AREsp 2972254 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram especificamente o fundamento de inadmissibilidade do recurso especial (aplicação da Súmula 83), não indicando jurisprudência contemporânea ou superveniente apta a afastar a súmula, de modo que incide a Súmula 182/STJ e mantém-se a...
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- Parties
- Agravante: MARCELO TEIXEIRA BOAVISTA; Agravante: MAURICIO TEIXEIRA BOAVISTA; Agravante: MAURO TEIXEIRA BOAVISTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Decisão Colegiada (turma)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Falta De Impugnação Específica, Recurso Especial Inadmitido, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Procuração E Substabelecimento, Súmula 115/stj
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Parties
MARCELO TEIXEIRA BOAVISTA
Agravante
MAURICIO TEIXEIRA BOAVISTA
Agravante
MAURO TEIXEIRA BOAVISTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Decisão Colegiada (turma)
Legal Issues
- 1 Se a defesa cumpriu o requisito de impugnação específica para afastar a incidência da Súmula 83 do STJ
- 2 Se o agravo regimental deveria ser conhecido diante da alegação de ausência de poderes do procurador
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram especificamente o fundamento de inadmissibilidade do recurso especial (aplicação da Súmula 83), não indicando jurisprudência contemporânea ou superveniente apta a afastar a súmula, de modo que incide a Súmula 182/STJ e mantém-se a inadmissibilidade.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Recurso especial inadmitido. Falta de impugnação específica. Agravo regimental IMprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com base na Súmula 182 do STJ, por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. 2. A decisão de inadmissibilidade do recurso especial foi fundamentada na incidência da Súmula 83 do STJ, sendo que a defesa não rebateu adequadamente o referido fundamento. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a defesa cumpriu o requisito de impugnação específica ao não rebater adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, que aplicou a Súmula 83 do STJ. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência do STJ exige que, para afastar a aplicação da Súmula 83, a defesa indique precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida, o que não foi feito no caso em análise. IV. Dispositivo e tese 5. Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: "1. A falta de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada impede o conhecimento do agravo em recurso especial." Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.042; Decreto 11.302/2022, arts. 5º e 11. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/10/2016; STJ, EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por MARCELO TEIXEIRA BOAVISTA, MAURICIO TEIXEIRA BOAVISTA e MAURO TEIXEIRA BOAVISTA contra decisão monocrática da Presidência desta Corte, pelo óbice da Súmula 182/STJ, não conheceu do agravo em recurso especial interposto pelos agravantes (e-STJ, fls. 579 - 580). Em suas razões, os agravantes afirmam existir vício na representação do ofendido por advogado sem poderes, evidenciado por inconsistências entre números de procedimentos e pelo substabelecimento que não autorizaria a representação específica juntada. Por analogia à Súmula 115/STJ, defendem que a falta de poderes não é mera irregularidade e, ausente representação válida no prazo, impõe-se reconhecer a decadência do direito de representar e, por consequência, a extinção da punibilidade. Pedem , ao final, a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do recurso a julgamento colegiado, a fim de que seja provido. É o relatório. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Recurso especial inadmitido. Falta de impugnação específica. Agravo regimental IMprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com base na Súmula 182 do STJ, por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. 2. A decisão de inadmissibilidade do recurso especial foi fundamentada na incidência da Súmula 83 do STJ, sendo que a defesa não rebateu adequadamente o referido fundamento. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a defesa cumpriu o requisito de impugnação específica ao não rebater adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, que aplicou a Súmula 83 do STJ. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência do STJ exige que, para afastar a aplicação da Súmula 83, a defesa indique precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida, o que não foi feito no caso em análise. IV. Dispositivo e tese 5. Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: "1. A falta de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada impede o conhecimento do agravo em recurso especial." Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.042; Decreto 11.302/2022, arts. 5º e 11. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/10/2016; STJ, EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018. VOTO As alegações dos agravantes não são suficientes para alterar a decisão agravada. Conforme destacado na decisão monocrática, a Corte de origem inadmitiu o recurso especial considerando a consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ; no agravo do art. 1.042 do CPC, todavia, a defesa não rebateu adequadamente o referido fundamento. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, "quando o inconformismo excepcional não é admitido pela instância ordinária, com fundamento no enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida" (AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 28/10/2016). No caso em análise, a decisão de inadmissibilidade fundamentou a incidência da Súmula 83/STJ ao afirmar que é entendimento consolidado do STJ que a representação nos crimes de ação penal pública condicionada prescinde de maiores formalidades, bastando a inequívoca manifestação de interesse da vítima na persecução penal. No entanto, a ementa colacionada no agravo em recurso especial trata de questão diversa, referente à ausência de procuração ou cadeia completa de substabelecimento de poderes ao subscritor do recurso e consequente aplicação da Súmula 115/STJ. Portanto, a ausência de indicação de jurisprudência adequada e aplicável ao caso concreto demonstra que o recorrente não cumpriu o requisito de impugnação específica, o que justifica a manutenção da decisão que inadmitiu o recurso especial com base na Súmula 83 do STJ. Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental . É o voto.