AREsp 2702214 - DECISAO
Reconhecida a lesão ambiental decorrente da manutenção de madeira em depósito sem autorização do órgão competente, e em face da jurisprudência consolidada do STJ no sentido de que o dano moral coletivo em matéria ambiental é presumido (in re ipsa), entendeu-se que o acórdão recorrido incorreu em erro ao exigir prova...
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- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO; Recorrida: Madeireira Rio Furquim Ltda.-ME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Para Reconhecer O Recurso Especial E Determinar Devolução Ao Tribunal De Origem Para Arbitramento Do Quantum
- Outcome
- Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, reconhecer o dano moral coletivo e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para arbitramento do quantum da indenização
- Legal Topics
- Dano Moral Coletivo, Dano Ambiental in Re Ipsa, Ação Civil Pública, Responsabilidade Civil Ambiental, Ônus Da Prova, Cumulação De Obrigação De Fazer E Indenização
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
Agravante
Madeireira Rio Furquim Ltda.-ME
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Para Reconhecer O Recurso Especial E Determinar Devolução Ao Tribunal De Origem Para Arbitramento Do Quantum
Legal Issues
- 1 Configuração de dano moral coletivo em razão do armazenamento de madeira sem licença
- 2 Aplicabilidade da presunção do dano moral coletivo (in re ipsa) em matéria ambiental
- 3 Necessidade ou não de prova técnica do dano ambiental
Ratio Decidendi
Reconhecida a lesão ambiental decorrente da manutenção de madeira em depósito sem autorização do órgão competente, e em face da jurisprudência consolidada do STJ no sentido de que o dano moral coletivo em matéria ambiental é presumido (in re ipsa), entendeu-se que o acórdão recorrido incorreu em erro ao exigir prova de comoção social ou prejuízo concreto à coletividade; por isso, conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para reconhecer o dano moral coletivo, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem para arbitramento do quantum indenizatório.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, reconhecer o dano moral coletivo e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para arbitramento do quantum da indenização
Orders
- Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial
- Reconhecer o dano moral coletivo
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO contra decisão que não admitiu o recurso especial, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, desafiando acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 184): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL - RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - DANO AMBIENTAL - DESMATAMENTO - DANO MORAL COLETIVO - NÃO CONFIGURADO - NÃO PROVIMENTO. A condenação da Requerida ao pagamento de indenização, a título de dano moral coletivo, exige a demonstração de que a infração ambiental causou repulsa a toda a coletividade. Em vista de o dano ambiental não ultrapassar o limite do tolerável para a coletividade, deve ser afastada a tese de ocorrência do dano moral coletivo. Nas razões de recurso especial, o recorrente alegou violação aos arts. 4º, VII, e 14, § 1º, da Lei n. 6.938/1981. Sustentou que o dano moral coletivo ambiental decorre da simples violação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo desnecessária a demonstração de prejuízos concretos ou subjetivos. Ponderou que a manutenção de 262,896m de madeira em depósito, sem licença ambiental, configura dano ambiental que, por si só, gera o dever de reparação integral, incluindo a indenização por danos morais coletivos. Indicou precedentes deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem o dano moral coletivo como aferível in re ipsa, ou seja, presumido pela própria violação do bem jurídico tutelado. As contrarrazões não foram apresentadas - fl. 216 (e-STJ). O Tribunal local não admitiu o processamento do recurso especial (e-STJ, fls. 217-223). A decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ, fls. 242-244). Interposto agravo interno, a decisão foi reconsiderada por esta relatoria às fls. 276-277 (e-STJ). Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pelo provimento do agravo em recurso especial (e-STJ, fls. 284-290). Brevemente relatado, decido. De início, o acórdão recorrido dirimiu a questão com base nos seguintes fundamentos (e-STJ, fls. 186-189 - sem grifo no original): Como visto no relatório, trata-se de Recurso de Apelação Cível, interposto pelo Ministério Público Estadual, contra a sentença proferida pelo Juízo da Segunda Vara da Comarca de Juína/MT, que, nos autos da Ação Civil Pública, por ele proposta, contra a Recorrida, julgou procedente o pedido inicial, mas deixou de condenar a parte Requerida ao pagamento de dano moral coletivo. Denota-se dos autos que o Ministério Público Estadual propôs a Ação Civil Pública Ambiental, contra a pessoa jurídica Madeireira Rio Furquim Ltda.-ME, alegando, em apertada síntese, que, no dia 26/03/2007, a Requerida foi autuada por manter em depósito 262,896m de madeira de toras de várias essências, sem licença do órgão ambiental competente. Alegou, na inicial, que a Requerida deveria ser condenada à obrigação de ressarcir o meio ambiente, por meio de indenização pecuniária, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos. Ao apreciar os pedidos, a Magistrada singular julgou-os, parcialmente, procedentes, ficando a parte dispositiva assim redigida: Ante o exposto, com fulcro no art. 487, I, do CPC, JULGO PROCEDENTES os pedidos iniciais para: CONDENAR a parte requerida à obrigação de ressarcir o meio ambiente por meio de indenização material no valor equivalente a 50% (cinquenta por cento) do proveito econômico que obteria com a venda da madeira na data da autuação administrativa, a ser revertido ao Fundo Estadual de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, cujo valor deverá ser aferido em liquidação de sentença e corrigido monetariamente pelo INPC a partir da data da autuação administrativa e com incidência de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a partir da citação; (Sic). O Autor opôs Embargos de Declaração, alegando a ocorrência de omissão (id. 140690176, págs. 35/36) que foram rejeitados pela Juíza singular (id. 140690178, págs. 01/03). Contra essas decisões, o Ministério Público Estadual interpôs o presente Recurso de Apelação, pretendendo a reforma da sentença recorrida, para que a Apelada seja condenada ao pagamento de indenização pelos danos morais coletivos. .. In casu, não há dúvidas sobre a degradação ao meio ambiente. Não há, no entanto, demonstração, por parte do Ministério Público Estadual, da ocorrência de prejuízo à imagem e à moral coletiva, por isso, aqui, ausente o nexo de causalidade que motive a condenação da Apelada ao pagamento de indenização a título de dano moral coletivo. Frise-se que, para efeitos de dano moral coletivo ambiental, é necessário que o fato transgressor seja de razoáveis significância e gravidade para a coletividade, o que não ficou demonstrado nos autos, já que a Recorrida foi responsabilizada, porque descumpriu as normas vigentes, no que tange ao meio ambiente, mantendo em seu depósito madeira em toras de várias essências, sem a devida autorização do órgão ambiental competente. Ademais, o dano ao meio ambiente sequer foi conhecido pela comunidade local, portanto, não há falar em comoção social que justifique a condenação pretendida pelo Apelante. Anoto que, embora seja assegurado, na CRFB, que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito de todos e dever do Poder Público e da coletividade, a sua defesa, preservando-o para as presentes e futuras gerações, no caso em questão, a lesão ambiental, provocada pelo Apelado, não implicou um desequilíbrio ecológico que provocasse diminuição do bem-estar e da qualidade de vida de quantidade indeterminada de pessoas. .. Diante de tais considerações, penso que o Apelo não deve ser provido. Com efeito, o entendimento adotado no acórdão recorrido está em desconformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, estabelecida no sentido de que o dano moral coletivo pode ser considerado in re ipsa, de modo que a mera constatação da prática de conduta ilícita que viole direitos de caráter extrapatrimonial da coletividade é suficiente para que ele seja configurado. Na mesma linha de entendimento: ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DANO MORAL COLETIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LESÃO AMBIENTAL. SÚMULA 7/STJ. DESMATAMENTO EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO. RESERVA EXTRATIVISTA JACI-PARANÁ. INVASÃO PARA ATIVIDADE PECUÁRIA. DANO PRESUMIDO. RESTABELECIMENTO DA SENTENÇA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. .. 2. O recurso especial comporta conhecimento, na medida em que discute, à luz do direito federal, as consequências jurídicas das circunstâncias fáticas descritas pelo acórdão, no que tange à configuração de dano moral coletivo em matéria ambiental. 3. Caso dos autos em que o acórdão afirmou a gravidade do extenso desmatamento cometido em unidade de conservação ambiental, em desacordo com as normas legais, mas deixou de aplicar a indenização coletiva por ausência de prova da ofensa ao sentimento difuso da comunidade local. 4. Conforme a jurisprudência corrente desta Corte, o dano moral coletivo é de natureza presumida, notadamente em matéria ambiental. Comprovada a ocorrência de lesão ambiental, presume-se a necessidade de compensação da coletividade pelos danos sofridos. 5. Restabelecimento da condenação fixada na sentença. 6. Agravo interno provido. (AgInt no REsp n. 1.913.030/RO, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 21/6/2024 - sem grifo no original.) PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. ART. 3º, III E IV, DA LEI 6.938/1981 (LEI DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE). POLUIÇÃO HÍDRICA. DESPEJO IRREGULAR DE ESGOTO NÃO TRATADO EM ÁREA DE ARRECIFES E ESTUÁRIO. SAÚDE PÚBLICA. DANO AMBIENTAL NOTÓRIO E IN RE IPSA. ART. 374, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. ART. 370, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. POSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DO NEXO DE CAUSALIDADE E DO DANO AMBIENTAL. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO POLUIDOR-PAGADOR, PRINCÍPIO DA REPARAÇÃO IN INTEGRUM E PRINCÍPIO IN DUBIO PRO NATURA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA RESTABELECER A SENTENÇA. .. II - No essencial, a controvérsia dos autos busca definir a configuração ou não de responsabilidade civil, quando ausente prova técnica que comprove o efetivo dano ao meio ambiente e/ou saúde humana causado por poluição ou aviltamento da biota. III - O dano ambiental é multifacetado. Há os que espalham rastros e sinais visíveis a olho nu, como o desmatamento. Há os que se camuflam na estrutura do meio, como a contaminação com resíduos tóxicos. Há os fugazes, que desaparecem instantânea ou rapidamente, sem deixar vestígios. Há os irreversíveis, os reversíveis e os parcialmente reversíveis. Há os de efeitos retardados, que só se revelam anos ou décadas depois da ação ou omissão. Há os que interferem na estrutura de DNA dos seres vivos em gestação. Há os intergeracionais, que prejudicam, coletivamente, as gerações futuras. Há o dano ambiental notório, que compreende pelo menos duas espécies. Primeiro, a degradação da qualidade ambiental que qualquer um pode perceber, sem necessidade de conhecimento especializado ou de instrumentos técnicos. Segundo, o cenário em que, provada a realização da conduta repreendida, improvável - consoante as regras de experiência comum - que dela não derivem, como consequência praticamente infalível, riscos à saúde, à segurança e ao bem-estar da população; deterioração da biota, das condições estéticas ou sanitárias; lançamento de matérias ou energia em desacordo com os padrões normativos, entre outros impactos negativos (art. 3º, III, da Lei 6.938/1981). É o chamado dano ambiental in re ipsa (p. ex., lançamento de esgoto in natura em curso, reservatório ou acumulação d"água). IV - Diante de dano ambiental notório ou de modalidade que se dissipa rapidamente no ambiente, algo corriqueiro na poluição do ar e da água, desnecessária, como regra, a realização de perícia para a sua constatação, haja vista que seria diligência inútil e meramente protelatória (art. 370, parágrafo único, do Código de Processo Civil). Nesses casos, basta a prova da conduta imputada ao agente. Cabe frisar que o dano ambiental notório inverte o ônus da prova da causalidade e do prejuízo, incumbindo ao transgressor demonstrar que do seu malsinado procedimento específico não resultaram os impactos negativos normalmente a ele associados. V - Juridicamente falando, a grande aptidão do meio ambiente para absorver impactos negativos não descaracteriza o dano. Se assim fosse, dificilmente se perfazeria lesão ambiental nos rios caudalosos, no oceano e em florestas de vasta extensão. Em sentido oposto, realce-se que a baixa predisposição para dissipar a poluição acentua a gravidade e censura do comportamento impugnado. A capacidade de suporte do meio não confere carta branca para ataques ao ambiente, seja com despejos de resíduos orgânicos e inorgânicos, seja com destruição dos elementos naturais que o compõem. Tampouco serve de argumento em favor do degradador já estar poluída a área em questão ou haver outros sujeitos em igual posição de ilegalidade. Finalmente, não lhe aproveita a constatação da existência de organismos da flora e fauna no espaço natural afetado, dado que a perseverança e a resiliência da vida selvagem não atenuam ou afastam a responsabilidade pelo dano ambiental. VI - Até pessoas iletradas sabem do risco à saúde e ao meio ambiente provocado pelo lançamento irregular de esgoto - mais ainda se destituído de qualquer forma de tratamento - em corpos de água, corrente ou não. Violação da lei acentuada quando se cuida de atividade comercial ou de área ambientalmente sensível, abrigo de espécies ameaçadas de extinção ou titular de valor paisagístico ou turístico. Em tais situações de dano ambiental notório, a ausência ou impossibilidade de prova técnica não inviabiliza o reconhecimento do dano ambiental e o subsequente dever de completa reparação material e moral - individual e coletiva. Como se sabe, os fatos notórios não dependem de prova (art. 374, I, do CPC). Dizer o contrário é ignorar a realidade e premiar o degradador, infringindo o princípio poluidor-pagador, o princípio da reparação in integrum e o princípio in dubio pro natura. Exatamente por isso, nos termos da Lei 6.938/1981, a responsabilidade civil ambiental é objetiva e solidária, podendo o juiz inverter o ônus da prova da causalidade e do dano. VII - Na hipótese dos autos, houve a constatação pelo Tribunal de origem do lançamento irregular de esgoto e dejetos, sem qualquer tratamento, pelo restaurante localizado no Pernambuco Iate Clube. Deve, portanto, ser restabelecida, na integralidade, a sentença de primeira instância. VIII - Recurso Especial provido. (REsp n. 2.065.347/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 24/4/2024.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. RECURSO ESPECIAL. DANOS MORAIS COLETIVOS. DANOS AMBIENTAIS INTERCORRENTES. OCORRÊNCIA. 1. Os danos morais coletivos são presumidos. É inviável a exigência de elementos materiais específicos e pontuais para sua configuração. 2. A configuração dessa espécie de dano depende da verificação de aspectos objetivos da causa. Trata-se de operação lógica em que os fatos conhecidos permitem ao julgador concluir pela ocorrência de fatos desconhecidos. 3. Considerando-se a inversão do ônus probatório em matéria ambiental, deve o réu comprovar a inexistência de tais elementos objetivos. A presunção opera em favor do fato presumido, somente se afastando diante de razões concretas. .. 7. Recurso especial provido para reconhecer a existência de danos ambientais morais coletivos e danos ambientais intercorrentes, com valor compensatório a ser arbitrado em liquidação. (REsp n. 1.940.030/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 6/9/2022 - sem grifo no original.) No caso, verifica-se que a lesão causada pelo armazenamento de madeira de várias essências sem a licença ou autorização do órgão ambiental competente foi devidamente reconhecida no acórdão recorrido, estando atendida a condição necessária e suficiente para o reconhecimento dos danos morais coletivos. Ademais, nos termos da Súmula n. 629/STJ, nas hipóteses de dano ambiental é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou a de não fazer cumulada com a de indenizar. Veja-se: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO AMBIENTAL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DANO AMBIENTAL. CUMULAÇÃO DE CONDENAÇÕES AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E DE PAGAR. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 629 DO STJ. SUBSIDIARIDADE DA CONDENAÇÃO PECUNIÁRIA. DEGRADADOR DIRETO. INEXISTÊNCIA. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. Tem razão o agravante, no sentido de que os precedentes mencionados na decisão que acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, não são aplicáveis no caso concreto, pois tratam da responsabilidade ambiental subsidiária do ente público, caso o degradador direto não cumpra as obrigações às quais restou condenado. O caso concreto diz respeito à responsabilização direta do próprio responsável pelo dano ambiental. 2. Nos termos da Súmula n. 629 do STJ, é cabível a cumulação à condenação à obrigação de fazer (reparação do dano) com o pagamento de indenização, quando a reparação integral do dano ambiental não for possível. 3. Diante da ratio essendi que embasa a permissão à cumulação das condenações, conclui-se que a reparação pecuniária não possui natureza subsidiária em relação à obrigação de fazer, mas são cumulativas, podendo o pagamento da indenização ser cobrado independentemente do cumprimento ou não na obrigação de fazer. 4. Agravo interno provido para rejeitar os embargos de declaração, ficando inalterada a decisão que não conhecera do recurso especial do embargado. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.418.052/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 25/2/2025.) Ante o exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de reconhecer o dano moral coletivo, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja arbitrado o quantum da indenização. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. DESMATAMENTO. DANO MORAL COLETIVO IN RE IPSA. RECONHECIMENTO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.