AREsp 2598841 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem dirimiu a matéria com fundamentação suficiente, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, e porque a reforma do entendimento exigiria reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ.
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- Parties
- Agravante: FRANCINETE EVANGELISTA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 13/02/2025 a 19/02/2025)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença Coletiva, Ilegitimidade Ativa, Súmula 7/stj, Arts. 489 E 1.022 Do Cpc/2015, Servidor Público
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Parties
FRANCINETE EVANGELISTA DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 13/02/2025 a 19/02/2025)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do tribunal de origem quanto à legitimidade ativa e à representação sindical
- 2 Alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 3 Incidência da Súmula 7/STJ e vedação ao reexame de fatos e provas
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem dirimiu a matéria com fundamentação suficiente, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, e porque a reforma do entendimento exigiria reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno por unanimidade.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/02/2025 a 19/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por FRANCINETE EVANGELISTA DOS SANTOS contra a decisão que conheceu do agravo para dar parcial provimento ao recurso especial. A parte agravante insiste na ocorrência de omissão no acórdão proferido pela Corte de origem, em especial, no que se refere ao "documento demonstrando que o cargo ocupado é diverso dos representados pelo sindicato indicado como mais específico, assim como participação da parte Recorrente em liquidação coletiva por arbitramento, onde seu índice foi individualizado e homologado, restando superada a questão da legitimidade, porém a corte estadual não se pronunciou sobre estes documentos" (fl. 292). Defende a não incidência da Súmula 7/STJ. Aduz, ain da, que, "da mera leitura do acórdão guerreado, percebe-se que não houve, em qualquer momento, enfrentamento das questões apontadas, que foram a preclusão da legitimidade e cargo da parte não é representado pelo sindicado indicado como mais específico, logo não se deve falar em acórdão fundamentado" (fl. 296). Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou submissão da questão ao Colegiado. Não foi apresentada impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. 2. Agravo interno desprovido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC Quanto à alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, a Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, conforme se extrai do excerto do acórdão recorrido (fl. 207): No caso, a parte pretende devolver mais uma vez a tese de legitimidade ativa para executar o crédito constituído em sentença coletiva obtida na Ação n.º 6.542/05, o que não é possível em sede de embargos de declaração, pois o Acórdão ID 27515400 foi bem claro ao concluir que, em razão do cargo ocupado pela exequente desde o ano de 2012 (AUXILIAR DE SERVIÇOSGERAIS/ Lotação Secretaria de Educação), bem como o pagamento de imposto sindical bem como nos anos de 2012 e 2013 foram revertidos em favor do SINPROESSEMA, é possível presumir que esta é legalmente assistida por esse último sindicato, e não pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado do Maranhão (SINTSEP), a quem compete a defesa dos direitos dos servidores públicos estaduais que não integram um sindicato específico (caráter residual).No caso, a parte pretende devolver mais uma vez a tese de legitimidade ativa para executar o crédito constituído em sentença coletiva obtida na Ação n.º 6.542/05, o que não é possível em sede de embargos de declaração, pois o Acórdão ID 27515400 foi bem claro ao concluir que, em razão do cargo ocupado pela exequente desde o ano de 2012 (AUXILIAR DE SERVIÇOSGERAIS/ Lotação Secretaria de Educação), bem como o pagamento de imposto sindical bem como nos anos de 2012 e 2013 foram revertidos em favor do SINPROESSEMA, é possível presumir que esta é legalmente assistida por esse último sindicato, e não pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado do Maranhão (SINTSEP), a quem compete a defesa dos direitos dos servidores públicos estaduais que não integram um sindicato específico (caráter residual). Não se constata a existência de vícios, pois o acórdão explicitou claramente as razões pelas quais reconheceu a ilegitimidade ativa da recorrente. Concorde-se ou não com o resultado do julgamento, o acórdão não é omisso, porque a solução apresentada resolveu suficientemente a questão. Na jurisprudência do STJ: Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 (AgInt no AREsp 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). DA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ Conforme já afirmado, o STJ, analisando caso idêntico ao presente, consignou que, para infirmar a conclusão do Tribunal de origem acerca da ilegitimidade da exequente, seria necessário o reexame dos fatos e provas constantes nos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. ILEGITIMIDADE ATIVA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃO NÃO VERIFICADA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. Verifica-se que "O acórdão recorrido foi proferido em harmonia com a jurisprudência desta Corte, firme no sentido de que a legitimidade das partes, por constituir uma das condições da ação, perfaz questão de ordem pública e pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição ou mesmo declarada de ofício" (AgInt no AR Esp 2.313.518/MA, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 23/10/2023, D Je de 26/10/2023). 2. O Tribunal de origem reconheceu que "a carreira a que pertence a ora agravada - agente de saúde pública - está vinculada a sindicato diverso, qual seja, SINDSAUDEMA, não abrangida pelo título executivo objeto da lide". A reversão do julgado na forma pretendida, considerando o contexto fático delineado nas instâncias ordinárias, demandaria o inevitável revolvimento das provas, e não a valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Sendo assim, incide no presente caso a Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AR Esp n. 2.154.148/MA, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, D Je de 29/2/2024). Isso posto, nego provimento ao recurso.