HC 1083713 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus, após trânsito em julgado, não pode ser usado como sucedâneo de revisão criminal e o STJ é incompetente originariamente para processar revisão de decisões de outros Tribunais; além disso, não se verificou coação ilegal flagrante a justificar concessão...
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- Parties
- Impetrante: AMAURI FILHO DOS SANTOS; Órgão Coator: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Habeas Corpus, Sucedâneo De Revisão Criminal, Coisa Julgada, Incompetência Originária Do STJ, Coação Ilegal, Agravo Regimental
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Parties
AMAURI FILHO DOS SANTOS
Impetrante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Órgão Coator
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 Possibilidade de utilizar habeas corpus, após trânsito em julgado, como sucedâneo de revisão criminal para impugnar decisão penal definitiva proferida por Tribunal diverso do STJ
- 2 Se, não obstante o não conhecimento do habeas corpus por inadequação da via eleita e ausência de competência originária, estaria configurada coação ilegal flagrante que autorizasse a concessão da ordem de ofício (art. 654, § 2º, CPP)
- 3 Se o agravo regimental apresentou argumentos idôneos a infirmar os fundamentos da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus, após trânsito em julgado, não pode ser usado como sucedâneo de revisão criminal e o STJ é incompetente originariamente para processar revisão de decisões de outros Tribunais; além disso, não se verificou coação ilegal flagrante a justificar concessão da ordem de ofício, e o agravo não trouxe argumentos capazes de infirmar a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. COISA JULGADA. INCOMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STJ. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE MANIFESTA. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência que indeferiu liminarmente habeas corpus impetrado em favor de condenado, com trânsito em julgado da condenação, visando afastar alegada coação ilegal decorrente de suposta utilização de provas ilícitas na ação penal originária. 2. A Defesa sustenta que o habeas corpus não teria sido manejado como revisão criminal nos termos do art. 621 do Código de Processo Penal, afirmando que a nulidade decorrente de provas ilícitas não poderia ser sanada por via revisional ou recursal, de modo que o writ seria a única via apta a fazer cessar a alegada coação ilegal, bem como alega violação ao dever de motivação, ao acesso à justiça e à ampla defesa pelo indeferimento liminar, requerendo a reconsideração da decisão ou o provimento do agravo regimental pela Turma. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível utilizar habeas corpus, após o trânsito em julgado da condenação, como sucedâneo de revisão criminal para impugnar decisão penal definitiva proferida por Tribunal diverso do Superior Tribunal de Justiça. 4. Outra questão em discussão consiste em saber se, não obstante o não conhecimento do habeas corpus por inadequação da via eleita e ausência de competência originária, estaria configurada coação ilegal manifesta que autorizasse a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal. 5. Questão adicional em discussão consiste em saber se o agravo regimental apresentou argumentos idôneos a infirmar os fundamentos da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus, de modo a justificar a sua reforma. III. Razões de decidir 6. O colegiado afirma que, uma vez transitada em julgado a condenação, a impugnação do julgado por meio de habeas corpus, com pretensão de desconstituir decisão definitiva, configura uso do writ como substituto de revisão criminal, hipótese incompatível com a natureza e a finalidade do remédio constitucional. 7. O colegiado destaca que, à luz do art. 105, inciso I, alínea "e", da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar, originariamente, apenas revisões criminais e ações rescisórias de seus próprios julgados, sendo, portanto, incompetente para processar pleito revisional de decisões proferidas por outros Tribunais por meio de habeas corpus sucedâneo de revisão criminal. 8. O colegiado verifica, ao cotejar as alegações defensivas com a fundamentação do acórdão impugnado, que não há nos autos qualquer coação ilegal flagrante que justifique a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal. 9. O colegiado conclui que o agravo regimental não trouxe argumentos capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual o ato judicial deve ser mantido pelos próprios fundamentos. IV. Dispositivo e tese 10. Agravo regimental desprovido. Teses de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal para desconstituir condenação transitada em julgado, especialmente quando ausente competência originária do Superior Tribunal de Justiça para revisar decisões de outros Tribunais. 2. A concessão de habeas corpus de ofício exige demonstração de coação ilegal flagrante, não configurada pela mera discordância da defesa com o entendimento adotado no acórdão condenatório ou na decisão impugnada. 3. O agravo regimental deve veicular argumentos aptos a infirmar a decisão agravada, sob pena de manutenção do decisum pelos próprios fundamentos. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, "e"; CPP, art. 621; CPP, art. 654, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 861.867/SC, Quinta Turma, j. 02.09.2024, DJe 06.09.2024; STJ, AgRg no HC 659.003/SP, Sexta Turma, j. 23.03.2023, DJe 30.03.2023.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por AMAURI FILHO DOS SANTOS contra decisão da Presidência desta Corte, acostada às fls. 66-67, na qual indeferiu-se liminarmente o presente habeas corpus. Neste regimental, a Defesa alega que o habeas corpus não foi manejado como revisão criminal nos termos do artigo 621 do Código de Processo Penal e que a ilegalidade na condenação, fundada em provas ilícitas, não poderia ser sanada por via revisional ou recursal, de modo que o writ seria a única medida apta a fazer cessar a suposta coação ilegal (fl. 75). Afirma que o indeferimento liminar, sem enfrentamento das questões trazidas, viola o dever de motivação e o acesso à justiça, devendo o julgador, quando discorda da tese defensiva, expor claramente as razões pelas quais não reconhece a ilegalidade, inclusive para garantir a ampla defesa (fl. 81). Sustenta que o habeas corpus não se sujeita à preclusão e que o julgador deve verificar a ilegalidade suscitada e, se for o caso, conceder a ordem, de ofício (fl. 81). Requer, ao final, a reconsideração da decisão monocrática ou a remessa do regimental à Turma para provimento e reforma da decisão atacada, nos moldes das razões recursais (fls. 81-82). Por manter a decisão agravada por seus próprios e jurídicos fundamentos, submeto o agravo regimental à apreciação da Quinta Turma. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. COISA JULGADA. INCOMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STJ. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE MANIFESTA. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência que indeferiu liminarmente habeas corpus impetrado em favor de condenado, com trânsito em julgado da condenação, visando afastar alegada coação ilegal decorrente de suposta utilização de provas ilícitas na ação penal originária. 2. A Defesa sustenta que o habeas corpus não teria sido manejado como revisão criminal nos termos do art. 621 do Código de Processo Penal, afirmando que a nulidade decorrente de provas ilícitas não poderia ser sanada por via revisional ou recursal, de modo que o writ seria a única via apta a fazer cessar a alegada coação ilegal, bem como alega violação ao dever de motivação, ao acesso à justiça e à ampla defesa pelo indeferimento liminar, requerendo a reconsideração da decisão ou o provimento do agravo regimental pela Turma. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível utilizar habeas corpus, após o trânsito em julgado da condenação, como sucedâneo de revisão criminal para impugnar decisão penal definitiva proferida por Tribunal diverso do Superior Tribunal de Justiça. 4. Outra questão em discussão consiste em saber se, não obstante o não conhecimento do habeas corpus por inadequação da via eleita e ausência de competência originária, estaria configurada coação ilegal manifesta que autorizasse a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal. 5. Questão adicional em discussão consiste em saber se o agravo regimental apresentou argumentos idôneos a infirmar os fundamentos da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus, de modo a justificar a sua reforma. III. Razões de decidir 6. O colegiado afirma que, uma vez transitada em julgado a condenação, a impugnação do julgado por meio de habeas corpus, com pretensão de desconstituir decisão definitiva, configura uso do writ como substituto de revisão criminal, hipótese incompatível com a natureza e a finalidade do remédio constitucional. 7. O colegiado destaca que, à luz do art. 105, inciso I, alínea "e", da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar, originariamente, apenas revisões criminais e ações rescisórias de seus próprios julgados, sendo, portanto, incompetente para processar pleito revisional de decisões proferidas por outros Tribunais por meio de habeas corpus sucedâneo de revisão criminal. 8. O colegiado verifica, ao cotejar as alegações defensivas com a fundamentação do acórdão impugnado, que não há nos autos qualquer coação ilegal flagrante que justifique a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal. 9. O colegiado conclui que o agravo regimental não trouxe argumentos capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual o ato judicial deve ser mantido pelos próprios fundamentos. IV. Dispositivo e tese 10. Agravo regimental desprovido. Teses de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal para desconstituir condenação transitada em julgado, especialmente quando ausente competência originária do Superior Tribunal de Justiça para revisar decisões de outros Tribunais. 2. A concessão de habeas corpus de ofício exige demonstração de coação ilegal flagrante, não configurada pela mera discordância da defesa com o entendimento adotado no acórdão condenatório ou na decisão impugnada. 3. O agravo regimental deve veicular argumentos aptos a infirmar a decisão agravada, sob pena de manutenção do decisum pelos próprios fundamentos. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, "e"; CPP, art. 621; CPP, art. 654, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 861.867/SC, Quinta Turma, j. 02.09.2024, DJe 06.09.2024; STJ, AgRg no HC 659.003/SP, Sexta Turma, j. 23.03.2023, DJe 30.03.2023. VOTO A controvérsia consiste na análise da possibilidade de conhecimento do habeas corpus impetrado como substituto de revisão criminal. Em que pese a argumentação da combativa Defesa, fato é que o presente habeas corpus se volta contra um julgado transitado, imutável, enquanto abarcado pelo preceito constitucional da coisa julgada. Diante disso, não deve ser conhecido, pois foi utilizado como substituto de uma revisão criminal, em uma situação na qual não se configurou a competência originária desta Corte. Com efeito, conforme o artigo 105, inciso I, alínea "e", da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". Nessa linha: " .. 1. Na hipótese, a condenação transitou em julgado em 31/5/2023. Dessa forma, o presente writ seria sucedâneo de revisão criminal, sendo esta Corte incompetente para o processamento do pleito revisional. .. 3. Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC n. 861.867/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024). De todo modo, ao cotejar as alegações deduzidas na inicial e neste regimental com a percuciente fundamentação contida no acórdão impugnado, não se verifica a presença de qualquer coação il egal que desafie a concessão da ordem, de ofício, nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Por fim, no presente agravo regimental não se aduziu qualquer argumento apto a ensejar a alteração da decisão ora agravada, devendo ser mantido o ato judicial por seus próprios fundamentos. Acerca do tema: " .. 1. É assente nesta Corte que o regimental deve trazer novos argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, sob pena de manutenção do decisum pelos próprios fundamentos. .. " (AgRg no HC n. 659.003/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 23/3/2023, DJe de 30/3/2023 ). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.