AREsp 2866252 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma concreta e específica todos os fundamentos da decisão agravada, limitando‑se a mencioná‑los, o que atrai a incidência da Súmula 182 do STJ em conjunto com os arts. 932, III, e 1.021 do CPC.
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Fornecimento De Medicamento Não Incorporado, Impugnação Concreta, Princípio Da Dialeticidade Recursal, Súmula 182 Do STJ, Agravo Interno
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, CPC)
- 2 Obrigatoriedade de impugnação concreta dos fundamentos da decisão agravada (art. 1.021, §1º, CPC e Súmula 182 do STJ)
- 3 Conhecimento de agravo em recurso especial face à ausência de impugnação específica dos fundamentos do Tribunal de origem
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma concreta e específica todos os fundamentos da decisão agravada, limitando‑se a mencioná‑los, o que atrai a incidência da Súmula 182 do STJ em conjunto com os arts. 932, III, e 1.021 do CPC.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/08/2025 a 13/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE MENDICAMENTO NÃO INCORPORADO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO CONCRETA. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. O art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, positivou o princípio da dialeticidade recursal. Assim cabe ao recorrente o ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada, impugnando concretamente todos os fundamentos nela lançados para obstar sua pretensão. 2. No caso, foi apenas mencionada a fundamentação pela qual não se conheceu do agravo em recurso especial nesta Corte Superior, qual seja, a falta de impugnação a todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o apelo nobre, mas não foi desenvolvida argumentação concreta no intuito de afastá-la. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça, por meio da qual não foi conhecido o respectivo agravo em recurso especial (fls. 491-492). Consta dos autos que o Juízo de primeiro grau denegou a segurança pleiteada pelo ora Agravado (fls. 368-383). O Tribunal de origem deu provimento à apelação, a fim de (fls. 418-429): a) reconhecer o direito líquido e certo da parte impetrante ao recebimento do medicamento indicado na petição inicial, não incorporado nos atos normativos do Sistema Único de Saúde SUS; b) facultar a disponibilização de medicamento genérico, desde que contenha o mesmo princípio ativo e idêntica eficácia terapêutica, salvo expressa e motivada ressalva manifestada pelo Médico do paciente; c) determinar a apresentação da correspondente prescrição médica, atualizada semestralmente; d) custas e despesas processuais, na forma da legislação pertinente; e) honorários advocatícios, decorrentes da sucumbência, incabíveis, na espécie, tendo em vista o disposto no artigo 25 da Lei Federal nº 12.016/09. A propósito, a ementa do referido julgado (fls. 419-420): RECURSO DE APELAÇÃO MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO PRETENSÃO AO FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO NÃO INCORPORADO NOS ATOS NORMATIVOS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE SUS DOENÇA GRAVE HIPOSSUFICIÊNCIA POSSIBILIDADE. 1. Inicialmente: a) impossibilidade, por ora, de inclusão da União Federal, no polo passivo da lide, tendo em vista a r. decisão proferida pelo Relator, o I. Min. Gilmar Mendes, nos autos do RE nº 1.366.243 (Tema nº 1.234, do C. STF), em sede de Repercussão Geral; b) aplicabilidade, ao caso concreto, da tese jurídica firmada perante o C. STJ, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.657.156-RJ (Tema nº 106), nos termos da modulação dos respectivos efeitos. 2. No mérito da lide, apresentação de laudo Médico fundamentado e circunstanciado, indicando a necessidade do medicamento postulado pela parte impetrante e a ineficácia dos fármacos fornecidos pelo SUS. 3. Incapacidade econômica, igualmente, demonstrada. 4. Dever do Estado, nos termos dos artigos 1º, II, 23, II, 30, VII e 196 da CF. 5. Solidariedade dos Entes Políticos da Federação, conforme o disposto nas Súmulas n os 37 e 29, da jurisprudência dominante e reiterada desta E. Corte de Justiça. 6. As questões de natureza meramente administrativas e burocráticas, relacionadas às regras de repartição de competências e atribuições, no tocante à prestação de assistência à saúde, não podem prejudicar os cidadãos necessitados do provimento jurisdicional. 7. Inocorrência de ingerência do Poder Judiciário na atividade administrativa do Estado, cuja atuação decorre de livre provocação da parte interessada, objetivando o reconhecimento e o pleno exercício dos respectivos direitos e garantias constitucionais. 8. Inexistência de ofensa a princípios orçamentários, na gestão de recursos públicos. 9. Facultar-se-á à parte impetrada a eventual postulação tendente ao ressarcimento dos respectivos valores, mediante a utilização das vias próprias, conforme o Tema nº 793, do C. STF. 10. A exigência de esgotamento das vias administrativas, para o fornecimento de medicamentos e insumos, ofende o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (inciso XXXV, do artigo 5º da CF), de modo que a comprovação de eventual negativa do Poder Público é totalmente desnecessária. 11. Precedentes da jurisprudência deste E. Tribunal de Justiça. 12. Irregularidade, ilegalidade e nulidade manifesta no ato administrativo ora impugnado, demonstradas. 13. Ofensa a direito líquido e certo, passível de reconhecimento e correção, caracterizada. 14. Ordem impetrada em mandado de segurança, denegada, em Primeiro Grau de Jurisdição. 15. Sentença, recorrida, reformada, invertido o resultado inicial da lide, para o seguinte: a) conceder a ordem impetrada; b) reconhecer o direito líquido e certo da parte impetrante ao recebimento do medicamento indicado na petição inicial, não incorporado nos atos normativos do Sistema Único de Saúde SUS; c) facultar a disponibilização de medicamento genérico, desde que contenha o mesmo princípio ativo e idêntica ef icácia terapêutica, salvo expressa e motivada ressalva manifestada pelo Médico do paciente; d) determinar a apresentação da correspondente prescrição médica, atualizada semestralmente; e) custas e despesas processuais, na forma da legislação pertinente; f) honorários advocatícios, decorrentes da sucumbência, incabíveis, na espécie, tendo em vista o disposto no artigo 25 da Lei Federal nº 12.016/09. 16. Recurso de apelação, apresentado pela parte impetrante, provido. Sustentou a parte agravante, nas razões do apelo nobre, a existência de dissídio pretoriano a corroborar a tese de que o acórdão recorrido contém equivocada interpretação do art. 19-O e seguintes da Lei n. 8.080/90 e do Tema Repetitivo n. 106 do STJ. Alegou que, na hipótese, " .. o SUS disponibiliza medicamentos similares ou substitutos de mesma eficácia daquele(s) pretendido(s) pelo Componente Básico da Assistência Farmacêutica, que poderá ser acessado por meio das Unidades Básicas de Saúde, em consulta com profissional médico" (fl. 439). Aduziu que o Sistema Único de Saúde disponibiliza medicamentos intercambiáveis e terapias para tratamento da moléstia que acomete o ora Agravado. Esclareceu que o relatório médico acostado aos autos não contém informação no sentido de que todos os remédios oferecidos pelo SUS não têm eficácia para o tratamento do Agravado. Asseverou que (fl. 441): .. a parte recorrida não trouxe aos autos documento que comprove a ineficácia de todos os tratamentos disponibilizados na Rede Pública de Saúde, para o tratamento da doença que a acomete, limitando-se a juntar relatório médico assinado por médico particular, bem como não fez prova sobre a sua incapacidade financeira e/ou de sua família para arcar com o custo do medicamento pleiteado, o que seria indispensável para obrigar que o Poder Público o forneça. Ponderou que não foi demonstrada a incapacidade financeira do Agravado para arcar com as despesas relativas à aquisição do medicamento pleiteado. Ademais, seria preciso considerar, na espécie, a possibilidade de que tal dispêndio possa ser suportado por pessoas da família daquele, em atenção ao princípio da solidariedade familiar e do dever de assistência entre parentes. Requereu a concessão de efeito suspensivo ao recurso especial, pois estariam presentes o fumus boni iuris porque a Administração não pode ser ver " .. compelida a fornecer medicamento sem característica de imprescritibilidade para quem não comprovou a alegada hipossuficiência econômica para sua aquisição .. " (fl. 443); bem como o periculum in mora, pois, (fl. 443): Em se confrontando a orientação da decisão recorrida com o paradigma, fica evidente a possibilidade de geração de prejuízo ao sistema público de saúde, que deverá fornecer o medicamento, independentemente de comprovação da incapacidade financeira da parte interessada de arcar com o custo do insumo prescrito, sua imprescindibilidade ou e ineficácia, para o tratamento da moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS .. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 447-456). O recurso especial não foi admitido (fls. 462-463). Foi interposto agravo (fls. 467-475). A Presidência do Superior Tribunal de Justiça, por meio da decisão de fls. 491-492, não conheceu do agravo em recurso especial Nas razões do presente agravo interno (fls. 495-500), a parte agravante afirma que, ao contrário do consignado na decisão agravada, nas razões do agravo em recurso especial, foram impugnados todos os fundamentos do provimento judicial que não admitiu o apelo nobre na origem. Ademais, reitera as teses de mérito veiculadas no recurso especial. Foi apresentada resposta ao agravo interno (fls. 504-509). O Ministério Público Federal apresentou parecer, opinando pelo não conhecimento do agravo interno. É o relatório. EMENTA PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE MENDICAMENTO NÃO INCORPORADO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO CONCRETA. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. O art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, positivou o princípio da dialeticidade recursal. Assim cabe ao recorrente o ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada, impugnando concretamente todos os fundamentos nela lançados para obstar sua pretensão. 2. No caso, foi apenas mencionada a fundamentação pela qual não se conheceu do agravo em recurso especial nesta Corte Superior, qual seja, a falta de impugnação a todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o apelo nobre, mas não foi desenvolvida argumentação concreta no intuito de afastá-la. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO O art. 932, inciso III, c. c. o art. 1.021, ambos do Código de Processo Civil, positivou o princípio da dialeticidade recursal. Assim, cabe ao recorrente o ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada, impugnando concretamente todos os fundamentos nela lançados para obstar sua pretensão. Na espécie, o agravo em recurso especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica do fundamento relativo à deficiência de cotejo analítico necessário à comprovação do alegado dissenso pretoriano, o que atraiu a incidência da Súmula n. 182 do STJ (fls. 491-492). Nas razões do presente agravo interno, a parte agravante, além de reiterar as questões expendidas no apelo nobre, apenas menciona a fundamentação pela qual não se conheceu do agravo em recurso especial nesta Corte Superior, qual seja, a falta de impugnação a todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o apelo nobre, mas não desenvolve argumentação concreta no intuito de afastá-la. Dessa forma, é inarredável aplicar, também para o presente recurso, o Verbete Sumular n. 182 do STJ, litteris: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: .. 3. In casu, a parte agravante limita-se basicamente a requerer a suspensão do feito, sem contrapor especificamente os fundamentos que dão supedâneo ao decisum hostilizado. 4. A iterativa jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que não se conhece de Agravo Interno que não ataca especificamente os fundamentos da decisão recorrida, de forma a demonstrar que o entendimento nela esposado merece modificação. Assim, não bastam alegações genéricas em sentido contrário às afirmações da decisão agravada. .. 8. Agravo Interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.395.752/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023.) .. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. O regular recolhimento do preparo do recurso especial é ato incompatível com o pedido de gratuidade de justiça. Precedentes. 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.318.133/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023; sem grifos no original.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É o voto.