AREsp 2594815 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a fração de diminuição da pena fixada em 1/6 foi fundamentada nas circunstâncias concretas do caso (injusta provocação de pouca relevância e ausência de lesões no réu), cuja modificação demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula...
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- Parties
- Recorrente: RAIMUNDO PEREIRA DE FRANÇA; Órgão Julgador De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Homicídio Privilegiado, Dosimetria Da Pena, Súmula 7/stj (vedação Ao Reexame Fático), Direito De Recorrer Em Liberdade, Admissibilidade Do Recurso Especial (súmula 284/stf)
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Parties
RAIMUNDO PEREIRA DE FRANÇA
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência e quantificação da causa de diminuição do art. 121, § 1º, do Código Penal
- 2 possibilidade de alteração do quantum de redução em recurso especial (reexame do acervo fático-probatório)
- 3 exigência de indicação específica de dispositivos federais no recurso especial quanto ao pedido de aguardar em liberdade
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a fração de diminuição da pena fixada em 1/6 foi fundamentada nas circunstâncias concretas do caso (injusta provocação de pouca relevância e ausência de lesões no réu), cuja modificação demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ; ademais, o pedido relativo a aguardar o trânsito em julgado em liberdade não indicou os dispositivos federais supostamente violados, incorrendo em deficiência de fundamentação e na incidência da Súmula 284/STF.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por RAIMUNDO PEREIRA DE FRANÇA, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, assim ementado (e-STJ, fls. 373-376): "PENAL E PROCESSO PENAL. APRCIM. HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO (ART. 121, §1º E § 2º, III E IV DO CP). ÉDITO PUNITIVO. ALEGATIVA DE DESPROPORCIONALIDADE NO PATAMAR REFERENTE AO PRIVILÉGIO. QUANTUM ADEQUADO AO CASO CONCRETO. JUSTIFICATIVA PLAUSÍVEL PARA FIXAR COTA DIVERSA DA MÁXIMA. PRECEDENTE DO STJ. ABRANDAMENTO DO REGIME INICIAL DE PENA. ESTRITA OBSERVÂNCIA AO ART. 33 DO CP. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. PRESSUPOSTOS DA PREVENTIVA PAUTADOS NA GRAVIDADE CONCRETA DO DELITO E PERICULUM IN LIBERTATIS. CÁRCERE CAUTELAR MANTIDO. DETRAÇÃO E JUSTIÇA GRATUITA. MATÉRIAS AFETAS AO JUÍZO EXECUTÓRIO. DECISUM MANTIDO. CONHECIMENTO E DESPROVIMENTO". Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 121, § 1º, do Código Penal. Aduz para tanto, em síntese, que a pena foi reduzida de forma desproporcional. Requer a aplicação do percentual de 1/3. Por fim, pleiteia a "concessão do direito do Recorrente de aguardar em liberdade o trânsito em julgado do decisum condenatório. Isto é, de recorrer em liberdade" (e-STJ, fl. 390). Com contrarrazões (e-STJ, fls. 393-404), o recurso especial foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 405-409), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não provimento do recurso (e-STJ, fls. 441-446). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. Depreende-se dos autos que ao deliberar pela fração de diminuição a ser imposta no caso em apreço, pela incidência da redutora prevista no art. 121, § 1º, do Código Penal, o Tribunal de origem o fez nos seguintes termos: "10. Com efeito, o magistrado primevo utilizou-se da redutiva no seu patamar mínimo (1/6), nos seguintes termos (ID 20867612): ".. Inexistem causas de aumento. Presente a causa de diminuição de pena do art.121, §1º, do Código Penal, pelo que reduzo a pena em 1/6 (um sexto), por considerar que a injusta provocação da vítima foi de pequena monta, ao passo que sequer houve registro de lesões corporais leves no corpo do réu, o que implica, portanto, em uma pena final de 10 (dez) anos de reclusão..". 11. De fato, Sua Excelência ao reduzir no fracionamento supra o fez com amparo em motivos idôneos, posto, estarem arrimados em subsídios fáticos-probatórios concretos, tendo em vista a injusta provocação ter sido de pouca relevância (a vítima supostamente o agredia no instante do fato)" (e-STJ, fls. 374-375). Sobre o tema, vale lembrar o entendimento desta Corte Superior no sentido de que " a escolha do quantum de diminuição relativo à privilegiadora prevista no art. 121, § 1º, do CP, entre os patamares de 1/6 a 1/3, deve se basear nas circunstâncias concretas evidenciadas nos autos, considerando "os elementos caracterizadores do homicídio privilegiado, ou seja, a relevância social ou moral da motivação do crime, ou o grau emotivo do réu, além da intensidade da injusta provocação realizada pela vítima. Precedente do Pretório Excelso" (AgRg no AREsp 1041612/PR, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 6/3/2018, DJe 16/3/2018)" (AgRg no AREsp n. 2.055.192/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 21/6/2022, DJe de 27/6/2022). No caso, o Tribunal de origem considerou que a injusta provocação da vítima foi de pouca relevância, pois embora o réu sustente ter sido agredido, nem sequer houve registro de lesão corporal leve em seu corpo, para dar azo ao homicídio em questão. Sendo assim, o decréscimo de (1/6), com base no art. 121, § 1º, CP, apresenta-se adequado e compatível com as circunstâncias do caso concreto, portanto, sem reparos. De todo modo, a alteração do julgado, a fim de reconhecer que a redução da pena deveria incidir em seu patamar máximo, demandaria o reexame do acervo fático-probatório, providência inviável em sede de recurso especial, conforme dispõe a Súmula 7/STJ. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO. DOSIMETRIA. PRIMEIRA FASE. REDUÇÃO DA PENA-BASE. INVIABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS E FRAÇÃO DE AUMENTO DEVIDAMENTE JUSTIFICADAS. CULPABILIDADE E CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO ACENTUADAS. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE. PRECEDENTES. AUMENTO DA FRAÇÃO DE REDUÇÃO PELO PRIVILÉGIO. INVIABILIDADE. MOTIVAÇÃO CONCRETA PARA APLICAR A FRAÇÃO NO PISO LEGAL. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO INVIÁVEL NA VIA ELEITA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 5. Na espécie, verifico que as instâncias singelas apontaram motivação concreta a justificar a fração de 1/6 para diminuição da pena em virtude do privilégio, ao destacar a intensa culpabilidade do paciente, que desferiu excessivos golpes de faca na vítima, que era convivente ou ex-convivente de sua filha. Acrescente-se a isso, haver sido consignado expressamente pela Magistrada a inexistência de elementos probantes da injusta provocação (e-STJ, fl. 17). 6. Nesse contexto, rever as premissas fáticas que conduziram as instâncias de origem a manter o quantum de redução demandaria o reexame do conteúdo fático-probatório dos autos, providência inviável em sede de habeas corpus. Precedentes. 7. Agravo regimental não provido". (AgRg no HC n. 841.609/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO QUALIFICADO. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA. FRAÇÃO DE REDUÇÃO. PROPORCIONALIDADE. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. 1. "Uma vez reconhecido o privilégio pelo Conselho de Sentença, compete do Juiz Presidente do Tribunal do Júri, dentro do seu livre convencimento, aplicar fundamentadamente a redução de pena prevista no § 1º do art. 121 do Código Penal. Deve a escolha do quantum de diminuição, segundo firme entendimento do STJ, basear-se na relevância do valor moral ou social, na intensidade do domínio do acusado pela violenta emoção ou no grau da injusta provocação do ofendido" (AgRg no AREsp n. 1.084.313/TO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/3/2019, DJe de 4/4/2019.) 2. No caso, as instâncias ordinárias, com esteio no acervo fático amealhado aos autos, durante a instrução criminal, concluíram que, entre a provocação e a reação violenta do réu, decorreu tempo suficiente para que o agente pudesse deliberar de forma diversa. 3. Assim, concluindo que a reação violenta não foi imediata à provocação, a aplicação do redutor em índice diverso do máximo está fundamentada e a alteração do referido entendimento efetivamente demandaria o revolvimento fático-probatório, providência vedada pela Súmula n. 7/STJ. 4. Agravo regimental improvido". (AgRg no AREsp n. 2.243.724/TO, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 7/5/2024, DJe de 13/5/2024.) Por fim, não pode ser conhecido o questionamento da parte recorrente quanto ao pedido de aguardar o trânsito em julgado em liberdade, pois o recurso, neste ponto, não indicou especificamente quais seriam os dispositivos de lei federal afrontados pelo acórdão recorrido. Tal circunstância configura deficiência na fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. Ressalte-se que o recurso especial é meio de impugnação de fundamentação vinculada, e por isso exige a indicação ostensiva dos textos normativos federais a que negou vigência o aresto impugnado. Não basta, para tanto, a menção de passagem a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto, como se estivesse a redigir uma apelação. Para inaugurar a instância especial, é imprescindível que o recurso especial aponte, com precisão, quais dispositivos legais teriam sido violados pela Corte de origem, o que não foi feito no presente caso. O tema é bem explicado no seguinte precedente: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. INCLUSÃO DA ESPOSA NO POLO PASSIVO DECORRENTE DA AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA QUE OSTENTA NATUREZA REAL. ROL DE DISPOSITIVOS AFRONTADOS, SEM INDIVIDUALIZAÇÃO. SÚMULA Nº 284/STF. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não é um menu onde a parte recorrente coloca à disposição do julgador diversos dispositivos legais para que esse escolha, a seu juízo, qual deles tenha sofrido violação. Compete à parte recorrente indicar de forma clara e precisa qual o dispositivo legal (artigo, parágrafo, inciso, alínea) que entende ter sofrido violação, sob pena de, não o fazendo, ver negado seguimento ao seu apelo extremo em virtude da incidência, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Agravo regimental a que se nega provimento". (AgRg no AREsp 583.401/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 25/03/2015) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA