AREsp 1781403 - DECISAO
O agravo em recurso especial foi prejudicado em razão da prescrição da pretensão punitiva superveniente: a pena máxima abstrata (4 anos) impõe prazo prescricional de 8 anos (art. 109, IV), reduzido pela metade para 4 anos em razão da idade do réu (>70 anos) nos termos do art. 115 do Código Penal; transcorreu período...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ; Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Corréu: FAUSTO LUIS DE MELO MARINHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decidido Quanto À Prejudicialidade Por Prescrição
- Outcome
- JULGO PREJUDICADO o agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Homicídio Culposo Majorado, Prescrição Da Pretensão Punitiva, Falta De Interesse Recursal
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Recorrente
FAUSTO LUIS DE MELO MARINHO
Corréu
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decidido Quanto À Prejudicialidade Por Prescrição
Legal Issues
- 1 prescrição da pretensão punitiva
- 2 redução do prazo prescricional para metade nos termos do art.115 do Código Penal por réu com mais de 70 anos
- 3 fixação do prazo prescricional conforme art.109, inciso IV, do Código Penal
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial foi prejudicado em razão da prescrição da pretensão punitiva superveniente: a pena máxima abstrata (4 anos) impõe prazo prescricional de 8 anos (art. 109, IV), reduzido pela metade para 4 anos em razão da idade do réu (>70 anos) nos termos do art. 115 do Código Penal; transcorreu período superior a 4 anos entre o recebimento da denúncia e a decisão, sem causa interruptiva, consumando-se a prescrição, o que afasta interesse recursal do Ministério Público.
Court Disposition
JULGO PREJUDICADO o agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ contra a decisãoque inadmitiurecurso especial fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição da República, manifestado contra o acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça daquela Unidade Federativa na Apelação Criminal n.0002419-64.2014.8.16.0039. Consta dos autos que o Agravadofoi absolvido quanto à imputação do delito previsto no art. 129, §§ 3.º e 4.º, do Código Penal, por não existir prova de que ele concorreu para a infração penal, nos termos do art.386, inciso V, do Código de Processo Penal (fls. 419-428). Irresignado, o Ministério Público Federal recorreu ao Tribunal de origem, que negou provimento à apelação (fls. 536-548) e rejeitou os embargos de declaração (fls. 579-584). Nas razões do recurso especial, aponta-se ofensa aos arts.18, inciso II, 121, §§ 3.º e 4.º, e 146, inciso I, todos do Código Penal; aos arts. 2.º e 4.º, inciso XI, da Lei n.12.842/2013; e ao art.599Código de Processo Penal. Argumenta-se, em síntese, que houve comprovação suficiente de que o Recorrido praticou conduta negligente que ocasionou o óbito da vítima. O recurso especial não foi admitido pelo Tribunal de origem em razão doóbicedas Súmulas n. 7 e 211 desta Corte Superior (fls. 633-637). Interposto o agravo em recurso especial (fls. 648-664), a parte contráriaapresentou contrarrazões (fls. 758-762). O Ministério Público Federal opinou pelo conhecimento do agravo para que seja dado provimento ao recursoespecial (fls. 781-782). É o relatório.Decido. A análise do agravo em recurso especial estáprejudicada, em razão da superveniente prescrição da pretensão punitiva. A pena máxima abstratamente prevista paraao delito de homicídio culposo, com a incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 129, § 4.º, do Código Penal, é de 4 (quatro) anos de reclusão.Portanto, seria aplicávelo prazo prescricional de 8 (oito) anos, nos termos do art. 109, inciso IV, do mesmo Código. Todavia, no caso em apreço, o prazo prescricionaldeve ser reduzido pela metade, conforme a regra do art. 115 do Código Penal, pois o Réu já possui mais de 70 (setenta) anos de idade e ainda nãohouve sentença condenatória(fl. 4). Assim, verifica-se que, entrea data do recebimento da denúncia (17/09/2014 - fls. 16-17) e a presente data, e antes mesmo da chegada dos autos a esta Corte Superior, transcorreu período temporalsuperior a 4 (quatro) anossem que houvesse a superveniência de nenhuma causa interruptiva, de modo que se consumou a prescrição da pretensão punitiva estatal pela pena em abstrato. Portanto, não há mais interesse recursal a amparar a pretensão condenatória do Parquet. Ressalte-se que a punibilidade do Corréu FAUSTOLUIS DE MELO MARINHO já foi declarada extinta em razão de sua morte (fl. 420) e que a prescrição consumou-se antes mesmo que os autos chegassem a esta Corte Superior (fl. 773). Ante o exposto, JULGO PREJUDICADO o agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO CULPOSO MAJORADO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. AGRAVO PREJUDICADO.