REsp 1930400 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou fundamentadamente as questões suscitadas (afastando omissão, obscuridade, contradição ou erro material, logo sem violação do art. 1.022 do CPC/2015), a matéria que se pretende reexaminar envolve análise de prova e fatos, o que é vedado em...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Enunciado Administrativo 3/stj, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Art. 489 Do Cpc/2015, Taxa SELIC, Julgamento Extra Petita, Preclusão, Prequestionamento
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão quanto aos critérios de cálculo da Taxa SELIC
- 2 Possível ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 3 Alegação de julgamento extra petita
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou fundamentadamente as questões suscitadas (afastando omissão, obscuridade, contradição ou erro material, logo sem violação do art. 1.022 do CPC/2015), a matéria que se pretende reexaminar envolve análise de prova e fatos, o que é vedado em recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ, e parte das questões não foi apreciada pelo tribunal a quo após embargos de declaração, atraindo o óbice da Súmula 211/STJ; aplica-se também o Enunciado Administrativo 3/STJ quanto aos requisitos do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Negado provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. QUESTÃO ATRELADA AO EXAME DA MATÉRIA FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ÓBICE DA SÚMULA 211/STJ. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ). 3. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 4. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." A Sra. Ministra Assusete Magalhães, os Srs. Ministros Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Og Fernandes.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Trata-se de agravo interno (fls. 143/157) apresentado contra decisão monocrática sintetizada na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. QUESTÃO ATRELADA AO EXAME DA MATÉRIA FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ÓBICE DA SÚMULA 211/STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO PARA, NESTA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO. A agravante reitera, em suma, que a Corte de origem foi omisso quanto a análise de questões relevantes para a conclusão da controvérsia relativas aos critérios de cálculos quanto a incidência da Taxa Selic. Acrescenta que o caso não requer o reexame de matéria fática, tendo em vista que a discussão é unicamente de direito. Sustenta, do mesmo modo, que a disciplina relacionada à ofensa aos arts. 223, 373 e 507 foi prequestionada, devendo ser afastada a incidência da Súmula 211/STJ. Devidamente intimada a agravada não apresentou impugnação (fl. 161). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. QUESTÃO ATRELADA AO EXAME DA MATÉRIA FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ÓBICE DA SÚMULA 211/STJ. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ). 3. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 4. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Cinge-se a controvérsia, na origem, de agravo de instrumento interposto contra decisão, que em sede de cumprimento de sentença, concedeu parcial provimento ao requerimento para a revisão dos critérios de cálculo de indébito. O Tribunal de origem ao enfrentar a disciplina concluiu pela manutenção da decisão do juízo primevo que observou diversos erros em que as partes incorreram. Na oportunidade, optou pelo encaminhamento dos autos à Contadoria Judicial, com o intuito de que fosse elaborado novos cálculos baseados nos definidos pelo juízo competente, os quais estavam corretos. Nesse norte, ponderou ainda o seguinte: Como se vê, o título executivo determinou como base de cálculo do imposto no ano de 1996 o valor de R$ 51.000,00 (cinquenta e um mil reais). Neste contexto, tendo em vista que trata-se de cumprimento de sentença, deve-se verificar as conclusões lançadas no título executivo de maneira a observar a perfectibilização da coisa julgada. (..) Assim, deve ser tomado como base de cálculo o valor definido no título executado. Quanto à alegação de que verificou uma variação nos encargos legais, conclui- se que deve ser mantida a decisão no ponto porquanto a agravante não traz nenhum detalhamento da apuração dessa variação no percentual. Ademais, tratando-se de encargo legal, deve-se aplicar o percentual constante no termo de inscrição de dívida ativa, que era de 20%. No que se refere ao argumento de que a taxa SELIC aplicada ao cálculo estaria correta, devendo prevalecer pois não teria sido se quer impugnada pela agravada, não merece guarida. Ainda que o erro de cálculo (aplicação da taxa SELIC de forma capitalizada) tenha sido apontado pela Contadoria Judicial, não implica em julgamento ultra petita. Ora, foi o próprio juiz que determinou a produção de prova por meio do cálculo realizado pela Contadoria Judicial. Diante do cálculo apresentado, o juízo a quo analisou as questões levantadas pelo Contador Judicial e identificou a utilização da taxa SELIC de forma capitalizada pelo agravante, o que é de fato, indevido Assim, incabível a aplicação da SELIC como requerida pela parte agravante. Ademais, os cálculos serão refeitos pela Contadoria Judicial, conforme os critérios delineados na decisão agravada, não havendo que se falar em aplicação da SELIC nos termos do cálculo apresentado pela parte agravante. Nessas condições, tem-se que a insurgência merece prosperar em parte, nos termos da fundamentação. Depreende-se dos autos que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, tratou das questões suscitadas, resolvendo de modo integral a controvérsia posta. Na linha da jurisprudência desta Corte, não há falar em negativa de prestação jurisdicional nem em vício quando o acórdão impugnado aplica tese jurídica devidamente fundamentada, promovendo a integral solução da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses da parte. Assim, não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONSÓRCIO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. A violação ao art. 1.022 do CPC/2015 não ficou caracterizada, uma vez que o Tribunal de origem examinou, de forma fundamentada, todas as questões submetidas à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido em sentido contrário à pretensão do recorrente.2. Tendo o Tribunal local concluído pela legitimidade do consórcio e sua responsabilização solidária no caso, não há como rever esse entendimento sem o necessário revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a análise e interpretação de cláusulas contratuais, o que não se admite em âmbito de recurso especial, ante o óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno não provido.(AgInt no REsp 1827460/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 31/05/2021, DJe 07/06/2021) Outrossim, rever a conclusão da Corte a quo - para considerar a ocorrência de eventual julgamento ultra petita -, requer, a incursão na matéria de fato, inclusive com o cotejamento de peças processuais, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZATÓRIA. SUBSTITUIÇÃO DE VEÍCULO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. INTERPRETAÇÃO LÓGICO-SISTEMÁTICA DA INICIAL. POSSIBILIDADE. DANOS MORAIS. REVISÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Na linha da jurisprudência desta Corte, "o pleito inicial deve ser interpretado em consonância com a pretensão deduzida como um todo, sendo certo que o acolhimento da pretensão extraído da interpretação lógico-sistemática da peça inicial não implica julgamento ultra ou extra petita" (AgInt no AREsp n. 1.425.504/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 17/02/2020, DJe 20/02/2020). 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1788586/RJ, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 10/05/2021, DJe 17/05/2021) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. APOSENTADORIA. REVISÃO. INCLUSÃO DE TEMPO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. RENÚNCIA. ART. 1º DO DECRETO N. 20.910/1932. LICENÇA-PRÊMIO. DESAVERBAÇÃO. POSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. (..) VI - Quanto à alegação de ocorrência de julgamento extra petita, ante o apontado reconhecimento de período de licença-prêmio superior ao efetivamente devido, é cediço que, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame dos elementos fático-probatórios constantes dos autos, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial, na forma do disposto no enunciado n. 7 da Súmula do STJ. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1742406/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2021, DJe 22/03/2021) Quanto à tese relacionada à preclusão, observa-se que não houve pronunciamento explícito sobre a matéria versada nos citados dispositivos legais, não obstante opostos embargos de declaração, incide o óbice contido na Súmula 211/STJ, in verbis: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". Nesse sentido, destacam-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA. PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. JUROS DE MORA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. (..) 3. Há manifesta ausência de prequestionamento, a atrair a aplicação da Súmula 211 do STJ, quando o Tribunal de origem não emite juízo de valor sobre a tese relacionada ao dispositivo de lei supostamente violado, mesmo após opostos embargos de declaração, não sendo possível admitir o prequestionamento ficto introduzido pelo art. 1.025 do CPC/2015 para os recursos especiais interpostos sob a sistemática do CPC/1973. Precedente. (..) 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1531778/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/04/2021, DJe 28/04/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. MAJORAÇÃO INDEVIDA. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Será inadmissível o recurso especial quando a questão nele suscitada não for decidida pelo Tribunal de origem por falta de prequestionamento. Aplicação do enunciado 211 da Súmula do STJ. 2. "Conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça, para se reconhecer o prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015, na via do especial, impõe-se ao recorrente a indicação de contrariedade ao art. 1.022 do CPC/2015" (AgInt no AREsp 1.521.284/MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2019). (..) 4. Agravo interno a que se dá parcial provimento, apenas para excluir a condenação da ora agravante ao pagamento dos honorários impostos pela decisão agravada com fundamento no § 11 do art. 85 do CPC. (AgInt no AREsp 1506608/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2021, DJe 19/04/2021) Acrescente-se que este Superior Tribunal de Justiça possui orientação no sentido de que "não configura contradição afirmar a falta deprequestionamento e afastar indicação de afronta ao art. 1.022 do CPC/2015,uma vez que é perfeitamente possível o julgado se encontrar devidamentefundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitosjurídicos desejados pela postulante, pois a tal não está obrigado" (AgRgno AREsp 524.768/SP, Relator o Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA,julgado em 07/08/2014, DJe 15/08/2014). Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.