AREsp 1859487 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque a matéria versada estava submetida ao julgamento de recursos representativos da controvérsia (Tema 1.075) e, segundo a jurisprudência consolidada do STJ, não é cabível agravo interno contra decisão que determina a devolução dos autos ao tribunal de origem para que se exerça o...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Interposto Contra Decisão Monocrática Que Determinou Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem; Agravo Interno Não Conhecido
- Outcome
- Agravo Interno não conhecido
- Legal Topics
- Devolução Dos Autos À Origem, Recursos Repetitivos, Juízo De Retratação, Lei 11.672/2008, Tema 1.075, Irrecorribilidade De Agravo Interno Contra Decisão Desprovida De Carga Decisória, Cpc/2015 Arts. 543 B, 543 C, 1.037, 1.039, 1.040, 1.041
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Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Interposto Contra Decisão Monocrática Que Determinou Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem; Agravo Interno Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Cabimento de agravo interno contra decisão que determina devolução dos autos ao tribunal de origem
- 2 Aplicação do Tema 1.075 e dos mecanismos previstos na Lei 11.672/2008 e no CPC/2015 para juízo de retratação
- 3 Distinção entre ato de não concessão de progressão funcional e cobrança de diferenças de progressão já concedida
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque a matéria versada estava submetida ao julgamento de recursos representativos da controvérsia (Tema 1.075) e, segundo a jurisprudência consolidada do STJ, não é cabível agravo interno contra decisão que determina a devolução dos autos ao tribunal de origem para que se exerça o juízo de retratação, salvo comprovado erro nos termos do art. 1.037, §§ 9º e 10, do CPC/2015; ademais, deve ser observado o escopo da Lei 11.672/2008 e as previsões do CPC/2015 sobre retratação.
Court Disposition
Agravo Interno não conhecido
Orders
- Agravo Interno não conhecido
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. ATO JUDICIAL DESPROVIDO DE CARGA DECISÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. ADEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO A QUO À ORIENTAÇÃO FIRMADA EM JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. 1. Trata-se de Agravo Interno contra decisão monocráticaproferida nos seguintes termos: "verifica-se que a matéria discutida nos autos relativa à legalidade do ato de não concessão de progressão funcional do Servidor Público, quando atendidos todos os requisitos legais, sob o fundamento de que superados os limites orçamentários previstos naLeideResponsabilidadeFiscal,referentesagastoscompessoaldeEnte Público, constituitemadosRecursosEspeciais1.879.828/TO,1.878.854/TO e1.878.849/TO, da relatoria do Min. Napoleão Nunes Maia Filho, submetido ao rito dos recursos repetitivos (Tema 1.075). Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual (Lei 11.672/2008), isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma do art. 543-C, § 7º, e 543-B, § 3º, do CPC; e 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso" (fl. 664, e-STJ). 2.Na forma da jurisprudência do STJ, "não é cabível a interposição de agravo interno contra decisão que determina o sobrestamento de recurso especial, até que seja proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal nos autos de recurso extraordinário com repercussão geral, com a determinação de retorno dos autos à origem para que sejam analisados nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil de 2015" (AgInt no AREsp 1.254.323/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21/9/2018), salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco, nos termos do art. 1.037, §§ 9º e 10, do CPC/2015, o que, entretanto, não é o caso dos autos. 3. Agravo Interno não conhecido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Agravo Interno interposto contra despacho que determinou o retorno dos autos à origem, nos termos do art. 1.040 e seguintes do CPC/2015 (fls. 663-665, e-STJ). O agravante alega (fls. 663-671, e-STJ, grifos no original): Com todas as vênias ao Douto Ministro relator, mas sua decisão que determinou o retorno dos autos ao tribunal de origem não deve prosperar. Isto porque a matéria afetada por este Colendo Superior Tribunal de Justiça no tema 1.075 diz respeito à LEGALIDADE DO ATO DE NÃO CONCESSÃO DE PROGRESSÃO FUNCIONAL DO SERVIDOR PÚBLICO,QUANDO ATENDIDOS TODOS OS REQUISITOS LEGAIS, SOB O FUNDAMENTO DE QUE SUPERADOS OS LIMITES ORÇAMENTÁRIOS PREVISTOS NA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. (..) Sendo a matéria afetada totalmente distinta da discutida no presente caso, pois esta demanda diz respeito À COBRANÇA DE DIFERENÇAS SALARIAIS DECORRENTES DE PROGRESSÃO JÁ CONCEDIDA, não se discute o ato de NÃO CONCESSÃO, até porque, O ATO DE CONCESSÃO DA PROGRESSÃO NO PRESENTE CASO JÁ FOI CONSUMADO, não se discute o ato de concessão em si, discute tão somente a cobrança do passivo devido em decorrência do ato concessório já implementado de forma tardia. Pleiteia a reconsideração do decisum. Impugnação nas fls. 682-686, e-STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. ATO JUDICIAL DESPROVIDO DE CARGA DECISÓRIA. IRRECORRIBILIDADE. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. ADEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO A QUO À ORIENTAÇÃO FIRMADA EM JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. 1. Trata-se de Agravo Interno contra decisão monocrática proferida nos seguintes termos: "verifica-se que a matéria discutida nos autos relativa à legalidade do ato de não concessão de progressão funcional do Servidor Público, quando atendidos todos os requisitos legais, sob o fundamento de que superados os limites orçamentários previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, referentes a gastos com pessoal de Ente Público, constitui tema dos Recursos Especiais 1.879.828/TO, 1.878.854/TO e 1.878.849/TO, da relatoria do Min. Napoleão Nunes Maia Filho, submetido ao rito dos recursos repetitivos (Tema 1.075). Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual (Lei 11.672/2008), isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma do art. 543-C, § 7º, e 543-B, § 3º, do CPC; e 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso" (fl. 664, e-STJ). 2. Na forma da jurisprudência do STJ, "não é cabível a interposição de agravo interno contra decisão que determina o sobrestamento de recurso especial, até que seja proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal nos autos de recurso extraordinário com repercussão geral, com a determinação de retorno dos autos à origem para que sejam analisados nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil de 2015" (AgInt no AREsp 1.254.323/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21/9/2018), salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco, nos termos do art. 1.037, §§ 9º e 10, do CPC/2015, o que, entretanto, não é o caso dos autos. 3. Agravo Interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 26.8.2021. Na hipótese dos autos, uma vez verificado que a matéria versada no apelo foi submetida a julgamento no rito dos recursos repetitivos, foi determinada a devolução dos autos ao Tribunal de origem, prestigiando-se o escopo perseguido na legislação processual (Lei 11.672/2008), isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma do art. 543-C, § 7º, e 543-B, § 3º, do CPC; e 1040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. (..) 4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 5. Entendimento em sentido contrário para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007). 6. Agravo regimental não conhecido (AgRg no AREsp 153829/PI, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 23.5.2012). Ademais, na forma da jurisprudência desta Corte, "não é cabível a interposição de agravo interno contra decisão que determina o sobrestamento de recurso especial, até que seja proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal nos autos de recurso extraordinário com repercussão geral, com a determinação de retorno dos autos à origem para que sejam analisados nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil de 2015" (STJ, AgInt no AREsp 1.254.323/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21.9.2018), salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco, nos termos do art. 1.037, §§ 9º e 10, do CPC/2015, o que, entretanto, não é o caso dos autos. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ABRANGÊNCIA TERRITORIAL DAS DECISÕES PROFERIDAS EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA, PELO STF. RE 1.101.937/SP (TEMA 1.075). DESPACHO QUE DETERMINA A BAIXA DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM, PARA AGUARDAR JULGAMENTO DA MATÉRIA, PELO STF. IRRECORRIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. I. A questão discutida no presente Recurso Especial insere-se na controvérsia estabelecida no RE 1.101.937/SP, Tema 1.075, em que se discute "a questão acerca da constitucionalidade do art. 16 da Lei 7.347/1985, com a redação dada pela Lei 9.494/1997, segundo o qual a sentença na ação civil pública fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator". Nesse contexto, o despacho ora agravado determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para que o processo permaneça suspenso, até a publicação do acórdão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, a fim de que a Corte de origem, posteriormente, proceda ao juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. II. Na forma da jurisprudência desta Corte, "não é cabível a interposição de agravo interno contra decisão que determina o sobrestamento de recurso especial, até que seja proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal nos autos de recurso extraordinário com repercussão geral, com a determinação de retorno dos autos à origem para que sejam analisados nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil de 2015" (STJ, AgInt no AREsp 1.254.323/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/09/2018), salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco, nos termos do art. 1.037, §§ 9º e 10, do CPC/2015, o que, entretanto, não é o caso dos autos. No mesmo sentido: STJ, AgInt nos EDcl nos EREsp 1.126.385/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 20/09/2017; AgInt no REsp 1.213.520/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 11/10/2018; AgInt no REsp 1.704.831/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/08/2018; AgInt nos EDcl no REsp 1.566.408/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 30/08/2018; e AgInt no REsp 1.140.843/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 30/10/2018. III. Agravo interno não conhecido. (AgInt no REsp 1535108/MG, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 11.12.2020) Esclareço que a matéria discutida nos autos mesmo que não diga respeito ao próprio ato de concessão de progressão funcional, mas à cobrança de diferenças salariais de progressão já concedida se submete à tese discutida no Tema 1.075/STJ, tendo em vista o fundamento aduzido pelo Estado de Tocantins e rechaçado pela Corte a quo, qual seja: os limites orçamentários previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Por tudo isso, não conheço do Agravo Interno. É como voto.