REsp 2197288 - DECISAO
Reconsiderada a decisão monocrática, o Tribunal concluiu que não houve omissão que devesse ser sanada pelos embargos de declaração e que inexiste previsão legal para autorizar a reapuração/constituição de créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS incidente na aquisição além das hipóteses previstas no art. 3º das Leis ns....
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- Parties
- Recorrente: BOSTON SCIENTIFIC DO BRASIL LTDA.; Recorrida: União Federal (UF)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Juízo De Retratação; Conhecido Em Parte E Negado Provimento
- Outcome
- Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Exclusão Do ICMS Da Base De Cálculo Do Pis/cofins, Compensação Tributária, Créditos Tributários, Omissão Em Acórdão, Limitação Temporal De Efeitos (modulação)
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Parties
BOSTON SCIENTIFIC DO BRASIL LTDA.
Recorrente
União Federal (UF)
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Juízo De Retratação; Conhecido Em Parte E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Se houve omissão do acórdão quanto ao pedido de ajuste e reapuração dos saldos credores do PIS/COFINS
- 2 Se é devido creditamento de PIS/COFINS sobre o ICMS incidente na aquisição
- 3 Qual o limite temporal para devolução/compensação (modulação de efeitos relacionada ao julgamento do RE nº 574.706)
Ratio Decidendi
Reconsiderada a decisão monocrática, o Tribunal concluiu que não houve omissão que devesse ser sanada pelos embargos de declaração e que inexiste previsão legal para autorizar a reapuração/constituição de créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS incidente na aquisição além das hipóteses previstas no art. 3º das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. Aplica-se a tese do Tema 69 do STF (exclusão do ICMS destacado da base de cálculo) com modulação temporal fixando 15.03.2017 como parâmetro, e a Lei n. 14.592/2023 positivou a vedação ao creditamento do ICMS na aquisição; assim, conhece-se em parte do recurso e nega-se provimento.
Court Disposition
Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Reconsiderada a decisão monocrática de fls. 2.105-2.116e
- Prejudicado o agravo interno de fls. 2.123-2.138e
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Fls. 2.123-2.138e - Trata-se de Agravo Interno (art. 1.021 do CPC) interposto contra decisão monocrática de minha lavra, mediante a qual, com fundamento com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, ambos do RISTJ, conheceu em parte do Recurso Especial e lhe negou provimento (fls. 2.105-2.116e). Feito breve relato, decido. Em juízo de retratação, consoante o disposto no § 2º do art. 1.021 do Código de Processo Civil, verifica-se o desacerto da mencionada decisão, razão pela qual de rigor sua reconsideração. Passo à nova análise do Recurso Especial. Trata-se de Recurso Especial interposto por BOSTON SCIENTIFIC DO BRASIL LTDA. contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 1.923-1.926e): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REMESSA OFICIAL. APELAÇÃO CÍVEL. SOBRESTAMENTO DO FEITO. PIS E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR. REAPURAÇÃO. DESCABIMENTO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. - Do apelo da UF: Observo que o pleito de sobrestamento do feito até a publicação do acórdão resultante dos embargos de declaração opostos no RE n.º 574.706/PR encontra-se prejudicado, uma vez que o respectivo julgamento foi finalizado. - No que toca à argumentação de que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido da inclusão debatida (REsp n.º1.144.469/PR), saliente-se que a controvérsia trazida deve ser analisada sob o enfoque da Constituição, independentemente da previsão contida na legislação infraconstitucional. Assim, a solução independe do entendimento do STJ. - No mérito, a controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A questão da exação estadual já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de . Vencidos os Ministros Edson cálculo para a incidência do PIS e da Cofins" Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o . Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017 - Em sessão realizada em 13/05/2021, o Tribunal Pleno do STF julgou o ED oposto contra o acórdão que julgou o RE 574.706, no sentido de acolher, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021. - Assim, à vista dessa decisão, que é aplicável à espécie, ficou definido e pacificado que o valor a ser excluído é o destacado na nota fiscal. -No que toca ao limite temporal para reconhecimento do direito à devolução dos valores indevidamente recolhidos em decorrência da mencionada inclusão do ICMS nas bases de cálculo das contribuições ao PIS e da COFINS, estabeleceu-se como parâmetro a data momento de 15.03.2017, em que se deu o julgamento. - No que se refere à compensação, in casu, deve ser aplicada a Lei nº 10.637/2002, com as limitações previstas na Lei nº 11.457/2007, ambas vigentes à época da propositura da demanda. Nesse ponto, cumpre registrar que a Lei n. 13.670/18 incluiu o artigo 26-A à Lei n. 11.457/07, a permitir que o sujeito passivo que apure crédito tributário possa utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, à exceção das contribuições previdenciárias pelo contribuinte que não utilizar o e-Social (quanto a essa questão, já foi inclusive editada uma instrução normativa pela Receita Federal, qual seja, a IN 1.810/18). - A ação foi proposta em 2018, após a entrada em vigor da LC nº 104/2001, razão pela qual incide o disposto no artigo 170-A do Código Tributário Nacional. - Do apelo do contribuinte: Assiste razão ao apelante ao argumentar que o seu pedido relativo à possibilidade do ajuste e reapuração dos saldos credores decorrentes da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS/COFINS de períodos passados, constante da peça inicial, não foi analisado pela sentença. Desse modo, reconhecida a omissão, passo à análise do tema, nos termos do artigo 1.013, § 3º, inciso III do CPC. - Argumenta o contribuinte a necessidade do reconhecimento expresso do alegado direito de proceder ao ajuste e à reapuração dos saldos credores do PIS e da COFINS que tenham sido apurados no passado (períodos em que não houve contribuições a serem recolhidas em dinheiro), para exclusão do ICMS do cômputo das contribuições, o que alega resultará em um aumento do saldo credor disponível. Constata-se, contudo, que inexiste previsão legal para tal providência, já que o regime não cumulativo das contribuições, o qual se efetiva mediante desconto de créditos (art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 - PIS; e n.º 10.833/2003 - COFINS) conforme apuração nos termos do art. 2º das normas citadas e do qual pode resultar eventual saldo credor, não autoriza quaisquer créditos fora das hipóteses descritas nos incisos do artigo 3º, nas quais não estão incluídas parcelas da apuração das contribuições ao PIS/COFINS que, inobstante calculadas com inclusão do ICMS nas respectivas bases de cálculo, não resultaram em efetivo pagamento das contribuições. Nesse sentido: (ApelRemNec - APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA / SP, PROC: 5015470-96.2020.4.03.6100, Des. Federal NELTON AGNALDO MORAES DOS SANTOS; Des. Federal LUIS CARLOS HIROKI MUTA, 3ª Turma, Julg.: 20/08/2021, Intimação via sistema DATA: 24/08/2021). - Outrossim, foi reconhecido expressamente o direito da impetrante de excluir o ICMS destacado nas notas fiscais da base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como de compensação dos valores pagos a maior a tal título, determinação que abrange os períodos em que houve efetivo pagamento indevido. Nesse contexto, não merece guarida o pleito do contribuinte. - Saliente-se, ademais, que presente feito foi ajuizado em novembro de e deve ser considerado o julgamento do ED oposto contra o acórdão2018 que julgou o RE n.º 574.706, que estabeleceu, no que toca ao limite temporal concernente ao direito à devolução dos valores indevidamente recolhidos em decorrência da inclusão da exação estadual na base de cálculo das contribuições, a data de como parâmetro, momento15.03.2017 em que se deu o julgamento, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. - da e a que se Apelo UF remessa oficial dá parcial provimento. - Apelo a que se do contribuinte nega provimento. Opostos Embargos de Declaração, foram rejeitados (fls. 1.964/1.970e). Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além da divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: I. Arts. 489, §1º, e 1.022, II, do Código de Processo Civil: "O acórdão, no entanto, não enfrentou os reais argumentos trazidos pela Recorrente que, por si só, seriam suficientes para infirmar as conclusões adotadas, especialmente a ausência de relação entre o reajuste dos saldos credores a partir da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS com créditos da não-cumulatividade" (fl. 1.989e); e II. Arts. 3º das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003 e 165 do Código Tributário Nacional: "( ) uma vez reconhecida a ilegitimidade da tributação do ICMS pelo PIS/COFINS (como restou devidamente reconhecido no v. acórdão ora recorrido), além do reconhecimento do direito da ora Recorrente de compensar tais valores, deve também ser reconhecido seu direito de proceder ao ajuste nos saldos de créditos do PIS e da COFINS, a partir da exclusão do ICMS destacado nas notas fiscais de sua apuração, sob pena de violar o art. 165 do CTN7 e o art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003" (fl. 1.994e). Com contrarrazões (fls. 2.019-2.025e), o recurso foi inadmitido (fls. 2.027-2.031e), tendo sido interposto agravo, posteriormente convertido em recurso especial (fl. 2.084e). O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 2.094-2.100e. Nos termos do art. 932, IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, b, e 255, II, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. - Da omissão A Recorrente sustenta omisso e deficiente o julgado recorrido, vícios não sanados no julgamento dos embargos de declaração. Ao julgar os Embargos de Declaração, a Corte de origem assim consignou: Argumenta a embargante que o acórdão embargado padece de omissão/obscuridade, ao não considerar que o ajuste e a reapuração dos saldos credores do PIS e da COFINS são uma decorrência do indébito apurado, e não créditos decorrentes da não cumulatividade. Requer seja sanado o vício alegado, acerca do pedido referente ao direito de proceder à reapuração dos saldos credores relativos às contribuições concernentes aos períodos passados, a partir da exclusão do ICMS de suas bases, com a autorização do registro da diferença do crédito que fora utilizado a maior no passado de forma indevida. Quanto ao tema, assim se manifestou o acórdão (id 280329585): .. Argumenta o contribuinte a necessidade do reconhecimento expresso do alegado direito de proceder ao ajuste e à reapuração dos saldos credores do PIS e da COFINS que tenham sido apurados no passado (períodos em que não houve contribuições a serem recolhidas em dinheiro), para exclusão do ICMS do cômputo das contribuições, o que alega resultará em um aumento do saldo credor disponível. Constata-se, contudo, que inexiste previsão legal para tal providência, já que o regime não cumulativo das contribuições, o qual se efetiva mediante desconto de créditos (art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 - PIS; e n.º 10.833/2003 - COFINS) conforme apuração nos termos do art. 2º das normas citadas e do qual pode resultar eventual saldo credor, não autoriza quaisquer créditos fora das hipóteses descritas nos incisos do artigo 3º, nas quais não estão incluídas parcelas da apuração das contribuições ao PIS/COFINS que, inobstante calculadas com inclusão do ICMS nas respectivas bases de cálculo, não resultaram em efetivo pagamento das contribuições. Nesse sentido: (ApelRemNec - APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA / SP, PROC: 5015470-96.2020.4.03.6100, Des. Federal NELTON AGNALDO MORAES DOS SANTOS; Des. Federal LUIS CARLOS HIROKI MUTA, 3ª Turma, Julg.: 20/08/2021, Intimação via sistema DATA: 24/08/2021) - GRIFEI Outrossim, foi reconhecido expressamente o direito da impetrante de excluir o ICMS destacado nas notas fiscais da base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como de compensação dos valores pagos a maior a tal título, determinação que abrange os períodos em que houve efetivo pagamento indevido. Nesse contexto, não merece guarida o pleito do contribuinte. (fls. 1.967-1.968e) No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). E depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1.431.157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.104.181/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1.334.203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). - Do creditamento de PIS/COFINS sobre o montante de ICMS incidente na aquisição Sobre a controvérsia, direito de apurar créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS incluído na base de cálculo destas contribuições, a Corte de origem assim se pronunciou: Em sessão realizada em 13/05/2021, o Tribunal Pleno do STF julgou o ED oposto contra o acórdão que julgou o RE n.º 574.706, no sentido de acolher, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. . Plenário, 13.05.2021 Assim, à vista dessa decisão, que é aplicável à espécie, ficou definido e pacificado que o valor a ser excluído é o destacado na nota fiscal. No que toca ao limite temporal para reconhecimento do direito à devolução dos valores indevidamente recolhidos em decorrência da mencionada inclusão do ICMS nas bases de cálculo das contribuições ao PIS e da COFINS, estabeleceu-se como parâmetro a data momento em que se deu o julgamento de 15.03.2017. Reconhecida a inexigibilidade, faz-se necessária a análise do pedido de compensação. .. Argumenta o contribuinte a necessidade do reconhecimento expresso do alegado direito de proceder ao ajuste e à reapuração dos saldos credores do PIS e da COFINS que tenham sido apurados no passado (períodos em que não houve contribuições a serem recolhidas em dinheiro), para exclusão do ICMS do cômputo das contribuições, o que alega resultará em um aumento do saldo credor disponível. Constata-se, contudo, que inexiste previsão legal para tal providência, já que o regime não cumulativo das contribuições, o qual se efetiva mediante desconto de créditos (art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 - PIS; e n.º 10.833/2003 - COFINS) conforme apuração nos termos do art. 2º das normas citadas e do qual pode resultar eventual saldo credor, não autoriza quaisquer créditos fora das hipóteses descritas nos incisos do artigo 3º, nas quais não estão incluídas parcelas da apuração das contribuições ao PIS/COFINS que, inobstante calculadas com inclusão do ICMS nas respectivas bases de cálculo, não resultaram em efetivo pagamento das contribuições. Nesse sentido: (ApelRemNec - APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA / SP, PROC: 5015470-96.2020.4.03.6100, Des. Federal NELTON AGNALDO MORAES DOS SANTOS; Des. Federal LUIS CARLOS HIROKI MUTA, 3ª Turma, Julg.: 20/08/2021, Intimação via sistema DATA: 24/08/2021) - GRIFEI Outrossim, foi reconhecido expressamente o direito da impetrante de excluir o ICMS destacado nas notas fiscais da base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como de compensação dos valores pagos a maior a tal título, determinação que abrange os períodos em que houve efetivo pagamento indevido. Nesse contexto, não merece guarida o pleito do contribuinte. Saliente-se, ademais, que presente feito foi ajuizado em novembro de 2018 e deve ser considerado o julgamento do ED oposto contra o acórdão que julgou o RE n.º 574.706, que estabeleceu, no que toca ao limite temporal concernente ao direito à devolução dos valores indevidamente recolhidos em decorrência da inclusão da exação estadual na base de cálculo das contribuições, a data de como parâmetro,15.03.2017 momento em que se deu o julgamento, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. (fls. 1.902-1.908e) Quanto aos artigos tidos por violados, a Recorrente limita-se a citá-los nas razões recursais, sem demonstrar, efetivamente, como teria ocorrido a violação. O recurso especial possui natureza vinculada e por objetivo a aplicação ou interpretação adequada de comando de lei federal, de modo que compete à parte a indicação de forma clara e pormenorizada do dispositivo legal que entende ofendido, não sendo suficiente a mera citação no corpo das razões recursais (1ª T., AgInt no REsp n. 1.930.411/RS, Rel. Min. Gur gel de Faria, j. 4.9.2023, DJe de 6.9.2023). Em consonância com o entendimento desta Corte, nos casos em que a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se ao recurso especial, por analogia, o entendimento da Súmula 284, do Colendo Supremo Tribunal Federal, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Ressalte-se, não basta indicar como violado qualquer dispositivo legal, mas aquele cujo comando normativo é capaz de sustentar a tese recursal. Tais dispositivos não possuem comando normativo suficiente para afastar a expressa vedação legal ao direito de apuração dos créditos questionados. É firme o posicionamento desta Corte segundo o qual se revela incabível conhecer do recurso especial quando o dispositivo de lei federal tido por violado não possui comando normativo capaz de impugnar os fundamentos do acórdão recorrido, incidindo, por analogia, a orientação contida na Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PESSOA JURÍDICA. QUALIFICAÇÃO COMO AGROINDÚSTRIA. ART. 489 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REENQUADRAMENTO DA EMPRESA. EXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. CONSULTA. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. SÚMULA 284 DO STF. INCIDÊNCIA. LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. SÚMULA 283 DO STF. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. AUSÊNCIA. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. .. 4. O art. 100 do CTN não possui comando normativo suficiente para infirmar o entendimento da Corte Regional de que as soluções de consulta não vinculam o Fisco na hipótese da ocorrência de fiscalização tributária in loco, na qual se verifica situação fática diversa daquela apresentada pelo consulente, incidindo no ponto o óbice da Súmula 284 do STF. .. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.343.527/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2019, DJe 03/12/2019). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO A EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SEGURANÇA CONCEDIDA, COM LIMITAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DO JULGADO A 31/12/2014, EM FACE DA LEI 12.973/2014. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.039, CAPUT, E 1.040, III, DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ART. 1.025 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE, NO CASO. DISPOSITIVOS PROCESSUAIS APONTADOS QUE, ADEMAIS, NÃO POSSUEM COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE DA RECORRENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF, POR ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE, AINDA, DE ANÁLISE, EM RECURSO ESPECIAL, DA ADEQUAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, COM A TESE FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA, SOB PENA DE ANÁLISE, POR VIA REFLEXA, DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. VII. De todo modo, em relação à alegada violação aos arts. 1.039, caput, e 1.040, III, do CPC/2015, os referidos dispositivos legais não possuem comando normativo apto a infirmar a conclusão, tal como posta no acórdão recorrido, em relação à limitação temporal dos efeitos do julgado a 31/12/2014, de forma a atrair, no ponto, a aplicação analógica da Súmula 2 84/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). .. (AgInt no AREsp 1.510.210/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2019, DJe 29/11/2019). O princípio da não cumulatividade preconiza que o valor do tributo incidente sobre o bem na saída do vendedor é que irá gerar o valor do crédito na entrada do bem para o comprador/adquirente. Se não houver tributação (de PIS/PASEP e COFINS) na saída do vendedor (substituto), não haverá creditamento (de PIS/PASEP e COFINS) na entrada para o comprador/adquirente (substituído) e qualquer crédito (de PIS/PASEP e COFINS) concedido nessa situação ou para além do valor do tributo (PIS/PASEP e COFINS) pago na etapa anterior é crédito presumido ou fictício, carecedor de lei específica. Nessa esteira: RECURSO REPETITIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES AO ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. TRIBUTO RECOLHIDO EM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO COMO CUSTO DE AQUISIÇÃO PREVISTO NO ART. 13, DO DECRETOLEI N. 1.598/77. .. 3. Como o princípio da não cumulatividade preconiza que o valor do tributo incidente sobre o bem na saída do vendedor é que irá gerar o valor do crédito na entrada do bem para o adquirente, se não houver tributação na saída do vendedor (substituto), não haverá creditamento na entrada para o adquirente (substituído) e qualquer crédito concedido nessa situação ou para além do valor do tributo pago na etapa anterior é crédito presumido ou fictício, carecedor de lei específica, na forma do art. 150, §6º, da CF/88. Precedentes: Súmula Vinculante n. 58/STF; Repercussão Geral Tema n. 844/STF; recurso repetitivo REsp. n. 1.894.741/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.04.2022. 4. No caso concreto, as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não incidem sobre o ICMS-ST na etapa anterior (substituto), portanto, na ausência de lei expressa criadora do crédito presumido, não podem gerar crédito para ser utilizado na etapa posterior (substituído). .. 11. Embargos de divergência em recurso especial providos. (EREsp n. 1.959.571/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 20/6/2024, DJe de 25/6/2024.) Assim, foi editada a Lei n. 14.592/2023 (medida Provisória n. 1.159/2023), que, consoante a tese do Tema 69 do STF, para alterar as Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, para incluir o inciso III ao § 2º do art. 3º, de modo a vedar, para fins de incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS no regime não cumulativo, o direito a crédito do valor do ICMS que tenha incidido sobre a operação de aquisição. Na precisa dicção da Lei n. 10.833/2003: Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei no 12.973, de 2014) .. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: .. XIII - relativas ao valor do ICMS que tenha incidido sobre a operação. (Incluído pela Lei no 14.592, de 2023) .. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: .. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004 .. III - do ICMS que tenha incidido sobre a operação de aquisição (Incluído pela Lei no 14.592, de 2023) .. O valor do ICMS referente ao custo de aquisição de mercadoria, por não compor as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, e diante da ausência de lei específica constituidora de crédito presumido, não enseja a tomada de créditos pelo adquirente. Nesse sentido: EREsp 1.959.571/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 20/6/2024, DJe de 25/6/2024. Na mesma linha: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (RE 398365 RG, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 27-08-2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-188 DIVULG 21-09-2015 PUBLIC 22-09-2015) Vale acrescentar que a 1ª Turma do STJ, analisando matéria idêntica a questionada nestes autos, na assentada de 8.4.2025, quando do julgamento dos AgInts. nos REsps ns. 2.169.655/RS e 2.169.939/RS, de relatoria do Sr. Ministro Gurgel de Faria, firmou os seguintes entendimentos, dentre outros: i) Apresentam-se legítimas as alterações promovidas pelos arts. 6º e 7º da Lei n. 14.592/2023 nas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, pois a vedação à tomada de créditos sobre o ICMS incidente nas operações de aquisição não ofende o regime de não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS, pois o tributo estadual não compõe a base de cálculo dessas contribuições; ii) Com o advento da Lei n. 14.592/2023, houve tão somente a positivação da norma jurídica já consagrada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 69 da repercussão geral, que se encontra em vigor desde, nos termos da modulação de15/03/2017 efeitos estabelecida naquele julgamento: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃO CUMULATIVO. TEMA 69 DO STF. ICMS. VALOR CORRESPONDENTE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. VEDAÇÃO LEGAL. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Tema 1.231 dos repetitivos, enfrentou a questão referente à superveniência da Lei n. 14.592/2023 (Medida Provisória n. 1.159/2023), que, em conformidade com a tese do Tema 69 do STF, promoveu modificações nas Leis n. 10.637 /2002 e 10.833/2003, para incluir o inciso III ao § 2º do art. 3º, de modo a vedar, para fins de incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS no regime não cumulativo, o direito a crédito sobre o valor do ICMS que tenha incidido sobre a operação de aquisição, sendo certo que esta Corte decidiu pela inexistência do direito ao referido crédito após a superveniência de referido diploma legal (EREsp 1.959.571/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 20/6/2024, DJe de 25/6/2024). 2. Apresentam-se legítimas as alterações promovidas pelos arts. 6º e 7º da Lei n. 14.592/2023 nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, pois a vedação à tomada de créditos sobre o ICMS incidente nas operações de aquisição não ofende o regime de não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS, pois o tributo estadual não compõe a base de cálculo dessas contribuições. 3. Com o advento da Lei n. 14.592/2023, houve tão somente a positivação da norma jurídica já consagrada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 69 da repercussão geral, que se encontra em vigor desde 15/03/2017, nos termos da modulação de efeitos estabelecida naquele julgamento. 4. À luz da norma jurídica em debate, apresenta-se incabível a pretensão de que, na apuração do montante devido a título das Contribuição para o PIS e da CONFIS, o contribuinte se credite com base no valor do ICMS nas suas aquisições, mas nas suas vendas exclua o tributo estadual, pois significa compreender que a exclusão em tela somente se opera sobre suas receitas, e não sobre a de todos os integrantes da cadeia, com evidente repercussão negativa sobre o regime não cumulativo. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.169.939/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/4/2025, DJEN de 22/4/2025.) Escorreito, portanto, o acórdão recorrido, na linha da orientação desta Corte e na precisa dicção da lei. No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Posto isso, nos termos do § 2º do art. 1.021 do Código de Processo Civil, RECONSIDERO a decisão de fls. 2.105-2.116e, restando, por conseguinte, PREJUDICADO o agravo interno de fls. 2.123-2.138e, e, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, ambos do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se. EMENTA