AREsp 2847446 - ACORDAO
O agravo regimental não foi conhecido porque não impugnou especificamente e pormenorizadamente os fundamentos da decisão agravada, em ofensa ao princípio da dialeticidade, sendo aplicável a Súmula n. 182 do STJ; mantida a decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial fundada na ausência de indicação dos...
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- Parties
- Agravante: ROGER MICHAEL DE MIRANDA LOBATO; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento Colegiado (turma) Agravo Regimental Não Conhecido
- Outcome
- Agravo regimental não conhecido.
- Legal Topics
- Falta De Impugnação Específica, Princípio Da Dialeticidade, Súmula N. 182, STJ, Súmula N. 284, STF
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Parties
ROGER MICHAEL DE MIRANDA LOBATO
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento Colegiado (turma) Agravo Regimental Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se o agravo regimental atende ao princípio da dialeticidade ao impugnar especificamente os fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque não impugnou especificamente e pormenorizadamente os fundamentos da decisão agravada, em ofensa ao princípio da dialeticidade, sendo aplicável a Súmula n. 182 do STJ; mantida a decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial fundada na ausência de indicação dos dispositivos legais federais violados (Súmula n. 284, STF).
Court Disposition
Agravo regimental não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não conhecer do agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Falta de impugnação específica. Agravo não conhecido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da ausência de indicação precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados, conforme a Súmula n. 284 do STF. 2. O agravante não apresentou argumentos que refutassem os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso especial, sem demonstrar a violação dos dispositivos legais federais. 3. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do agravo regimental. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo regimental atende ao princípio da dialeticidade, ao impugnar especificamente os fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial. III. Razões de decidir 5. O agravo regimental não cumpriu a obrigação de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso especial. 6. A ausência de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada configura ofensa ao princípio da dialeticidade, inviabilizando o conhecimento do agravo regimental. 7. A incidência da Súmula n. 182 do STJ, que dispõe sobre a inviabilidade do agravo que não ataca especificamente os fundamentos da decisão agravada, é aplicável ao caso. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental não conhecido. Tese de julgamento: "O agravo regimental deve impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento, conforme a Súmula n. 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 21-E, V; Súmula n. 182, STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1.777.324/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, j. 02.02.2021; STJ, AgRg no AREsp 2.087.876/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 16.09.2022.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ROGER MICHAEL DE MIRANDA LOBATO contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo em recurso especial pela falta de indicação, no recurso especial, de dispositivo legal violado (fls. 344-345). O agravante não refuta os argumentos apresentados na decisão agravada, apenas retoma o mérito do recurso especial (fls. 350-358) O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do agravo regimental (fls. 371-373). É o relatório. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Falta de impugnação específica. Agravo não conhecido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da ausência de indicação precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados, conforme a Súmula n. 284 do STF. 2. O agravante não apresentou argumentos que refutassem os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso especial, sem demonstrar a violação dos dispositivos legais federais. 3. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do agravo regimental. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo regimental atende ao princípio da dialeticidade, ao impugnar especificamente os fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial. III. Razões de decidir 5. O agravo regimental não cumpriu a obrigação de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso especial. 6. A ausência de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada configura ofensa ao princípio da dialeticidade, inviabilizando o conhecimento do agravo regimental. 7. A incidência da Súmula n. 182 do STJ, que dispõe sobre a inviabilidade do agravo que não ataca especificamente os fundamentos da decisão agravada, é aplicável ao caso. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental não conhecido. Tese de julgamento: "O agravo regimental deve impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento, conforme a Súmula n. 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 21-E, V; Súmula n. 182, STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1.777.324/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, j. 02.02.2021; STJ, AgRg no AREsp 2.087.876/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 16.09.2022. VOTO Em decisão monocrática, verificou-se que o agravo em recurso especial deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados, incidindo a Súmula n. 284, STF. Por essa razão, foi aplicada a regra contida no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, ocasionando o não conhecimento do agravo em recurso especial. Caberia, assim, ao agravo regimental, em respeito ao princípio da dialeticidade, apontar o equívoco da decisão agravada, demonstrando que o recurso especial apontou os dispositivos federais violados. O agravo regimental, contudo, não se desincumbiu dessa obrigação, limitando-se a reproduzir as razões do recurso especial. Assim, não houve a demonstraçã o clara de que o recurso especial tenha apontado os dispositivos legais objeto de negativa de vigência pelo acórdão do Tribunal de origem. Vislumbro, portanto, manifesta ofensa ao princípio da dialeticidade, por ausência de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, o que inviabiliza o conhecimento deste regimental e enseja a incidência da Súmula n. 182, STJ, a qual dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Nesse sentido são os precedentes desta Corte: AgRg no AREsp n. 1.777.324/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021 e AgRg no AREsp n. 2.087.876/MG, Quinta Turma, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, DJe de 16/9/2022. Assim, haja vista que a parte não apresentou argumentos aptos a alterar a compreensão anteriormente firmada, a manutenção da decisão agravada é medida que se impõe. Ante o exposto, não conheço do agravo regimental. É como voto.