AREsp 2687213 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões constitucionais invocadas são matéria própria do Supremo Tribunal Federal e o art. 97 do CTN reproduz preceito constitucional, sendo indevida sua análise em recurso especial; ademais, a alegação de inclusão de verbas indenizatórias na...
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- Parties
- Agravante/recorrente: COVOLAN BENEFICIAMENTOS TEXTEIS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Execução Fiscal, Contribuição Previdenciária, Base De Cálculo, Dilação Probatória, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
COVOLAN BENEFICIAMENTOS TEXTEIS LTDA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Cabimento da exceção de pré-executividade em execução fiscal
- 2 Incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias
- 3 Necessidade de dilação probatória para comprovação de inclusão de verbas indenizatórias na base de cálculo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões constitucionais invocadas são matéria própria do Supremo Tribunal Federal e o art. 97 do CTN reproduz preceito constitucional, sendo indevida sua análise em recurso especial; ademais, a alegação de inclusão de verbas indenizatórias na base de cálculo exige dilação probatória que não foi demonstrada pela agravante, aplicando-se a Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por COVOLAN BENEFICIAMENTOS TEXTEIS LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRU MENTO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. LIMITAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARAFISCAIS EM 20 SALÁRIOS-MÍNIMOS. TEMA 1.079 DO STJ. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. - AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO PROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 22, I, da Lei n. 8.212/1991; 97, I e II, e § 1º, além do 110 do CTN; e art. 150, I, da CF, no que concerne ao cabimento da oposição da presente exceção de pré-executividade para apreciação da ilegalidade das CDA"S que embasam a execução fiscal, em razão da cobrança de verbas indevidas, tendo em vista que a matéria suscitada não demanda dilação probatória e é possível de ser arguida na via eleita pelo recorrente, trazendo a seguinte argumentação: Ora Ínclitos Ministros, a questão em comento se trata de ordem pública, já pacificada nos tribunais, portanto, plenamente cabível a discussão da ilegalidade em comento, posto que as verbas indenizatórias não se enquadram na hipótese de incidência prevista no inciso I, do art. 22 da Lei 8.212/1991 e, sendo certo que todas as informações necessárias para se verificar o mérito das execuções encontram-se nas declarações de GFIP elaboradas pela Recorrente e estão em posse da Recorrida, não há que se falar em dilação probatória para a aplicação do direito invocado. .. Assim, entende ser plenamente possível discutir através de Exceção de Pré-Executividade, a cobrança indevida da contribuição previdenciária sobre verbas que são consideradas salariais, seja por ordem legal ou por decisões pacificadas na jurisprudência. No caso dos autos, a Recorrida efetiva cobrança de tributos de sua competência de forma majorada, considerando na base de cálculos das referidas contribuições valores que não são de natureza salarial, assim não se pode aceitar que a execução oposta contra a Recorrente seja mantida, posto que engloba cobrança de verbas indevidas e que tornam inexigíveis e ilíquidas as CDA"s em comento (fls. 195-196). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, em relação ao art. 150, I, da CF, é incabível o Recurso Especial quando visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp 1.544.786/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16.6.2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: EDcl no REsp 1.435.837/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe de 1º.10.2019; EDcl no REsp 1.656.322/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 13.12.2019. Ademais, no que tange ao art. 97, I e II, e § 1º, do CTN, é incabível o recurso especial em razão do conteúdo eminentemente constitucional da norma infraconstitucional indicada como violada ou objeto de interpretação divergente, por ser mera reprodução de dispositivo da Constituição Federal. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AOS ARTS. 371, 489 E 1.022 DO CÓDIGO FUX NÃO CARACTERIZADA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. RESSARCIMENTO AO SUS. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 32 DA LEI 9.656/1998. ADI 1.931/DF. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 126/STJ. ART. 97 DO CTN. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. TEMA CONSTITUCIONAL. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA NÃO PROVIDO. .. 4. Por fim, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a matéria do art. 97 do CTN não pode ser invocada em Recurso Especial, porquanto o preceito infraconstitucional é mera reprodução de dispositivo da Constituição Federal que traduz o Princípio da Legalidade Tributária (AgInt nos EDcl no REsp. 1.784.409/DF, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.9.2020; AgInt no AREsp. 1.558.319/SP, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 9.6.2020). 5. Agravo Interno da Empresa não provido. (AgInt no REsp n. 1.876.667/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 19.11.2020.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO CONTRA DECISÃO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. TAXA MUNICIPAL. MOTIVAÇÃO CONSTITUCIONAL. 1. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que os artigos 77, 78 e 79 do CTN reproduzem as regras previstas no artigo 145 da Constituição Federal, razão pela qual não é possível o exame daqueles dispositivos infraconstitucionais pelo STJ, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.284.980/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.11.2018.) Confiram-se, ainda, os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 1.876.152/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 11.2.2021; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.629.368/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.4.2021; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.784.409/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 2.9.2020; REsp n. 1.846.488/SE, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 1.6.2020; REsp n. 1.721.159/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 13.11.2018; AgRg no REsp n. 1.499.448/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19.3.2015. Além disso, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Conforme já explanado na decisão proferida em 15/12/2023, ao apreciar o pedido liminar (ID 283488857), a exceção de pré-executividade é fruto de construção doutrinária e jurisprudencial, consistindo em defesa do executado, cabível nas execuções fiscais apenas para a discussão de questões conhecíveis de ofício pelo juízo e que não demandem dilação probatória. .. Nesse sentido, é ônus da agravante a demonstração de que haveria valores cobrados para além do limite controvertido, que devem ser deduzidos das Certidões de Dívida Ativa para aguardar o julgamento final da questão repetitiva. Os elementos contidos nos títulos executivos não permitem a individualização da base de cálculo das contribuições parafiscais e a agravante não apresentou documentos ou cálculos que demonstrem o excesso de execução. Em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas de natureza indenizatória, parece-me que não é possível extrair das Certidões de Dívida Ativa que instruíram a execução fiscal, nºs 15.820.033-0, 13.945.650-3 e 15.949.513-0 que na base de cálculo dos tributos exigidos foram incluídas verbas indenizatórias. Verifica-se que a executada, em sua exceção de pré-executividade, formulou alegações genéricas de inexigibilidade dos débitos, não tendo produzido prova da repercussão da verba indenizatória na base de cálculo do tributo, isto é, de qual o montante cobrado em excesso. Diante disso, parece fora de dúvidas que o caso demanda dilação probatória, motivo pelo qual a matéria não pode ser veiculada em exceção de pré-executividade, conforme diversos precedentes recentes deste Tribunal (fls. 175-176). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA