REsp 2222534 - DECISAO
Conhecido parcialmente o recurso especial, o Tribunal negou provimento na extensão em que os recorrentes não impugnaram o fundamento autônomo do acórdão de origem que readequou a área indenizável e o valor do m² com base em complementação da perícia; manteve-se o entendimento de que a indenização exige efetivo...
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- Parties
- Recorrente: Estado; Recorridos: autores
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Indenização, Faixa De Domínio, Embargos De Declaração, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 283/stf
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Parties
Estado
Recorrente
autores
Recorridos
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se a indenização por desapropriação indireta deve incidir somente sobre a faixa de domínio efetivamente apossada pela administração pública
- 2 Se a diferenciação entre faixa de domínio 'projetada' e 'implantada' tem amparo legal
- 3 Se houve preclusão quanto ao valor do metro quadrado inicialmente indicado pelo perito
Ratio Decidendi
Conhecido parcialmente o recurso especial, o Tribunal negou provimento na extensão em que os recorrentes não impugnaram o fundamento autônomo do acórdão de origem que readequou a área indenizável e o valor do m² com base em complementação da perícia; manteve-se o entendimento de que a indenização exige efetivo apossamento e que a área efetivamente apossada é de 728,85 m², valendo-se o valor de R$ 8,61 por m², resultando em indenização de R$ 6.275,39; em razão da não impugnação desse fundamento aplica-se a Súmula 283/STF e o eventual dissídio jurisprudencial fica prejudicado.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TJ/SC, assim ementado (fl. 1.176): ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DE APELAÇÃO PELO ESTADO. PRETENDIDA REVISÃO DA ÁREA INDENIZÁVEL. FAIXA DE DOMÍNIO. INDENIZAÇÃO LIMITADA À ÁREA EFETIVAMENTE TOMADA PELA OBRA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE APOSSAMENTO FÁTICO DO PODER PÚBLICO SOBRE PARTE DA ÁREA. MERA LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA. READEQUAÇÃO DA ÁREA INDENIZÁVEL. DESCONTO, AINDA, DO TRAÇADO DA ESTRADA ANTIGA. INDENIZAÇÃO MINORADA. ALEGADA PRECLUSÃO DO VALOR DO METRO QUADRADO INICIALMENTE INDICADA PELO PERITO. INSUBSISTÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO A PARTIR DA COMPLEMENTAÇÃO DA PERÍCIA POR DETERMINAÇÃO DESTA CORTE. AINDA, INTEGRAÇÃO DO JULGADO COM RELAÇÃO À EMENDA CONSTITUCIONAL N. 113/2021. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Embargos de declaração rejeitados. Os recorrentes alegam violação do artigo 1.022, II, do CPC/2015, por vício no acórdão de origem, tendo em vista a necessidade de "sanar a contradição/erro material no Voto proferido, para constar que o valor total a ser pago pelo requerido aos autores é de R$ 113.387,24, referente à pista de rolamento (descontada a estrada antiga) faixa de domínio total, acolhendo-se a avaliação realizada pelo perito do Juízo, que exerceu sua função com clareza, imparcialidade e fundamento" (fl. 1.229). Quanto a questão de fundo, sustentam ofensa aos artigos 186, 884, 927 e 944, do CC, e 4º, III, da Lei 6.766/79 e dissídio jurisprudencial, ao argumento de que "viola a legislação federal o entendimento de que, somente a faixa de domínio denominada "implantada", deve ser indenizada, sendo esta uma construção conceitual da ré, trazendo aos autos uma diferenciação entre faixa de domínio "projetada" e "efetivamente implantada", que inexiste na legislação pátria, para se enriquecer ilicitamente" (fl. 1.228). Com contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 1.354-1.355. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. A pretensão não merece prosperar. De início, afasta-se a alegada violação do artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015), porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No que diz respeito à alegação de ofensa aos artigos 186, 884, 927 e 944, do CC, e 4º, III, da Lei 6.766/79, o acórdão recorrido consignou o seguinte (fls. 1.170-1.174 ): .. Independentemente da conceituação, a indenização exige efetivo apossamento. A faixa de domínio, isoladamente considerada, representa mero espaço juridicamente atingido e, por si só, não gera indenização, salvo no caso de efetiva invasão do espaço privado. A declaração de utilidade pública não se confunde com a efetiva exploração da área, sendo apenas uma fase necessária à desapropriação. É inafastável, portanto, o critério de averiguação do fenômeno fático de subtração patrimonial para fins de desapropriação indireta. .. A sentença arbitrou a indenização pela desapropriação indireta em R$ 113.387,24, referente à área indenizável de 13.364,42 m . Todavia, da análise dos quesitos a partir dos novos parâmetros traçados acima, deve-se considerar indenizável a sobreposição asfáltica realizada pela administração, que corresponde a 728,85 m . O cálculo considera a diferença entre a área da pista de rolamento 3.872,65 m e o traçado antigo 3.143,80 m , não discutido na presente ação. .. Logo, é devida a readequação do valor indenizatório. No primeiro laudo, o perito valorou o metro quadrado do imóvel em R$ 8,13 ev. 155.1 . Após determinação recursal de complementação do estudo, explicou que, pelo valor do metro quadrado do imóvel, "entende-se que é a análise global da propriedade" ev. 297.1 . Instado pelo juízo de origem para efetiva individualização dos valores em cumprimento ao acórdão, o perito valorou o m da área de preservação permanente em R$ 7,65 e o m da área remanescente em R$ 8,61 ev. 322.1 . Afasta-se, portanto, a alegação de preclusão do m inicialmente indicado. A retificação da informação decorre da própria determinação desta Câmara de afastar a homogenização da análise global e promover a individualização dos valores a partir da existência ou não de restrição ambiental. Dito isso, o novo cálculo deve considerar o valor de R$ 8,61 por m , porquanto a atual área indenizável área efetivamente apossada, com desconto do traçado antigo não coincide com área de preservação permanente. É o que se observa da imagem do ev. 155.9, em conjunto com as descrições do ev. 155.8 - estrada antiga demonstrada no traçado cinza .. Logo, é incabível considerar o valor de R$ 8,13 por m , conforme pretendido pelo Estado, porquanto a valoração global em questão considerava o enquadramento de parte da área indenizável como de preservação permanente, sendo que a área efetivamente indenizada não possui restrição ambiental. Em conclusão, considerando a área efetivamente apossada pela administração 728,85 m e o valor de R$ 8,61 por m , a indenização resulta em R$ 6.275,39, devendo a sentença ser reformada no ponto. Ocorre que os recorrentes não impugnaram a referida fundamentação nas razões do recurso especial que, por si só, assegura o resultado do julgamento ocorrido na Corte de origem e torna inadmissível o recurso que não a impugnou. Aplica-se ao caso a Súmula 283/STF. Por fim, sobre o dissídio jurisprudencial alegado, tem-se que, segundo entendimento desta Corte, a inadmissão do recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, em razão da incidência de enunciado sumular, prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial, se o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou tese jurídica, o que ocorreu na hipótese. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp 2.417.127/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 18/4/2024; AgInt no AREsp 1.550.618/MG, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe 11/4/2024; AgInt no REsp 2.090.833/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 14/12/2023; AgInt no AREsp 2.295.866/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/9/2023. Assim, resta prejudicado o dissídio jurisprudencial alegado. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. CONHEÇO PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGO-LHE PROVIMENTO.