HC 1008789 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque o pedido impugna acórdão de apelação criminal com trânsito em julgado, caracterizando uso do writ como substitutivo de revisão criminal, o que não compete a esta Corte salvo quando se tratar de revisão criminal relativa a seus próprios julgados, conforme art. 105, I, e, da CF e...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ELANIR CARLOS HINKEL; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido Do Habeas Corpus (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Competência Do STJ (art. 105, I, E, Cf), Júri, Execução Provisória Da Pena
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ELANIR CARLOS HINKEL
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido Do Habeas Corpus (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus como substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado
- 2 Limitação da competência do STJ para processar e julgar revisão criminal às hipóteses de seus próprios julgados (art. 105, I, e, CF)
- 3 Vedação à supressão de instância pela utilização de writ quando cabível via revisional na origem
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque o pedido impugna acórdão de apelação criminal com trânsito em julgado, caracterizando uso do writ como substitutivo de revisão criminal, o que não compete a esta Corte salvo quando se tratar de revisão criminal relativa a seus próprios julgados, conforme art. 105, I, e, da CF e precedentes.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conhecer do habeas corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ELANIR CARLOS HINKEL em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 18 anos de reclusão e 1 ano de detenção em regime fechado e de pagamento de 10 dias-multa, como incurso nas sanções dos arts. 121, § 2º, III, do Código Penal e 12, caput, da Lei n. 10.826/2003. O impetrante sustenta que o veredicto do Tribunal do Júri seria divergente do acervo probatório, o que configuraria o constrangimento ilegal à liberdade do paciente. Alega que a autoria do crime teria sido assumida por terceiro, filho do paciente, que teria se apresentado espontaneamente à autoridade policial e reafirmado a confissão em plenário. Assevera que perícia particular de local de crime teria atestado a impossibilidade de atribuir ao paciente o disparo fatal, reforçando a dissociação entre a decisão e as provas. Acaso não acolhido o pedido absolutório, aduz a necessidade de revisão da dosimetria criminal. Relata que a execução provisória da pena é indevida, pois o Tema n. 1.068 do STF não teria autorizado a medida e se aplica a orientação pela necessidade de esgotamento recursal, ressalvadas prisões cautelares. Requer a anulação do julgamento do Júri; subsidiariamente, o redimensionamento da pena com reconhecimento de atenuantes. Requer, ainda, a revogação da execução provisória da pena e a colocação do paciente em liberdade. É o relatório. O presente writ foi impetrado em 3/6/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 14/5/2025, consoante se constata do feito conexo AREsp n. 2. 907.041. Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT -, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA