AREsp 1852218 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em especial a aplicação da Súmula 518/STJ pelo juízo de admissibilidade, sendo aplicável o art. 932, inciso III, do CPC e, por analogia, o enunciado 182 da Súmula do STJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: EDR COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE POLIMEROS EIRELI e outros; Agravado: Banco agravado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Proferido Pela Quarta Turma
- Outcome
- Negaram provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Gratuidade Judiciária, Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica Aos Fundamentos Da Decisão Agravada, Súmulas Do STJ
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Parties
EDR COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE POLIMEROS EIRELI e outros
Agravante
Banco agravado
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Proferido Pela Quarta Turma
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial deve ser conhecido quando a parte não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 Comprovação da incapacidade financeira para concessão de gratuidade judiciária e sua apreciação na fase de admissibilidade
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em especial a aplicação da Súmula 518/STJ pelo juízo de admissibilidade, sendo aplicável o art. 932, inciso III, do CPC e, por analogia, o enunciado 182 da Súmula do STJ.
Court Disposition
Negaram provimento ao agravo interno
Orders
- Negou-se provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto por EDR COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE POLIMEROS EIRELI e outros contra decisão de fls. 449/450, proferida pela Presidência desta Corte Superior, a qual não conheceu do agravo em recurso especial, uma vez que a parte agravante não combateu especificamente todos os fundamentos da decisão agravada (Súmulas 581 do STJ). Os agravantes sustentam que efetuaram devidamente a impugnação dos fundamentos do juízo prévio de admissibilidade efetuado pelo Tribunal de origem. Afirmam, ademais, a inaplicabilidade dos óbices ao caso, reiterando seus argumentos anteriormente expostos no recurso especial acerca da comprovação de sua incapacidade financeira para arcar com os custos do processo. Alegam que a Súmula 481/STJ não fez parte da fundamentação do recurso, apenas foi citada como reforço de argumentação. Requerem, ao final, a reforma da decisão agravada. Intimado, o Banco agravado pugnou pela manutenção da decisão (fls. 467/470). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. GRATUIDADE JUDICIÁRIA. INDEFERIMENTO. COMPROVAÇÃO DA INCAPACIDADE FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. NÃO PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): Para melhor compreensão da controvérsia, transcrevo os fundamentos da decisão ora agravada (fl. 449): Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: ausência de afronta a dispositivo legal, Súmula 7/STJ e Súmula 518/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: Súmula 518/STJ. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". A parte ora agravante não tem razão, pois não efetuou a impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial no Tribunal de origem. Verifico que o agravo apenas defendeu a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, mas olvidando completamente a aplicação da Súmula 518 do STJ pelo juízo prévio de admissibilidade. Imprescindível, para ser alcançada a reforma ora pretendida, a impugnação específica dos motivos determinantes da decisão questionada, expondo-se de forma articulada e argumentativa as razões que justificariam a prolação de decisão em sentido diverso, o que não foi efetuado. A propósito, a Corte Especial do STJ, em julgamento recente, manteve o entendimento de que o recorrente deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ (Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 746.775/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, julgamento em 19.9.2018 DJe 30.11.2018). Nesse precedente, o Colegiado, por maioria, negou provimento aos embargos de divergência e manteve a decisão da Segunda Turma do STJ, que não conheceu do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ, já que o agravante não atacou todos os pontos da decisão que não admitiu o recurso especial. Conforme o voto vencedor, tanto no CPC de 1973 quanto no de 2015 há regra que remete às disposições mais recentes do Regimento Interno do STJ, no sentido da obrigatoriedade da impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial. Para o Ministro relator, não há possibilidade de impugnação parcial da decisão que deixa de admitir recurso especial, já que tal decisão é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade. A não obediência a essa regra implicaria o exame indevido de questões (já atingidas pela preclusão consumativa, decorrente da inércia da parte agravante em se manifestar no momento oportuno), pois o conhecimento do agravo obriga o STJ a conhecer de todos os fundamentos do recurso especial. O recurso, na realidade, não trouxe nenhum elemento ou argumento novo capaz de alterar a decisão agravada, que ora confirmo. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.