AREsp 2702171 - DECISAO
A Corte não conheceu do recurso especial porque a pretensão da agravante exigia a produção de prova para comprovar a natureza indenizatória das verbas e o respectivo quantitativo a excluir da CDA, situação que impede o acolhimento em sede de exceção de pré-executividade diante da presunção de veracidade, liquidez e...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Contribuição Previdenciária Sobre Verbas Indenizatórias, Presunção De Certeza, Liquidez E Exigibilidade Da CDA, Dilação Probatória, Embargos À Execução
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de discussão de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias por exceção de pré-executividade
- 2 Necessidade de dilação probatória para comprovar natureza indenizatória e quantificar o valor a ser excluído da base de cálculo
- 3 Prevalência da presunção de veracidade das Certidões de Dívida Ativa e vedação ao reexame fático-probatório em recurso especial
Ratio Decidendi
A Corte não conheceu do recurso especial porque a pretensão da agravante exigia a produção de prova para comprovar a natureza indenizatória das verbas e o respectivo quantitativo a excluir da CDA, situação que impede o acolhimento em sede de exceção de pré-executividade diante da presunção de veracidade, liquidez e exigibilidade da Certidão da Dívida Ativa; além disso, o reexame de matéria fático-probatória é vedado no recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, majorar em 1% sobre o valor já fixado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observados os limites legais e a concessão de gratuidade judiciária, se aplicável.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de instrumento contra a decisão que, nos autos de execução fiscal, rejeitou exceção de pré-executividade. No Tribunal a quo, o agravo foi improvido. O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS. MATÉRIA QUE DEMANDA DILAÇÃO PROBATÓRIA. - A exceção de pré-executividade é meio processual hábil e célere que não fica restrito às matérias de ordem pública e que possam ser conhecidas de ofício, cabendo também em relação a aspectos modificativos, suspensivos ou extintivos atinentes ao título executivo, desde que possam ser facilmente demonstradas e sem que seja exigida produção de provas. Súmula 393 e o Tema 104/REsp 1104900/ES, ambos do E.STJ. - Tornando-se controverso o montante que o excipiente-executado pretende desonerar, prevalecerá a presunção de veracidade e de validade da liquidez e da certeza da CDA, e a célere e simplificada exceção de pré-executividade não poderá ser utilizada, cabendo ao devedor buscar outras vias processuais para a defesa de seus supostos direitos (dentre elas os embargos do devedor ou a ação anulatória de débito fiscal). - Na hipótese dos autos, a excipiente-executada combate o cálculo de contribuições sobre pagamentos feitos a seus empregados com alegações genéricas, argumentando que certas verbas têm natureza indenizatória mas sem indicar o quanto quer excluir. Alega, ainda, desrespeito ao limite de 20 salários mínimos para as contribuições parafiscais. Porém, a agravante não demonstra o quantitativo que deverá ser deduzido das CDAs em razão das verbas indenizatórias que pretende excluir da base de cálculo das contribuições exigidas na ação de execução fiscal, e em virtude dos montantes cuja cobrança almeja afastar por reputá-los ilegítimos. Embora em um primeiro momento o litígio tenha conteúdo de matéria de direito, uma vez apreciadas, em um segundo momento importará em eventual redução do quantitativo da CDA (o que exigirá dilação probatória), inviabilizando a exceção de pré-executividade manejada. - Agravo de instrumento desprovido. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Contudo, não há nenhum indício de prova de que houve incidência da contribuição sobre estas verbas. Nem mesmo que tais verbas estejam sendo cobradas na execução fiscal. A análise das CDAs não permite concluir neste sentido. E o título executivo goza de presunção de certeza, liquidez e exigibilidade. Não foram juntados aos autos quaisquer documentos relativos a folha de pagamento, rescisões de contratos de trabalho, pagamento de ações trabalhistas ocorridas dentro do período exigido. O mesmo com relação ao pagamento de auxílio-doença e auxílio acidente, do terço constitucional de férias, salário maternidade e auxílio creche. Não houve sequer a juntada de planilha discriminando valores que a parte excipiente entende como excessivos. .. Sendo o crédito constituído por declaração da própria contribuinte, resta evidente que a União Federal não promoveu qualquer alargamento da base de cálculo. O valor principal foi oferecido diretamente pela parte embargante que, contudo, deixou de efetuar o respectivo, e necessário, pagamento daquilo que apontou como devido. A conclusão desta linha de raciocínio é também bastante óbvia. Sendo do interesse da parte excipiente comprovar que incluiu na declaração entregue ao Fisco verbas de natureza indenizatória, além dos documentos acima citados, fica evidente a necessidade de trazer aos autos as próprias declarações encaminhadas. A soma destas duas provas documentais é elemento imprescindível ao reconhecimento de que a situação do caso concreto se alinha ao entendimento firmado pela Instância Superior. .. E da análise dos citados documentos, concluo que as informações contidas nas Certidões da Dívida Ativa são suficientes para propiciar a ampla defesa. Soma-se aqui que as Certidões de Dívida Ativa que amparam o executivo, ao contrário do que pretende alegar a excipiente, vêm revestida de todos os requisitos legais exigíveis, permitindo a perfeita determinação da origem, a natureza e o fundamento legal da dívida, bem como dos critérios legais para o cálculo de juros e demais encargos (art.2º, §5º da Lei n.6.830/80 e art. 202 do Código Tributário Nacional). .. Demandando produção de provas, independente do posicionamento que vier a ser adotado pelo E. STJ, não existe a possibilidade de acolhimento de tal pretensão em sede de exceção de pré-executividade, devendo aquela ser deduzida em sede de Embargos à Execução Fiscal. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/201 5), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA