AREsp 2491314 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente à luz do Tema n. 339 do STF (art. 93, IX, CF), e as partes agravantes não refutaram de modo direto e eficaz os fundamentos que justificaram a inadmissão do recurso especial (conforme apontado com base na Súmula n....
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Extraordinário / Julgamento Virtual (sessão De 07/08/2024 a 13/08/2024) Com Decisão Por Unanimidade De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental a que se nega provimento
- Legal Topics
- Fundamentação Das Decisões, Repercussão Geral (tema N. 339 Do Stf), Admissibilidade De Recurso Especial, Afetação E Recursos Repetitivos
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Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Extraordinário / Julgamento Virtual (sessão De 07/08/2024 a 13/08/2024) Com Decisão Por Unanimidade De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Exigência de fundamentação do art. 93, IX, da Constituição Federal
- 2 Preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial (Súmula n. 83 do STJ)
- 3 Pedido de afetação dos autos nos termos do art. 1.036 do CPC
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente à luz do Tema n. 339 do STF (art. 93, IX, CF), e as partes agravantes não refutaram de modo direto e eficaz os fundamentos que justificaram a inadmissão do recurso especial (conforme apontado com base na Súmula n. 83 do STJ); ademais, o pedido de afetação restou superado em razão da interposição do recurso extraordinário e da consequente competência do STF.
Court Disposition
Agravo regimental a que se nega provimento
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Confirmar a manutenção da negativa de seguimento ao recurso extraordinário nos termos do acórdão recorrido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 07/08/2024 a 13/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Herman Benjamin, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. As partes agravantes alegam que o julgado desta Corte Superior careceria de fundamentação idônea, porquanto não teriam sido analisadas as teses defensivas referentes ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade e o julgamento do mérito do recurso especial pelo Tribunal de origem. Requerem o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e os autos sejam remetidos ao Supremo Tribunal Federal. Às fls. 7.623-7.629, as partes ora agravantes sustentam a ocorrência de fato superveniente à decisão agravada consistente na prolação de decisões no âmbito desta Corte, em situações análogas, assentando a comunicabilidade da sentença proferida em outra esfera do Poder Judiciário repercutir na esfera penal. Nesse contexto, afirmam que o REsp n. 2.152.275/RJ versaria sobre a mesma controvérsia dos presentes autos, motivo pelo qual pugnam pela afetação dos autos, nos termos do art. 1.036, §§ 1º e 5º, do CPC, em conjunto com o citado recurso especial, para julgamento sob o regime dos recursos repetitivos. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. TEMA N. 339 DO STF. 1. "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (Tema n. 339 do STF, QO no Ag n. 791.292/PE). 2. Existente a fundamentação, entende o Supremo Tribunal Federal que foi respeitado o art. 93, IX, da CF, mesmo que a parte não a repute adequada ou completa, conforme a conclusão firmada no Tema n. 339 do STF. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, o STF, ao apreciar o Tema n. 339 da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: "O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas." O respectivo acórdão recebeu a ementa que segue transcrita: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI n. 791.292-QO-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 23/6/2010, DJe de 13/8/2010.) Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso, foram declinados, de forma satisfatória, os motivos da compreensão adotada no julgado impugnado. No acórdão recorrido, apresentaram-se as razões pelas quais não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso dirigido ao STJ, portanto, não cabe examinar as questões relacionadas ao mérito recursal, consoante se observa na seguinte transcrição (fl. 7.535): Nas razões do agravo, às fls. 7.326-7.341, o insurgente deixou de refutar, de forma direta, objetiva e eficaz, os seguintes fundamentos indicados pela Corte antecedente para inadmitir o recurso especial: Súmula n. 83 do STJ, em relação à alegada violação do art. 171, parágrafo 3º, do CP, à inversão do interrogatório, à sessão de julgamento e à dosimetria da pena. A defesa apenas reiterou, de maneira genérica, as teses sustentadas no recurso especial, sem, no entanto, enfrentar os óbices indicados na decisão agravada. Dessa forma, a impugnação é insuficie nte, pois é ônus do agravante combater, de forma efetiva e eficaz, todos os argumentos do édito que inadmitiu o recurso especial, em obediência ao princípio da dialeticidade que norteia os recursos, sob pena de não conhecimento do agravo. Com efeito, demonstrada a realização da prestação jurisdicional constitucionalmente adequada, ainda qua ndo não se concorde com a solução dada à causa, afigura-se inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, pois o provimento recorrido se encontra em sintonia com a tese fixada no Tema n. 339 do STF. Por fim, com relação ao pedido de afetação do processo no rito dos recursos representativos da controvérsia (fls. 7.623-7.629), vale esclarecer que, com a interposição do recurso extraordinário, foi exaurida a competência desta Corte Superior e iniciada a competência do Supremo Tribunal Federal, razão pela qual fica superado o debate sobre temas do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.