AREsp 2508686 - DECISAO
O Tribunal local constatou que foram realizadas diversas tentativas de intimação pessoal sem sucesso, justificando a intimação por edital nos termos do art. 31, §2º do Decreto-Lei nº 70/1966; foi comprovada notificação pessoal do leiloeiro com assinatura da mutuária; a avaliação do imóvel deve obedecer à cláusula...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrida: Caixa Econômica Federal; Arrematante: Jeanne Dobgenski; Arrematante: Aredis Sebastião de Oliveira; Parte Autora: mutuária
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão De Mérito Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Garantia Hipotecária, Intimação Por Edital, Avaliação Do Bem, Preço Vil, Súmula 7 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Caixa Econômica Federal
Recorrida
Jeanne Dobgenski
Arrematante
Aredis Sebastião de Oliveira
Arrematante
mutuária
Parte Autora
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão De Mérito Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Recepção do Decreto-Lei nº 70/1966 pela Constituição de 1988
- 2 Validade da intimação por edital nos termos do art. 31, §2º do Decreto-Lei nº 70/1966
- 3 Obrigatoriedade de esgotamento das tentativas de intimação pessoal (art. 31, §1º)
Ratio Decidendi
O Tribunal local constatou que foram realizadas diversas tentativas de intimação pessoal sem sucesso, justificando a intimação por edital nos termos do art. 31, §2º do Decreto-Lei nº 70/1966; foi comprovada notificação pessoal do leiloeiro com assinatura da mutuária; a avaliação do imóvel deve obedecer à cláusula contratual prevista no contrato de financiamento; não se demonstrou arrematação por preço vil; a revisão desses fatos demandaria reexame probatório vedado pela Súmula 7 do STJ, pelo que o agravo foi negado provimento.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensas as exigibilidades em caso de concessão de assistência judiciária gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, impugnando acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO. GARANTIA HIPOTECÁRIA. EXECUÇÃO EXTRAJUDICIAL. CONSTITUCIONALIDADE DO DECRETO-LEI 70/1966. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. PREÇO VIL NÃO DEMONSTRADO. - O procedimento de execução extrajudicial, previsto no Decreto-Lei nº 70/1966, foi recepcionado pela ordem constitucional de 1988 (E.STF, Tema 249). - Foram realizadas diversas tentativas de intimar pessoalmente os mutuários, pelo Registro de Títulos e Documentos, sem sucesso. Assim, a intimação foi realizada por edital, conforme previsão expressa do art. 31, §2º, do Decreto-Lei nº 70/1966. - Também restou comprovada a notificação pessoal informando as datas e horários dos leilões extrajudiciais. Referida notificação foi realizada pessoalmente, conforme certidão do leiloeiro oficial, inclusive com assinatura da mutuária. - Não restou demonstrada a arrematação por preço vil, uma vez que houve observância da CEF às cláusulas contratuais e também à legislação vigente. - Apesar de ciente dos ônus contratuais livremente assumidos, o mutuário não purgou a mora, ao mesmo tempo em que não há irregularidade formal ou material no procedimento de execução extrajudicial noticiado nos autos. - Apelação da parte autora não provida. Apelação da CEF provida. Nas razões do recurso especial, as partes agravantes apontam violação dos arts. 31, § 2º, da Lei n. 70/66; 72, II, e 891 do Código de Processo Civil; 32, §§ 1º e 2º, do Decreto- Lei n. 70/66. Alegam que: "De suma importância a justa avaliação como garantia da regular alienação judicial do bem hipotecado, inclusive para a verificação da ocorrência de eventual preço irrisório ou vil" (fl. 873). Afirmam que: "Destarte, todos os atos praticados pela Recorrida, desde então, são nulos de pleno direito, visto que NÃO FOI respeitada A NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO pessoal dos devedores quanto à purgação da mora, tampouco quanto ao dia, hora e local da realização do leilão de imóvel objeto de contrato de financiamento, vinculado ao SFH, em processo de execução extrajudicial sob o regime do Decreto-lei nº 70/66" (fl. 875). Sustentam que: "É pacífico o entendimento da Colenda Corte Superior no sentido de que sejam exauridas todas as possibilidades para que se proceda, de forma eficaz, à intimação pessoal dos devedores (art. 31, § 1º do Decreto-lei 70/1966), manifestando-se pela nulidade da arrematação quando ocorra inobservância dos preceitos legais" (fl. 875). Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Com efeito, o Colegiado local, ao julgar a causa, entendeu que (fl. 851): Houve inadimplemento contratual a partir de 06/2008, razão pela qual a credora hipotecária deu início ao procedimento de execução extrajudicial previsto no Decreto-Lei nº 70/1966. Foram realizadas diversas tentativas de intimar pessoalmente os mutuários, no endereço do imóvel (que é o mesmo endereço informado na petição inicial como sua residência), pelo Registro de Títulos e Documentos. Observa-se que o oficial diligenciou ao referido endereço nos dias 06/01/2009, 08/01/2009 e 13/01/2009, contudo não foi atendido, apesar de haver deixado, em todas as oportunidades, aviso de comparecimento na caixa de correio (id 5833677, p. 116/119). Assim, a intimação foi realizada por edital, publicado no Diário do Interior, nos dias 02/03/2009, 03/03/2009 e 04/03/2009 (id 5833677, p. 120/122). Frise-se que a intimação editalícia é válida, conforme previsão expressa do art. 31, §2º, do Decreto-Lei nº 70/1966. Também restou comprovada a notificação pessoal informando as datas e horários dos leilões extrajudiciais, designados para 30/11/2011 e 21/12/2011. Referida notificação foi realizada pessoalmente em 09/11/2011, conforme certidão do leiloeiro oficial, inclusive com assinatura da mutuária (id 5833677, p. 129/132). Nesse sentido, verifico que o Tribunal estadual concluiu que: "- Foram realizadas diversas tentativas de intimar pessoalmente os mutuários, pelo Registro de Títulos e Documentos, sem sucesso. Assim, a intimação foi realizada por edital, conforme previsão expressa do art. 31, §2º, do Decreto-Lei nº 70/1966. - Também restou comprovada a notificação pessoal informando as datas e horários dos leilões extrajudiciais. Referida notificação foi realizada pessoalmente, conforme certidão do leiloeiro oficial, inclusive com assinatura da mutuária" (fl. 853). Nesse contexto, a revisão desse posicionamento demandaria nova investigação acerca dos fatos e provas contidos no processo, de modo que o recurso especial esbarra na Súmula n. 7 do STJ. No mais, o Tribunal local entendeu que (fl. 852): Foi determinada a realização de perícia judicial, com a finalidade de avaliar o imóvel. O laudo pericial, elaborado por engenheiro civil, informou que o valor de mercado do imóvel para venda, válido para outubro de 2013, é de R$ 239.671,02 (id 5833679, p. 77/143). Em que pese a conclusão pericial, não há previsão legal ou contratual para que seja considerado o valor de mercado do imóvel para fins de avaliação. A Cláusula Décima Quinta do contrato celebrado estabelece que o valor do imóvel hipotecado, para fins do artigo 818 do Código Civil, é o expresso em moeda corrente nacional, assinalado no campo 4 da letra "C" deste contrato (no caso, R$ 74.126,80), sujeito à atualização monetária na forma do Parágrafo Primeiro da Cláusula Nona, reservando-se à CEF o direito de pedir nova avaliação. Portanto, a avaliação do imóvel deve obedecer aos termos contratuais, que estabelecem o valor da garantia e a forma de atualização. Pela documentação acostada aos autos, o imóvel foi arrematado por Jeanne Dobgenski e Aredis Sebastião de Oliveira, no 1º leilão, realizado em 30/11/2011, pelo valor de R$ 100.500,00 (id 3855677, p. 137/140), o que afasta a alegação de preço vil. Assim, não há que se falar em restituição da diferença entre o valor de mercado do imóvel, constante no laudo pericial, e o valor da arrematação, mas tão somente no pagamento de R$ 23.892,20, correspondente à diferença entre o valor da dívida e o valor da arrematação, já reconhecido pela CEF e à disposição da parte autora. Do contrário, seria indevidamente exigido do leilão um excelente modo de venda para o devedor executado, desconsiderando os deságios frequentemente praticados. Constato que o Tribunal estadual deixou registrado que: "Não restou demonstrada a arrematação por preço vil, uma vez que houve observância da CEF às cláusulas contratuais e também à legislação vigente" (fl. 853). Assim, a alteração dessas premissas firmadas pelo Tribunal de origem esbarraria nas vedações de novo reexame do conjunto fático-probatório por esta via do recurso especial, o que é inviável, diante da incidência da Súmula 7 desta Corte, no caso. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensas as exigibilidades em caso de concessão de assistência judiciária gratuita. Intimem-se. EMENTA