EAREsp 2664305 - ACORDAO
Por inexistir divergência jurisprudencial entre as Turmas que compõem a Terceira Seção e por prevalecer a orientação de que a fixação da pena-base é discricionária quanto ao uso de frações (1/6, 1/8 ou outro critério), negou-se provimento ao agravo regimental e inadmitiram-se os embargos de divergência.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ALFREDO ALVES DE SOUZA NETO; Manifestante: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Nos Embargos De Divergência No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Colegiado (terceira Seção)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Dosimetria Da Pena, Circunstâncias Judiciais Desfavoráveis, Discricionariedade Do Julgador, Embargos De Divergência, Agravo Regimental
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Parties
ALFREDO ALVES DE SOUZA NETO
Agravante
Ministério Público
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Regimental Nos Embargos De Divergência No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Colegiado (terceira Seção)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de adoção de fração matemática (1/6 ou 1/8) na fixação da pena-base por circunstância judicial desfavorável
- 2 Existência de divergência jurisprudencial entre as Turmas da Terceira Seção quanto aos critérios de dosimetria da pena
Ratio Decidendi
Por inexistir divergência jurisprudencial entre as Turmas que compõem a Terceira Seção e por prevalecer a orientação de que a fixação da pena-base é discricionária quanto ao uso de frações (1/6, 1/8 ou outro critério), negou-se provimento ao agravo regimental e inadmitiram-se os embargos de divergência.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Inadmitir os embargos de divergência
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Og Fernandes. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA DA PENA. PRIMEIRA FASE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ORIENTAÇÃO PACÍFICA DA TERCEIRA SEÇÃO NO SENTIDO DA DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Faz parte do juízo discricionário do julgador indicar o aumento da pena em razão da existência de circunstância judicial desfavorável, não estando obrigado a seguir um critério matemático rígido, de modo que não há direito subjetivo do réu à adoção de alguma fração específica para cada circunstância judicial. Tais frações são parâmetros aceitos pela jurisprudência do STJ, mas não se revestem de caráter obrigatório. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem aplicado critérios que atribuem a fração de 1/6 sobre o mínimo previsto para o delito para cada circunstância desfavorável; a fração de 1/8 para cada circunstância desfavorável sobre o intervalo entre o mínimo e o máximo de pena abstratamente cominada ao delito; ou, ainda, a fixação sem nenhum critério matemático, sendo necessário apenas, neste último caso, que estejam evidenciados elementos concretos que justifiquem a escolha da fração utilizada, para fins de verificação de legalidade ou proporcionalidade. 3. No caso concreto, a questão trazida nos embargos não encontra dissonância entre as Turmas que compõem a Terceira Seção, pelo que devem ser inadmitidos os embargos de divergência. 4. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: ALFREDO ALVES DE SOUZA NETO interpõe agravo regimental contra decisão monocrática em que indeferi liminarmente os embargos de divergência interpostos contra a decisão que negou provimento ao agravo regimental no qual pretendia a redução da fração utilizada para aumento da pena-base. A defesa reitera a compreensão de que há divergência entre o acórdão embargado e o apontado como paradigma, quanto aos critérios e fundamentos adotados no que se referem aos quantitativos de aumento praticados por ocasião da fixação da pena-base. Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do feito a julgamento colegiado, para afastamento do critério de aumento em 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima abstratamente cominadas, aplicando-se, por consequência, o critério de 1/6 (um sexto) da pena-base para cada vetorial negativamente valorada. O Ministério Público manifestou-se pelo não provimento do agravo regimental (fls. 1.560-1.572). EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA DA PENA. PRIMEIRA FASE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ORIENTAÇÃO PACÍFICA DA TERCEIRA SEÇÃO NO SENTIDO DA DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Faz parte do juízo discricionário do julgador indicar o aumento da pena em razão da existência de circunstância judicial desfavorável, não estando obrigado a seguir um critério matemático rígido, de modo que não há direito subjetivo do réu à adoção de alguma fração específica para cada circunstância judicial. Tais frações são parâmetros aceitos pela jurisprudência do STJ, mas não se revestem de caráter obrigatório. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem aplicado critérios que atribuem a fração de 1/6 sobre o mínimo previsto para o delito para cada circunstância desfavorável; a fração de 1/8 para cada circunstância desfavorável sobre o intervalo entre o mínimo e o máximo de pena abstratamente cominada ao delito; ou, ainda, a fixação sem nenhum critério matemático, sendo necessário apenas, neste último caso, que estejam evidenciados elementos concretos que justifiquem a escolha da fração utilizada, para fins de verificação de legalidade ou proporcionalidade. 3. No caso concreto, a questão trazida nos embargos não encontra dissonância entre as Turmas que compõem a Terceira Seção, pelo que devem ser inadmitidos os embargos de divergência. 4. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Apesar dos argumentos empregados pelo agravante, entendo que não lhe assiste razão. Em que pesem os argumentos externados pelo insurgente, observo que a questão trazida nestes embargos não mais encontra dissonância entre as Turmas que compõe a Terceira Seção, cuja solução agora adotada de forma pacífica, se coaduna também com o desfecho dado pelo acórdão embragado. É o que se infere dos seguintes arestos proferidos recentemente pela Sexta Turma: a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem aplicado critérios que atribuem a fração de 1/6 sobre o mínimo previsto para o delito para cada circunstância desfavorável; a fração de 1/8 para cada circunstância desfavorável sobre o intervalo entre o mínimo e o máximo de pena abstratamente cominada ao delito; ou, ainda, a fixação da pena-base sem nenhum critério matemático, sendo necessário apenas, neste último caso, que estejam evidenciados elementos concretos que justifiquem a escolha da fração utilizada, para fins de verificação de legalidade ou proporcionalidade (AgRg no AREsp n. 2.578.667/DF, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 16/8/2024, grifei). .. faz parte do juízo discricionário do julgador indicar o aumento da pena em razão da existência de circunstância judicial desfavorável, não estando obrigado a seguir um critério matemático rígido, de modo que não há direito subjetivo do réu à adoção de alguma fração específica para cada circunstância judicial, seja ela de 1/6 sobre a pena-base, de 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima, ou, até mesmo, outro valor. Tais frações são parâmetros aceitos pela jurisprudência do STJ, mas não se revestem de caráter obrigatório" (AgRg no AREsp n. 1.828.230/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 20/6/2024, destaquei). Logo, inexistente divergência jurisprudencial atual e estando o acórdão impugnado em consonância com orientação firmada por esta Corte, de serem inadmitidos os embargos de divergência. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.