REsp 2191648 - ACORDAO
O tribunal concluiu que não houve omissão no acórdão recorrido, porque o órgão de origem enfrentou os argumentos e aplicou as regras de coisa julgada e preclusão; além disso, não se mostrou configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do agravo interno que autorizasse a multa do art. 1.021, § 4º, do...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO PIAUÍ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado (negado Provimento)
- Outcome
- Agravo Interno improvido.
- Legal Topics
- Embargos À Execução, Embargos De Declaração, Coisa Julgada, Preclusão, Multa Processual (art. 1.021, § 4º, Cpc), Omissão (art. 1.022, II
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Parties
ESTADO DO PIAUÍ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão no acórdão de origem (art. 1.022, II, CPC)
- 2 Possibilidade de imposição da multa do art. 1.021, § 4º, CPC em agravo interno
Ratio Decidendi
O tribunal concluiu que não houve omissão no acórdão recorrido, porque o órgão de origem enfrentou os argumentos e aplicou as regras de coisa julgada e preclusão; além disso, não se mostrou configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do agravo interno que autorizasse a multa do art. 1.021, § 4º, do CPC; por esses motivos, negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo Interno improvido.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Deixar de impor a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/06/2025 a 09/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022, II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DESCABIMENTO. I - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. II - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil, em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. III - Agravo Interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo Interno interposto pelo ESTADO DO PIAUÍ contra a decisão que negou provimento ao seu recurso especial, fundamentada na ausência de omissã o no julgado de origem. Sustenta a parte agravante, em síntese, que, "ao abster-se de efetuar pronunciamento acerca das matérias ventiladas, mesmo após a oposição de embargos declaratórios visando suprir tais omissões, o Tribunal Estadual violou frontalmente o disposto no art. 1.022, II, do CPC" (fl. 641e). Ao final, requer o provimento do recurso, a fim de que seja dado total provimento ao seu recurso especial ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do colegiado. Sem impugnação . É o relatório. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022, II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DESCABIMENTO. I - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. II - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil, em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. III - Agravo Interno improvido. VOTO Não assiste razão à parte agravante. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO -, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). In casu, o tribunal de origem manifestou-se sobre os temas suscitados pelo Recorrente, nos seguintes termos (fls. 539/551e): Ocorre que a execução funda-se em título executivo judicial oriundo de condenação imposta ao Estado do Piauí, para que a apelada passasse a perceber o montepio militar, a partir do mês de outubro do ano daquela sentença (1997), na qualidade de ÚNICA beneficiária de seu filho João Batista Chaves Moreira, tendo a sentença (ID n. 4233279, pág. 63 a 65), transitado em julgado em 14 de abril de 2000, conforme certidão lavrada pelo Superior tribunal de Justiça (ID n. 4233279, pág. 154). Logo, a questão acerca da existência ou não do direito à percepção do montepio militar pela apelada como única dependente foi devidamente apreciada no âmbito do processo de conhecimento e se encontra acobertada pela coisa julgada, não podendo ser objeto de rediscussão em sede de embargos à execução, tendo em vista, que restou claro a exclusão da viúva da condição de pensionista, conforme bem fundamentou o magistrado de piso em Decisão que manteve apenas o efeito devolutivo da apelação (ID n. 4233280, pág. 101 a 105). Portanto, não pode o apelante, em sede de Embargos à Execução, querer alegar excesso de execução questionando o mérito do que já restou definido. .. Sendo assim, sabe-se que se afigura vedado, não sendo possível que seja reaberto, na fase da execução/cumprimento de sentença, o debate de matérias que já foram decididas no processo de conhecimento. Soma-se a isso, que também não é possível o revolvimento de matérias sobre as quais já se configurou a preclusão judicial. Isto porque o instituto da preclusão busca uma vedação a comportamentos processuais contraditórios, tendo em vista que se o impugnante não discutiu devidamente a matéria àquele tempo, é impossível que se discuta agora. .. À evidência, uma vez operada a coisa julgada, não há falar em modificação do título exequendo. Não é demais ressaltar que um dos efeitos da coisa julgada material é a intangibilidade e imutabilidade da sentença. Em outras pa lavras, é dotada de obrigatoriedade aquela sentença que não pode ser modificada nem mesmo pela lei ou pelo juiz. Portanto, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da demanda e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Dessa forma, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada. No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, a orientação desta Corte é no sentido de que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a imposição da multa, não se tratando de simples decorrência lógica do não provimento do recurso em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. Nessa linha: Corte Especial, AgInt nos EAREsp n. 1.043.437/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, j. 13.10.2021; e 1ª S., AgInt nos EREsp n. 1.311.383/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, j. 14.09.2016. Apesar do improvimento do recurso, não restou configurada a manifesta inadmissibilidade, razão pela qual deixo de impor a apontada multa. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.