REsp 1750624 - ACORDAO
A Primeira Seção firmou a tese de que, reconhecida a incidência do princípio da boa-fé objetiva em ação de desapropriação indireta, se a aquisição do bem ou de direitos sobre ele ocorreu quando já existia restrição administrativa, subentende-se que tal ônus foi considerado na fixação do preço, de modo que o adquirente posterior não tem legitimidade ativa para cobrar indenização do órgão expropriante por eventual apossamento anterior, salvo hipóteses excepcionais com patente boa-fé do sucessor (por exemplo, negócio jurídico gratuito ou vulnerabilidade econômica do adquirente); ademais, o art. 31 do Decreto-Lei 3.365/1941 se aplica a ônus e direitos reais existentes ao tempo da...
- Parties
- Recorrente: ANESTOR JOSÉ GUTH; Recorrente: CÉLIA JACINTA GUTH; Recorrido: Departamento de Infraestrutura de Santa Catarina - DEINFRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial Representativo De Controvérsia / Julgado Pela Primeira Seção (recurso Especial Repetitivo, Tema 1.004); Recurso Especial Provido E Autos Devolvidos À Origem Para Prosseguimento Do Julgamento
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Sub Rogação, Cessão De Crédito, Apossamento Administrativo, Boa Fé Objetiva, Proibição De Enriquecimento Sem Causa, Tema 1.004 (recursos Repetitivos)
Case Brief
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Parties
ANESTOR JOSÉ GUTH
Recorrente
CÉLIA JACINTA GUTH
Recorrente
Departamento de Infraestrutura de Santa Catarina - DEINFRA
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial Representativo De Controvérsia / Julgado Pela Primeira Seção (recurso Especial Repetitivo, Tema 1.004); Recurso Especial Provido E Autos Devolvidos À Origem Para Prosseguimento Do Julgamento
Legal Issues
- 1 Legitimidade ativa do adquirente posterior para pleitear indenização por desapropriação indireta ocorrida antes da aquisição
- 2 Aplicabilidade do art. 31 do Decreto-Lei 3.365/1941 à alegada sub-rogação entre antigo proprietário e adquirente
- 3 Incidência dos princípios da boa-fé objetiva, da moralidade e da proibição de enriquecimento sem causa no Direito Público
Ratio Decidendi
A Primeira Seção firmou a tese de que, reconhecida a incidência do princípio da boa-fé objetiva em ação de desapropriação indireta, se a aquisição do bem ou de direitos sobre ele ocorreu quando já existia restrição administrativa, subentende-se que tal ônus foi considerado na fixação do preço, de modo que o adquirente posterior não tem legitimidade ativa para cobrar indenização do órgão expropriante por eventual apossamento anterior, salvo hipóteses excepcionais com patente boa-fé do sucessor (por exemplo, negócio jurídico gratuito ou vulnerabilidade econômica do adquirente); ademais, o art. 31 do Decreto-Lei 3.365/1941 se aplica a ônus e direitos reais existentes ao tempo da...
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