HC 1022495 - DECISAO
Não se conheceu do habeas corpus quanto ao mérito principal por inadequação da via recursal (risco de supressão de instância), mas, visto que o Tribunal de origem deixou de apreciar a matéria suscitada constituindo omissão de prestação jurisdicional, o Superior Tribunal de Justiça concedeu ordem de ofício para...
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- Parties
- Paciente: OSWALDO FONSECA FILHO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Juízo De Execução: Juízo das Execuções Criminais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça: Liminar Indeferida; Ordem Concedida De Ofício Para Anular Acórdão Estadual E Remeter À Corte De Origem Para Apreciação Do Mérito
- Outcome
- Indeferida liminar; concedida ordem de ofício para anular acórdão estadual e determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprecie o mérito do habeas corpus originário.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Adequação Da Via Recursal, Progressão De Regime, Exame Criminológico, Omissão De Prestação Jurisdicional
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Parties
OSWALDO FONSECA FILHO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Juízo das Execuções Criminais
Juízo De Execução
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça: Liminar Indeferida; Ordem Concedida De Ofício Para Anular Acórdão Estadual E Remeter À Corte De Origem Para Apreciação Do Mérito
Legal Issues
- 1 Inadequação do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio (agravo em execução)
- 2 Existência de constrangimento ilegal manifesto autorizador do conhecimento excepcional do writ
- 3 Necessidade ou não de exame criminológico para progressão de regime
Ratio Decidendi
Não se conheceu do habeas corpus quanto ao mérito principal por inadequação da via recursal (risco de supressão de instância), mas, visto que o Tribunal de origem deixou de apreciar a matéria suscitada constituindo omissão de prestação jurisdicional, o Superior Tribunal de Justiça concedeu ordem de ofício para anular o acórdão estadual e determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprecie o mérito do writ, sem que o STJ faça o reexame de mérito da execução.
Court Disposition
Indeferida liminar; concedida ordem de ofício para anular acórdão estadual e determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprecie o mérito do habeas corpus originário.
Orders
- Indeferido o pedido liminar do habeas corpus.
- Concedida, de ofício, a ordem para anular o acórdão estadual e determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprecie a existência de eventual ilegalidade cometida pelo Juízo das Execuções Criminais no HC originário.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de OSWALDO FONSECA FILHO, no qual aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que não conheceu do mandamus prévio, nos termos do acórdão assim ementado: "EMENTA: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. ORDEM NÃO CONHECIDA. I. Caso em Exame: Habeas Corpus impetrado contra decisão que indeferiu pedido de retificação da data-base da progressão de regime, constante do cálculo de pena. Os impetrantes argumentam que o paciente tem direito à mencionada retificação, vez que a progressão ao regime semiaberto foi indevidamente postergada, por inidônea realização de exame criminológico e morosidade estatal. II. Questão em Discussão: A questão em discussão consiste em verificar a existência de constrangimento legal manifesto, a autorizar o manejo de Habeas Corpus como substitutivo de recurso próprio. III. Razões de Decidir: O Habeas Corpus não é a via adequada para questionar decisões do Juízo de Execuções Criminais, sendo o agravo em execução o recurso apropriado. Inexistência de constrangimento legal manifesto a autorizar o conhecimento excepcional da impetração. IV. Dispositivo e Tese: Ordem não conhecida. Tese de julgamento: O Habeas Corpus não substitui o agravo em execução para questionar decisões do Juízo de Execuções Criminais. Legislação Citada: CF/1988, art. 5º, LXVIII; LEP, art. 197. Jurisprudência Citada: TJSP, Habeas Corpus Criminal 2222658-63.2024.8.26.0000, Rel. Juscelino Batista, 8ª Câmara de Direito Criminal, j. 31.07.2024. TJSP, Habeas Corpus Criminal 2174125-73.2024.8.26.0000, Rel. Marcelo Semer, 13ª Câmara de Direito Criminal, j. 27.07.2024." (e-STJ, fls. 18-19). Neste writ, o impetrante alega flagrante ilegalidade suportada pelo paciente em decorrência do indeferimento do pedido de alteração da data-base para progressão de regime, considerando o dia 30/8/2023, quando já estariam preenchidos os requisitos objetivo e subjetivo. Afirma que o sentenciado cumpre pena privativa de liberdade de 13 anos, 7 meses e 10 dias e o requisito objetivo para progressão ao regime semiaberto foi adquirido em 30/8/2023, todavia a concessão do benefício foi postergada "por conta de exame criminológico padronizado" (e-STJ, fl. 4), realizado somente em 11/12/2023, com homologação em 4/1/2024. Defende que a decisão contraria a jurisprudência dos Tribunais Superiores e entendimento doutrinário sobre o tema. Sustenta, ainda, que o acórdão estadual "não apenas se escuda em tecnicismo infundado para se esquivar de enfrentar o mérito, como, ao mesmo tempo, invoca um fundamento material manifestamente equivocado, aplicando uma norma penal mais severa de forma retroativa. É, portanto, dupla a ilegalidade: pela omissão da tutela judicial adequada e pela adoção de um critério jurídico que não encontra respaldo nem na legislação nem na jurisprudência dominante." (e-STJ, fl. 11). Argumenta que, " no caso específico do paciente, cuja execução penal é regida pela redação anterior do art. 112 da LEP, o exame criminológico sequer era exigível, razão pela qual sua posterior realização - imposta de forma padronizada e sem qualquer motivação concreta - jamais poderia ser considerada requisito constitutivo à progressão. O laudo, nesse contexto, teve natureza meramente declaratória, apenas confirmando a boa conduta já atestada nos autos." (e-STJ, fl. 12). Requer, ao final, o reconhecimento da ilegalidade da decisão judicial com a retificação da data-base, "com vistas a evitar que a mora do Estado continue a operar como obstáculo ilegítimo à liberdade" (e-STJ, fl. 15). É o relatório. Decido. De plano, verifico que a Corte Estadual não conheceu do habeas corpus quanto à suposta ilegalidade apontada neste mandamus. Assim, a matéria é inviável de apreciação nesta Instância Superior, sob pena de supressão de instância. Ilustrativamente, confiram-se: "HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. MÉRITO. ANÁLISE DE OFÍCIO. ROUBO TENTADO. ALTERAÇÃO DE REGIME PRISIONAL. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA. INOVAÇÃO RECURSAL. PRISÃO DETERMINADA PELO TRIBUNAL APÓS O JULGAMENTO DA APELAÇÃO. POSSIBILIDADE. EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA. LEGALIDADE. RECENTE ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REGIME SEMIABERTO. ADEQUAÇÃO. ANÁLISE DA PROGRESSÃO DE REGIME. SÚMULA 716 STF. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. ORDEM NÃO CONHECIDA. 1. O Superior Tribunal de Justiça, seguindo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, passou a não admitir o conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio. Precedentes. No entanto, deve-se analisar o pedido formulado na inicial, tendo em vista a possibilidade de se conceder a ordem de ofício, em razão da existência de eventual coação ilegal. 2. Não é possível analisar a possibilidade de progressão de regime prisional (do semiaberto para o aberto) porque esta matéria não foi enfrentada pelo Tribunal local no acórdão impugnado. Inovação recursal e supressão de instâncias. .. 7. Habeas Corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para determinar (i) a adequação da prisão do paciente ao regime intermediário (o semiaberto) fixado, salvo se por outro motivo estiver preso; ou, na ausência de vaga, que aguarde, em regime aberto ou domiciliar, o surgimento desta, mediante as condições impostas pelo Juízo da Execução Penal; (ii) a análise dos benefícios da execução penal (dentre eles, da progressão de regime)." (HC n. 509.450/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe de 5/8/2019). " .. 5. Com a juntada aos autos da cópia do acórdão prolatado na origem, é possível a apreciação das questões referentes às nulidades processuais alegadas pelo impetrante, porém essas matérias não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, que não conheceu do writ por inadequação da via eleita, motivo pelo qual não poderão ser conhecidas diretamente por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão de instância. 6. Como o writ não foi conhecido na origem apenas em razão de ter sido impetrado como substitutivo de revisão criminal, verifica-se a ocorrência de ilegalidade por falta de prestação jurisdicional, por ser possível a verificação pela Corte local sobre a existência de ilegalidade flagrante, caso em que deverá conceder habeas corpus de ofício, a teor do disposto no art. 654, § 2º, do CPP. 7. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se dá parcial provimento, para determinar que o Tribunal de origem aprecie o mérito do writ originário (HC n. 0008122-47.2016.8.08.0000/ES)." (EDcl no HC n. 407.709/ES, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 5/2/2019, DJe de 18/2/2019). No entanto, constata-se que a ausência de manifestação da Corte de origem sobre o tema configura-se como indevida negativa de prestação jurisdicional. Tratando-se de questão relevante, devidamente suscitada na impetração originária e não apreciada pelo Tribunal local, devem os autos lhe serem remetidos para que proceda à sua análise. Com efeito, a via estreita do habeas corpus não se presta à apreciação da matéria debatida, mas é preciso que possíveis ilegalidades sejam afastadas de forma fundamentada. Cabe esclarecer que esta Corte Superior entende que, apesar de haver previsão de recurso no ordenamento jurídico, é admissível a utilização do mandamus quando a pretensão não demanda, em princípio, revolvimento de matéria probatória. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. HABEAS CORPUS NÃO EXAMINADO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA POR SER CABÍVEL NA ESPÉCIE AGRAVO EM EXECUÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. ORDEM DE HABEAS CORPUS CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. O pedido de cassação da decisão proferida pelo Juízo das Execuções, que determinou a realização de exame criminológico para a análise do pedido de progressão, não foi apreciado pelo Tribunal a quo, que indeferiu liminarmente a ordem originária por entender que era inviável a análise da matéria, na via do habeas corpus, por haver previsão de recurso específico para impugnar ato do Juiz das Execuções Penais. 2. Como a matéria arguida não foi analisada pelo Tribunal a quo, não pode ser originariamente examinada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Precedentes. 3. A existência de recurso específico não inviabiliza a impetração de ordem de habeas corpus para a aferição de eventual ilegalidade na fase de execução da pena, quando a análise recai sobre questão pacificada e meramente de direito, consubstanciada na tese a respeito da prévia realização do exame criminológico para fins de progressão de regime. A recusa em analisar o tema, pelo Tribunal de origem, constitui ilegalidade flagrante. 4. Agravo regimental desprovido. Ordem de habeas corpus concedida, de ofício, para determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprecie o mérito do HC n. 2165621-88.2018.8.26.0000, como entender de direito." (AgRg no HC n. 465.318/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 26/3/2019, DJe de 10/4/2019). "HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PACIENTE CONDENADO À PENA CORPORAL DE 8 ANOS DE RECLUSÃO, EM REGIME INICIAL FECHADO, POR INFRAÇÃO AO ART. 217-A DO CP. PLEITO DE ABRANDAMENTO DO REGIME PRISIONAL NÃO APRECIADO NA IMPETRAÇÃO ORIGINÁRIA. DEVOLUÇÃO À CORTE DE ORIGEM. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. - O Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. - Uma vez que a Corte local deixou de enfrentar, no writ lá impetrado, a possibilidade de fixação de regime prisional mais brando, por não ser o habeas corpus a via adequada para tal exame, não pode este Superior Tribunal de Justiça analisar os temas, sob pena de indevida supressão de instância. - Por outro lado, a jurisprudência desta Corte entende que, não obstante a previsão de recurso próprio no ordenamento jurídico, é cabível a impetração de habeas corpus sempre que a ilegalidade suscitada estiver influenciando na liberdade de locomoção do indivíduo e a pretensão formulada não demandar revolvimento de matéria probatória. Nessas hipóteses, a solução cinge-se em determinar que o Tribunal de origem aprecie, como entender de direito, o mérito do habeas corpus originário, ofertando a devida prestação jurisdicional. Precedentes. - Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, determinando que o Tribunal local enfrente o mérito do HC n. 2198911-65.2016.8.26.0000, decidindo-o como entender de direito." (HC n. 393.671/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 27/6/2017, DJe de 1º/8/2017). Ante o exposto, indefiro liminarmente este habeas corpus. No entanto, concedo a ordem, de ofício, para anular o acórdão estadual e determinar que a existência de eventual ilegalidade cometida pelo Juízo das Execuções seja apreciada pelo Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA