AREsp 2134390 - ACORDAO
Havendo elementos indiciários razoáveis de autoria e indícios mínimos de dolo eventual, a pronúncia encontra-se devidamente fundamentada e a controvérsia sobre o elemento subjetivo deve ser apreciada pelo Tribunal do Júri; assim, não se justifica anular a pronúncia ou desclassificar o crime nesta fase processual,...
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- Parties
- Agravante: RICARDO MARTINS MORAES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Sexta Turma Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental desprovido.
- Legal Topics
- Homicídio Doloso No Trânsito, Dolo Eventual Vs Culpa Consciente, Pronúncia, Competência Do Tribunal Do Júri, Desclassificação Para Homicídio Culposo
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Parties
RICARDO MARTINS MORAES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Sexta Turma Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Competência do Tribunal do Júri para analisar o elemento subjetivo (dolo eventual ou culpa consciente)
- 2 Possibilidade de desclassificação na fase de pronúncia diante de indícios insuficientes de dolo
- 3 Alcance do exame do juiz de primeiro grau quanto à existência de indícios mínimos de dolo eventual na fase de pronúncia
Ratio Decidendi
Havendo elementos indiciários razoáveis de autoria e indícios mínimos de dolo eventual, a pronúncia encontra-se devidamente fundamentada e a controvérsia sobre o elemento subjetivo deve ser apreciada pelo Tribunal do Júri; assim, não se justifica anular a pronúncia ou desclassificar o crime nesta fase processual, devendo o agravo regimental ser desprovido.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO DOLOSO NO TRÂNSITO. FASE DE MERO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA ACUSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO JÚRI PARA A ANÁLISE DO ELEMENTO SUBJETIVO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Consoante reiterados pronunciamentos deste Tribunal Superior, o deslinde da controvérsia sobre o elemento subjetivo do crime, especificamente se o acusado atuou com dolo eventual ou culpa consciente, fica reservado ao Tribunal do Júri, juiz natural da causa, no qual a defesa poderá exercer amplamente a tese contrária à imputação penal. 2. Havendo elementos indiciários que subsidiem, com razoabilidade, as versões conflitantes acerca da existência de dolo, ainda que eventual, a divergência deve ser solvida pelo Conselho de Sentença, evitando-se a indevida invasão da sua competência constitucional. 3. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por RICARDO MARTINS MORAES contra a decisão monocrática que conheci do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (e-STJ fls. 1.252/1.256). Consta dos autos que, após instrução penal, o agravante foi pronunciado como incurso no art. 121, caput, do Código Penal, por cinco vezes, e art. 306 da Lei n. 9.503/1997. A defesa interpôs recurso em sentido estrito, tendo o Tribunal de origem, negado provimento ao apelo, em acórdão assim ementado (e-STJ fl. 920): RECURSO EM SENTIDO ESTRITO- HOMICÍDIO E EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (ARTIGO 121 CAPUT DO CÓDIGO PENAL POR CINCO VEZES E ARTIGO 306 DO CTB) - DECISÃO PELA PRONÚNCIA DO ACUSADO - INSURGÊNCIA DA DEFESA -PLEITO PELA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA DO ACUSADO ANTE A OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO E ROGATÓRIA PELA DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME DE HOMICÍDIO DOLOSO PARA HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO - IMPOSSIBLIDADE - INDÍCIOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE DELITIVAS SUFICIENTES PARA JUSTIFICAR A DECISÃO DE PRONÚNCIA - JUIZ SOMENTE DESCLASSIFICARÁ A INFRAÇÃO PENAL CUJA DENÚNCIA FOI RECEBIDA COMO DELITO DOLOSO CONTRA A VIDA EM CASO DE CRISTALINA CERTEZA QUANTO À OCORRÊNCIA DE CRIME DIVERSO DAQUELES PREVISTOS NO ARTIGO 74, § 1º, DO CPP - JULGAMENTO ACERCA DE CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA É PRERROGATIVA CONSTITUCIONALMENTE ATRIBUÍDA AO TRIBUNAL DO JÚRI - SENTENÇA DE PRONÚNCIA MANTIDA -RECURSO DESPROVIDO Opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados. Inadmitido o recurso especial pelo Tribunal de origem (e-STJ fls. 1.158/1.166), os autos subiram a esta Corte por meio de agravo (e-STJ fls. 1.185/1.199). Perante o Superior Tribunal de Justiça, a defesa buscou a anulação do acórdão impugnado, para que as teses defensivas sejam apreciadas. Alternativamente, pugnou pela desclassificação da conduta imputada ao recorrente, ante a ausência de comprovação do dolo. Em decisão monocrática, conheci do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (e-STJ fls. 1.252/1.256). Neste agravo regimental, a defesa repisa os argumentos já lançados nas petições anteriores, reforçando que "a posição adotada pelo tribunal estadual está em confronto com aquela oriunda deste e. Superior Tribunal de Justiça, não estando a incidir, pois, a Súmula 568/STJ no presente caso" (e-STJ fl. 1.272). Assim, pugna pela reconsideração da decisão objurgada ou pela apreciação da matéria pelo colegiado. É, em síntese, o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO DOLOSO NO TRÂNSITO. FASE DE MERO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA ACUSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO JÚRI PARA A ANÁLISE DO ELEMENTO SUBJETIVO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Consoante reiterados pronunciamentos deste Tribunal Superior, o deslinde da controvérsia sobre o elemento subjetivo do crime, especificamente se o acusado atuou com dolo eventual ou culpa consciente, fica reservado ao Tribunal do Júri, juiz natural da causa, no qual a defesa poderá exercer amplamente a tese contrária à imputação penal. 2. Havendo elementos indiciários que subsidiem, com razoabilidade, as versões conflitantes acerca da existência de dolo, ainda que eventual, a divergência deve ser solvida pelo Conselho de Sentença, evitando-se a indevida invasão da sua competência constitucional. 3. Agravo regimental desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): A despeito dos argumentos apresentados pelo agravante, o recurso não apresenta argumento capaz de desconstituir os fundamentos que embasaram a decisão ora impugnada, de forma que merece ser integralmente mantida. Conforme descrito na decisão monocrática, quanto à violação ao art. 619 do CPP, do confronto entre as razões recursais e o acórdão impugnado, verifica-se que o Tribunal demonstrou especificamente, em decisão corretamente fundamentada, os motivos pelos quais entendeu pela manutenção da pronúncia do agravante. Assim, exaurido integralmente pelo Tribunal a quo o exame das questões trazidas à baila no recurso em sentido estrito, dispensáveis quaisquer outros pronunciamentos supletivos, mormente quando postulados apenas para atender ao inconformismo do recorrente, que, por via transversa, tentou modificar a conclusão alcançada pelo acórdão. Porém, a tal desiderato não se prestam os aclaratórios. A respeito, faço menção aos seguintes precedentes desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. CONDENAÇÃO FUNDADA EM PROVAS INQUISITORIAL E JUDICIAL. ART. 155 DO CPP. OFENSA. INEXISTÊNCIA. ACERVO PROBATÓRIO. SUFICIÊNCIA. AFERIÇÃO. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Não há violação do 619 do Código de Processo Penal. A Corte estadual analisou as pretensões deduzidas pela parte em atenção às especificidades do caso concreto. Na verdade, o agravante pretende, por via tangencial, revolver aspectos fático-probatórios e rediscutir a convicção prolatada pelas instâncias ordinárias. .. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 865.902/GO, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, DJe 07/06/2016.) Superada a questão acima, o recurso objetiva a desclassificação da conduta atribuída ao agravante para a forma culposa, em razão do reconhecimento da insuficiência de indícios do dolo. Acerca deste ponto, cumpre destacar que o acórdão recorrido entendeu que "em que se pese os argumentos despendidos pela defesa nas razões recursais, é possível constatar que o réu competiu para a prática do intento criminoso, à medida que, da análise da malha probatória coligida nos autos observa-se a presença de indícios suficientes de autoria, como necessários à admissibilidade da denúncia para o fim de pronunciar o recorrente, porquanto que, da análise dos elementos de prova presentes nos autos, verifica-se que o recorrente, em tese embriagado, ao forçar a ultrapassagem de uma caminhonete na rodovia, em trecho proibido, assumiu o risco de provocar o resultado lesivo, assim, não há que se falar em absolvição sumária ou desclassificação para modalidade culposa, devendo ser submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri" (e-STJ fl. 926). Com efeito, consoante reiterados pronunciamentos deste Tribunal, o deslinde da controvérsia sobre o elemento subjetivo do crime, especificamente, se o acusado atuou com dolo eventual ou culpa consciente, fica reservado ao Tribunal do Júri, Juiz natural da causa, no qual a defesa poderá exercer amplamente a tese contrária à imputação penal. Havendo elementos indiciários que subsidiem, com razoabilidade, as versões conflitantes acerca da existência de dolo, ainda que eventual, a divergência deve ser solvida pelo Conselho de Sentença, evitando-se a indevida invasão da sua competência constitucional. Assim, ainda que diante da ausência de certeza a respeito do dolo, porém em havendo elementos indicativos, mostra-se coerente a pronúncia do agravante. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO NA DIREÇÃO DE TRÂNSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. DESRESPEITO. INEXISTÊNCIA. JULGADO QUE SE LIMITOU A AFERIR A PRESENÇA DE INDÍCIOS DE DOLO EVENTUAL. CONCLUSÃO FUNDAMENTADA PELA INEXISTÊNCIA. VALORAÇÃO DE PROVAS. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. NÃO OCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE OUTROS ELEMENTOS DEMONSTRANDO HAVER INDÍCIOS DE DOLO EVENTUAL. INVIABILIDADE. MATÉRIA FÁTICO- PROBATÓRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no que diz respeito aos homicídios praticados na direção de veículo automotor, é na direção de que, na fase de pronúncia, a competência do Magistrado não se limita à simples verificação da materialidade e da autoria, mas também lhe compete aferir a existência de indícios mínimos de dolo eventual, sem que isso configure usurpação da competência do Tribunal do Júri. 2. Também se firmou a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que tão-somente a embriaguez, mesmo quando aliada a excesso de velocidade, seria suficiente para configurar indício mínimo de dolo eventual, mas há necessidade da presença de outros elementos concretos aptos a indicar que houve extrapolação do dever de cuidado, ínsito aos crimes culposos. 3. No caso dos autos, o Tribunal local afirmou que, não obstante estivesse comprovada a embriaguez, segundo o laudo pericial, o Agravado transitava dentro da velocidade permitida para a via (80 km/h) e, ainda, de acordo com o mesmo exame, não foi possível precisar o motivo pelo qual ele teria ingressado na contramão. Nesse ponto, afirmou o acórdão do recurso em sentido estrito, ainda, que nada demonstraria ter a invasão da faixa contrária ocorrido em razão da embriaguez. 4. Não houve usurpação da competência do Tribunal do Júri, pois a Corte de origem se limitou a aferir a ocorrência de indícios mínimos de dolo eventual. 5. O procedimento de avaliar se os fatos tidos como incontroversos no acórdão do recurso em sentido estrito seriam juridicamente aptos para configurar indícios mínimos de dolo eventual, constituiu exatamente o procedimento de valoração de provas que é requerido pelo Ministério Público no presente recurso interno e que não incide na vedação da Súmula n. 7 desta Corte Superior. Essa valoração foi realizada na decisão agravada e no voto proferido no presente recurso interno, apenas tendo se chegado a conclusão diversa daquela defendida pela Acusação. 6. Para verificar se, além dos fatos mencionados como incontroversos pela instância ordinária, haveria outros elementos que poderiam configurar indícios mínimos de dolo eventual, seria necessária a incursão aos fatos e ao conteúdo das provas, o que é vedado pelo referido Enunciado n. 7 desta Corte Superior. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.873.528/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 2/12/2022.) RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. PRONÚNCIA. JUSTA CAUSA. CONDUÇÃO DO VEÍCULO EM ESTADO DE EMBRIAGUEZ, EM ALTA VELOCIDADE, EM ZIQUE-ZAGUE E PELA CONTRAMÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS DE DOLO EVENTUAL. INEXISTÊNCIA DE CERTEZA JURÍDICA DE CULPA CONSCIENTE. DESCLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DOLO EVENTUAL. INCOMPATIBILIDADE COM A QUALIFICADORA OBJETIVA DESCRITA NO ART. 121, § 2º, III, DO CÓDIGO PENAL. QUALIFICADORA AFASTADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Havendo a indicação pelo Tribunal de origem de que o réu conduzia o automóvel embriagado, em alta velocidade e em zigue-zague, pela contramão, tem-se a presença de indícios de dolo eventual do homicídio, com a demonstração de justa causa para a pronúncia, não sendo juridicamente viável a desclassificação do delito, a qual exigiria certeza jurídica sobre a ocorrência de culpa consciente, nos termos do art. 419 do Código de Processo Penal. 2. No dolo eventual, o agente não quer o resultado, mas assume o risco de produzi-lo (art. 128, I - CP). Prevê o resultado, não o deseja, mas também não recua na conduta, assumindo o risco do resultado. Nos delitos de trânsito, precedentes têm admitido que o binômio embriaguez e velocidade, produzindo resultado danosos, implica dolo eventual, conclusão que não pode ser adotada de forma absoluta, mesmo porque não se garante que a previsão do resultado, pelo agente, dê-lhe a certeza de que também não pereça ou de que não seja lesionado. 3. Mas, de toda forma, a decisão pela ocorrência, dentro das circunstâncias do caso, de culpa consciente - o agente prevê o resultado mas espera que ele não ocorra - ou dolo eventual deve ficar para a definição do Tribunal do Júri, o juízo natural. 4. Conforme a jurisprudência desta Corte Superior, a qualificadora prevista no artigo 121, § 2º, III, do CP, que sugere a ideia de premeditação, com a percepção clara e definida do resultado almejado por parte do agente, não se compatibiliza com a figura do dolo eventual, no qual o agente, embora assuma o risco, não atua de forma direcionada à obtenção da ofensa ao bem jurídico tutelado. 5. Recurso especial parcialmente provido para afastar a qualificadora referente ao perigo comum reconhecida na pronúncia. (REsp n. 1.922.058/SC, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 14/9/2021, DJe de 21/9/2021.) Diante de todo o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o vot o. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator