acerca dos índices de atualização utilizados no cálculo, apontando que seria caso de aplicação da taxa Selic. Em primeira instância, o MM. Juiz a quo rejeitou a impugnação, sob o fundamento de que a taxa Selic não serviria de parâmetro para a fixação dos juros de mora, por possuir natureza remuneratória. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo SANTANDER, ratificando o entendimento de que os juros de mora devem ser à razão de 1% ao mês. Confira-se: Prevalece neste Tribunal de Justiça a compreensão de que o art. 406 do CC diz somente com os juros moratórios e se interpreta em harmonia com o art. 161, § 1º, do CTN, a resultar em que o incremento em lume se apura à razão de um por cento ao mês. .. Com efeito, os juros de mora decorrem da impontualidade do devedor em adimplir a obrigação e devem incidir mesmo na hipótese de omissão do título exequendo, por serem mero consectário legal da condenação, cuja incidência sequer implicaria ofensa à coisa julgada ou reformatio in pejus (e-STJ, fls. 136-138). Conforme consignado na decisão agravada, o acórdão recorrido se encontra em dissonância com a jurisprudência desta Corte, que já pacificou que os juros moratórios a que se refere o art. 406 do CC é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Inclusive a Corte Especial, no julgamento do REsp 1.795.982/SP, em 21/8/2024, reafirmou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada no sentido de que a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Eis a ementa do julgado: CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INTERPRETAÇÃO DO ART. 406 DO CÓDIGO CIVIL. RELAÇÕES CIVIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA LEGAL. APLICAÇÃO DA SELIC. RECURSO PROVIDO. 1. O art. 406 do Código Civil de 2002 deve ser interpretado no sentido de que é a SELIC a taxa de juros de mora aplicável às dívidas de natureza civil, por ser esta a taxa "em vigor para a atualização monetária e a mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional". 2. A SELIC é taxa que vigora para a mora dos impostos federais, sendo também o principal índice oficial macroeconômico, definido e prestigiado pela Constituição Federal, pelas Leis de Direito Econômico e Tributário e pelas autoridades competentes. Esse indexador vigora para todo o sistema financeiro-tributário pátrio. Assim, todos os credores e devedores de obrigações civis comuns devem, também, submeter-se ao referido índice, por força do art. 406 do CC. 3. O art. 13 da Lei 9.065/95, ao alterar o teor do art. 84, I, da Lei 8.981/95, determinou que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios "serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente". 4. Após o advento da Emenda Constitucional 113, de 8 de dezembro de 2021, a SELIC é, agora também constitucionalmente, prevista como única taxa em vigor para a atualização monetária e compensação da mora em todas as demandas que envolvem a Fazenda Pública. Desse modo, está ainda mais ressaltada e obrigatória a incidência da taxa SELIC na correção monetária e na mora, conjuntamente, sobre o pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, sendo, pois, inconteste sua aplicação ao disposto no art. 406 do Código Civil de 2002. 5. O Poder Judiciário brasileiro não pode ficar desatento aos cuidados com uma economia estabilizada a duras penas, após longo período de inflação galopante, prestigiando as concepções do sistema antigo de índices próprios e independentes de correção monetária e de juros moratórios, justificável para uma economia de elevadas espirais inflacionárias, o que já não é mais o caso do Brasil, pois, desde a implantação do padrão monetário do Real, vive-se um cenário de inflação relativamente bem controlada. 6. É inaplicável às dívidas civis a taxa de juros moratórios prevista no art. 161, § 1º, do CTN, porquanto este dispositivo trata do inadimplemento do crédito tributário em geral. Diferentemente, a norma do art. 406 do CC determina mais especificamente a fixação dos juros pela taxa aplicável à mora de pagamento dos impostos federais, espécie do gênero tributo. 7. Tal entendimento já havia sido afirmado por esta Corte Especial, por ocasião do julgamento do EREsp 727.842/SP, no qual se deu provimento àqueles embargos de divergência justamente para alinhar a jurisprudência dos Órgãos Colegiados internos, no sentido de que "a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais" (Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 8/9/2008 e publicado no DJe de 20/11/2008). Deve-se reafirmar esta jurisprudência, mantendo-a estável e coerente com o sistema normativo em vigor. 8. Recurso especial provido. (REsp 1.795.982/SP, Rel para acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, Corte Especial, j. 21/8/2024) Ademais, o art. 406 do Código Civil foi alterado pela Lei n. 14.905/2024, passando a ter a seguinte redação: Art. 406. Quando não forem convencionados, ou quando o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, os juros serão fixados de acordo com a taxa legal. § 1º A taxa legal corresponderá à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), deduzido o índice de atualização monetária de que trata o parágrafo único do art. 389 deste Código. § 2º A metodologia de cálculo da taxa legal e sua forma de aplicação serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional e divulgadas pelo Banco Central do Brasil. § 3º Caso a taxa legal apresente resultado negativo, este será considerado igual a 0 (zero) para efeito de cálculo dos juros no período de referência. Assim, porque ESPÓLIO e outro não demonstraram o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o provimento do recurso especial. Nessas condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.