REsp 2104474 - DECISAO
Conhecido o agravo de instrumento, determinou-se a extinção do processo de execução individual, sem resolução do mérito, porque a UFRJ já satisfez a pretensão executória mediante pagamentos que abrangem período superior ao fixado no título (pagamentos em março/1997, abril/1997 e de dezembro/2002 a janeiro/2017),...
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- Parties
- Autor: Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ); Réu: UFRJ-UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Colegiada
- Outcome
- Agravo de instrumento conhecido e determinada, de ofício, a extinção do processo de execução individual originário, sem resolução do mérito. Agravo interno prejudicado.
- Legal Topics
- Execução De Título Judicial Oriundo De Ação Coletiva, Liquidação Prévia, Compensação De Valores Pagos Administrativamente, Reajuste Salarial De 28, 86%, Recursos Repetitivos (tema 1.169)
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Parties
Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ)
Autor
UFRJ-UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Réu
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Colegiada
Legal Issues
- 1 Indispensabilidade de prévia liquidação para prosseguimento da execução de título judicial oriundo de ação coletiva
- 2 Possibilidade de compensação de valores pagos administrativamente ou por decisão judicial com o pedido executivo
- 3 Se a satisfação do crédito pela devedora torna sem objeto a liquidação e a execução individual
Ratio Decidendi
Conhecido o agravo de instrumento, determinou-se a extinção do processo de execução individual, sem resolução do mérito, porque a UFRJ já satisfez a pretensão executória mediante pagamentos que abrangem período superior ao fixado no título (pagamentos em março/1997, abril/1997 e de dezembro/2002 a janeiro/2017), tornando sem objeto qualquer futura liquidação, sendo cabível compensação com valores pagos administrativamente, à luz da MP 1.704/98 e regulamentação correspondente.
Court Disposition
Agravo de instrumento conhecido e determinada, de ofício, a extinção do processo de execução individual originário, sem resolução do mérito. Agravo interno prejudicado.
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para aplicação das medidas previstas no art. 1.040 do CPC/2015
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto contra decisão que desafia acórdão assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. TÍTULO JUDICIAL FORMADO EM AÇÃO COLETIVA. REAJUSTE DE 28,86%. INEXISTÊNCIA DE VALORES A EXECUTAR. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. AGRAVO INTERNO PREJUDICADO. 1. Trata-se de agravo de instrumento contra decisão que reconhecendo a necessidade de " prévia liquidação da obrigação decorrente do título executivo constituído no processo coletivo", determinou a citação da "UFRJ-UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO para apresentar contestação, na forma do art. 511 do CPC, devendo, se entender cabível, juntar aos autos planilha contendo os valores que reputa devidos". 2. A demanda originária consiste em execução individual do título formado em Ação Ordinária Coletiva n.º 0006396-63.1996.4.02.5101, ajuizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ) em que a UFRJ foi condenada ao pagamento, para os servidores relacionados nas listas anexadas e ratificadas na ação coletiva, das diferenças de remuneração e proventos resultantes da retroativa incorporação à tabela vigente em 1º de janeiro de 1993, do reajuste no percentual de 28,86%. 3. A despeito da questão acerca da indispensabilidade de prévia liquidação - condição de prosseguimento válido e regular da execução de título judicial oriundo de ação coletiva, o que por si só constituiria fundamento suficiente para determinar a sua extinção, consoante entendimento de há muito adotado por essa Relatoria -, é imperioso observar que a pretensão executória principal já se encontra satisfeita pela UFRJ, eis que o pagamento do percentual em questão foi efetuado em período bem maior do que o determinado no título executivo (jan/1993 a jun/1998), qual seja, de março e abril de 1997 e de dezembro/2002 a janeiro/2017 - conforme se depreende não só das contrarrazões recursais como em feitos correlatos (ex vi AG nº 5012030-52.2021.4.02.0000 e AG nº 5012122-30.2021.4.02.0000), nos quais a pretensão é, igualmente, de pagamento de verbas reputadas como devidas a título de diferenças concernentes ao reajuste de 28,86% -, sendo certo que tal constatação acaba por tornar sem objeto qualquer futura liquidação que venha a ser proposta pela parte interessada. 4. A edição da MP 1.704/98 teve por escopo aplicar o percentual integral dos 28,86% a todo funcionalismo público federal a partir de julho de 1998, vindo a ser regulamentada pelo Decreto nº 2.693/98 e pela Portaria MARE nº 2.179/98. Desde julho/1998, portanto, cessou o direito a incorporação da diferença de 28,86%, apenas sendo cabível a cobrança do valor que deveria ter sido pago entre janeiro de 1993 e junho de 1998. Assiste razão, pois, à UFRJ quanto ao fato de já ter pago valores superiores ao que efetivamente devia, sendo possível compensar o que foi pago administrativamente com o que está sendo pleiteado na execução. 5. A questão da possibilidade de compensação com valores indevidamente pagos após a implementação do reajuste, administrativamente ou por força de decisão judicial, já restou admitida por esta Egrégia Corte em execuções individuais em casos análogos. 6. O julgamento colegiado do presente agravo torna prejudicada a análise do agravo interposto contra a decisão monocrática que indeferiu o efeito suspensivo ao recurso. 7. Agravo de instrumento conhecido e determinada, de ofício, a extinção do processo de execução individual originário, sem resolução do mérito. Agravo interno prejudicado. Passo a decidir. É digno de registro o seguinte fundamento do aresto combatido: A despeito da questão acerca da indispensabilidade de prévia liquidação - condição de prosseguimento válido e regular da execução de título judicial oriundo de ação coletiva, o que por si só constituiria fundamento suficiente para determinar a sua extinção, consoante entendimento de há muito adotado por essa Relatoria -, é imperioso observar que a pretensão executória principal já se encontr a satisfeita pela UFRJ, eis que o pagamento do percentual em questão foi efetuado em período bem maior do que o determinado no título executivo (jan/1993 a jun/1998), qual seja, de março e abril de 1997 e de dezembro/2002 a janeiro/2017 - conforme se depreende não só nas contrarrazões recursais como em feitos correlatos (ex vi AG nº 5012030-52.2021.4.02.0000 e AG nº 5012122- 30.2021.4.02.0000), nos quais igualmente a pretensão é, de pagamento de verbas reputadas como devidas a título de diferenças concernentes ao reajuste de 28,86% -, sendo certo que tal constatação acaba por tornar sem objeto qualquer futura liquidação que venha a ser proposta pela parte interessada, revelando-se, pois, a esta altura inútil qualquer discussão acerca da decisão ora recorrida com o fundamento de que deverá ser promovida a liquidação prévia do julgado coletivo. Pois bem. A Corte Especial do STJ, ao examinar os REsp 1.978.629/RJ, REsp 1.985.037/RJ, REsp 1.985.491/RJ, sob a relatoria do Min. Benedito Gonçalves, decidiu afetar a seguinte questão ao rito dos recursos repetitivos - definir se a liquidação prévia do julgado é requisito indispensável para o ajuizamento de ação objetivando o cumprimento de sentença condenatória genérica proferida em demanda coletiva, de modo que sua ausência acarreta a extinção da ação executiva, ou se o exame quanto ao prosseguimento da ação executiva deve ser feito pelo Magistrado com base no cotejo dos elementos concretos trazidos aos autos - (Tema 1.169). Encontrando-se o tema afetado à sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelo art. 1.040 do CPC/2015. A esse respeito, confiram-se os seguintes precedentes: EDcl no REsp 1.456.224/MS, rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 05/02/2016; AgRg no AgRg no AREsp 552.103/RS, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 28/11/2014; e AgRg no AREsp 153.829/PI, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 23/0 5/2012. Nesse mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: REsp 1.588.019/GO, rel. Ministro Regina Helena Costa, DJe 17/03/2016; REsp 1.533.443/RS, rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 17/03/2016. Após realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso deverá ser encaminhado para esta Corte, para serem analisadas as questões jurídicas neles suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Essa medida visa evitar, também, o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou da unicidade recursal. Ante o exposto, DETERMINO a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que sejam aplicadas as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015, conforme o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA