AREsp 2633608 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou de forma fundamentada os fatos e provas (concluindo pela ausência de prova de que o imóvel permanecia como bem de família em 2011, diante de acordo homologado que o entregou a terceiro), sendo inviável o reexame fático-probatório pelo STJ...
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- Parties
- Embargante: ANTÔNIO ESCORZA ANTONANZAS; Exequente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Terceiro / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Fraude À Dívida Ativa, Bem De Família, Impenhorabilidade, Prequestionamento, Reexame De Provas (súmula 7), Honorários Advocatícios
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Parties
ANTÔNIO ESCORZA ANTONANZAS
Embargante
FAZENDA NACIONAL
Exequente
Procedural Posture
Embargos De Terceiro / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Impenhorabilidade de bem de família
- 2 Caracterização de fraude à execução em sede de Dívida Ativa
- 3 Prequestionamento e admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou de forma fundamentada os fatos e provas (concluindo pela ausência de prova de que o imóvel permanecia como bem de família em 2011, diante de acordo homologado que o entregou a terceiro), sendo inviável o reexame fático-probatório pelo STJ (Súmula 7). Ademais, parte das alegações não demonstrou prequestionamento e não houve comprovação de dissídio jurisprudencial apto a autorizar o conhecimento pela via da divergência.
Court Disposition
Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
Orders
- Determino a majoração dos honorários advocatícios em 1% sobre o valor já fixado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de embargos de terceiro opostos por ANTÔNIO ESCORZA ANTONANZAS contra penhora promovida pela FAZENDA NACIONAL, sobre imóvel de matrícula 20.953 - Joinville/SC. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 470.000,00 (Quatrocentos e setenta mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. FRAUDE À DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO ABSOLUTA. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. "Impenhorabilidade do bem. Alega o apelante que não ocorreu fraude à execução pois o imóvel em questão é impenhorável, por ser bem de família, de modo que a decretação da fraude não teria resultado prático. Contudo, não prospera a alegação. A única prova apresentada é uma certidão de oficial de justiça datada de 1999, que certifica que se trata do local de residência do executado e de sua família. Todavia, o acordo invocado pelo embargante, no qual teria recebido o imóvel de matrícula n. 20.953 como compensação pelos alugueres não pagos, foi homologado, em 16/11/2011, por decisão proferida pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Evento 13, OUT3 da origem). Assim, não há prova de que o imóvel permanecia na mesma situação em 2011, sendo que não é crível que fosse bem de família à época, pois foi entregue a terceiro mediante acordo judicial, sendo improvável que ainda permanecesse como residencial. Efetivamente, só é bem de família aquele que cumpre tal finalidade. No momento em que lhe é dada outra destinação, descaracteriza-se. Não há razão para reforma do decisório singular quanto ao ponto." .. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (art. 3º, VII, da Lei n. 8.009/1.990, art. 486 do CPC/1.973 ) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA