HC 898021 - ACORDAO
O agravo regimental não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficientemente demonstrada todos os fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182/STJ; ademais, as teses suscitadas foram decididas em conformidade com a jurisprudência do STJ, inclusive quanto à possibilidade de...
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- Parties
- Agravante: Jandira Magda Bruno Maciel
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Colegiada)
- Outcome
- agravo regimental não conhecido
- Legal Topics
- Estelionato Previdenciário, Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Prescrição Da Pretensão Punitiva, Princípio Da Unirrecorribilidade, Nulidade Processual, Súmula 182/stj
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Parties
Jandira Magda Bruno Maciel
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Violação do princípio da unirrecorribilidade pela tramitação concomitante de recursos e habeas corpus
- 2 Possibilidade de aplicação retroativa do art. 28-A do CPP (ANPP) até o recebimento da denúncia
- 3 Reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficientemente demonstrada todos os fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182/STJ; ademais, as teses suscitadas foram decididas em conformidade com a jurisprudência do STJ, inclusive quanto à possibilidade de aplicação retroativa do art. 28‑A do CPP até o recebimento da denúncia e à necessidade de demonstrar prejuízo para decretação de nulidade processual.
Court Disposition
agravo regimental não conhecido
Orders
- Agravo regimental não conhecido.
- Petição inicial indeferida liminarmente (art. 210 do RISTJ).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 11/06/2024 a 17/06/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro, Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. CONCOMITANTE ANDAMENTO DE ARESP. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INADMISSIBILIDADE. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA, DE APLICAÇÃO DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP) E ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por Jandira Magda Bruno Maciel contra decisão da minha lavra, às fls. 77/80, assim ementada: HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. CONCOMITANTE ANDAMENTO DE ARESP. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INADMISSIBILIDADE. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. FRAUDE PRATICADA PELA PRÓPRIA BENEFICIÁRIA. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA, DE APLICAÇÃO DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP) E ALEGAÇÃO DE NULIDADE. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM CONSONÂNCIA COM A FIRME JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. Petição inicial indeferida liminarmente. Nesta via, a agravante reitera as alegações do habeas corpus, sustentando constrangimento ilegal em razão do não oferecimento do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP); da violação do art. 3º-A e do art. 212, ambos do Código de Processo Penal; e do não reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva. Afirma que é importante provocar o debate, na medida em que a aludida questão ainda não se encontra pacificado junto à Corte Suprema no que tange aos limites na retroação do ANPP, conforme discussão no HC n. 185.913/DF, de Relatoria do Ministro Gilmar Mendes (fl. 86). Alega que houve usurpação do papel acusador por parte do julgador, devendo ser reconhecida a mencionada nulidade. Requer a retratação da decisão hostilizada e, caso não seja possível, seja o presente regimental provido para que possa ser concedida a ordem nos termos da inicial do habeas corpus. Não abri prazo para o agravado apresentar contrarrazões ao agravo regimental. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. CONCOMITANTE ANDAMENTO DE ARESP. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INADMISSIBILIDADE. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA, DE APLICAÇÃO DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP) E ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. VOTO No caso, a agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada, mediante impugnação clara e específica de todos os fundamentos do decisum combatido; limitou-se a repetir a tese já refutada no habeas corpus aqui impetrado em seu favor . Veja que as alegações da agravante foram devidamente decididas de acordo com os precedentes desta Corte Superior, como se observa deste trecho do decisum (fls. 79/80): .. O writ é manifestamente inadmissível. Primeiro, houve a interposição de recurso especial na origem e, na sequência, de agravo contra a decisão de inadmissibilidade, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a tramitação concomitante de recursos e habeas corpus manejados contra o mesmo ato, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade (AgRg no HC n. 678.593/SP, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 27/9/2022). Mal ocorreu a publicação do acórdão exarado pela Sexta Turma no AgRg no AREsp n. 2.520.215/SC, já sobreveio a presente impetração com as mesmas alegações feitas naquele recurso especial, repelidas pelo Vice-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e deficientemente refutadas pela defesa da paciente. É nítido o intento de subverter o complexo sistema processual penal. Segundo, o Tribunal Regional decidiu conforme a jurisprudência desta Casa. Por exemplo, em se tratando do crime previsto no art. 171, § 3º, do Código Penal, na linha da orientação desta Corte, cuida-se de crime permanente a conduta daquele que recebe indevidamente benefício previdenciário de forma continuada. (AgRg no REsp n. 1.997.077/AL, Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe 15/6/2023). Além disso, no julgamento do AgRg no HC n. 628.647/SC, a Sexta Turma desta Corte modificou a orientação estabelecida em precedente anterior acerca da possibilidade de aplicação retroativa do art. 28-A do Código de Processo Penal, aderindo ao mesmo entendimento da Quinta Turma, no sentido de que o acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei n. 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A DO CPP, INTRODUZIDO PELA LEI N. 13.964/2019. NORMA HÍBRIDA: CONTEÚDO DE DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE ATÉ O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O art. 28-A do Código de Processo Penal, introduzido pela Lei n. 13.964/2019, que passou a vigorar a partir de 24/01/2020, traz norma de natureza híbrida, isto é, possui conteúdo de Direito Penal e Processual Penal. 2. Infere-se da norma despenalizadora que o propósito do acordo de não persecução penal é o de poupar o agente do delito e o aparelho estatal do desgaste inerente à instauração do processo-crime, abrindo a possibilidade de o membro do Ministério Público, caso atendidos os requisitos legais, oferecer condições para o então investigado (e não acusado) não ser processado, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime. Ou seja: o benefício a ser eventualmente ofertado ao agente sobre o qual há, em tese, justa causa para o oferecimento de denúncia se aplica ainda na fase pré-processual, com o claro objetivo de mitigar o princípio da obrigatoriedade da ação penal. 3. Se, por um lado, a lei nova mais benéfica deve retroagir para alcançar aqueles crimes cometidos antes da sua entrada em vigor - princípio da retroatividade da lex mitior, por outro lado, há de se considerar o momento processual adequado para perquirir sua incidência - princípio tempus regit actum, sob pena de se desvirtuar o instituto despenalizador. 4. Ao conjugar esses dois princípios, tem-se que é possível a aplicação retroativa do acordo de não persecução penal, desde que não recebida a denúncia. A partir daí, iniciada a persecução penal em juízo, não há falar em retroceder na marcha processual. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 628.647/SC, Relatora p/ acórdão Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 7/6/2021.) A reforçar: EDcl no AgRg no REsp n. 1.989.394/PR, Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe 15/12/2023; AgRg no RHC n. 186.953/MS, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 30/10/2023. Afora isso, no que se refere à suposta nulidade advinda da inquirição de testemunhas diretamente pelo juiz, este Tribunal manteve o entendimento de que é possível essa conduta, desde que feita de forma subsidiária às partes, mesmo com o advento do Pacote Anticrime, que positivou em nosso ordenamento jurídico o sistema acusatório, uma vez que o destinatário final da prova é o Juiz. (HC n. 732.319/SP, Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, DJe 9/8/2022). Sem contar que não é de hoje a compreensão do Superior Tribunal de Justiça de que apenas se proclama a nulidade de um ato processual quando houver efetiva demonstração de prejuízo à defesa, o que não ocorreu na hipótese dos autos, sendo aplicável o princípio do pas de nullité sans grief. Sobre o tema, entre outros, o AgRg no HC n. 787.542/PE, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 14/9/2023). Por essas razões, indefiro liminarmente a petição inicial (art. 210 do RISTJ). Sabemos que não basta a impugnação genérica dos fundamentos da decisão agravada, é necessário que a contestação seja específica e suficientemente demonstrada. A agravante, neste recurso, apenas insiste nas teses mencionadas na inicial e nem sequer discorre sobre a violação do princípio da unirrecorribilidade ao impetrar o presente mandamus e interpor agravo em recurso especial nesta Corte ao mesmo tempo. É inviável, portanto, o agravo regimental ou interno que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada, de acordo com os arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil - CPC de 2015 e a Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes (AgRg no AREsp n. 936.228/SP, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 25/5/2017). Diante da incidência da Súmula 182/STJ, não conheço do agravo regimental.