REsp 1948914 - ACORDAO
Não conhecer do Agravo Interno porque o agravante não indicou, nos autos originários, as omissões supostamente não sanadas nos Embargos de Declaração (incidência da Súmula 284/STF) e deixou de apontar, com cotejo analítico, precedentes contemporâneos ou supervenientes que demonstrem divergência da orientação...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo Interno não conhecido
- Legal Topics
- Execução Contra a Fazenda Pública, Índice De Correção Monetária, Coisa Julgada, Súmulas 284/stf, 83/stj E 182/stj, Preclusão, Embargos De Declaração
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Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicação da Súmula 284/STF por ausência de indicação precisa de omissões em embargos de declaração
- 2 Aplicação da Súmula 83/STJ por orientação jurisprudencial consolidada no STJ
- 3 Possibilidade de alterar índice de correção monetária em execução frente à coisa julgada
Ratio Decidendi
Não conhecer do Agravo Interno porque o agravante não indicou, nos autos originários, as omissões supostamente não sanadas nos Embargos de Declaração (incidência da Súmula 284/STF) e deixou de apontar, com cotejo analítico, precedentes contemporâneos ou supervenientes que demonstrem divergência da orientação consolidada do STJ (incidência da Súmula 83/STJ); ademais, a coisa julgada impede a alteração dos índices de correção monetária fixados em decisão transitada em julgado.
Court Disposition
Agravo Interno não conhecido
Orders
- Agravo Interno não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Agravo Interno interposto contra decisão que não conheceu do Recurso Especial, ante os óbices das Súmulas 284/STF e 83/STJ. Nas razões recursais (fls. 418-437, e-STJ), o agravante sustenta não haver razões para a aplicação da Súmula 284/STF e que a jurisprudência do STJ acolhe sua pretensão de revisão do índice de correção monetária fixado em sentença transitada em julgado em razão de lei superveniente. Impugnação às fls. 442-450, e-STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. COISA JULGADA. PREVALÊNCIA. SÚMULAS 284/STF E 83/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. 1. Agravo Interno contra decisão que não conheceu do Recurso Especial, ante a incidência das Súmulas 284/STF e 83/STJ. 2. No Recurso Especial, a parte deixou de indicar precisamente quais omissões não foram sanadas na origem com o julgamento dos Embargos de Declaração, o que atrai a aplicação da Súmula 284/STF. 3. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "o saneamento dos vícios construtivos do recurso por ocasião do respectivo agravo interno configura inovação recursal, de impossível conhecimento, em face da preclusão" (AgInt no AREsp 1415499/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 18.3.2021). 4. O STJ, em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos, quanto à matéria referente à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97 (com redação dada pela Lei n. 11.960/2009), estabeleceu que, não obstante os índices fixados para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, deve ser ressalvada a coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos. 5. Inadmitido o Recurso Especial com base na Súmula 83/STJ, incumbiria à parte interessada apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão impugnada, procedendo ao cotejo analítico entre eles. 6. Agravo Interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 29.9.2021. A irresignação não merece prosperar. Conforme aludido na decisão ora agravada, cuida-se Recurso Especial interposto contra acórdão assim ementado: AGRAVO INTERNO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. COISA JULGADA. TEMA 733 DA REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão transitada em julgado determinou a aplicação, nos cálculos, a partir de 30/06/2009 até 25/3/2015, do índice oficial da caderneta de poupança (taxa referencial - TR) e, a partir de 26/3/2015, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E). Fixados pela decisão os índices de correção monetária a serem aplicados nos cálculos da execução, com os quais, inclusive, concordou o exequente, estabelecida a coisa julgada, não cabe alteração com base em posterior decisão da Corte Suprema no RE 870.947/SE, julgado em 20/9/2017, e seus embargos de declaração, julgados em 3/10/2019, pois "a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das decisões anteriores que tenham adotado entendimento diferente. Para que tal ocorra, será indispensável a interposição de recurso próprio ou, se for o caso, a propositura de ação rescisória própria, nos termos do art. 485 do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495)" - Tema 733 da Repercussão Geral do STF (RE nº 730.462). Agravo interno desprovido. Alegou-se, em síntese, que o acórdão afrontou o art. 1.022, 322, § 1º, 505, I, 507 e 924, II, do CPC. Quanto à suposta violação ao art. 1.022 do CPC, a parte deixou de indicar precisamente quais omissões não foram sanadas no julgamento dos Embargos de Declaração, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Somente o faz agora, no Agravo Interno, mas nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, "o saneamento dos vícios construtivos do recurso por ocasião do respectivo agravo interno configura inovação recursal, de impossível conhecimento, em face da preclusão" (AgInt no AREsp 1.415.499/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 18.3.2021). Quanto à questão de fundo, verifiquei que o acórdão recorrido consignou que a aplicação da TR no caso em testilha decorre da coisa julgada (fl. 292, e-STJ; grifei): Não incide, no caso, o invocado Tema 435 do STF, ainda mais sob a equivocada tese de aplicação "a contrario sensu". Não quer aceitar o agravante que o impedimento de novo cálculo, aplicando índice diverso da decisão que estabeleceu a forma de correção monetária, decorre da coisa julgada e da preclusão, que não pode ser flexibilizada na hipótese. De fato os juros e a correção monetária são questões de ordem pública, cujo eventual erro de cálculo pode ser corrigido até o trânsito em julgado da extinção da execução. Contudo, no caso, não se trata de erro de cálculo ou de falta de aplicação de atualização monetária e juros, mas de aplicação de índice de correção monetária conforme decisão já transitada em julgado. A impossibilidade de expedição de requisitório complementar, aplicando índice de correção monetária diferente do fixado na decisão exequenda, decorre da imutabilidade da coisa julgada já formada. A decisão está de acordo com o precedente firmado no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS (Tema 905): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. . TESES JURÍDICAS FIXADAS. (..) 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. (..) (REsp 1;495;146/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 2/3/2018) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. COISA JULGADA. PREVALÊNCIA. (..) 4. O STJ, em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos, quanto à matéria referente à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97 (com redação dada pela Lei n. 11.960/2009), estabeleceu que, não obstante os índices fixados para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, deve ser ressalvada a coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1747028/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.7.2021) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. RE 870.947. COISA JULGADA. PREVALÊNCIA. 1. Cinge-se a controvérsia a definir se é possível, em fase de cumprimento de sentença, alterar os critérios de atualização dos cálculos estabelecidos na decisão transitada em julgado, a fim de adequá-los ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal em repercussão geral. 2. O Tribunal de origem fez prevalecer os parâmetros estabelecidos pela Suprema Corte no julgamento do RE 870.947, em detrimento do comando estabelecido no título judicial. 3. Conforme entendimento firmado pelo Pretório Excelso, " .. a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495)" (RE 730.462, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 28/5/2015, acórdão eletrônico repercussão geral - mérito DJe-177 divulg 8/9/2015 public 9/9/2015). 4. Sem que a decisão acobertada pela coisa julgada tenha sido desconstituída, não é cabível ao juízo da fase de cumprimento de sentença alterar os parâmetros estabelecidos no título judicial, ainda que no intuito de adequá-los à decisão vinculante do STF. 5. Recurso especial a que se dá provimento. (REsp 1861550/DF, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 4.8.2020) Cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas proferidas em casos análogos: REsp 1.935.300/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 5.8.2021; REsp 1.945.479/DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe 28.9.2021; REsp 1.938.199/DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, DJe 21.6.2021. Por isso, aplica-se ao caso a Súmula 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". No Agravo Interno, o recorrente limitou-se a transcrever trechos de decisões monocráticas, sem fazer o cotejo analítico com o acórdão recorrido. Se a inadmissão teve amparo no óbice descrito na Súmula 83/STJ, deve a parte apontar precedentes deste Tribunal contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão agravada, "procedendo ao cotejo analítico entre eles para demonstrar que outra é a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior ou, na hipótese de distinção dos casos, comprovar a inaplicação ao feito do posicionamento exposto no decisum" (AgInt no AREsp 1.723.249/PR, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 28.6.2021). Por essas razões, não conheço do Agravo Interno. É como voto.