REsp 1968316 - DECISAO
O recurso especial foi provido porque a jurisprudência do STJ reconhece legitimidade concorrente da parte vencedora e do advogado para promover a execução de honorários advocatícios, estando o acórdão do Tribunal de origem em dissonância com esse entendimento, devendo o Tribunal a quo prosseguir no julgamento do...
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- Parties
- Recorrente: MARIA ROSALINA DE JESUS BAPTISTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial Processual Civil / Julgamento De Recurso Especial (decisão Que Dá Provimento)
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Execução De Honorários Advocatícios, Legitimidade Concorrente, Honorários Sucumbenciais, Admissibilidade Recursal (cpc/2015)
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Parties
MARIA ROSALINA DE JESUS BAPTISTA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial Processual Civil / Julgamento De Recurso Especial (decisão Que Dá Provimento)
Legal Issues
- 1 Se a legitimidade para promover a execução de honorários advocatícios é concorrente entre a parte vencedora e o advogado
- 2 Se o acórdão do Tribunal de origem está em consonância com a jurisprudência do STJ sobre legitimidade para execução de honorários
- 3 Aplicação dos requisitos de admissibilidade recursal previstos no CPC/2015
Ratio Decidendi
O recurso especial foi provido porque a jurisprudência do STJ reconhece legitimidade concorrente da parte vencedora e do advogado para promover a execução de honorários advocatícios, estando o acórdão do Tribunal de origem em dissonância com esse entendimento, devendo o Tribunal a quo prosseguir no julgamento do agravo de instrumento.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial do particular
- Determinar que o Tribunal a quo prossiga no julgamento do agravo de instrumento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. LEGITIMIDADE CONCORRENTE. ACÓRDÃO EM DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE.RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Trata-se de recurso especial interposto porMARIA ROSALINA DE JESUS BAPTISTA, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região,assim ementado: AGRAVO INTERNO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. LEGITIMIDADE RECURSAL EXCLUSIVA DO ADVOGADO. INEXISTÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA DA PARTE AUTORA. AUSÊNCIA DE ABUSO OU ILEGALIDADE NA DECISÃO RECORRIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1 - O agravo interno tem o propósito de submeter ao órgão colegiado o controle da extensão dos poderes do relator e, bem assim, a legalidade da decisão monocrática proferida. 2 - De acordo com disposição contida no art. 18 do CPC/15 (anteriormente reproduzida pelo art. 6º do CPC/73), "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico". 3 - Por outro lado, o art. 23 da Lei nº 8.906/94 é claro ao estabelecer que os honorários "pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor". 4 - Nesse passo, a verba honorária (tanto a contratual como a sucumbencial) pertence ao advogado, detendo seu titular, exclusivamente, a legitimidade para pleiteá-los, vedado à parte fazê-lo, na medida em que a decisão não lhe trouxe prejuízo. Em outras palavras, não tendo a parte autora experimentado qualquer sucumbência com a prolação da decisão impugnada, ressente-se, nitidamente, de interesse recursal. 5 - Versando o presente recurso insurgência referente, exclusivamente, a honorários advocatícios, patente a ilegitimidade da parte autora no seu manejo. Precedente desta Turma. 6 - Assentada a legitimidade recursal exclusiva do patrono, caberia ao mesmo o recolhimento das custas de preparo, máxime em razão de não ser a ele extensiva a gratuidade de justiça conferida à parte autora. 7 - Não demonstrado qualquer abuso ou ilegalidade na decisão recorrida, de rigor sua manutenção. 8 - Agravo interno interposto pela parte autora desprovido.(fls. 266). 2. Nas razões do seurecurso especial (fls. 272/278), a parte recorrentesustenta, além de divergência jurisprudencial, violação do art.85 do CPC/2015 e dos arts. 23 e 24, § 1º, da Lei 8.906/1994,argumentando, para tanto, que aexecução dos honorários advocatícios pode ser promovida tanto pela parte, como pelo advogado, tratando-se de legitimidade concorrente. 3. Devidamente intimada (fls. 280), a parte recorridadeixou de apresentar contrarrazõesconforme a certidão de fls. 287.O recurso especial foi admitido na origem(fls. 281/284). 4. É o relatório. 5. A irresignação merece prosperar. 6. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 7. No caso dos autos, o Tribunal de origem entendeu que a parte não possui legitimidade para recorrer de decisão que versa sobre a execução de honorários advocatícios e, assim, inadmitiu o agravo de instrumento interposto pela parte recorrente. 8. A jurisprudência desta Corte é firmeno sentido deser concorrente entre a parte vencedora e os advogados constituídos a legitimidade ativa para a propositura de execução de honorários advocatícios. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes: RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. EXTINÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. HONORÁRIOS DE ADVOGADO. CPC DE 2015. LEGITIMIDADE RECURSAL CONCORRENTE DA PARTE E DO ADVOGADO. 1. A regra do art. 99, §5º, do CPC, não trata da legitimidade recursal, mas da gratuidade judiciária e, notadamente, do requisito do preparo, deixando claro que, mesmo interposto recurso pela parte que seja beneficiária de gratuidade judiciária, mas que se limite a discutir os honorários de advogado, o preparo deverá ser realizado acaso o advogado também não seja beneficiário da gratuidade. 2. Não há confundir esse requisito de admissibilidade com aquele relativo à legitimidade recursal concorrente da parte e do próprio titular da verba de discutir os honorários de advogado. 3. A própria parte, seja na vigência do CPC de 1973, inclusive após o reconhecimento do direito autônomo dos advogados sobre a verba honorária, ou mesmo na vigência do CPC de 2015, pode interpor, concorrentemente com o titular da verba honorária, recurso acerca dos honorários de advogado. 4. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (REsp 1.776.425/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 08/06/2021, DJe 11/06/2021). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. LEGITIMIDADE CONCORRENTE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO DO MUNICÍPIO DA SERRA/ES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É firme a orientação desta Corte Superior de que a legitimidade para promover a execução dos honorários advocatícios é concorrente, podendo ser proposta tanto pelo advogado como pela parte. 2. Agravo Interno do MUNICÍPIO DA SERRA/ES a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.155.225/ES, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/02/2018, DJe 07/03/2018). PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. LEGITIMIDADE CONCORRENTE DA PARTE E DO CAUSÍDICO. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem entendeu que "a parte não pode recorrer para postular majoração do valor fixado a título de honorários advocatícios. Isto porque, a Lei Federal nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB), em seu artigo 23, estabelece que "Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor". Assim, como é defeso à parte postular direito alheio em nome próprio, nos termos do artigo 60 do Código de Processo Civil, manifesta a ausência de legitimidade da executada para pugnar a majoração dos honorários de advogado" (fl. 297, e-STJ). 2. A jurisprudência do STJ considera que, apesar de os honorários advocatícios constituírem direito autônomo do advogado, não se exclui da parte a legitimidade concorrente para discuti-los. 3. Recurso Especial provido. (REsp 1.689.313/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/10/2017, DJe 16/10/2017). 9. Verifico, portanto, que o acórdão recorrido está em dissonância com o entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, merecendo conhecimento a pretensão recursal para determinar que o Tribunal a quo prossiga no julgamento do agravo de instrumento, como entender de direito. 10. Diante disso, dou provimento ao recurso especial do particular nos termos da fundamentação supra. 11. Publique-se. Intimações necessárias.