REsp 2006888 - DECISAO
Constatada omissão do Tribunal de origem ao não enfrentar o Parecer Técnico e questões relevantes suscitadas, houve violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015; portanto, anulou-se o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que enfrente as questões...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Provido Para Anular Acórdão E Determinar Retorno Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Provimento do recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para o enfrentamento das questões suscitadas.
- Legal Topics
- Emendas Constitucionais 20/1998 E 41/2003, Art. 144 Da Lei Nº 8.213/91, Omissão Em Embargos De Declaração, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Readequação Do Teto Previdenciário
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Provido Para Anular Acórdão E Determinar Retorno Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Se o Tribunal de origem omitiu-se quanto ao Parecer Técnico da Contadoria que demonstraria que a RMI do benefício era inferior ao teto na época da concessão mesmo após revisão do art.144
- 2 Aplicabilidade das EC 20/1998 e 41/2003 aos benefícios concedidos antes de sua edição e a necessidade de readequação ao novo teto
- 3 Se houve violação ao art.1.022 do CPC/2015 por omissão no acórdão sobre matéria relevante ao deslinde
Ratio Decidendi
Constatada omissão do Tribunal de origem ao não enfrentar o Parecer Técnico e questões relevantes suscitadas, houve violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015; portanto, anulou-se o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que enfrente as questões omitidas.
Court Disposition
Provimento do recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para o enfrentamento das questões suscitadas.
Orders
- Anular o acórdão que julgou os embargos de declaração.
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região para que sejam enfrentadas as questões suscitadas nos embargos de declaração.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim mentado: "CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. EC 20/1998 E EC 41/2003. NOVOS LIMITADORES. RE 564.354/SE. SALÁRIO DE BENEFÍCIO LIMITADO AO TETO. COMPROVAÇÃO. 1. Apelação da parte demandante interposta contra sentença que julgou improcedente o pedido de readequação da renda mensal do benefício do de cujus (DIB 01/03/1989), com reflexos na pensão por morte percebida pela parte autora, ao novo limite estabelecido pelas Emendas Constitucionais n. 20/1998 e 41/2003, bem como a pagar-lhe os valores retroativos, acrescidos de juros de mora e correção monetária. Honorários advocatícios fixados, em desfavor da autora, em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, nos termos do art. 85, t, §2º, I a IV, § 3º, I e § 6º do CPC, suspensa a execução, nos termos do art. 98, § 3º, do caput CPC. 2. A demandante sustenta que: a) o INSS não apresentou prova de que cumpriu a determinação imposta pelo art. 144 da Lei nº 8.213/91 para que fossem obedecidos, como consequência, os novos tetos dos salários de contribuição instituídos pelas Emendas Constitucionais nº 20/98 e 41/2003; b) anexou à petição inicial o respectivo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), no qual estão assentados os salários de contribuição do período junho de 1985 a fevereiro de 1989. valores são componentes do PBC, que serviu de esteio ao salário de benefício e à nova renda mensal inicial (RMI) de Cr$ 733,49, à razão de 80%, destinada à aposentadoria do ex-segurado, instituidor da pensão da parte apelante, a demonstrar que o INSS não cumpriu a determinação contida no art. 144, da Lei nº 8.213/91. 3. O cerne da controvérsia cinge-se à readequação da renda mensal do benefício da parte autora ao novo limite estabelecido pelas Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003. 4. Inicialmente, convém registrar que, não se tratando de pedido de revisão de ato concessório de benefício previdenciário, não há que se falar em decadência. 5. A pretensão aqui formulada gira em torno da recuperação dos valores que superaram o limite máximo do benefício, de forma a afastar antigo redutor e permitir a incidência de novos limitadores. As ECs 20/1998 e 41/2003 modificaram os tetos dos benefícios pagos pela Previdência, a partir de suas publicações, para que eles se adequassem aos novos valores, fixados em R$ 1.200,00 (art. 14) e R$ 2.400,00 (art. 5º), respectivamente. 6. A matéria foi reconhecida como de repercussão geral pelo col. STF, nos autos do RE 564.354/SE, tendo ocorrido o seu julgamento em 08/09/2010, no bojo do qual aquela col. Corte admitiu a aplicação do art. 14 da EC 20/1998 e do art. 5º da EC 41/2003 aos benefícios concedidos antes da sua edição. 7. Esta eg. 2ª Turma, em sua composição ampliada, em 24/08/2020, firmou o entendimento no sentido de que, nas hipóteses em que o benefício foi concedido no chamado "buraco negro", o INSS procedeu à revisão do processo concessório, retroagindo-o à data original, ou seja, "o processo dito original, genuinamente original e não submetido ao teto, restou inteiramente substituído. E neste novo processo original, fruto da revisão, o benefício foi efetivamente tetado". (trecho do voto divergente que restou vencedor do Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, no PJE 0817820-85.2019.4.05.8300) 8. No caso, o salário de benefício foi limitado ao teto quando da sua revisão pelo art. 144 da Lei 8.213/1991 (aplicável aos benefícios concedidos entre 05/10/1988 e 05/04/1991, no chamado "buraco negro"), de modo que merece ser readequado aos novos tetos. 9. Apelação da parte autora provida, para julgar procedente o pedido, condenando o INSS a aplicar os tetos previstos na EC 20/1998 e na EC 41/2003 no cálculo do benefício previdenciário da autora, impondo-se o pagamento de verbas pretéritas, observada a prescrição quinquenal (Súmula 85/STJ), sobre elas incidindo juros de mora, a partir da citação, e correção monetária, ambos de acordo com o Manual de Cálculos da Justiça Federal. Honorários advocatícios fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, observada a Súmula 111 do STJ" (fls. 243-244). Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Em suas razões recursais, a parte recorrente alega violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, sustentando, em síntese, que o Tribunal de origem se omitiu na análise do "Parecer Técnico elaborado pela Contadoria do juízo .. que confirma que a RMI do benefício da parte autora foi inferior ao teto vigente na época da sua concessão, mesmo após a realização da revisão prevista no art. 144 da LBPS " (fls. 283-290). Contrarrazões apresentadas. O recurso especial foi admitido pelo Tribunal de origem (fl. 298). É o relatório. Passo a decidir. A jurisprudência do STJ orienta-se no sentido de que há violação ao art. 1.022 do CPC/2015, quando o Tribunal de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração, não se manifesta sobre questão relevante ao deslinde da controvérsia. Da análise dos autos, verifica-se que o INSS, em sede de embargos de declaração, questionou a impossibilidade de se revisar o beneficio de segurado falecido, com reflexo na pensão por morte percebida pela recorrida, sob o seguinte fundamento: "Da análise dos autos, verifica-se que não foi apreciado por este Tribunal o Parecer Técnico elaborado pela Contadoria do juízo ( ID 4058400.8623672, 11/05/21 20:27 ) que confirma que a RMI do benefício da parte autora foi inferior ao teto vigente na época da sua concessão, mesmo a realização da revisão prevista no art. 144 da LBPS . Observa-se, do Demonstrativo de Revisão de Benefício no id n. 4058400.8304117, que o instituidor da pensão teve sua aposentadoria revista no período do "Buraco Negro" (revisão do art. 144), na qual apurou-se uma média dos salários de contribuição no valor de NCz$ 159,57, inferior, portanto, ao teto do salário de benefício à época que era de NCz$ 734,80, resultando numa RMI no valor de NCz$ 111,69, resultado da aplicação do coeficiente de 70% sobre o salário-de-benefício (NCz$ 159,57 x 70% = NCz$ 111,69), inferior, portanto, ao teto máximo (MVT) de benefício na data de concessão (01/03/1989) Assim, o Salário de Benefício da aposentadoria do instituidor da pensão não ultrapassou o teto da Previdência Social quando do cálculo da sua RMI, mesmo após a revisão do art. 144 da Lei nº 8.213/91, conforme documentos acostados aos autos (id. nº 4058400.8304117), bem como sua renda mensal reajustada não supera os novos tetos nos períodos da EC"s n. 20/98 e 41/03, conforme demonstrativo ID 4058400.8623673" (fls. 258-261). Não obstante, o Tribunal de origem os rejeitou, sem o enfrentamento das questões cujo conhecimento havia-lhe sido devolvido nos embargos opostos. Nesse contexto, sendo constatado que o Tribunal de origem deixou de enfrentar a argumentação supra, mostra-se impositivo reconhecer a ocorrência de violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015, porquanto a análise da matéria mostra-se relevante para o deslinde da controvérsia. Isso posto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que sejam enfrentadas as questões suscitadas. Intimem-se. EMENTA