RMS 76830 - DECISAO
O recurso ordinário não foi conhecido porque foi interposto para impugnar decisão que julgou improcedente ação rescisória, modalidade inadequada de recurso; diante do erro grosseiro na escolha do recurso, não se aplica a fungibilidade recursal, estando a matéria preclusa, motivo pelo qual o Superior Tribunal de...
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- Parties
- Recorrente: PAULO SERGIO DE MIRANDA; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- recurso não conhecido
- Legal Topics
- Fungibilidade Recursal, Erro Grosseiro, Preclusão, Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
PAULO SERGIO DE MIRANDA
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Cabimento do recurso ordinário para impugnar decisão que julgou improcedente ação rescisória
- 2 Aplicação do princípio da fungibilidade recursal diante de erro grosseiro na escolha do recurso
- 3 Preclusão pela remessa anterior dos autos
Ratio Decidendi
O recurso ordinário não foi conhecido porque foi interposto para impugnar decisão que julgou improcedente ação rescisória, modalidade inadequada de recurso; diante do erro grosseiro na escolha do recurso, não se aplica a fungibilidade recursal, estando a matéria preclusa, motivo pelo qual o Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso e declarou prejudicado o pedido de tutela de urgência.
Court Disposition
recurso não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso ordinário.
- Prejudicado o pedido de tutela de urgência apresentado às fls. 500/538.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em mandado de segurança interposto por PAULO SERGIO DE MIRANDA, com fundamento no art. 105, inciso II, alínea b, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 393): Ação rescisória - Invocação do inciso V do art. 966 do CPC/2015 - V. acórdão rescindendo que, ao julgar improcedente ação rescisória precedente, consignou descabida a alteração do julgado original com fundamento em controvérsia jurisprudencial - Não evidenciada ofensa literal a disposição de lei ou dissonância com decisões cristalizadas em súmula e tese de repercussão geral - Ação rescisória que não pode ser utilizada como sucedâneo de recurso, não servindo a rediscutir questão devidamente apreciada - Improcedência da ação. É o sucinto relatório. O presente recurso ordinário não merece ser conhecido. Segundo o disposto no art. 105, II, b, da Constituição Federal, o recurso ordinário é cabível para impugnar decisões denegatórias de habeas corpus, mandado de segurança e habeas data, proferidas em única instância pelos Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais. Veja-se: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: .. II - julgar, em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; No presente caso, a parte recorrente visou impugnar decisão que julgou improcedente ação rescisória. Logo, a interposição de recurso ordinário configura erro grosseiro, não sendo possível aplicar o princípio da fungibilidade recursal. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE A RECEBEU COMO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PRECLUSÃO. RECURSO MANIFESTAMENTE INCABÍVEL. FUNGIBILIDADE RECURSAL. INAPLICABILIDADE. ERRO GROSSEIRO. APLICAÇÃO DE MULTA E MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, EM AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão monocrática, integrada por embargos de declaração, publicada em 1º/08/2016, que, por sua vez, julgara recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/73. II. In casu, trata-se de "RECURSO DE APELAÇÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA" - recebido, pelo Vice-Presidente do TRF/4ª Região, como Recurso Ordinário em Mandado de Segurança -, interposto contra acórdão que reconhecera a decadência e julgara improcedente a ação rescisória, ajuizada pelo ora agravante. III. A Presidência do Tribunal de origem recebeu o recurso de apelação, interposto pela parte ora agravante, como recurso ordinário em mandado de segurança, de cuja decisão a parte não recorreu, tendo os autos sido remetidos a esta Corte, restando, pois, preclusa a matéria. IV. A jurisprudência desta Corte "é no sentido de que a interposição de recurso ordinário, ao invés de recurso especial, ou o inverso, constitui-se de erro grosseiro, o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal" (STJ, AgRg no Ag 1.384.526/GO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/06/2011). V. Ademais, "é manifestamente incabível a interposição de apelação contra acórdão que julga improcedente o pedido em ação rescisória. Erro grosseiro que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal" (STJ, AgRg na PET na AR 4.395/PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 02/08/2013). VI. O mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da multa, prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do colegiado. VII. Conforme já decidiu esta Corte, "o pedido de arbitramento/majoração da verba honorária de sucumbência no Agravo Interno, formulado pela embargante, deve ser rejeitado, em razão do entendimento da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira - Enfam - adotado no seminário "O Poder Judiciário e o Novo CPC", no qual se editou o enunciado 16, com o seguinte teor: "Não é possível majorar os honorários na hipótese de interposição de recurso no mesmo grau de jurisdição (art. 85, § 11, do CPC/2015)". Dito de outro modo, como se trata (o Agravo Interno) de recurso que apenas prorroga, no mesmo grau de jurisdição, a discussão travada no Recurso Especial, o caso concreto não comporta a aplicação do art. 85, § 11, do CPC/2015" (STJ, EDcl no AgInt no REsp 1.578.347/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 08/11/2016). VIII. Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no RMS n. 49.999/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe de 26/4/2017.) Ante o exposto, não conheço do recurso ordinário. Prejudicado o pedido de tutela de urgência apresentado às fls. 500/538. Publique-se. Intimem-se. EMENTA