AREsp 2465554 - DECISAO
O agravo é improvido porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que não cabe a denunciação da lide no caso em que o denunciante busca transferir integralmente a responsabilidade a terceiro, entendimento em consonância com a jurisprudência desta Corte (incidência da Súmula 83/STJ); ademais, a conclusão sobre a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: Recorrente; Recorridos: Recorridos; Denunciado: DNIT; Condutor: Everton Ramos Amorin
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Admissibilidade
- Outcome
- Agravo negado provimento
- Legal Topics
- Denunciação Da Lide, Legitimidade Passiva, Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Recorrente
Agravante/recorrente
Recorridos
Recorridos
DNIT
Denunciado
Everton Ramos Amorin
Condutor
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Cabimento da denunciação da lide contra o DNIT
- 2 Legitimidade passiva do proprietário do veículo
- 3 Vedação ao reexame de provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo é improvido porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que não cabe a denunciação da lide no caso em que o denunciante busca transferir integralmente a responsabilidade a terceiro, entendimento em consonância com a jurisprudência desta Corte (incidência da Súmula 83/STJ); ademais, a conclusão sobre a legitimidade passiva do proprietário decorre de análise fático-probatória que não pode ser reexaminada em recurso especial, em razão da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo negado provimento
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que não admitiu o recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado (fl. 244): AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO INDENIZATÓRIA - DENUNCIAÇÃO DA LIDE - IMPOSSIBILIDADE - LEGITIMIDADE PASSIVA - STATUS ASSERTIONIS. A denunciação da lide é cabível contra aquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo, não se admitindo referido instituto no caso de o denunciante pretender se eximir de sua responsabilidade, atribuindo-a, com exclusividade, ao denunciado. Encontram-se legitimadas para a ação as pessoas indicadas pela ordem jurídica a suportar os efeitos da sentença, seja como titular do direito pretendido ou como obrigado à determinação emanada do judiciário, o que deve ser aferido em sede meritória, em status assertionis. Em seu recurso especial, a parte agravante aponta negativa de vigência aos arts. 125 e 338 do Código de Processo Civil. Defende a inclusão do DNIT no polo passivo da demanda, mediante denunciação à lide. Afirma que "trata-se de situação clássica de aquaplanagem, sendo certo que o acidente só ocorreu em razão do acumulo de água na pista de rolamento. Portanto, é latente a responsabilidade do ora denunciado, que é o responsável legal por manter a Rodovia em perfeitas condições de trafego, devendo ser responsabilizado por sua falha na prestação do serviço, mesmo tratando-se de culpa abstrata ou aquiliana". Alega que "apenas emprestou seu veículo para o condutor Everton Ramos Amorin, por mera generosidade, sem nenhuma contraprestação, tendo em vista que o mesmo teve o veículo, por ele utilizado, envolvido em um sinistro, que o impossibilitou de utilizá-lo. Logo, não tendo concorrido para o acidente, o mesmo é parte legítima para figurar no pólo passivo da demanda". Considera que, "com o reconhecimento da ilegitimidade passiva do Recorrente, os Recorridos poderão requerer a alteração do pólo passivo, nos termos do art. 338 do CPC". Contrarrazões apresentadas. Juízo negativo de admissibilidade, ensejando a interposição do presente agravo. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Nos termos da jurisprudência desta Corte, " .. a denunciação da lide, instrumento eminentemente processual, tem a função de adicionar ao processo uma nova lide conexa. Trata-se de modalidade de intervenção de terceiros por meio da qual autor ou réu chamam ao processo uma pessoa estranha à relação jurídica processual para que responda pelos eventuais prejuízos que venham a sofrer na hipótese de serem vencidos na demanda principal (art. 125 do CPC/15 e art. 70 do CPC/73). Corresponde a incidente processual facultativo que permite alcançar os princípios da celeridade, eficiência e economia processual, bem como de evitar sentenças contraditórias .. " (REsp n. 2.001.443/MT, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/8/2023, DJe de 21/8/2023). Cabe anotar que " .. é inviável a denunciação da lide com fundamento no art. 125, II, do CPC/15 nas hipóteses em que não se verifica direito de regresso, mas sim pretensão ao reconhecimento de culpa de terceiro pelo evento danoso .. " (AgInt no AREsp 1.230.412/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, DJe 22.11.2019). Ainda nesse sentido: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO RECURSO ESPECIAL. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. PRETENSÃO DE TRANSFERIR A OUTREM A RESPONSABILIDADE PELO EVENTO DANOSO. NÃO CABIMENTO DA DENUNCIAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 125, I, DO NOVO CPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência consolidada nesta Corte Superior, o Código de Processo Civil de 2015 não prevê a obrigatoriedade da denunciação da lide em nenhuma de suas hipóteses. Ao contrário, assegura o exercício do direito de regresso por ação autônoma quando indeferida, não promovida ou proibida (CPC/2015, art 125, caput, e § 1º). 2. Consoante orientação do STJ, "não se admite a denunciação da lide com fundamento no art. 125, II, do CPC se o denunciante objetiva eximir-se da responsabilidade pelo evento danoso, atribuindo-o com exclusividade a terceiro" (AgInt no AREsp 1.483.427/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 24//2019, DJe 30/9/2019). 3. O Tribunal estadual entendeu pelo não cabimento da denunciação da lide aos fundamentos de que não é obrigatória no presente caso e de que o objetivo do denunciante é eximir-se da obrigação, atribuindo a responsabilidade dos danos causados no acidente, com exclusividade a terceiro. 4. O acórdão recorrido encontra-se em harmonia com o entendimento consolidado no STJ, não merecendo reforma. Incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.850.758/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 30/8/2021, DJe de 9/9/2021.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. ART. 70, III, DO CPC/1973. DECISÃO MANTIDA. 1. "Não cabe a denunciação da lide quando se pretende, pura e simplesmente, transferir responsabilidades pelo evento danoso, não sendo a denunciação obrigatória na hipótese do inciso III do art. 70 do CPC/73. Precedentes" (REsp 1.635.636/ES, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/03/2017, DJe 24/03/2017). 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 917.762/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 1/6/2017, DJe de 16/6/2017.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DENUNCIAÇÃO À LIDE. ARTIGO 70, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. RESISTÊNCIA. CONDENAÇÃO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. CABIMENTO. 1. A denunciação da lide é uma demanda secundária de natureza condenatória. Assim, havendo resistência do litisdenunciado, este deve ser condenado a arcar com o pagamento de honorários advocatícios segundo o critério do art. 20, §3º, do CPC/1973. 2. Não cabe a denunciação quando se pretende, pura e simplesmente, transferir responsabilidades pelo evento danoso, não sendo a denunciação obrigatória nos casos do inciso III do art. 70 do Código de Processo Civil de 1973, na linha da jurisprudência da Corte. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 415.782/ES, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 8/11/2016, DJe de 17/11/2016.) No caso, o Tribunal de origem consignou que: " .. não se verifica a possibilidade de denunciação da lide, pois a pretensão do agravante não se insere em nenhuma das hipóteses retro citadas. Isso por que a denunciação deve ser deferida quando existente a possibilidade de direito de regresso e não em casos em que o denunciante pretende simplesmente se eximir de sua responsabilidade, atribuindo-a, com exclusividade, ao denunciado" (fl. 246). Como se vê, a conclusão adotada no acórdão recorrido guarda consonância com a orientação jurisprudencial desta Corte. Incide, portanto, a Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte local concluiu pela legitimidade passiva da parte agravante. Destacou-se no acórdão recorrido que: " .. em que pese não ser o agravante o condutor do veículo no momento do acidente, o fato de ser o proprietário, por si só, o legitima a figurar no pólo passivo da demanda. Se agiu com culpa, ou não, e se terá o dever de indenizar, é questão de mérito e demanda prova. Logo, o agravante possui legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda" (fl. 248). Outrossim, modificar a conclusão do acórdão recorrido - acerca da denunciação da lide e da legitimidade passiva - demandaria, necessariamente, o reexame de fatos e provas, inviável em recurso especial, a teor do disposto na Súmula 7/STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO EMPRESARIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. USO DE MARCA SEM AUTORIZAÇÃO REMOÇÃO DOS ANÚNCIOS DE VENDAS. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM ENTENDIMENTO DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte local afastou a denunciação da lide com base no substrato fático-probatório dos autos. Rever tal entendimento esbarra no óbice da Súmula 7 do STJ. A análise da tese referente à distribuição do ônus probatório também esbarra na referida súmula. .. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.951.098/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 20/6/2022, DJe de 24/6/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA RÉ. .. 2. O Tribunal de origem, com base no acervo fático-probatório dos autos, concluiu pela legitimidade passiva da insurgente para responder pelos danos decorrentes de acidente automobilístico, bem como por ser devida a indenização pelos danos materiais em razão das avarias existente no veículo. Alterar tais conclusões demandaria a análise de provas, providência esta vedada em sede de recurso especial, em razão do óbice da Súmula 7 do STJ. .. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 885.426/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 29/4/2019, DJe de 3/5/2019.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INIBITÓRIA DE INFRAÇÃO DE DESENHO INDUSTRIAL CUMULADA COM INDENIZAÇÃO. 1. NECESSIDADE DE DENUNCIAÇÃO DA LIDE AFASTADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS COM BASE NAS PROVAS DOS AUTOS. INVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. 2. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Tendo a Corte local apurado, por meio dos elementos contidos nos autos, pelo não acolhimento da tese de denunciação à lide da empresa chinesa, em razão da ausência das hipóteses previstas no art. 70 do CPC, bem como que os pedidos formulados na inicial se referem unicamente a quem expõe e comercializa o produto, o acolhimento das razões da recorrente demandaria o reexame dos elementos fático-probatórios dos autos, o que encontra óbice intransponível imposto pela Súmula 7 do STJ. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 728.865/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 15/12/2015, DJe de 2/2/2016.) Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, visto que o recurso especial foi interposto nos autos de agravo de instrumento que ataca decisão interlocutória. Intimem-se. EMENTA