AREsp 2676642 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ (notadamente Súmula 568), não havendo novos argumentos capazes de desconstituir o entendimento de que beneficiários da sentença coletiva podem promover o cumprimento individual no juízo de...
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- Parties
- Agravante / Recorrente: BANCO DO BRASIL S/A; Autor E Substituto Processual / Recorrido: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (relacionado a Ação Civil Pública) / Julgamento Colegiado Decisão Em Sessão Virtual; Ação Civil Pública Em Fase De Cumprimento Individual De Sentença
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno (unanimidade)
- Legal Topics
- Expurgos Inflacionários, Competência Territorial Para Cumprimento Individual De Sentença Coletiva, Liquidação De Sentença, Legitimidade Ativa, Termo Inicial Dos Juros De Mora, Precedentes E Súmulas Do STJ
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Parties
BANCO DO BRASIL S/A
Agravante / Recorrente
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC
Autor E Substituto Processual / Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (relacionado a Ação Civil Pública) / Julgamento Colegiado Decisão Em Sessão Virtual; Ação Civil Pública Em Fase De Cumprimento Individual De Sentença
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula 568/STJ à competência territorial do juízo para cumprimento individual de sentença coletiva
- 2 Necessidade ou não de liquidação prévia do julgado (Tema 1169/STJ)
- 3 Ilegitimidade ativa dos poupadores para execução individual
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ (notadamente Súmula 568), não havendo novos argumentos capazes de desconstituir o entendimento de que beneficiários da sentença coletiva podem promover o cumprimento individual no juízo de seu domicílio ou no Distrito Federal; parte agravante desistiu parcialmente de discutir outros fundamentos, e as teses remanescentes não infirmaram o acórdão recorrido.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno (unanimidade)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter o acórdão recorrido nos termos do voto da relatora
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/02/2025 a 24/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM FASE DE CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO JUÍZO. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568 DO STJ. 1. Ação civil pública, em fase de cumprimento individual de sentença, na qual se discute expurgos inflacionários. 2. O acórdão recorrido que adota a orientação de acordo com a jurisprudência do STJ não merece reforma. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Examina-se agravo interno interposto por BANCO DO BRASIL S/A contra decisão que conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, naquela extensão, negar-lhe provimento. Ação: civil pública ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC em face do BANCO DO BRASIL S/A, julgada procedente para condenar a instituição financeira a pagar as diferenças de percentual dos rendimentos da caderneta de poupança, atualmente na fase de cumprimento individual da sentença coletiva. Decisão interlocutória: rejeitou a impugnação ao cumprimento de sentença. Acórdão: negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo recorrente, nos termos da seguinte ementa: "AGRAVO DE INSTRUMENTO EM AÇÃO DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA COLETIVA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. DECISÃO QUE REJEITOU OS ARGUMENTOS DA PARTE DEMANDADA E HOMOLOGOU OS VALORES APRESENTADOS PELO AUTOR. NÃO CONHECIMENTO DAS TESES DE NECESSIDADE DE LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA E DE INAPLICABILIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. PRELIMINAR DE FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA REJEITADA. PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL. REJEITADA. MITIGAÇÃO DA REGRA QUE ESTABELECE A COMPETÊNCIA FUNCIONAL ENTRE JUÍZO DA CONDENAÇÃO E EXECUÇÃO, COM VISTAS À FACILITAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS, REPRESENTADOS PELO SUBSTITUTO PROCESSUAL (ART. 6º, INCISOS VII E VIII, DO CDC), O QUAL POSSUI SEDE NESTA COMARCA. PRECEDENTES DO STJ E DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PREVENÇÃO AFASTADA. DESNECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO EM VIRTUDE DO RESP Nº 1.438.263 SP, HAJA VISTA QUE JÁ HOUVE A DEVIDA CONCLUSÃO DE SUA ANÁLISE PELA CORTE DA CIDADANIA. DESNECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO FEITO EM RAZÃO DO RE 632.212/SP (TEMA 285 STF), ALÉM DE NÃO HAVER EXPRESSA DETERMINAÇÃO DE SOBRESTAMENTO DAS AÇÕES, O CASO CONCRETO NÃO SE REFERE AO PLANO PLANO COLLOR II. DA ILEGITIMIDADE ATIVA E LIMITAÇÃO SUBJETIVA DA SENTENÇA COLETIVA AOS ASSOCIADOS DO IDEC. QUESTÃO PACIFICADA NO JULGAMENTO DO RESP 1.438.263 SP, SOB A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, VISTO QUE RESTOU CONSOLIDADA A TESE DE QUE "EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA POR ASSOCIAÇÃO, N A CONDIÇÃO DE SUBSTITUTA PROCESSUAL DE CONSUMIDORES, POSSUEM LEGITIMIDADE PARA A LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO DA SENTENÇA TODOS OS BENEFICIADOS PELA PROCEDÊNCIA DO PEDIDO, INDEPENDENTEMENTE DE SEREM FILIADOS À ASSOCIAÇÃO PROMOVENTE". AUSÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL POR MEIO DE AÇÃO CAUTELAR DE PROTESTO AJUIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE DO PARQUET. PRECEDENTES DO STJ E DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO. JUROS DE MORA QUE INCIDEM A PARTIR DA CITAÇÃO DO DEVEDOR NA FASE DE CONHECIMENTO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA, QUANDO ESTA SE FUNDAR EM RESPONSABILIDADE CONTRATUAL, SEM QUE HAJA CONFIGURAÇÃO DA MORA EM MOMENTO ANTERIOR. TEMA 685 DO STJ. A ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO DÉBITO JUDICIAL REFERENTE A EXPURGOS INFLACIONÁRIOS PELOS ÍNDICES APLICÁVEIS À POUPANÇA QUE DEVE INCLUIR AS DIFERENÇAS DOS PLANOS SUBSEQUENTES A TÍTULO DE CORREÇÃO, CONFORME O RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.314.478-RS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. POR SE TRATAR DE NOVA E DISTINTA RELAÇÃO PROCESSUAL, DEDUZIDA ENTRE OS BENEFICIÁRIOS DO TÍTULO EXECUTIVO E A DEVEDORA CONDENADA EM AÇÃO COLETIVA DE CONSUMO, NÃO HÁ FALAR EM MERO PROSSEGUIMENTO DA FASE DE CONHECIMENTO, RAZÃO PELA QUAL NÃO PROSPERA A TESE DO RECORRENTE DE AFASTAMENTO DOS HONORÁRIOS NO CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E NÃO PROVIDO. UNANIMIDADE." (fls. 967/968, e-STJ). Recurso especial: alega violação dos arts. 313 do CC; 64, § 1º, do CPC; 98, § 2º, I, do CDC. Sustenta, em síntese: i) a suspensão do feito ante o entendimento do Tema 1169/STJ sobre a necessidade de liquidação prévia do julgado; ii) a redistribuição do processo por ausência de conexão e/ou prevenção processual; iii) a incompetência territorial do juízo tendo em vista a questão do foro competente para a proposição de cumprimento individual da sentença obtida em ação civil pública; iv) a ilegitimidade ativa dos poupadores; e v) o termo inicial dos juros de mora apenas a partir da citação na fase executiva. Decisão unipessoal: conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, naquela extensão, negar-lhe provimento, com base nos seguintes fundamentos: i) incidência da Súmula 284/STF quanto ao art. 313 do CC; ii) aplicação da Súmula 283/STF relativamente à falta de interesse de agir no tocante à necessidade de liquidação de sentença; iii) incidência da Súmula 7/STJ no tocante relativamente à tese atinente à ausência de conexão e/ou prevenção processual, a ensejar a violação do princípio do juiz natural; e iv) aplicação da Súmula 568/STJ quanto à competência territorial do juízo, à legitimidade ativa dos poupadores; e ao termo inicial dos juros de mora. Agravo interno: a parte agravante alega, em síntese, a inaplicabilidade da Súmula 568/STJ, tão somente, no tocante à competência territorial do juízo, e desiste parcialmente de recorrer sobre as demais razões recursais elencadas em seu recurso especial. Requer, assim, o provimento do agravo para que seja determinado o processamento do recurso especial e apreciado o mérito. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM FASE DE CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO JUÍZO. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568 DO STJ. 1. Ação civil pública, em fase de cumprimento individual de sentença, na qual se discute expurgos inflacionários. 2. O acórdão recorrido que adota a orientação de acordo com a jurisprudência do STJ não merece reforma. 3. Agravo interno não provido. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Inicialmente cumpre esclarecer que o fundamento da decisão agravada atinente à incidência da Súmula 284/STF quanto ao art. 313 do CC; à aplicação da Súmula 283/STF relativamente à falta de interesse de agir no tocante à necessidade de liquidação de sentença; à incidência da Súmula 7/STJ no tocante relativamente à tese atinente à ausência de conexão e/ou prevenção processual, a ensejar a violação do princípio do juiz natural; e à aplicação da Súmula 568/STJ quanto à legitimidade ativa dos poupadores e ao termo inicial dos juros de mora, não serão julgados, ante a desistência parcial expressa da parte agravante sobre os temas. A despeito das alegações aduzidas neste recurso quanto à inaplicabilidade da Súmula 568/STJ no tocante à competência territorial do juízo, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. - Da Súmula 568 do STJ Confirma-se o assentado no sentido de que o Superior Tribunal de Justiça detém o posicionamento consolidado de que: i) a sentença proferida pelo Juízo da 12ª Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília/DF, na ação civil coletiva nº 1998.01.1.016798-9, que condenou o Banco do Brasil ao pagamento de diferenças decorrentes de expurgos inflacionários sobre cadernetas de poupança ocorridos em janeiro de 1989 (Plano Verão), é aplicável, por força da coisa julgada, indistintamente a todos os detentores de caderneta de poupança do Banco do Brasil, independentemente de sua residência ou domicílio no Distrito Federal, reconhecendo-se ao beneficiário o direito de ajuizar o cumprimento individual da sentença coletiva no Juízo de seu domicílio ou no Distrito Federal (REsp 1391198/RS, 2º Seção, DJe 02/09/2014). Dessa forma, o TJ/AL foi ao encontro da jurisprudência dessa Corte. Aplica-se, portanto, a Súmula 568 do STJ. Logo, a decisão agravada não merece reforma. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.