AREsp 2659805 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em consonância com o art. 33, §2º, do Decreto-Lei n.3.365/1941 e com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que autoriza o levantamento de até 80% do depósito e determina a retenção dos 20%...
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- Parties
- Recorrente: Celso Eduardo Rabetti; Recorrido: Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Desapropriação, Levantamento De Depósito Judicial, Juros Compensatórios, Trânsito Em Julgado, Recurso Especial
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Parties
Celso Eduardo Rabetti
Recorrente
Estado de São Paulo
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de levantamento dos 20% remanescentes do depósito judicial antes do trânsito em julgado
- 2 Interpretação e aplicação do art. 33, §2º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941
- 3 Incidência de juros compensatórios sobre a parcela retida
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em consonância com o art. 33, §2º, do Decreto-Lei n.3.365/1941 e com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que autoriza o levantamento de até 80% do depósito e determina a retenção dos 20% remanescentes até o trânsito em julgado quando subsiste controvérsia sobre o valor da indenização.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CELSO EDUARDO RABETTI contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que inadmitiu recurso especial, apresentado no Processo n. 2102724-48.2023.8.26.0000, cujo acórdão possui a seguinte ementa (fls. 81-83): Levantamento na fase de cumprimento provisório de sentença - Não cabe a este Juízo decidir se a matéria pode ou não ser revista pelas Cortes Superiores, razão pela qual se deve entender que permanece a controvérsia a respeito - O art. 33 do Decreto-Lei 3.365/41 é claro ao equiparar o depósito de preço fixado por sentença ao pagamento prévio da indenização que é garantido constitucionalmente. Até poder-se-ia discutir a constitucionalidade ou não do dispositivo, mas não no presente recurso, até porque a sentença foi confirmada por este E. Tribunal em sede de apelação. O mesmo dispositivo preceitua o valor máximo que pode ser levantado do depósito, o qual já foi soerguido - Recurso improvido. O recorrente opôs embargos de declaração às fls. 88-99, os quais foram rejeitados pela Corte de origem (fls. 100-110). Irresignado, Celso Eduardo Rabetti interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição da República, alegando violação dos arts. 33 e 34 do Decreto-Lei n. 3.365/41 e divergência jurisprudencial. Aduziu que o acórdão recorrido está em confronto com a jurisprudência nacional, que permite o levantamento integral do depósito mesmo com a pendência de recurso em tribunais superiores, desde que a discussão sobre o valor principal da indenização esteja preclusa (fls. 113-136). O apelo foi inadmitido na Corte de origem (fls. 155-158). O recorrente interpôs Agravo em Recurso Especial (fls. 161-179). O Estado de São Paulo apresentou contraminuta ao agravo em recurso especial (fls. 186-190). O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls. 214-217, opinando pelo não conhecimento do recurso especial. É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos para o conhecimento do agravo, prossegue-se na análise do recurso especial. Nos termos do art. 33, § 2º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941, é facultado ao expropriado o levantamento de até 80% (oitenta por cento) do valor depositado, desde que atendidos os requisitos legais. A retenção dos 20% (vinte por cento) remanescentes até o trânsito em julgado da decisão que fixar o valor definitivo da indenização, por sua vez, encontra amparo na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. IMISSÃO NA POSSE. AVALIAÇÃO PRÉVIA. DEPÓSITO COMPLEMENTAR. DISCREPÂNCIA ENTRE O VALOR OFERTADO INICIALMENTE E O APURADO NA PERÍCIA PROVISÓRIA. LEVANTAMENTO APENAS DA QUANTIA INCONTROVERSA. JUROS COMPENSATÓRIOS. BASE DE CÁLCULO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mérito da ADI 2.332, realizado em 17/05/2018, confirmou a orientação anteriormente proferida na Medida Cautelar de que o caput do art. 15-A do Decreto-lei n. 3.365/1941 deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que os juros compensatórios devem incidir sobre a diferença entre 80% (oitenta por cento) do preço ofertado pelo expropriante e o valor fixado na sentença judicial. 2. A interpretação parte da premissa de que o desapropriado fez o levantamento de 80% (oitenta por cento) do valor da oferta (somado aos depósitos complementares, caso havidos), razão pela qual os juros devem incidir sobre os 20% (vinte por cento) restantes indisponíveis de levantamento até o trânsito em julgado da ação expropriatória. 3. Hipótese em que a expropriante depositou o valor integral da indenização fixada na sentença (oferta inicial somada aos depósitos complementares), antes mesmo da imissão provisória na posse, disponibilizando o levantamento parcial desse montante ao expropriado (80%), nos termos do art. 33, § 2º, do Decreto-lei n. 3.365/1941, que não se efetivou por circunstâncias alheias a sua vontade, notadamente porque o Juiz de primeiro grau entendeu necessário aguardar o julgamento do recurso de apelação interposto pela Concessionária, ora agravada. 4. Se a impossibilidade de levantamento integral dos 80% (oitenta por cento) do valor apurado na perícia provisória decorreu de decisão judicial, pautada em critérios de prudência e cautela devido à discrepância entre o valor inicialmente ofertado e o encontrado pelo expert oficial, não há razão para condenar a parte expropriante ao pagamento de juros compensatórios sobre a parcela que disponibilizou ao expropriado, inclusive com rendimentos bancários, como contraprestação pela perda antecipada da posse. 5. De outro lado, segundo a jurisprudência desta Corte de Justiça, ainda que tenha havido o depósito integral do valor da indenização, antes mesmo da imissão na posse, a legislação especial autoriza o expropriado a levantar somente 80% do referido montante, de modo que os juros compensatórios devem incidir sobre a parcela de 20% que permanece indisponível até o trânsito em julgado da sentença. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.294.323/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 27/5/2024.) PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. UTILIDADE PÚBLICA. CONCESSIONÁRIA. REVITALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO DA ZONA PORTUÁRIA. ASSISTENTE LITISCONSORCIAL. INDENIZAÇÃO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ADMISSIBILIDADE IMPLÍCITA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA N. 7/STJ. .. VI - Ainda sobre juros compensatórios, agora tratando de base de cálculo diversa, é necessário esclarecer que, mesmo que tenha havido o depósito integral do valor da indenização, o expropriado somente poderá levantar 80% (oitenta por cento) do referido valor, no que os juros compensatórios incidem, também, sobre a parcela de 20% (vinte por cento) indisponível de levantamento até o trânsito em julgado da ação expropriatória, pelo que, nos presentes autos, faz jus a recorrente aos juros compensatórios sobre a parcela de 20% (vinte por cento) indisponível de levantamento de imediato. Confiram-se os seguintes julgados a respeito: REsp n. 1.779.680/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 10/9/2019, DJe de 18/10/2019; REsp n. 1.804.276/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 25/6/2019, DJe de 1º/7/2019. .. XVIII - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.943.799/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. ART. 535 DO CPC. OFENSA. INEXISTÊNCIA. JUSTA INDENIZAÇÃO. LAUDO PERICIAL. CONTEMPORANEIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE DO IMÓVEL. AVALIAÇÃO PRÉVIA. LEVANTAMENTO DE 80% DO VALOR DA OFERTA INICIAL E, POSTERIORMENTE, DOS 20% RESTANTES DO DEPÓSITO. SITUAÇÃO PECULIAR. JUROS COMPENSATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA. CRITÉRIOS DE INCIDÊNCIA. CORREÇÃO. .. 7. É sabido que o montante de 20% (vinte por cento) somente poderá ser levantado pelo expropriado após o trânsito em julgado da ação de desapropriação, não havendo previsão legal para o recebimento da totalidade da oferta em momento anterior - conforme ocorreu no caso -, sendo certo que a quantia que permanece efetivamente indisponível para o particular constitui a justificativa para a incidência dos juros compensatórios. .. (REsp n. 1.662.339/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 6/3/2018, DJe de 22/3/2018.) Como mencionado no acórdão recorrido, o montante final da indenização ainda é controverso, havendo um pedido de redução do valor no âmbito de recurso especial, o que impede o levantamento dos 20% (vinte por cento) remanescentes antes do trânsito em julgado. Assim sendo, o ente ndimento esposado pelo Tribunal a quo encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte, conforme os precedentes aci ma colacionados. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Por tratar-se, na origem, de recurs o interposto contra decisão interlocutória, na qual não houve prévia fixação de honorários, não incide a regra do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO. PRETENSÃO LEVANTAMENTO DE 20% (VINTE POR CENTO) REMANESCENTES DO DEPÓSITO JUDICIAL. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DISCUSSÃO ACERCA DO VALOR. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.