AREsp 2608281 - DECISAO
O STJ concluiu que houve omissão do Tribunal de origem ao não examinar, nos acórdãos e nos embargos de declaração, a alegação relevante trazida pela agravante sobre sua filiação sindical ao SINTSEP e sua condição de estatutário, omissão esta capaz de alterar o julgamento sobre ilegitimidade ativa na execução de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MARIA TERESA DOS REIS BATALHA; Órgão De Origem/recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO; Executado/recorrido: ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Do Agravo No Stj; Anulação Do Acórdão Dos Embargos De Declaração E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
- Outcome
- Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, anular o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração e devolver os autos ao Tribunal de origem para novo julgamento com análise da omissão reconhecida.
- Legal Topics
- Execução De Sentença Coletiva, Ilegitimidade Ativa, Omissão (art. 1.022, II, Cpc), Negativa De Prestação Jurisdicional
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Parties
MARIA TERESA DOS REIS BATALHA
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO
Órgão De Origem/recorrido
ESTADO DO MARANHÃO
Executado/recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Do Agravo No Stj; Anulação Do Acórdão Dos Embargos De Declaração E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
Legal Issues
- 1 Se houve omissão do Tribunal de origem quanto à análise da filiação sindical e da condição de estatutário da exequente, capazes de alterar o julgamento sobre ilegitimidade ativa na execução de sentença coletiva
- 2 Caracterização de violação do art. 1.022, inciso II, do CPC/2015 (omissão) e dos requisitos de fundamentação do art. 489)
Ratio Decidendi
O STJ concluiu que houve omissão do Tribunal de origem ao não examinar, nos acórdãos e nos embargos de declaração, a alegação relevante trazida pela agravante sobre sua filiação sindical ao SINTSEP e sua condição de estatutário, omissão esta capaz de alterar o julgamento sobre ilegitimidade ativa na execução de sentença coletiva; configurada ofensa ao art. 1.022, II, do CPC e aos requisitos de fundamentação (art. 489), determinou-se a anulação do acórdão dos embargos e o retorno dos autos para novo julgamento.
Court Disposition
Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, anular o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração e devolver os autos ao Tribunal de origem para novo julgamento com análise da omissão reconhecida.
Orders
- Anulação do acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração (fls. 326-332)
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento, com análise da omissão apontada
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MARIA TERESA DOS REIS BATALHA contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, que inadmitiu o recurso especial manejado em oposição ao acórdão assim ementado (fl. 297): AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. ILEGITIMIDADE. AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO AO SINDICATO DA CATEGORIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. No tocante à alegação do ente público de que seria a servidora carente de legitimidade para executar o título judicial formado na ação coletiva do SINTSEP, percebo que há demonstração de sua procedência. 2. Dessarte, inexiste qualquer comprovação, seja pela categoria profissional, seja por filiação, que vincule a parte exequente ao SINTSEP, havendo óbice, portanto, que a impeça de executar o título formado na Ação Coletiva nº 6542/2005. 3. Em verdade, SINSDETRAN/MA é a entidade sindical a qual a servidora está vinculada. 4. Ante o exposto, reafirmando a jurisprudência dos Tribunais Superiores, NEGO PROVIMENTO ao recurso para manter intocada a decisão recorrida. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados, nos termos da seguinte ementa (fl. 327): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. REDISCUSSÃO DE QUESTÃO JÁ RESOLVIDA NA DECISÃO EMBARGADA. MERO INCONFORMISMO. SIMPLES REITERAÇÃO DE ARGUMENTOS. NÃO CABIMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. O recurso de embargos de declaração não se revela o meio processual adequado para se rediscutir, por razões de fato ou de direito, o acórdão, sob pena de se subverter a teia recursal muito bem contida na lei adjetiva civil, e devidamente assentada em jurisprudência pacificada pelos Tribunais Superiores. 2. Outrossim, cabe asseverar, de passagem, que a decisão fez reproduzir o entendimento pacificado pelo STJ, o que implica em dizer que, em verdade, o julgamento embargado não padece de erro de julgamento. 3. Advertência para ambas as partes que o próximo embargos de declaração será julgado com o efeito cominatório do art. 1.026, §2º do CPC/15. 4. Embargos de declaração rejeitados. Nas razões do recurso especial, interposto com base no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, a parte agravante alega violação dos arts. 489, § 1º, inciso IV, e 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil, sustentando que: .. In casu, houve decisão judicial reconhecendo de forma equivocada a ilegitimidade da parte Exequente, com base na simples alegação de ausência da condição de estatutário do Exequente, somente por ter laborado em autarquia. Ocorre que tal conclusão tomou como base premissa equivocada, declarando situação diversa dos autos e, quando instado a se manifestar, quedou-se omisso, pois não teceu qualquer comentário sobre a questão ou documentos suscitados, especificamente o Histórico Funcional evidenciando a condição de estatutário, deixando a decisão em flagrante estado de vício de fundamentação e negando a devida prestação jurisdicional. .. Requer a anulação do acórdão recorrido, para que a corte estadual proceda com novo julgamento, sanando a negativa de prestação jurisdicional sobre os temas indicados: Aferição de legitimidade preclui em liquidação, tendo em vista a individualização e homologação de seu crédito, com total concordância do Executado/Recorrido; Histórico Funcional comprovando que parte tem vínculo direto com o Estado do Maranhão, em razão das diversas lotações, ostentando condição de estatutário. Apresentadas contrarrazões (fls. 351-356), o recurso foi inadmitido na origem (fls. 358-361). Razões do agravo em recurso especial às fls. 362-367. Sem contraminuta (fl. 379). É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos para o conhecimento do agravo, prossegue-se na análise do recurso especial. Conforme legislação processual vigente, o provimento ao recurso especial por contrariedade ao art. 1.022, inciso II, do CPC pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, os seguintes motivos: (a) que a questão supostamente omitida tenha sido invocada na Contestação, na Apelação, no Agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuide de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) a oposição de Aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão em relação ao ponto; (c) que a tese omitida seja fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderá conduzir à sua anulação ou reforma; (d) a inexistência de outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Tais requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. In casu, entendo presentes tais pressupostos a evidenciar a patente violação do art. 1.022, inciso II, do CPC. Com efeito, o recorrente opôs os embargos de declaração em face de decisão proferida pelo Tribunal de Justiça que negou provimento ao agravo interno, mantendo decisão que desproveu apelação interposta pela parte autora, para reconhecer a ilegitimidade ativa da exequente para executar a obrigação de fazer contida na sentença da Ação Coletiva n. 6.542/2005, pois não é representado pelo SINTSEP. Nas razões dos aclaratórios, a embargante alega (fls. 305-318): .. Esta Corte Estadual entendeu pela ilegitimidade ativa da parte por suposto vínculo a sindicato específico dos empregados do DETRAN. Ocorre que a parte Exequente não laborou exclusivamente no DETRAN, possuindo diversas lotações, ao passo em que ocupa cargo sem sindicato específico, logo abrangido pelo SINTSEP. .. O juízo a quo considerou que a parte pertence ao SINSDETRAN. Acontece que o SINSDETRAN somente abrange os seus empregados, os quais tem vínculo direto com esta autarquia estadual, o que não é o caso da parte Recorrente. A parte Recorrente labora em regime estatutário, possuindo vínculo direto com o Executado Estado do Maranhão. Do seu próprio histórico funcional, juntado aos autos sob o ID 23680007, percebe-se que várias foram as lotações em que laborou, não sendo empregado da autarquia, mas apenas cedido pela Administração Pública Direta. .. Além disso, a parte Exequente não é associada ao SINSDETRAN, conforme depreende-se do contracheque e das fichas financeiras constante nos autos. .. Consta também que a parte Exequente já era filiada ao SINTSEP desde quando do ajuizamento da ação coletiva, vez que seu nome constou da lista de substituídos que instrui a inicial da referida ação, e continua sindicalizada ao SINTSEP até hoje, conforme pode ser observado no contracheque e fichas financeiras nos autos, tendo os descontos legais (art. 578, 579, 580 da CLT). Ao apreciar os embargos, contudo, o Tribunal de Justiça apresentou a seguinte fundamentação, no que interessa, in verbis (fls. 326-332): .. tenho que a decisão não revela nenhum vício de inteligência apto a abrir a possibilidade do julgamento de embargos de declaração, consoante se depreende da clareza da sua própria ementa. .. Pela própria robusteza dos fundamentos empregados no acórdão, vejo que todos os argumentos apontados foram enfrentados, não havendo que se falar em omissão. Assinalo que os artigos apontados nas razões recursais remanescem expressamente considerados no presente julgamento, mas não têm o condão de alterar o resultado já proclamado. .. Ante o exposto, REJEITO os aclaratórios, pela inexistência de vício algum a ensejar a integração do julgado. Como se percebe, não obstante as alegações formuladas no recurso de apelação (fls. 242-252) e nos embargos de declaração (fls. 305-318), nas quais o recorrente informa ser sindicalizado ao SINTSEP antes do ajuizamento da ação coletiva e que esse é o sindicato que representa a sua categoria, o Tribunal de origem não examinou tal alegação. Portanto, tendo ocorrido omissão acerca do exame de questão invocada nas razões da apelação, sendo inclusive opostos aclaratórios apontando a referida omissão, furtando-se, o Tribunal de origem, mesmo assim, a se manifestar acerca do referido ponto, o qual possui patente relevância, a ponto de conduzir à modificação do julgado, somado à inexistência de outro fundamento autônomo, suficiente à manutenção do acórdão recorrido, impõe-se acolher a preliminar de violação do art. 1.022, inciso II, do CPC, para determinar o retorno dos autos para que seja sanada a omissão apontada. A título ilustrativo, confiram-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OCORRÊNCIA. 1. Caracteriza-se a violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando, por deficiência de fundamentação no acórdão ou por omissão da Corte a quo quanto aos temas relevantes no recurso, o órgão julgador deixa de apresentar, de forma clara e coerente, fundamentação adequada e suficiente à conclusão do acórdão embargado. .. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.623.348/RO, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26/04/2021, DJe de 12/05/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. NOVO EXAME DO FEITO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015 CONFIGURADA. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE TEMA ESSENCIAL PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. .. 2. Fica configurada ofensa ao art. 1.022 do do CPC/2015 quando o Tribunal a quo, apesar de devidamente provocado em sede de embargos de declaração, não se manifesta sobre tema essencial ao deslinde da controvérsia. 3. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em nova análise, conhecer do agravo para dar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.443.637/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 24/09/2019, DJe de 11/10/2019.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA E RECONVENÇÃO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. DISTRIBUIÇÃO. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, IV, E 1.022, I E II, DO CPC/2015. QUESTÕES RELEVANTES, EM TESE, À SOLUÇÃO DA CONTROVÉRSIA, OPORTUNAMENTE SUSCITADA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OPOSTOS NA ORIGEM. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL CONFIGURADA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E RECURSO ESPECIAL PROVIDO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Na forma da jurisprudência desta Corte, ocorre violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC/2015 quando o Tribunal de origem deixa de enfrentar questões relevantes ao julgamento da causa, suscitadas pela parte recorrente. Adotando tal orientação: STJ, AgInt no AREsp 1.377.683/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/10/2020; REsp 1.915.277/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/04/2021. III. No caso, embora o Tribunal a quo tenha sido instado no Apelo, inclusive mediante Embargos de Declaração, a se pronunciar sobre questões relevantes ao deslinde da controvérsia, quedou-se silente aquele Sodalício sobre tais matérias, que se revelam relevantes e podem conduzir à modificação do entendimento perfilhado pela Corte de origem. IV. Nesse contexto, impõe-se a confirmação da decisão que, em face da reconhecida violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC/2015, conheceu do Agravo em Recurso Especial e deu provimento ao Recurso Especial, a fim de anular o acórdão que julgou os Embargos Declaratórios, determinando o retorno dos autos à origem, para novo julgamento, sanando-se as omissões indicadas. V. Agravo interno improvido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.810.873/GO, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de ANULAR o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração (fls. 326-332), e, como corolário, devolver os autos ao Tribunal de origem, a fim de que seja proferido novo julgamento com a análise da omissão reconhecida nesta decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA COLETIVA. ILEGITIMIDADE ATIVA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022, INCISO II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OMISSÃO CARACTERIZADA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, COM RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA REJULGAMENTO. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.