HC 966919 - ACORDAO
Havendo prova de que o réu fugiu ao avistar a guarnição e dispensou a sacola que continha drogas, houve fundada suspeita que autorizou a busca pessoal; ademais, a ausência de citação formal não acarreta nulidade quando o acusado foi notificado, apresentou defesa preliminar e foi assistido pela Defensoria Pública,...
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- Parties
- Agravante: IGOR BRAZ; Recorrido: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento Em Sessão Virtual (13/03/2025 a 19/03/2025)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Busca Pessoal, Nulidade Processual, Citação
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Parties
IGOR BRAZ
Agravante
Ministério Público Federal
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento Em Sessão Virtual (13/03/2025 a 19/03/2025)
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário
- 2 Se houve fundada suspeita para autorizar busca pessoal
- 3 Se a ausência de citação pessoal acarreta nulidade do processo
Ratio Decidendi
Havendo prova de que o réu fugiu ao avistar a guarnição e dispensou a sacola que continha drogas, houve fundada suspeita que autorizou a busca pessoal; ademais, a ausência de citação formal não acarreta nulidade quando o acusado foi notificado, apresentou defesa preliminar e foi assistido pela Defensoria Pública, não havendo prejuízo demonstrado; por fim, o habeas corpus substitutivo não é cabível na ausência de flagrante ilegalidade, de modo que o agravo regimental deve ser improvido.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão recorrida
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/03/2025 a 19/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus substitutivo. Busca pessoal. Nulidade processual. Agravo IMprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, em que se alegava ilegalidade na busca pessoal e nulidade processual por ausência de citação pessoal. 2. A Corte de origem refutou as nulidades alegadas pela defesa, afirmando que havia fundada suspeita para a abordagem e busca pessoal, conforme os arts. 240, § 2º, e 244 do CPP, e que a ausência de citação não gerou nulidade, pois o réu foi notificado pessoalmente e a Defensoria Pública apresentou defesa preliminar e acompanhou o processo. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se houve fundada suspeita para busca pessoal e se a ausência de citação pessoal do réu acarreta nulidade do processo. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência consolidada do STJ e do STF não admite habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A fuga do réu ao avistar a guarnição policial configura fundada suspeita, autorizando a busca pessoal, conforme o art. 244 do CPP. 6. A ausência de citaçã o pessoal não gera nulidade se o réu foi notificado para apresentar defesa prévia e foi assistido pela Defensoria Pública durante o processo, não havendo prejuízo comprovado. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo improvido. Tese de julgamento: "1. A fuga ao avistar a polícia configura fundada suspeita para busca pessoal. 2. A ausência de citação pessoal não gera nulidade se o réu foi notificado e assistido por defensor público, sem prejuízo comprovado." Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 240, § 2º, 244; CPP, art. 563. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 535.063/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, Terceira Seção, julgado em 10/6/2020; STF, AgRg no HC 180.365, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 27/3/2020.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por IGOR BRAZ, de decisão na qual não conheci do habeas corpus (e-STJ, fls. 225-229). O agravante insiste na tese de ilegalidade da busca pessoal, a qual foi realizada que que houvesse fundada suspeita para justificar a abordagem policial, a teor dos arts. 240, § 2º, 244 do CPP. Sustenta, ainda, ser nula a decisão que decretou a sua revelia, em razão da ausência de citação pessoal, destacando que o fato da Defensoria Pública ter apresentado defesa preliminar após a notificação do acusado não autoriza o prosseguimento do feito. Requer, assim, a reconsideração do decisum ou a submissão do feito ao colegiado, "a fim de que seja a r. decisão agravada reformada, com a concessão da ordem ao Habeas Corpus impetrado, para que seja declarada a nulidade do processo desde o início, em razão da ilegalidade da abordagem policial e da busca pessoal injustificadas, ou desde a decretação da revelia, por falta de citação". O Ministério Público Federal apresentou contrarrazões (e-STJ, fls. 254-262). É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus substitutivo. Busca pessoal. Nulidade processual. Agravo IMprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, em que se alegava ilegalidade na busca pessoal e nulidade processual por ausência de citação pessoal. 2. A Corte de origem refutou as nulidades alegadas pela defesa, afirmando que havia fundada suspeita para a abordagem e busca pessoal, conforme os arts. 240, § 2º, e 244 do CPP, e que a ausência de citação não gerou nulidade, pois o réu foi notificado pessoalmente e a Defensoria Pública apresentou defesa preliminar e acompanhou o processo. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se houve fundada suspeita para busca pessoal e se a ausência de citação pessoal do réu acarreta nulidade do processo. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência consolidada do STJ e do STF não admite habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 5. A fuga do réu ao avistar a guarnição policial configura fundada suspeita, autorizando a busca pessoal, conforme o art. 244 do CPP. 6. A ausência de citaçã o pessoal não gera nulidade se o réu foi notificado para apresentar defesa prévia e foi assistido pela Defensoria Pública durante o processo, não havendo prejuízo comprovado. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo improvido. Tese de julgamento: "1. A fuga ao avistar a polícia configura fundada suspeita para busca pessoal. 2. A ausência de citação pessoal não gera nulidade se o réu foi notificado e assistido por defensor público, sem prejuízo comprovado." Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 240, § 2º, 244; CPP, art. 563. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 535.063/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, Terceira Seção, julgado em 10/6/2020; STF, AgRg no HC 180.365, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 27/3/2020. VOTO O agravo não comporta provimento. A decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, porque ela está em consonância com a jurisprudência deste Tribunal Superior. Como cediço, esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Sob tal contexto, passou-se ao exame das alegações trazidas pela defesa, a fim de verificar a ocorrência de manifesta ilegalidade que autorize a concessão da ordem, de ofício. Na hipótese, a Corte de origem refutou as nulidades alegadas pela defesa com base nos seguintes fundamentos: "2) As preliminares não prosperam. Ao contrário do alegado, havia fundada suspeita para a abordagem e busca pessoal, tendo sido respeitados os arts. 240, § 2º, e 244, ambos do CPP. O réu estava em conhecido ponto de venda de drogas, com uma sacola na mão, a qual dispensou quando percebeu a presença da Polícia e correu. Referida situação autorizava a abordagem e revista do apelante, sendo que as drogas foram localizadas na sacola por ele dispensada. No mais, a ausência de citação não gera nulidade neste caso, porque o réu havia sido notificado pessoalmente da acusação, segundo o rito especial da Lei de Drogas, e a Defensoria Pública apresentou defesa preliminar e acompanhou o processo. Segundo o entendimento do C. STJ exposto na r. sentença, referida situação, por si só, não gera prejuízo à Defesa (fls. 135), o que foi reiterado no julgamento do HC nº 616133/RS, Rel. Min. RIBEIRO DANTAS, 5ª T., j. 28/09/2021. Assim, rejeito as preliminares" (e-STJ, fls. 215-216) Conforme se extrai dos excertos, os policiais estavam em patrulhamento quando o réu, ao notar presença da guarnição, dispensou a sacola que estava na mão e tentou empreender fuga, mas foi abordado. Em sua posse nada de ilícito foi encontrado, no entanto, na sacola, os agentes lograram em apreender 22 porções de maconha (39,3g), 26 de cocaína (13,1g), além de R$ 60,00, em espécie. Nesse contexto, não se vislumbra qualquer ilegalidade na atuação dos policiais, amparados que estão pelo Código de Processo Penal para abordar quem quer que esteja atuando de modo suspeito ou furtivo, não havendo razão para manietar a atividade policial sem indícios de que a abordagem ocorreu por perseguição pessoal ou preconceito de raça ou classe social, motivos que, obviamente, conduziriam à nulidade da busca pessoal, o que não se verificou no caso. Em recente decisão, a Terceira Seção firmou a seguinte compreensão acerca da fuga para impedir a busca pessoal: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL. ART. 244 DO CPP. FUGA DO RÉU AO AVISTAR A GUARNIÇÃO POLICIAL. FUNDADA SUSPEITA QUANTO À POSSE DE CORPO DE DELITO. CONFIGURAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PROVAS LÍCITAS. ORDEM DENEGADA .. 10. Já no que concerne às buscas pessoais, apesar de evidentemente não poderem ser realizadas sem critério legítimo, o que a lei exige é a presença de fundada suspeita da posse de objeto que constitua corpo de delito, isto é, uma suspeição razoavelmente amparada em algo sólido, concreto e objetivo, que se diferencie da mera suspeita intuitiva e subjetiva. 11. É possível cogitar quatro motivos principais para que alguém empreenda fuga ao avistar uma guarnição policial: a) estar praticando crime naquele exato momento (flagrante delito); b) estar na posse de objeto que constitua corpo de delito (o que nem sempre representa uma situação flagrancial); c) estar em situação de descumprimento de alguma medida judicial (por exemplo, medida cautelar de recolhimento noturno, prisão domiciliar, mandado de prisão em aberto etc.) ou cometendo irregularidade administrativa (v. g. dirigir sem habilitação); d) ter medo de sofrer pessoalmente algum abuso por parte da polícia ou receio de ficar próximo a eventual tiroteio e ser atingido por bala perdida, sobretudo nas comunidades periféricas habitadas por grupos vulneráveis e marginalizados, em que a violência policial e as intensas trocas de tiros entre policiais e criminosos são dados presentes da realidade. 12. Com base nessas premissas, diante da considerável variabilidade de possíveis explicações para essa atitude, entende-se que fugir correndo repentinamente ao avistar uma guarnição policial não configura, por si só, flagrante delito, nem algo próximo disso para justificar que se excepcione a garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar. Trata-se, todavia, de conduta intensa e marcante que consiste em fato objetivo - não meramente subjetivo ou intuitivo -, visível, controlável pelo Judiciário e que, embora possa ter outras explicações, no mínimo gera suspeita razoável, amparada em juízo de probabilidade, sobre a posse de objeto que constitua corpo de delito (conceito mais amplo do que situação de flagrante delito). 13. Ademais, também não se trata de mera "suspeita baseada no estado emocional ou na idoneidade ou não da reação ou forma de vestir" ou classificação subjetiva de "certa reação ou expressão corporal como nervosa", o que, segundo a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Fernandez Prieto e Tumbeiro v. Argentina, é insuficiente para uma busca pessoal. Fugir correndo é mais do que uma mera reação sutil, como seria o caso, por exemplo, de: a) um simples olhar (ou desvio de olhar), b) levantar-se (ou sentar-se), c) andar (ou parar de andar), d) mudar a direção ou o passo, enfim, comportamentos naturais de qualquer pessoa que podem ser explicados por uma infinidade de razões, insuficientes, a depender do contexto, para classificar a pessoa que assim se comporta como suspeita. Essas reações corporais, isoladamente, são assaz frágeis para embasar de maneira sólida uma suspeição; a fuga, porém, se distingue por representar atitude intensa, nítida e ostensiva, dificilmente confundível com uma mera reação corporal natural. 14. Não se deve ignorar, entretanto, a possibilidade de que se criem discursos ou narrativas dos fatos para legitimar a diligência policial. Daí, por conseguinte, a necessidade de ser exercido um "especial escrutínio" sobre o depoimento policial, na linha do que propôs o Ministro Gilmar Mendes por ocasião do julgamento do RE n. 603.616/RO (Tema de Repercussão Geral n. 280): "O policial pode invocar o próprio testemunho para justificar a medida. Claro que o ingresso forçado baseado em fatos presenciados pelo próprio policial que realiza a busca coloca o agente público em uma posição de grande poder e, por isso mesmo, deve merecer especial escrutínio". 15. Trata-se, portanto, de abandonar a cômoda e antiga prática de atribuir caráter quase que inquestionável a depoimentos prestados por testemunhas policiais, como se fossem absolutamente imunes à possibilidade de desviar-se da verdade; do contrário, deve-se submetê-los a cuidadosa análise de coerência - interna e externa -, verossimilhança e consonância com as demais provas dos autos. 16. Assim, à luz de todas essas ponderações, conclui-se que fugir correndo repentinamente ao avistar uma guarnição policial configura motivo idôneo para autorizar uma busca pessoal em via pública, mas a prova desse motivo, cujo ônus é do Estado, por ser usualmente amparada apenas na palavra dos policiais, deve ser submetida a especial escrutínio, o que implica rechaçar narrativas inverossímeis, incoerentes ou infirmadas por outros elementos dos autos. 17. O exame destes autos indica que o réu, ao avistar uma viatura policial que fazia patrulhamento de rotina na região dos fatos, correu, em fuga, para um terreno baldio, o que motivou a revista pessoal, na qual foram encontradas drogas. Diante das premissas estabelecidas neste voto e da ausência de elementos suficientes para infirmar ou desacreditar a versão policial, mostra-se configurada a fundada suspeita de posse de corpo de delito a autorizar a busca pessoal, nos termos do art. 244 do CPP. 18. Ordem denegada. (HC n. 877.943/MS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julgado em 18/4/2024, DJe de 15/5/2024, grifo nosso.) No tocante à citação do agravante, consigna-se que a jurisprudência desta Corte se consolidou no sentido que a alegação da sua falta, por si só, não leva à nulidade do processo, caso esteja demonstrado nos autos que o réu foi notificado para apresentar a defesa prévia e foi patrocinado no transcorrer de toda causa por defensor público que realizou, com vigor, o contraditório (AgRg no HC 418.977/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 27/6/2018; AgRg nos EDcl no RHC n. 127.173/GO, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 26/4/2023). Trata-se exatamente do caso dos autos, conforme apontado pelo Tribunal a quo, pois, ainda que não tenha sido cientificado por meio de ato citatório formal, foi devidamente notificado pessoalmente acerca da existência do processo criminal, oportunizando-lhe o acesso e defesa à denúncia, tanto que foi apresentada defesa preliminar, com a assistência da Defensoria Púbica em todos os atos processuais. Ademais, não é exigido do Estado a busca incessante do paradeiro da parte, sendo dever desta manter seu endereço atualizado: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. .. DEVER DE MANUTENÇÃO DO ENDEREÇO ATUALIZADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. PREJUÍZO NÃO COMPROVADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 523 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 3. O Tribunal de origem concluiu que, devidamente intimados, os advogados do agravante não compareceram a audiência para interrogatório do corréu e sequer justificaram a ausência. Ademais, restou assentado que o agravante não foi localizado no endereço fornecido nos autos, sendo necessária a nomeação de defensor dativo para representá-lo no ato designado. 4. Conforme a jurisprudência deste Sodalício, cabe ao réu manter seu endereço atualizado junto ao Juízo processante, de modo que não cabe à defesa alegar nulidade que ela própria deu causa (AgRg no AREsp 1478061/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 20/8/2019, DJe 2/9/2019). 5. Não se verifica a arguida nulidade na intimação, tendo em vista que o acórdão recorrido atesta que os advogados foram cientificados quanto à designação da audiência para interrogatório do corréu. 6. Ressalta-se, ainda, que "Tratando-se de nulidade na instrução criminal, de caráter relativo, não há como declarar a nulidade do ato, se dele não resultou qualquer prejuízo comprovado para o réu, como no caso, nos termos do art. 563 do Código de Processo Penal e Súmula 523 do Supremo Tribunal Federal" (HC 79.533/PE, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 18/9/2008, DJe 13/10/2008). 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no AREsp 162994 9/MG, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 22/09/2020, DJe 30/09/2020). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.