AREsp 1182907 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões essenciais ao julgamento, concluiu pela inércia da parte exequente tendo em vista que os documentos necessários já estavam disponíveis, e afastou a aplicação do Tema 880/STJ, razão pela qual não houve violação ao...
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- Parties
- Agravante: EDNA APARECIDA GARCIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Negar provimento ao recurso; Agravo interno não provido.
- Legal Topics
- Execução Contra a Fazenda Pública, Prescrição, Embargos De Declaração, Agravo Interno, Tema 880/stj
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Parties
EDNA APARECIDA GARCIA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão, contradição, obscuridade ou erro material)
- 2 Aplicabilidade do Tema 880/STJ (REsp 1.336.026/PE) ao caso concreto
- 3 Contagem do prazo prescricional para propositura da execução e ocorrência de inércia da parte exequente
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões essenciais ao julgamento, concluiu pela inércia da parte exequente tendo em vista que os documentos necessários já estavam disponíveis, e afastou a aplicação do Tema 880/STJ, razão pela qual não houve violação ao art. 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
Negar provimento ao recurso; Agravo interno não provido.
Orders
- Negar provimento ao recurso.
- Agravo interno não provido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 11/06/2024 a 17/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA ADMINISTRATIVO . PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, APÓS AMPLA ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO, RECONHECEU A INÉRCIA DOS EXEQUENTES. TEMA 880/STJ. INAPLICABILIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não cabendo falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Este caso não se amolda ao tema julgado no Recurso Especial 1.336.026/PE (Tema 880/STJ), haja vista que os documentos necessários à execução já haviam sido apresentados pelo ente público. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por EDNA APARECIDA GARCIA contra a decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. Argumenta a parte agravante o seguinte: a) o Tema 880/STJ aplica-se ao caso em comento; b) "a própria modulação do julgamento do Tema 880 refere que, ainda que "completa a documentação", o prazo prescricional de 5 anos para propositura da execução ou cumprimento de sentença "conta-se a partir de 30/6/2017"!" (fl. 805); c) o termo a quo da prescrição, no caso de sentença ilíquida, não é o trânsito em julgado da ação de conhecimento; d) não foram analisadas as alegações que afastam a inércia atribuída à parte autora, em especial, no que diz respeito à ausência de intimação do arquivamento dos autos. Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou submissão da questão ao Colegiado. Impugnação apresentada às fls. 921-929. É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO . PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, APÓS AMPLA ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO, RECONHECEU A INÉRCIA DOS EXEQUENTES. TEMA 880/STJ. INAPLICABILIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não cabendo falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Este caso não se amolda ao tema julgado no Recurso Especial 1.336.026/PE (Tema 880/STJ), haja vista que os documentos necessários à execução já haviam sido apresentados pelo ente público. 3. Agravo interno não provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada, torna incólume o entendimento nela firmado. Quanto à alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, o acórdão recorrido assim se manifestou sobre os pontos tidos por omissos: No caso específico, é possível verificar que em 29 de março 2004, a parte autora postulou a expedição de ofício à Secretaria da Fazenda, requerendo a suspensão da contribuição previdenciária, bem como a obtenção dos demonstrativos de seu pagamento para a confecção do cálculo executivo (fl. 28). Em 03 de maio de 2004, o IPERGS encaminhou os documentos solicitados, em resposta ao ofício 1466/04 (fls. 34-36) Em 17 de maio de 2004 os cálculos foram elaborados pelo Contador do Foro (fls. 37-38), tendo a parte autora apresentado impugnação (fl. 50). Foram, então, elaborados novos cálculos pelo Contador do Foro, em 09 de agosto de 2004 (fls. 58-59). Em 02 de setembro de 2004, a parte autora manifestou-se concordando com os cálculos elaborados pela Contadoria do Foro Central, bem como requerendo a citação da Autarquia, nos termos do artigo 730, do CPC (fl. 62). Posteriormente, a parte autora foi intimada para juntar petição executiva, através da Nota de Expediente 1720/2004, disponibilizada no Diário da Justiça Eletrônico em 23/09/2004 (fl. 65). Decorrido o prazo para manifestação da parte autora, foi determinado o arquivamento do feito em 28 de outubro de 2004 (fl. 66). No entanto, apenas em 05 de dezembro de 2013, a parte autora requereu o desarquivamento dos autos (fl. 67). .. No caso, não pode ser outro o entendimento de que houve inércia da parte. Incumbia à parte, propor a execução desde logo, não havendo justificativa para maior demora. O principio da actio nata, pelo qual conta-se a prescrição, para a propositura da execução, não do trânsito em julgado da sentença, mas da data do conhecimento, pelo credor, dos documentos indispensáveis ao cálculo, requisitados ao devedor, não pode ser aplicado no caso. Os documentos já haviam sido apresentados. O trânsito em julgado ocorreu em fevereiro de 2004 e a execução foi proposta em abril de 2014. Ao propor uma execução mais de cinco anos após o trânsito em julgado, incumbia à credora, desde logo, demonstrar a ocorrência de legítimo óbice ao curso prescricional. Se não demonstrado que a demora para o ajuizamento da execução decorreu por fato do devedor ou por demora imputável ao serviço judiciário, não há como entender interrompido aquele (fls. 692-693). Foi devidamente fundamentada a ocorrência de prescrição da pretensão executiva, na hipótese dos autos. De ressaltar, inclusive, que restou consignado que a parte autora foi devidamente intimada para juntar petição executiva, tendo decorrido o prazo legal para sua manifestação, .. sendo determinado, então, o arquivamento do feito. Portanto, não há falar em ausência de intimação da parte autora, dos atos processuais, como reiterado nestes embargos de declaração (fls. 380-381). A Corte de origem dirimiu fundamentadamente a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo falar em omissão, contradição, obscuridade e/ou erro material. Conforme jurisprudência: Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 (AgInt no AREsp 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). No mais, conforme já explicitado na decisão de fls. 788-790, este caso não se amolda ao tema julgado no recurso especial 1.336.026/PE (Tema 880/STJ), haja vista que os documentos necessários à execução já haviam sido apresentados pelo ente público. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022, AMBOS DO CPC/2 015. INEXISTÊNCIA. TEMA N. 880/STJ. INAPLICABILIDADE. .. VI - Quanto à fluência do prazo prescricional enquanto pendente a juntada de fichas financeiras por parte do ente público, vale destacar que esta Corte Superior, no julgamento dos EDcl no REsp n. 1.336.026/PE, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 30/6/2017, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou entendimento no sentido de que "para as decisões transitadas em julgado até 17/3/2016 (quando ainda em vigor o CPC/1973) e que estejam dependendo, para ingressar com o pedido de cumprimento de (sentença, do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida, ou não, pelo juiz ou esteja, ou não, completa a documentação), o prazo prescricional de 5 anos para propositura da execução ou cumprimento de sentença conta-se a partir de 30/6/2017". Confira-se: (EDcl no REsp n. 1.336.026/PE, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 13/6/2018, DJe de 22/6/2018.) VII - Houve modulação dos efeitos do Tema n. 880/STJ, ficando expresso que os efeitos dos comandos ali contidos valem para as decisões transitadas em julgado até 17/3/2016 que estejam dependendo, para ingressar com o pedido de cumprimento de sentença, do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida ou não pelo juiz ou esteja ou não completa a documentação). No mesmo sentido: (AgInt no REsp n. 1.996.276/PB, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 5/9/2022, DJe de 9/9/2022 e AgInt no REsp n. 1.890.827/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/2/2021, DJe de 2/3/2021.) VIII - O Tribunal de origem, ao tratar da prescrição, expressamente consignou que a promoção do presente cumprimento de sentença não dependia do fornecimento de documentos ou fichas financeiras pelo executado, não se aplicando, assim, a modulação de efeitos do Tema n. 880/STJ. Confira-se: "Por seu turno, quanto à tese modulada pelo STJ, no RESP nº 1.336.026/PE (Tema 880), convém admitir a existência da omissão apontada. A propósito, cabe destacar que o título judicial proferido na Ação Rescisória nº 1091, transitou em julgado em 30/08/2006, enquanto que o presente cumprimento de sentença somente foi proposto em 2022, portanto, mais de 16 anos depois, quando já escoado o prazo prescricional, impondo-se o necessário distinguishing em relação à tese modulada referida. Com efeito, o STJ buscou tutelar apenas a pretensão executiva cuja promoção do cumprime nto de sentença estivesse dependendo do fornecimento de documentos ou fichas financeiras, o que não é o caso dos autos, pois, desde a promoção das execuções coletivas, tais elementos de cálculo estavam à disposição da parte exequente. Prova disto é que o sindicato, sabe-se, promoveu centenas de ações executivas do título em questão. (fl. 288)" IX - Aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema." X - Agravo interno improvido (AgInt no REsp 2.113.466/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024). Isso posto, nego provimento ao recurso.