REsp 2057905 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recurso especial não demonstrou adequadamente o dissídio jurisprudencial (não indicou o dispositivo legal supostamente violado nem confrontou arestos de forma a evidenciar divergência) e sua apreciação demandaria reexame de matéria fática, inviabilizando o conhecimento...
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- Parties
- Agravante: UNIMED SUL PAULISTA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (outro nome: Unimed de Itapetininga Cooperativa de Trabalho Médico)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Reexame De Matéria Fática
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Parties
UNIMED SUL PAULISTA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (outro nome: Unimed de Itapetininga Cooperativa de Trabalho Médico)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial fundado em dissídio jurisprudencial
- 2 Aplicação da Súmula nº 284/STF por deficiência na indicação do dispositivo legal
- 3 Aplicação da Súmula nº 7/STJ por reexame de matéria fática
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recurso especial não demonstrou adequadamente o dissídio jurisprudencial (não indicou o dispositivo legal supostamente violado nem confrontou arestos de forma a evidenciar divergência) e sua apreciação demandaria reexame de matéria fática, inviabilizando o conhecimento pela alínea 'c' do art. 105 da CF, nos termos das Súmulas 284/STF e 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 12/03/2024 a 18/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. DANOS MORAIS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DEFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 284/STF. MATÉRIA FÁTICA. REEXAME. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. O recurso especial fundamentado no dissídio jurisprudencial exige, em qualquer caso, que tenham os acórdãos - recorrido e paradigma - examinado o tema sob o enfoque do mesmo dispositivo de lei federal. Se, nas razões de recurso especial , não há a indicação de qual dispositivo legal teria sido malferido, com a consequente demonstração da divergência de interpretação à legislação infraconstitucional, aplica-se, por analogia, o óbice contido na Súmula nº 284 /STF, a inviabilizar o conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. A necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por UNIMED SUL PAULISTA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (outro nome: Unimed de Itapetininga Cooperativa de Trabalho Médico) contra a decisão da Presidência desta Corte Superior que não conheceu do recurso por incidência da Súmula nº 284/STF. Em suas razões, a agravante refuta o óbice aplicado na decisão ao argumento de que "(..) interpôs recurso especial somente com fundamento na alínea "c" do inciso III do Art. 105 da Constituição Federal, ou seja, o recurso raro se fundamento exclusivamente na divergência jurisprudencial" (fl. 238). Assevera que demonstrou o dissídio jurisprudencial indicado. Ao final, requer a reconsideração da decisão atacada. Devidamente intimada, a parte contrária não apresentou impugnação (fls. 245/252). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. DANOS MORAIS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DEFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 284/STF. MATÉRIA FÁTICA. REEXAME. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. O recurso especial fundamentado no dissídio jurisprudencial exige, em qualquer caso, que tenham os acórdãos - recorrido e paradigma - examinado o tema sob o enfoque do mesmo dispositivo de lei federal. Se, nas razões de recurso especial , não há a indicação de qual dispositivo legal teria sido malferido, com a consequente demonstração da divergência de interpretação à legislação infraconstitucional, aplica-se, por analogia, o óbice contido na Súmula nº 284 /STF, a inviabilizar o conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. A necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. 3. Agravo interno não provido. VOTO A irresignação não merece prosperar. De início, é inafastável a aplicação do óbice da Súmula nº 284/STF, visto que é inadmissível o apelo nobre interposto com fulcro no dissídio jurisprudencial quE deixa de indicar qual dispositivo legal teria sido objeto de interpretação divergente, configurando deficiência na fundamentação. Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DANOS MATERIAIS E MORAIS. INDENIZAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. INTERNAÇÃO. NEOPLASIA. NEGATIVA. FALECIMENTO. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 284/STF. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. MULTA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Na hipótese, o dissídio jurisprudencial não restou demonstrado nos moldes legal e regimental ante a ausência de similitude fática entre os arestos confrontados. 3. Se a divergência não é notória, e nas razões de recurso especial não há a indicação de qual dispositivo legal teria sido malferido, com a consequente demonstração da divergência de interpretação à legislação infraconstitucional, aplica-se, por analogia, o óbice contido na Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal, a inviabilizar o conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional. Precedente. 4. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que o não conhecimento ou a improcedência do agravo interno não enseja a necessária imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, sendo indispensável o nítido não cabimento do recurso. Precedente. 5. Agravo interno não provido" (AgInt no AREsp 1.740.350/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/3/2021, DJe 25/3/2021). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DECLARATÓRIA C/C PEDIDO CONDENATÓRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE DEMANDADA. (..) 3. Relativamente ao dissídio jurisprudencial quanto à cumulação de lucros cessantes e a cláusula penal, a ausência de indicação dos dispositivos de lei federal violados ou em torno dos quais haveria divergência jurisprudencial, caracteriza a deficiência na fundamentação do recurso, a atrair o óbice da Súmula 284 do STF. (..) 4. Agravo interno desprovido" (AgInt no REsp 1.877.253/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe 1º /2/2021).
Ademais, registra-se que a aplicação da Súmula nº 7/STJ inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional e que a tese de dissídio jurisprudencial, diante das normas legais regentes da matéria (arts. 1.029 do Código de Processo Civil e 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça), exige o confronto entre trechos do acórdão recorrido e das decisões apontadas como divergentes, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, o que não ocorreu na espécie. Desse modo, não prosperam as alegações postas no presente recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.