AREsp 2731247 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso especial por exigir, para acolhimento da pretensão, reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ e por ausência de demonstração legalmente adequada de dissídio jurisprudencial; registrou-se, ademais, que o Tribunal de origem apreciou a matéria e que, em...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Estado de Goiás; Agravado/exequente/recorrido: Policiais Civis (UGOPOCI)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento No STJ
- Outcome
- Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença Coletiva, Compensação, Coisa Julgada, Reestruturação De Carreira, URV, Enriquecimento Sem Causa, Súmula 7/stj, Divergência Jurisprudencial
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Parties
Estado de Goiás
Agravante/recorrente
Policiais Civis (UGOPOCI)
Agravado/exequente/recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento No STJ
Legal Issues
- 1 Se a reestruturação remuneratória (Lei nº 15.696/2006) teria incorporado definitivamente o percentual de 11,98% e, assim, impedido compensação com a conversão da URV
- 2 Se a matéria demandaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n.7 da Súmula do STJ
- 3 Se foi demonstrado dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo art. 1.029, §1º, CPC/2015 e art.255 do RISTJ
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso especial por exigir, para acolhimento da pretensão, reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ e por ausência de demonstração legalmente adequada de dissídio jurisprudencial; registrou-se, ademais, que o Tribunal de origem apreciou a matéria e que, em embargos de declaração, conferiu efeitos infringentes para que a reestruturação remuneratória fosse considerada na apuração do crédito, independentemente da data de ocorrência.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015.
Full Case Text
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DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto pelo ora Agravado em face do ora Agravante, contra decisão que, nos autos de cumprimento de sentença coletiva, determinou a realização de perícia contábil, considerando preclusa a matéria da compensação com reestruturação de carreira. No Tribunal a quo, em sede de embargos de declaração, conferiu efeitos infringentes para que o cálculo da URV compense os valores pagos pela reestruturação da carreira. O valor da causa foi fixado em R$ 485.163,86 (Quatrocentos e oitenta e cinco mil, cento e sessenta e três reais e oitenta e seis centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO SECUNDUM EVENTUM LITIS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. URV. POLICIAIS CIVIS (UGOPOCI). ALEGAÇÃO DO ENTE FEDERADO DE OCORRÊNCIA DA REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA DA PARTE EXEQUENTE E DA INEXISTÊNCIA DA PERDA REMUNERATÓRIA NA CONVERSÃO DA URV. DECISÃO MANTIDA. 1. O AGRAVO DE INSTRUMENTO DEVOLVE À INSTÂNCIA REVISORA APENAS A MATÉRIA DISCUTIDA NA DECISÃO FUSTIGADA (SECUNDUM EVENTUM LITIS), NÃO PODENDO SER CONHECIDA E ANALISADA QUESTÃO NÃO APRECIADA PELO JUÍZO DE ORIGEM, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 2. NÃO MERECE PROSPERAR A TESE DO ESTADO DE GOIÁS, DE QUE O PERCENTUAL DE 11,98% (ONZE VÍRGULA NOVENTA E OITO POR CENTO) JÁ FOI INCORPORADO DEFINITIVAMENTE PELA LEI Nº 15.696/2006, QUE PROMOVEU A REESTRUTURAÇÃO REMUNERATÓRIA DA CARREIRA DO EXEQUENTE/AGRAVADO, ABSORVENDO AS DIFERENÇAS RESULTANTES DA IMPLEMENTAÇÃO DO REFERIDO PERCENTUAL. O PLEITO RECURSAL CONFIGURA AFRONTA AO INSTITUTO DA COISA JULGADA, QUE É A QUALIDADE CONFERIDA À SENTENÇA JUDICIAL CONTRA A QUAL NÃO CABE MAIS RECURSOS, TORNANDO-A IMUTÁVEL E INDISCUTÍVEL. 3. O ENTE ESTATAL, ORA RECORRENTE, MUITO EMBORA TENHA ALEGADO, NÃO DEMONSTROU A EXISTÊNCIA DE REESTRUTURAÇÃO NA CARREIRA CAPAZ DE ABSORVER A PERDA OCORRIDA QUANDO DA CONVERSÃO DA URV, DEIXANDO NÍTIDO QUE PRETENDE, POR ESTA VIA, A MODIFICAÇÃO DA SENTENÇA QUE LHE FOI DESFAVORÁVEL, A QUAL INCLUSIVE JÁ TRANSITOU EM JULGADO. 4. RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO, MAS DESPROVIDO. DECISÃO CONFIRMADA. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Não merece prosperar a tese do Estado de Goiás, de que o percentual de 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) já foi incorporado definitivamente pela Lei nº 15.696/2006, que promoveu a reestruturação remuneratória da carreira do exequente/agravado, absorvendo as diferenças resultantes da implementação do referido percentual, pois, o pleito recursal configura afronta ao instituto da coisa julgada, que é a qualidade conferida à sentença judicial contra a qual não cabe mais recursos, tornando-a imutável e indiscutível. .. Conclui-se que, no caso em referência, nenhuma irregularidade constata-se na decisão agravada capaz de levar a sua anulação, tendo obedecido os princípios legais inerentes à ação proposta e observados, ainda, o poder de cautela do magistrado, estando bem fundamentada a razão de seu convencimento. .. Entretanto, nos embargos de declaração, o Tribunal conferiu efeitos infringentes para considerar a reestruturação da carreira: .. Ante o exposto, CONHEÇO EM PARTE DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e, nesta extensão, os ACOLHO PARCIALMENTE com efeitos infringentes para, em reforma ao acórdão recorrido, determinar que a reestruturação remuneratória da carreira, que instituiu o regime de subsídios dos servidores públicos, in casu, do Recorrido, seja levada em consideração na apuração do crédito, independentemente da data em que tenha ocorrido. .. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela div ergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO EM EXECUÇÃO DE SENTENÇA EM AÇÃO RESCISÓRIA. ÍNDICE DE 28, 86%. COMPENSAÇÃO COM REAJUSTES CONCEDIDOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO TÍTULO JUDICIAL. EVENTUAL AFRONTA À COISA JULGADA. SUBTERFÚGIO DA COISA JULGADA QUE NÃO PODE ALBERGAR O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. PRINCÍPIO DA JUSTIÇA DA DECISÃO. JULGADOS DA PRIMEIRA TURMA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I - Na origem, trata-se de embargos à execução oferecidos pela Universidade Federal de Alagoas - UFAL contra José Alberto Saldanha de Oliveira e outros, aduzindo, em síntese, que o reajuste de 28,86% deve ser compensado com reajustes concedidos nas Leis n. 8.622/1993 e 8.627/1993 e no Decreto n. 2.693/1998. No Tribunal de origem, julgou-se parcialmente procedente os embargos à execução, para determinar a referida compensação com os reajustes posteriores. Interposto recurso especial, este teve seguimento. No STJ, em decisão monocrática de minha lavra, não se conheceu do recurso especial, ante a incidência da Súmula n. 7/STJ e da Súmula n. 211/STJ. II - Em que pese as alegações do agravante, referentes ao julgamento do REsp n. 1.235.513, cuja tese jurídica está enunciada no Tema n. 476/STJ, cujo a tese "Transitado em julgado o título judicial sem qualquer limitação ao pagamento integral do índice de 28,86%, não cabe à União e às autarquias federais alegar, por meio de embargos, a compensação com tais reajustes, sob pena de ofender-se a coisa julgada", sofreu um distinguishing, não podendo se aplicar o referido precedente. É que no julgamento do AgInt no AREsp n. 465.900/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, relator para acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/2/2018, DJe de 22/3/2018, firmou-se a tese de que "deve ser considerada questão relacionada com a justiça da decisão e com outros valores morais, tais como a probidade e a boa-fé, sendo difícil conceber que, na satisfação de um direito, seja possibilitado o prejuízo da outra parte e o enriquecimento sem causa". III - No mesmo sentido, em caso semelhante ao dos presentes autos, a Primeira Turma reiterou que a alegação de coisa julgada não pode sustentar o enriquecimento sem causa da parte beneficiada, quando há manifesto direito a compensação dos reajustes (AgInt no AREsp n. 869.431/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/5/2018, DJe de 11/6/2018.) IV - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.505.726/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 29/8/2022, DJe de 31/8/2022.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL. PLANO COLLOR. EXECUÇÃO. COMPENSAÇÃO/LIMITAÇÃO. AUMENTOS ANTERIORMENTE CONCEDIDOS A MESMO TÍTULO. ALEGAÇÃO. FASE DE COGNIÇÃO. AUSÊNCIA. CASO CONCRETO. EXCEPCIONALIDADE. JUSTIÇA DA DECISÃO. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. INADMISSIBILIDADE. 1. O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que não pode ocorrer a compensação do índice de 28,86% com reajustes concedidos por leis anteriores à última oportunidade de alegação da objeção de defesa no processo cognitivo. 2. Hipótese em que servidores públicos sagraram-se vencedores em ação proposta contra o Distrito Federal que visava o pagamento de diferenças salariais decorrentes do reajuste de outro plano - "Collor", correspondente aos percentuais relativos aos meses de abril a junho de 1990, sendo certo que, anteriormente à propositura da ação, tinham sido editadas leis locais que a eles concederam reajustes e/ou reestruturaram a carreira da qual faziam parte, sendo absorvida, a partir de então, a defasagem salarial existente, decorrente do referido plano. 3. Tendo sido as referidas legislações locais editadas anteriormente ao trânsito em julgado da sentença exequenda (em verdade, em momento anterior à própria propositura da ação), descuidou-se o Distrito Federal de arguir a questão relativa à possível compensação/limitação ainda na fase de conhecimento - da mesma forma que deixaram os servidores de suscitar o tema naquela oportunidade - e olvidou-se o juízo ordinário de considerar a existência, de ofício, de fato modificativo do direito vindicado (nos moldes previstos no art. 462 do CPC/1973). 4. Mesmo sabedores dos fatos ocorridos após a violação de seu direito, os servidores promoveram a execução sem efetuar a compensação/limitação com os aumentos que já tinham sido especificamente concedidos pela Administração, pretendendo - sob o manto da coisa julgada - perceber em duplicidade os valores a que teriam direito. 5. In casu, deve ser considerada questão relacionada com a justiça da decisão e com outros valores morais, tais como a probidade e a boa-fé, sendo difícil conceber que, na satisfação de um direito, seja possibilitado o prejuízo da outra parte e o enriquecimento sem causa, restando induvisoso que, ao manejar os embargos à execução, jamais pretendeu o Distrito Federal questionar o direito judicialmente e legalmente reconhecido, e sim apenas delimitar o que seria efetivamente devido. 6. Em nenhum momento os servidores negam a existência da concessão dos reajustes e/ou da reestruturação da carreira da qual faziam parte mediante as leis editadas, sendo esses fatos, portanto, incontroversos. 7. Diante da quantidade de ações judiciais similares à presente, do número de servidores que irão perceber valores sabidamente indevidos, bem como da atual conjuntura econômica em que se encontra o ente federado, a questão deve ser tratada concretamente, a fim de que seja adotada conclusão, ainda que excepcional, que justifique a prevalência de princípios que asseguram valores mais elevados do que a segurança jurídica. 8. Não se pode admitir que determinada parcela de servidores seja beneficiada com enriquecimento sem causa em detrimento do erário, com graves prejuízos e consequências para a coletividade, pois o interesse particular não pode prevalecer sobre o interesse público e o bem comum, sendo certo, que, ao final, é a sociedade que suportará os ônus correspondentes. 9. Agravo interno do DISTRITO FEDERAL provido para CONHECER do agravo e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto. (AgInt no AREsp n. 465.900/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, relator para acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/2/2018, DJe de 22/3/2018.) Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA